Oasis
4 Ménage?
Notas iniciais
A primeira coisa que pensei quando acordei foi: Hoje eu mato alguém e não vou pra cadeia, porque sou brasileiro e menor de idade, "não dá nada pra mim". O filho da puta, mais conhecido como Grey, tinha simplesmente chutado meu corpo, que estava debruçado sobre sua cama, para o chão.
Na noite anterior, tinha acabado pegando no sono na poltrona com parte do tronco em cima do colchão onde estava o moreno.
Esfreguei a área da minha cabeça que havia ido de encontro com o chão e blasfemei contra todas as gerações daquele maldito russo.
Ah, qual é, ninguém sabia que Ivanovich é um nome russo?
– O que você está fazendo aqui? – Sim, o desgraçado usou um tom de nojo quando se referiu a mim.
– Isso é jeito de tratar quem te ajudou? – Respondi enquanto levantava-me e passava a mão no meu rosto amassado pelo sono.
– Foda-se isso. Sai! – Ordenou bravo.
Sorri. Ver ele irritado era o meu propósito mesmo. Não havia nada mais divertido.
– Sabe, acho que ainda não me enjoei da sua cara, então vou ficar aqui mesmo – Dei de ombros e voltei-me a sentar na poltrona, fechando os olhos que estavam incomodados com a claridade.
– Sai daqui, seu maldito! Agora!
– Não. 'Tô de boa aqui!
– Vai se foder. Não ligo se 'tá de boa, só não quero ver sua cara.
Estava me estressando. Acordo com um mal-humor ferrado, sendo chutado e ainda tenho que ser tratado assim depois de ajudar o garoto? Tentei ser razoável com ele, após decobrir da doença e etc. Porém ele é insuportável as vezes!
– Olha, garoto, larga de ser um idiota porque eu salvei a tua porra de vida. Então que tal um pouco de gratidão? – Soltei meio irritado.
– Nem fodendo. Eu não pedi sua ajuda.
– Então preferia morrer? – Perguntei incrédulo.
– E você me ajudou só pra me fazer te agradecer? – Respondeu com outra pergunta. Suspirei.
Os olhos queimavam de raiva e o menino tentava sentar-se na cama, falhando miseralvemente por não ter forças direito. Não pude conter uma risada. Grey me desprezava, mas nem ao menos conseguia ficar sentado corretamente.
Não custava nada ajudá-lo, não é?
Levantei-me, sentei na beirada da cama sendo ameaçado por um olhar meio psicótico e aproximei-me dele, pegando forte em sua cintura e ajudando-o a realizar o desejado. Ajeitei o travesseiro atrás das costas do "menor" (por cinco centímetros) para que ficasse mais confortável.
– Diz não precisar de mim, mas não consegue fazer o básico – Debochei.
Eu sei que o achava interessante, mas essa minha persistência com o garoto não está muito fora do normal não? Desde quando tenho tanto interesse em alguém?
– Apesar de que isso não é da sua conta, cara. Porque só não sai por aquela porta?
– Interesses? – Arqueei as sobrancelhas.
– Ah, então você é do tipo que quer só uma foda e depois some? Sinto muito, mas não vai conseguir nada aqui.
– Você é muito convencido mesmo – Dei uma risada.
Garoto interessante! Me divirto fazendo esse papel de cara insistente e irritante.
– Só sai daqui, porra!
– Não.
– Quando eu puder mexer minhas mãos, vai ser você a estar deitado aqui – Ameaçou.
– Isso significa que você estará no meu lugar, cuidado de mim – Sorri presunçoso.
– Você é muito engraçado mesmo, palhaço – Ironizou e, em seguida, fez a pior coisa que podia ter feito.
O projeto de demônio cuspiu no meu rosto! Ninguém nunca tinha feito isso comigo!
Ah, mas você me paga!
Tive uma ideia que faria com que ele pagasse e, de quebra, me divertiria muito, pois Grey ficaria morrendo de raiva. Sorri malicioso. Nunca tinha feito e nunca quis fazer isso com um homem, mas a situação pede por isso. Ele pediu por isso.
Limpei aquele líquido com os traços de DNA extraterrestre daquela criatura interessante e inclimei-me sobre ele. Vi que o menor ficou tenso e na defensiva, mas não podia fazer muito, já que estava acamado.
Não, eu não tinha dó de fazer isso com ele, mesmo nessas condições que o moreno se encontra. Ele cuspiu em mim, caralho!
Cheguei tão perto que podia sentir a respiração alterada pela raiva do outro. Balançou a cabeça para dar-me uma cabeçada, mas apenas desviei e encostei meus lábios na sua bochecha branquinha.
Todo o corpo um pouco musculoso do garoto ficou tenso e eu sorri vitorioso. Abri um pouco a boca e deixei a minha língua resvalar por aquela pele lisinha. Lambi e chupei aquele pedaço de carne gordinho. Grey parecia ainda em choque pelo movimento ousado da minha parte.
– Você acha que qualquer um que chegar perto de você vai querer alguma coisa? – Sorri e fui descendo meus lábios da bochecha, pela mandíbula e pescoço. Inalando bem aquele cheiro diferente de morango, bem masculino, mas, supreendemente, bom.
Quando cheguei ao pescoço, deixei com que minha respiração quente entrasse em contato com aquela pele alva, causando-o arrepios.
Ele era mesmo gay!
– Para com isso, filho da puta! – Gritou.
– Sabe – Sorri – Eu não sou gay, mas você pede por isso – Funguei naquela área e esfreguei meu nariz lentamente, provocando-o.
Olhei para cima e pude vê-lo apertando os olhos fechados fortemente, todo rubro de raiva. Aprende a me provocar agora, delicinha.
– Desgraçado – Sussurrou bravo. Sorri de novo.
Porra, porque incomoda-lo era tão gostoso?
– Pede desculpas e eu paro.
Adoraria vê-lo se desculpando assim. Seria humilhante para o moreno, com certeza. Pra mim, seria divertido.
– Nem ferrando.
– 'Tá bem – Sorri meio psicoticamente.
Vale ressaltar que não tenho muito controle sobre as minhas emoções. Digamos... Que elas possam sair do controle ás vezes.
Arrastei aquela roupa branca do hospital um pouco pra baixo e colei meus lábios na área entre o pescoço e o ombro, chupando do melhor modo que eu podia. Passando a língua quente devagar e excitantemente naquele local, cuidando para não deixar nenhuma marca.
Grey remexia-se impacientemente, tentando tirar-me dali, mas o seu arfar o denunciava completamente. Acontece que nós homens temos muito desejo sexual e ele estava especialmente sensível naquela região, então, mesmo sem querer, o resultado seria esse.
Um passivo rabugento arfando sensualmente. Certo, esqueçamos a parte em que eu citei que era "sensual".
– Vou te matar! – Gritou.
– Tente!
Bufou irritado.
– Eu vou te encher de porrada, Logan!
– Você vai pedir pela minha ajuda e vai ficar bem bonzinho – Sorri provocativo – Anda!
– Sai daqui! Sai! Sai!
– Pede: por favor, Logan!
Via seu olhar mortal dirigido a mim, mas não podia me importar menos. Pelo menos enquanto ele não achava uma solução pra me tirar dali. Levei minhas mãos a sua nuca, puxando os fios negros e incrivelmente macios, apenas para me dar mais espaço para brincar com seu pescoço.
– Qual seu problema, cara? – Esbravejou – Você não é gay! Vi quando tentava comer aquelas vadias da escola com os olhos! Então, dá pra parar de sacanear comigo só porque sou uma porra de um viado?
Parei o que fazia e afastei-me um pouco dele, apenas fitando-o. Passei as mãos pelos cabelos. Que porra eu 'tava fazendo? Não sou de assediar quem não quer. Até porque geralmente nunca sou negado.
– Eu sei que você é – Dei de ombros – Mas eu não brincaria assim só porque você é gay. Não sou tão cruel.
Suspirei. Eu sou assim tão cruel, mas não faria nada com ele. Eu prefiro peitos e vaginas.
Logo depois disso, aconteceu a coisa mais previsível de todas. O idiota voltou a ignorar-me; Até deixaria assim, porém lembrei de algo que me chamou atenção no meio da nossa conversa anterior.
– Quer dizer que estava prestando atenção em mim? – Provoquei, usando um tom malicioso. Algo característico da minha personalidade.
Grey sabia dos meus olhares maliciosos em direção as meninas. Okay, isso soou meio pervertido, mas, na maioria das vezes, elas que começam com esse joguinho de sedução.
– É impossível não notar. Parece até uma fêmea no cio – Rebateu arisco – Está tentando levar o prêmio de comedor de bocetas do ano?
– Olha, isso me parece interessante! – Sorri e saí daquela cama, ficando em pé e parando ao lado da mesma.
– Puto – Disse com nojo – Queria ver a cara dessas idiotas quando soubessem do seu showzinho gay de agora a pouco. Qual seria sua explicação a elas? – Falou sem interesse em saber.
Porque perguntou, então, idiota?
– Ménage? – Fiz uma cara travessa.
– Rídiculo – Desdenhou.
Apertei o botãozinho que havia por ali, o que chamaria a enfermeira, e comecei a andar em direção ao banheiro. Estava morto de fome, porém precisava fazer minha higiene matinal antes de descer para o refeitório do hospital.
– Daqui a pouco volto para cuidar de você, querida – Ironizei no apelido e vi a face do menor se contorcer em raiva antes que eu pudesse entrar no banheiro.
Com certeza ele teria mandado um dedo do meio, se pudesse.
Enquanto estava dentro daquele cubículo, que mal me cabia de tão pequeno, pensava no que me deu para fazer uma idiotice daquelas. Tudo bem que eu era pervertido e nunca me defini sexualmente, até porque não curto esses rótulos, mas eu devia estar mesmo no fundo do poço pra provocar aquele bicho estranho.
Desde quando eu sentia vontade de fazer essas coisas com um marmanjo?
Que bagunça!
Ele me deixa louco, fora de mim, sei lá, acho que a minha sanidade tem alergia a um tal de Grey Ivanovich.
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