Oasis

3 Passivo Metido a Ativo


Notas iniciais
Os olhos do Grey são tipo assim: https://38.media.tumblr.com/cb8630e21ab020ae3f01183af971c712/tumblr_mxf2tsglK01r72anao1_500.gif Não revisei! Se tiver erros, podem dizer.

Então, eu realmente não sabia o que faria nesse momento. Eu tinha Grey desacordado nos meus braços, precisava chegar ao hospital e tinha que dar um jeito de levá-lo em uma moto!

Mas de algum jeito eu consegui e só percebi isso quando estava gritando por ajuda no meio da instalação. Como eu tinha ido a um hospital razoável, não demorou muito para que viessem socorrê-lo.

Quanto a mim, não sabia por que, mas preferi ficar por ali pra ver se estava mesmo tudo bem. Quem sabe a culpa daquilo não era minha? Fui dirigido para uma sala de espera e fiquei ali sozinho, até ver um homem mais velho, nos seus 50 anos, chegando perto de mim e se sentando ao meu lado.

No jaleco, tinha escrito em letras bem grandes o nome do senhor. Afonso.

– Ele vai ficar bem, garoto. Perdeu sangue, mas conseguimos fazer tudo que fosse necessário a tempo – Sorriu pra mim e eu suspirei.

– Que bom, então.

– Você é o que do Grey? – Perguntou.

Ah, na verdade, eu sou absolutamente nada do idiota, nem o conheço, mas fazer o que. Por algum motivo, estava um pouco inquieto. Acho que era uma pontinha de culpa por ter falado o que falei antes disso tudo acontecer.

Tinha que dar alguma resposta satisfatória.

– Amigo. Estudamos na mesma sala.

– Hm, é a primeira vez que eu vejo alguém aqui com ele.

– Oi? Ele vem muito aqui?

Será que ele realmente tentava se matar?

– Ah, sim. De acordo com que a doença dele manda.

– Doença?! – Disse surpreso.

– Mas você não sabia? A aparência diferente e os aparelhos pra surdez que ele usa não são meros acasos.

O QUE?! Merda, eu sou um retardado! Por isso que o menino ficou morto de raiva quando perguntei que se ele era surdo. Que insensível. Mas também não é como se fosse minha culpa.

Quem iria imaginar isso? Até porque o cabelo dele esconde muito bem as orelhas! Aposto que ninguém sabe.

– Não, não sabia... – Disse meio pensativo.

– É chamada Síndrome de Waardenburg. É raro e o garoto tem sorte de conseguir ouvir com os aparelhos de surdez, se não fosse por isso...

Senti-me meio mal nessa hora. Eu sempre falava o que não devia e devo ter acabado tocando numa ferida dele. Só espero que essa situação toda não tenha nada a ver com o que eu havia dito. Engoli em seco e respirei fundo.

– Então ele vem muito aqui por isso?

– Na verdade, não... Acompanhamos o caso dele, mas o garoto sempre aparece por aqui e nunca conta o que aconteceu. Fala que caiu ou coisas do tipo, mas ninguém acredita – Suspirou.

– E os pais dele? – Estava ficando cada vez mais curioso.

– Tentei falar com eles, mas nada. Nem se quer atendem as ligações do hospital.

Senti-me um idiota. Eu tinha os melhores pais do mundo e era ruim saber que tinha pais por aí que nem queriam saber que o filho deles vai parar sempre no hospital. As pessoas deveriam se responsabilizar e cuidar daquele pedacinho de si que colocam no mundo. Até porque os filhos não têm culpa dos erros dos pais.

– Hum, mas quando ele vai acordar?

– Não vai demorar muito. Tudo depende de como vai se recuperar. Então é melhor você ir pra casa e descansar. Está todo sujo de sangue e com a camisa rasgada – Deu um sorriso confortante.

Olhei pra baixo e vi que era verdade, estava simplesmente uma bagunça. Porém havia algo que me dizia pra ficar ali, talvez fosse a culpa. Ou qualquer outra coisa, mas preferi ficar. Acho que me senti mal por causa dessa tal doença.

O motivo disso era o menos importante agora.

Essa história tinha me deixado morto de curiosidade! Não tem como eu ir embora! Agora é que minha vontade de provoca-lo tinha aumentado. E mesmo que isso fosse insensibilidade da minha parte, eu não me importava.

– Tem problema se eu ficar? – Perguntei com uma carinha pidona, estilo cachorro que caiu da mudança. O médico deu uma risadinha.

– Não. Não tem problema nenhum, pode ficar, mas vê se arranja algumas roupas, tudo bem? E o Ivanovich está no quarto 5 desse corredor.

Assenti e logo o senhor tinha saído dali para atender seus outros pacientes. Era até muito simpático, pra falar a verdade. Peguei meu celular, disquei um número e fiquei ouvindo até atender.

– “Filhote da mãe? Aconteceu alguma coisa?” – Perguntou preocupada.

– Aconteceu, mãe. Preciso passar a noite no hospital.

– “O que?!” – Gritou no meu ouvido. Quase fiquei surdo momentaneamente. Dona Carolina era uma exagerada – “Está tudo bem, filhote? O que aconteceu? Você se machucou?”

– Não, mas alguém que eu conheço vai precisar ficar por aqui. Vou ficar por aqui pra quando aquele lá acordar.

– “Como assim?!” – Perguntou falsamente chocada – “Meu bebê preocupado seriamente com alguém? Quem é essa gracinha? Preciso conhecer!”

Nunca que eu estaria preocupado! Só estava... Curioso!

– Mãe! – Repreendi.

– “Tudo bem, tudo bem. E as roupas, meu filho?”

– Eu me arranjo. Beijo. Te amo mamãe.

– “Amo você meu bebezinho.”

Tive que desligar antes que a conversa ficasse ainda mais constrangedora. Eu amo demais a minha mãe, porém algumas vezes ela não consegue se segurar e me deixa totalmente envergonhado. Porém não é como se eu não gostasse do carinho... Disquei outro número e esperei atender.

– “Fala, cara” – Disse Art.

– Faz um favorzinho? – Perguntei com uma voz de súplica.

– “O que foi? Tu sumiu no meio da aula. Suas coisas estão comigo.”

– Ah, valeu. Mas eu queria saber se tu podia trazer umas roupas pra mim.

– “Onde tu ‘tá?”

– Hospital.

– “Aconteceu algo? ‘Cê tá legal?”

– Estou bem. Vem pra cá que te conto.

– “De boa. ‘Tô indo pra aí”

Passei o endereço da minha casa para que o loiro pudesse pegar minhas roupas e o endereço do hospital. Levantei-me daquele banco duro e desconfortável e fui em direção do quarto que me disseram.

Quando entrei, pude ver o moreno totalmente pálido, ligado a alguns aparelhos. Parecia tão frágil que nem dava pra acreditar que era aquele idiota marrento quando estava acordado. Senti uma pontadinha de culpa, mas apenas ignorei. Era irritante demais.

Sentei na poltrona fofinha que ficava ao lado da cama e apoiei meus braços na parte vaga do colchão. A posição era realmente desconfortável, mas não demorou muito para que eu pudesse cair no sono.

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Quase tive um infarto quando o maldito telefone começou a tocar infernalmente alto dentro do bolso da minha calça. Porra, quem deixa o volume assim? Opa, eu mesmo.

A pessoa inconveniente que tinha me tirado do meu sono de beleza, super desconfortável por sinal, era Art, avisando-me que tinha chegado e me esperava no estacionamento do hospital. Ainda estava morto de sono, mas tinha que ir até ele.

Avistei o cabeça de palha escorado em um carro preto com uma expressão de tédio que contagiava. Até bocejei.

– E aí? Não se perdeu, não? – Debochei.

– Até te levaria em consideração se você não estivesse vestido como um mendigo – Apontou para as minhas roupas absurdamente esfarrapadas.

– Só cala a boca e me segue, lindo – Ironizei no apelido.

Ele me entregou a bolsa com minhas coisas, adentramos o hospital e, antes de qualquer coisa, Art teve que apresentar seus documentos na recepção, assim como eu tinha feito antes (claro que eu não narraria essa parte entediante), para poder ver o garoto que estava inconsciente no quarto.

Pagaria para ver a expressão de fúria do Grey quando soubesse que trouxe um praticamente desconhecido ao seu leito no hospital. Quando chegamos ao quarto, não deixei passar a expressão esquisita e meio triste que o loiro fez, quando viu o menor deitado na cama, parecendo morto de tão branco.

– O que aconteceu? – Perguntou.

– E eu é que sei? – Dei de ombros e sentei-me na poltrona, onde antes tinha cochilado.

– Como assim? Não é você que está aqui com ele, caralho? – Perguntou meio alterado.

Estranhei. Desde quando ele era tão próximo ao moleque pra ficar assim?

– Cara, você não grita comigo, tudo bem? – Disse com um tom de voz sério. Ele percebeu que estava fora de si e suspirou.

– Foi mal – E sentou-se na beirada da cama.

– Vai querer falar sobre isso ou eu vou ter que ficar roendo as unhas aqui?

Eu era curioso, droga!

– Ele é meu primo. É normal que eu fique preocupado, né?

– O QUE? – Okay, essa era nova!

Como assim o loiro de farmácia era primo do "passivo metido a ativo"? Ah, qual é. Todo mundo sabe que aquele Grey ali daria um ótimo passivo irritadinho. Não consigo imaginar ele sendo o ativo nem de uma mulher! Mesmo pagando de macho.

– É, é isso aí. Só que o cara não sabe, então fica quieto – Ameaçou.

– Como assim não sabe?

– Vamos dizer que os pais dele cortaram os laços com a família...

Então não seria do Art que eu poderia tirar informações sobre a família do Grey. Que tédio.

– E você não pretende contar pra ele?

– Pretendia, só que ele não dá ideia. Tentei falar com ele, mas nem me deu bola – Suspirou novamente.

– Que pena – Falei falsamente comovido. Tinha que tirar aquele clima ruim dali. Credo!

– Idiota – Sorriu – Mas então, vai ficar por aqui?

– Pelo visto, sim.

– Bom saber – Deu um sorriso malicioso e eu sabia que lá vinha merda – Vou deixar o casal a sós, então. Cuida do teu homem, Logan.

– Vai se foder, ‘viado! – Vociferei irritado.

– Ah, qual é! Todo mundo lá na escola sabe que ele curte uma piroca – Deu uma risadinha.

– Sério?! – Meus olhos cresceram de tamanho e soltei um sorriso muito luxurioso.

É claro que eu não faria nada. Eu não curto isso. Apesar de nunca ter me definido em um rótulo igual todos fazem. Pra mim são todos seres humanos. Não olho pra alguém pensando em sua opção sexual. Porém essa informação me renderia bons planos para irritar o senhor Ivanovich ali.

– Só não abusa – Piscou pra mim e eu joguei minha bolsa que ele havia trazido naquela cara de pau.

– Vai dar, Art.

– Ai, Logan amor, não faz assim – Fez uma vozinha feminina – Se o seu homem ver isso, ele vai ficar com ciúmes.

– Cala a boca, maldito!

– Tá bom, viado. Já vou indo – Disse isso e saiu do quarto em seguida.

Suspirei. Olha o amigo idiota que eu fui arrumar!

Levantei-me e fui tomar um banho, já que havia pelo menos um banheiro com chuveiro ali. Mas qual não foi a minha surpresa ao perceber que a água daquele quarto só tinha fria? Era muito bom pra ser verdade! É isso o que chamamos de Brasil!

"Nem pra arrumarem o chuveiro" – Choraminguei mentalmente.

De banho tomado, arrumei-me do melhor jeito que pude naquela poltrona e fiquei a fitar as bandagens nos pulsos daquele maluco. Ficaria uma cicatriz horrível naquele local. Mas o que me incomodava mesmo era:

Será que ele havia mesmo tentado se matar?

Notas finais
A parte do Grey e do Logan eu vou deixar para o próximo capítulo. Se não, ficaria muito grande... A síndrome de Waardenburg (no caso do meu personagem do tipo II) é real, apesar de ser bastante rara! Não achei muitas informações sobre ela, mas, pelo que eu vi, os portadores dela são surdos. Como essa é uma história, coloquei que o Grey é parcialmente surdo (não sei se isso é possível), ou seja, ele pode ouvir com ajuda dos aparelhos pra surdez, por isso o cabelo dele é relativamente grande, pra esconder isso! Além disso, é uma mutação genética que mexe com o gene MITF, que dá as coordenadas para a produção de uma proteína que controla as células responsáveis pela pigmentação, ou seja, responsável pela cor da pele, dos olhos e dos cabelos. Essas células também estão presentes no ouvido (ajudam na audição), no olho e nos cabelos (ajudam na pigmentação), por isso que, caso haja uma mutação nesse gene, a pessoa ficará com problemas de audição e a aparência diferenciada. Mas isso não interfere em nada no personagem!! Espero que gostem e obrigado por lerem! -Tay