Oasis

26 Meter a Porrada no GreyLaden


Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo e matem a saudade dos nossos personagem!! Qualquer coisa podem perguntar por mensagem. Aliás, caso queiram algum contato, meu perfil no Social Spirit está linkado aqui: socialspirit.com.br/tay_staz

Não quis nem saber se podia ser algo sinistro. Apenas dei espaço para que ela entrasse na minha casa. Porra! Estava curioso. Qualquer coisa que me ajudasse a resolver aquele problema com a escola era muito bem-vindo.

A loira dirigiu-se ao sofá e ficou esperando que eu me sentasse. Assim que o fiz, Alice sentou-se no meu colo e, sorrindo, colocou as mãos geladas no meu rosto. Cheguei a conclusão brilhante de que não a rejeitaria. Daria uma chance pra ela. Quem sabe ela não tinha as respostas que eu precisava naquele momento?

– E aí? Não tinha uma parada pra me falar? – Disse quando percebi que ela não falaria nada.

– Eu consegui um vídeo do dia do teu aniversário que pode te ajudar.

– Oi? – Como, caralho, isso poderia me ajudar?!

– Pensa, Logan – Respondeu impaciente – Quem é o pai do Dênis?

– O governador?

Não sei, vai que ele era um bastardo? Não me surpreenderia.

– Isso – Jogou a franja escorrida pra trás – E qual a campanha de reeleição desse governador?

Foi aí que entendi o que ela queria dizer. Deus, finalmente, havia dado o ar da graça por meio daquele cabelo oxigenado.

Realmente, aquilo tinha pelo menos 50% de chance de dar certo. Era também a única aposta que eu tinha. Até que valia a pena arriscar. Coloquei as mãos na cintura dela e apertei-a contra meu corpo.

– Porra – Soltei uma risadinha abafada – Isso foi do caralho. Como conseguiu?

Daria uma chance pra ela. A menina tinha acabado de me ajudar e, mesmo que eu não gostasse de ajuda na maioria das vezes, reconhecia que aquele era um dos momentos em que eu precisava.

O que acontece é que o pai do usurpador de paciência ambulante tinha uma campanha que tinha sua base no combate ao preconceito.

De todos os tipos!

Se um vídeo do filho do governador agindo daquele jeito, totalmente preconceituoso e partindo para a agressão, caísse na rede, seria o começo do fim da reputação daquela família. Era algo que o diretor da escola não poderia ignorar.

Já sabia o que tinha que fazer.

– Tenho meus contatos – Sorriu minimamente e deu um beijo na minha bochecha – Mas quero uma recompensa.

A última frase havia sido sussurrada de uma forma nada ingênua no meu ouvido. E... Porra. Era nesses momentos que eu me lembrava, claramente, que eu tinha um pinto; Um bem ativo, pra ser sincero.

Logo depois pude sentir sua pélvis movimentando-se em círculos, fazendo com que toda aquela carne e pele da parte inferior do seu corpo se esfregassem em uma região muito conveniente pra quem ‘tava na seca por um tempo quase torturante.

Esqueci que quem estava ali era uma maluca varrida, uma mulher sociopata, que estava prestes a acabar com a minha porra de vida por causa de um filho que nem tinha sido planejado. Porém, pra não foder mais com tudo, tive uma ideia.

–Alice – Chamei -a e a garota parou com tudo – Pensa aqui comigo. Topa ir num clube?

– Só nós dois?

– Claro – Sorri maliciosamente e nem senti tristeza ao mentir para ela.

Minhas contas não estavam na folha de despejas dela. Não tem porque me sentir culpado por mentir.

– Nossa! Demorou – Ficou completamente animada com um sorriso que não cabia no rosto.

– Amanhã após a aula, já é? – Conclui.

– Beleza, combinado – Não tirava o sorriso da cara. Era até desconcertante – Tenho umas ‘parada pra fazer agora, lindo. A gente se vê amanhã.

Ela me deu um selinho e saiu rapidamente pela porta da frente. Joguei minha cabeça no sofá e fiquei com uma cara, ao menos, confusa. Nada naquilo cheirava bem. As coisas não se resolvem que nem fazer bolha de sabão.

Mas... Porra! Era a solução que eu estava procurando. Quem seria eu se não me aproveitasse daquela chance.

Deixei de pensar no assunto quando dona Carolina chegou para almoçar em casa. Contei-lhe as boas novas e minha mãe ficou toda feliz. Agora era esperar para que eu, ou alguém, de alguma forma inexplicável, não fodesse com tudo. Pra variar, obviamente.

Voltei para o meu quarto e me lembrei de falar com a minha melhor amiga. Peguei o telefone e disquei seu número.

– Fala gostoso – Ela disse com aquela voz que eu conhecia muito bem.

Aquele tom engraçadinho que ela usava quando estava fazendo coisas que os pais não imaginam que você faça, a não ser que vire pai ou se case. No meu caso, era a primeira opção, infelizmente.

Ah, qual é. Eu era um vagabundo. Não fui feito pra casar. Muito menos pra ser pai, mas a vida é uma doçura (vadia) mesmo.

Só pude ficar meio chateado. Minha melhor amiga ‘tava pegando alguém e não tinha me contado?

– ‘Tá ocupada? – Não ia esconder que eu estava com raivinha. Eu contava tudo pra ela e Iris me escondia coisas?

– Não. Pode ir falando aí – Riu. Arqueei as sobrancelhas. Ela, definitivamente, estava com alguém.

Ah, foda-se também. Pelo menos, alguém tinha que estar com a vida sexual em dia por aqui. Pena que esse alguém, infelizmente, não sou eu.

– Dei meu jeito no problema da escola – Coloquei o telefone no viva-voz para que pudesse ler uma mensagem que havia chegado – ‘Vamo no tal do clube que tu queria ir.

– É assim que eu curto, ruivo – Riu novamente – Garotos com atitudes são os mais gostosos – Dizia, mas por algum motivo aquilo não parecia ser somente pra mim.

A garota estava mesmo com alguém! Sorri malicioso. Eu também era filho de Deus, porra.

– Beleza. Era só isso – Já ia desligar quando ela disse alguma coisa – O que?

– O Eri, Logan. O que aconteceu? – A última letra saiu meio gemida. Não pude deixar de sorrir. Apesar de estar chateado por ter sido excluído desse assunto, filhos de Deus ainda têm suas necessidades.

Contei pra ela tudo que tinha acontecido enquanto prestava atenção nos sinais claros de que tinha outra pessoa ali.

Na manhã seguinte, me arrumei para ir para a escola como fazia todos os dias. Peguei a Joana e cheguei ao meu destino o mais rápido o possível. Não via a hora de esfregar minha volta na cara daquele filho da puta.

Ao entrar, vi Art jogado em um banco por ali. Parecia imensamente cansado. Sentei-me na beirada, quase o jogando no chão. Quando me viu, ficou me encarando e tentando entender que porra eu estava fazendo ali.

– Estudando?! – Adivinhei seus pensamentos.

– Acho que esqueceu a parte aonde era expulso, cara – Provocou.

– Mas que mal humorado – Cheguei meu rosto perto do seu – Esqueceram de te comer, por acaso?

– Vai se foder – Me empurrou e riu – Quem costuma ter um pé no arco-íris aqui é tu, filho da puta.

– Ai – Fiz uma voz mansa – Me enche mais de amor, vai – E ri da sua cara de desgosto em seguida.

– Mas fala aí, maluco – Espreguiçou-se e me sentei ao seu lado – Deu teu jeito de voltar pra cá?

– Eu sempre dou – Disse sugestivamente. O loiro riu novamente.

Estalei um beijo na sua bochecha apenas para provocar e me coloquei a sair dali. Tinha algo importante para resolver antes que as aulas começassem.

Fui em direção ao último andar e bati na porta da direção. Ouvi a voz masculina dizendo que eu poderia entrar. Sorri assim que percebi a expressão severa que o homem de meia idade fazia.

– Creio que já te informaram que sua matrícula está suspensa – Expôs enquanto mexia em alguns papéis que estavam na mesa que havia ali.

Matrícula suspensa? Eufemismo da porra. Ele queria dizer que haviam me expulsado. Velho engomadinho do caralho.

– Não vai me pedir pra sentar? – Sorri ainda mais provocativo.

– Sente-se – Apontou para a cadeira a sua frente – Mas acredito que essa conversa não nos levará a algum lugar. Minha decisão continua a mesma.

– Acredito que sim – Disse enquanto mexia no meu celular e abria o vídeo que Alice havia me mandado – Mas pelo mesmo motivo que tomou essa decisão, vai me colocar aqui dentro de volta.

– Não aceito ordens de alunos. Se era só isso, pode ir – Voltou a prestar atenção aos papéis.

Sem falar nada, dei play no vídeo e coloquei na frente do homem. A minha voz em conjunto com a de Dênis puderam ser ouvidas naquela sala vazia. Via a expressão de insatisfação que se fazia presente na face do diretor.

– Nossa, acho que esse vídeo na internet iria virar um hit – Peguei o celular de volta quando a gravação terminou e guardei no bolso traseiro – Todo mundo ia adorar ver que o filho do governador é ‘mó preconceituoso. Quem sabe o pai também não é?

Quando eu queria, poderia ser o inferno na Terra.

– Sua aula começou tem exatamente cinco minutos – Disse enquanto massageava as têmporas.

E não é que aquele vídeo deu certo? Fiquei empolgado e não tirei o sorriso da cara. Nem ligava se estaria trazendo problemas para o diretor futuramente. Ele que se virasse com Dênis, governador e o caralho a quatro.

Eu estava de volta. E aquilo teria troco. Porra! Ah, se teria...

ૐ

Caio’s POV

Não sabia o que fazer. Achava que iria entrar em desespero a qualquer momento. Sabia, mais do que ninguém, que eu tinha sido um puta de um idiota. O que eu tinha feito era algo que nem o Logan faria.

Acreditem ou não, saber disso me assustava.

Desde que Eric havia saído da boate com o ruivo, eu já tinha percebido que havia feito merda. Não. Assim que havia falado, sabia que não deveria ter feito. Porém eu estava tão bêbado e confuso.

Porém aquele cara moreno que eu beijava havia aparecido no banheiro e me puxado para um corredor escuro. Não impedi. Eu queria saber se eu era gay ou, pelo menos, bissexual. Não dava pra fazer isso com Eric.

Não dava porque ele me fazia sentir estranho. Não sabia o que era. Era bom, mas dava medo. Eu estava fugindo daquele sentimento por uma vida inteira. Éramos melhores amigos desde sempre. Crescemos juntos, vivemos juntos.

Eu tinha bebido muito naquele dia. E aquele cara estava ali, me oferecendo a oportunidade de entender aquele sentimento de anos. Não recusei. Porém não foi tudo aquilo que eu estava esperando e, quando Eric apareceu por ali, entrei em pânico.

Primeiro motivo: Percebi, finalmente, que eu estava apaixonado por um homem.

Segundo motivo: Eu estava apaixonado pelo Eric.

Terceiro motivo: Não conseguia aceitar isso.

Quarto motivo: Ele tinha acabado de me pegar beijando outro cara.

E eu sabia que o quarto motivo era o suficiente para me deixar nervoso. Eu sabia que ele gostava de mim, então não tinha a mínima ideia de como agir naquela situação. Por isso, agi da pior maneira possível.

Aceitar que eu tinha beijado um cara era fácil. Poderia dizer que era curiosidade. Já aceitar que eu estava amando meu melhor amigo foi a coisa mais difícil que eu havia feito na minha vida.

E doeu em mim as coisas que eu disse, mas doeu mais ainda o soco que ele me deu e o beijo que estalou nos lábios de um dos nossos melhores amigos. Relembrei do nosso primeiro beijo, a primeira vez que fizemos sexo, e fiquei puto.

Eu também estava bêbado naquele dia. O dia que a bebida também deu coragem para ele roubar um beijo meu no quarto dele. Fizemos sexo mesmo com o perigo de não nos lembrarmos no dia seguinte.

E, porra, eu me lembrava de pensar como havia sido um puta de um sexo. Tinha sido gostoso pra caralho e eu queria repetir. Enquanto eu podia dar a desculpa da curiosidade, tudo bem.

Mas beijar aquele outro cara não havia sido nem ao menos excitante. Não como era com Eric. Obviamente, eu sou homem, então era obrigado a admitir que não havia sido de todo ruim, mas com o meu melhor amigo era muito melhor.

Por algum motivo, perceber que eu tinha me apaixonado me deixou com muita raiva de mim mesmo. Acabei extravasando o que eu sentia da maneira errada, descontando nele.

Então, assim que Eric saiu com passos firmes dali, eu percebi a merda que tinha feito. Saí correndo atrás dele para me explicar, tentar resolver as coisas, mas já era tarde demais. Conhecendo a sua personalidade, o moreno me daria um puta gelo.

Voltei para casa, de alguma forma. Sei que passei a noite em claro. Liguei feito louco para o moreno e para o ruivo, mas ninguém atendia.

Até resolvi mandar mensagens e ninguém me respondia. Comecei a imaginar que Eri estivesse sendo consolado por aquele ruivo zoado e continuei a ficar meio desesperado.

Cheguei até a pensar que eles poderiam ter sofrido algum acidente. Mesmo sem ter dormido e com álcool no sangue, fui para a aula na manhã seguinte.

Eric, despedaçando todas as minhas esperanças, não apareceu.

Fiquei de mal humor o resto do dia. Liguei para a mãe do Eri à tarde, mas ela disse que seu filho não queria falar comigo por enquanto.

Estranhei. Porém não tive tempo de pensar em mais nada, pois, assim que me deitei na minha cama, apaguei e acordei só na manhã seguinte.

Arrumei do melhor jeito que pude, decidido a falar com ele. Aposto que meu melhor amigo não faltaria de novo. O moreno odiava matar aula e perder a matéria. Quando cheguei na sala de aula, atrasado, fechei a cara.

Logan sentava atrás do Eri. Desde criança, aquele era o lugar que eu sempre usava. Atrás do menor. Fui, indignado, para o lugar onde o ruivo deveria estar sentado. Joguei uma bolinha de papel nele.

– O que tá fazendo aí, filhodaputa? – Perguntei baixo, mas um pouco agressivo. Nada era culpa dele naquela situação, mas eu me sentia irritado.

– Caio, o Eric não tá querendo ver a tua cara nem se tu fosse um pinto bem grande e ele estivesse sem dar desde 1970.

– Que porra é essa? – Fiquei vermelho de raiva por ser um pouco mais branco que o normal.

– Só dá um tempo – Disse, piscando pra mim.

Não entendi. Logo recebi um bilhete assinado com o nome dele e escrito com aquela letra horrorosa que só Logan tinha:

“O cara ‘tá mal. Pediu pra ocupar teu lugar. Deixa passar. Tu é um desgraçado filho da puta, mas logo vocês se resolvem.”

Fiquei tentando entender que caralho tinha acontecido com meu amigo. Aquele ruivo tinha ficado tempo demais no sol? Só aí percebi que ele tinha voltado pra sala, mesmo sendo expulso.

Perguntei isso a ele e ficamos trocando bilhetes o resto da aula. Não queríamos falar, já que o professor nos mandaria calar a boca. Pelo menos, pude raciocinar melhor e decidir que precisava me acalmar antes de ir ter aquela conversa com o Eric.

No intervalo, já tinha relaxado o que precisava. Quando fui pegar o braço do moreno para leva-lo para um lugar onde pudéssemos ficar sozinhos, ele já tinha se mandado da sala. Suspirei.

– Se for procurar por ele – Começou Iris, colocando-se na minha frente – Já vou avisando que é pra fazer a porra toda certa – Ostentava uma expressão meio irritada.

Nem respondi. Sabia que ela estava preocupada e que também estava certa. Depois de pensar um pouco, resolvi procura-lo no único local da escola em que eu podia pensar que ele iria para que pudesse ficar sozinho quando estava chateado.

Era um gramado que ficava do lado do galpão de artes, um lugar que ninguém ia. Ali tinha alguns banquinhos e, quando cheguei, Eric estava deitado em um deles enquanto lia algo em seu celular.

– Porra, Logan – Começou sem saber que era eu que estava me aproximando dele – Não vou me suicidar, caralho.

– E eu tenho cara daquele ruivo zoado? – Perguntei. O outro tomou um susto, deixando o celular cair na sua testa.

– Ai, merda – Resmungou enquanto se sentava em com uma postura tensa e massageava o local machucado – Se liga, Caio. Não tô querendo falar contigo hoje não.

Sentei-me ao seu lado e Eric se afastou o máximo que pôde. Aquilo me deixou nervoso.

– Eu tô querendo bater um papo contigo – Falei meio grosso. Não estava preparado para aquela conversa, mas não conseguia ficar sem conversar com meu melhor amigo.

– Se for pra bater, vai bater uma para aquela tua foda lá da boate – Respondeu com raiva – Me deixa, na boa.

Respirei fundo. Não ia ligar para o que o menor falava, já que costumava falar muita besteira quando se irritava. Nesse aspecto, parecia muito comigo. Talvez por isso nos déssemos tão bem em algumas coisas e tão mal em outras.

– Ei, Eri – Tentei começar.

– Merda – Passou a mão pelo cabelo com raiva – Não me chama assim!

– Só me escuta, beleza? – Silêncio – Desculpa. Eu fui ‘mó idiota aquele dia, beleza? Eu sei disso e ‘tô arrependido e tudo mais – Agora que tinha sua atenção, não sabia o que falar.

– Claro, porque não?! Pedir desculpas sempre resolve as merdas que tu faz – Ironizou.

Eu sabia que Eric estava achando aquele discurso ridículo. Meu pensamento se concretizou quando ele levantou e estava indo embora. Eu, obviamente, não ia deixar. Agarrei seu braço com força.

– Me escuta, caralho.

– Não me faz te meter a porrada de novo – Usou seu tom mais agressivo.

– Só fica quietinho um segundo – Puxei seu corpo contra o meu, mas me desequilibrei, devido a sua relutância, e caímos na grama.

O problema foi que dei de cara com o chão de terra. Senti uma dor do quinto dos infernos que me obrigou a levar a mão ao nariz.

– Ai, caralho! Ai, caralho! – O moreno dizia meio desesperado.

Senti o sangue escorrendo e pronto! Lá estava o melhor pedido de desculpas que esse mundo teve o desprazer de ver. Fechei os olhos e levantei a cabeça o máximo que pude pra ver se o sangue parava de descer.

– Se ficar tão desesperado, vou achar que ‘tô morrendo.

– Cala a boca, seu filho de uma puta. Para de me assustar assim. Que merda – Soltou tudo de uma vez. Fiquei com uma puta vontade de rir, mas não conseguia por causa da dor.

– A culpa é tua que resolveu abrir a boca na hora errada e nem era pra me chupar – Provoquei.

– Não me faz terminar de quebrar esse seu nariz empinado.

Ri, mesmo que doesse um pouco porque a queda tinha sido dura para o pobre do meu nariz. Fiquei encarando Eric, que por sua vez encarava a grama. Tudo em completo silêncio. Até que me lembrei de algo.

– Eric – Chamei sua atenção – Lembra de quando a gente era pirralho e os garotos te enchiam o saco?

– ‘Tá piorando a situação – Suspirou enquanto dirigia seu olhar para o céu dessa vez.

– Tudo porque você era meio tímido, ainda é, por falar nisso – Ele ficava calado, esperando aonde eu queria chegar com aquilo – E você tinha aquelas cartinhas daquele desenho, mas não emprestava pra ninguém – Ri daquilo. Eram boas lembranças.

– Vou embora – Tentou se levantar, porém alcancei sua mão e puxei todo o seu corpo para baixo de novo.

– Aí teve um dia que o Carlos queria muito jogar com o resto dos meninos, mas você disse não – Carlos era um colega nosso de infância que não aceitava uma resposta negativa – E ele tentou pegar da tua mão, mas não conseguiu. Só lembro que ele te meteu o soco e tu começou a olhar para o nada, como se tivesse tido um surto mental. Não lembro o que pensei na hora, mas a próxima coisa que percebi foi você me dando um chute no saco porque eu tinha deixado o menino inconsciente. A gente tinha, o que? Nove anos?

– Onze – Sussurrou, parecendo pensativo.

– E o pior nem foi o Carlos ficar com tanto medo de mim que implorou pra mãe dele tirar ele da escola – Ri baixinho – O que mais me deixou chateado foi que a minha mãe me proibiu de te ver por um mês inteirinho, lembra? Achei que nunca mais ia ligar meu videogame depois daquilo.

– Tu sempre foi impulsivo demais – Constatou.

– Eu sei. É por isso que aquilo aconteceu na boate. Eu estava confuso, tá legal? Foi impulsivo de minha parte deixar aquele cara me beijar só pra saber o que eu ‘tava e ainda ‘tô sentindo. Não foi certo, eu ‘tô ligado!

Ele pareceu pensar por alguns minutos.

– Você sabe desde quando?

Eu sabia do que ele estava falando. Eric queria saber desde quando eu sabia que o menor gostava de mim bem mais do que um amigo de infância.

– Acho que desde sempre.

O moreno fez uma careta, como se o seu esforço, em tentar esconder aquilo de mim, havia sido todo desperdiçado; O que não era uma mentira.

– Caio – Chamou minha atenção e voltei meus olhos para encarar os seus – Você não tem que fazer as coisas pensando se vai ou não me magoar, principalmente se não consegue gostar de mim da mesma forma – Suspirou – Mas, se for por um motivo desses, dá pra fazer a porra do favor de não me machucar desse jeito, caralho?! Eu sou homem, merda, mas isso não quer dizer que eu não fico chateado, magoado.

– Eu sei – Cheguei um pouco mais perto – Por isso ‘tô tentando te pedir desculpas aqui – Ri um pouco rouco. Meu nariz havia parado de sangrar a esse ponto da conversa.

– Eu entendi – Jogou-se na grama, tirou uma bala de goma do bolso e a comeu – Mas ainda ‘tô esperando tu falar o que devia ter falado.

Pensei um pouco e percebi. Em nenhum momento, eu havia tocado no assunto sobre o que eu tinha descoberto sentir por ele.

– Sei lá. Acho que isso vai soar meio estranho, mas acho que ‘tô te amando desde quando tu ficava lá em casa no meu pé, pedindo pra eu descer contigo no escorregador.

– Caralho – O menor riu pela primeira vez naquela conversa – Essa foi a primeira vez que eu te vi. Não vem me zoar, cara.

– Mas é isso mesmo – Ri – Essa tua cara de nerd punheteiro me conquistou desde sempre.

– Vai se foder – Chutou minha canela do jeito que conseguiu por estar deitado – Vai se foder mesmo porque eu sou gostoso pra caralho.

– Eu sei.

– E não vai achando que eu te perdoei não – Disse enquanto se sentava e olhava para mim com a cara mais maliciosa que o vi fazer – Minha recompensa é a tua bunda.

Olhei para ele embasbacado, querendo muito fingir que não tinha ouvido aquilo.

– CARALHO, NEM A PAU!

E pude ouvir sua risada. Não pude conter o meu sorriso em resposta.

ૐ

Logan’s POV

Após conversar com Caio, percebi que ele tinha ficado mais na boa. Quando o loiro havia entrado na sala, parecia que era um homem bomba, prestes a explodir, e não um idiota que tinha brigado com o crush.

No horário do intervalo, Caio e Eric haviam ido resolver seus assuntos e, provavelmente, transar. E, claro, eu sempre imagino o melhor dos meus melhores amigos.

Antes mesmo de sair da sala, procurei Grey pelos quatros cantos daquele lugar que estava quente ‘pra porra. Eu suava que nem um condenado. O moreno não estava ali. Procurei pelo caralho a quatro e não o encontrei.

Perguntei a Iris, que ainda estava irada pelo assunto da boate, e não tive nenhuma resposta satisfatória. Ninguém merece. Se eu fosse procurar pelo Bin Laden [morto (?), por sinal], seria mais fácil do que encontrar o Grey.

A ansiedade para colar com os meus amigos no clube era tão grande que o tempo passou arrastando. Só fui me distrair quando o professor de Empreendedorismo resolveu dar uma de mímico na sala e começou com alguma coisa indefinida.

Antes de ir embora para casa e arrumar minhas coisas, Art disse que iria comigo. Pra que? Só Deus sabe. Fomos conversando até que eu parasse na porta da cozinha e visse minha mãe com uma porrada de coisa.

– É melhor nem perguntar – Afirmei para o loiro, que demonstrava uma cara confusa.

Já ia me virando para subir as escadas, quando senti Carolina me agarrar pelo pulso. Olhei para ela com uma expressão desconfiada. Ela estava muito alegre e pilhada ‘pro meu gosto.

– Não vai dar um beijo na mamãe?

Me perdoa se eu esqueço, as vezes, que você é minha mãe! Que tipo de mãe age desse jeito? Síndrome de Peter Pan, mãe? Acho que sim, ehm?!

Fiz o que ela pediu e a morena começou com uma narração do tamanho da Torá para contar como minha melhor amiga havia convidado Carolina em pessoa para participar do nosso dia no clube.

E, claro, não dá nem para esquecer que a “legendária” Iris não podia deixar meu pai de fora dessa também.

Isso vai dar ruim. O que falta agora? O Bin Laden aparecer? Ou, pior ainda, o próprio Grey Ivanovich?

Suspirei e pedi arrego para o meu amigo oxigenado, que só sorria pela minha desgraça. Tu me paga, filho da puta. E, assim, depois de uns trinta minutos, pude subir as escadas e pegar uma bermuda de banho e outras coisas que não podiam me interessar menos.

O filho do echu loiro estava deitado na minha cama, todo folgado. Pra quê fazer pacto com o diabo e ser atormentado pelo resto da eternidade, sendo que eu tenho amigos que me vão me atormentar para o resto da vida?

Esse era o tamanho do meu amor pelas minhas amizades.

Assim que terminei, arrastei todo mundo para dentro do carro antes que minha mãe resolvesse levar a casa junto com ela. O som foi ligado em uma música eletrônica e logo estávamos em frente ao clube que tínhamos marcado.

Saí do carro e fui recebido por um tranco nas costas. Nem precisava perguntar para saber que era minha melhor amiga se jogando em cima de mim com os braços finos se agarrando na minha cintura.

– Pode crê que seu jeito de me cumprimentar é o menos animado – Ironizei.

– Tudo lenda isso daí – Respondeu. Ah tá que era mentira!

Quando virei para ver o rosto branco dela, eu que fiquei branco instantaneamente.

O Sadan Hussen não tinha comparecido, mas o Grey estava em pessoa por ali, com aquela cara irritada e, muitas vezes, indiferente. Comecei a encarar na cara dura e ele me olhou com os olhos levemente fechados, como se me desafiasse.

– Porra, viu?! Para de me olhar com essa cara de quem comeu e não gostou – Falou com raiva.

Não pude segurar a risada. Cheguei mais perto dele, que ficou parado no mesmo lugar, e colei meus lábios ao seu ouvido.

– Não comi ainda, mas acho que vou curtir pra caralho – Sussurrei com segundas, terceiras e infinitas intenções.

– Seria uma pena se, nessa situação, quem comesse fosse eu – Sorriu com escárnio.

E me empurrou de perto de si. Senti um braço sendo passado pelos meus ombros. Era Art e o mesmo sorria divertido para mim. Esse aí gostava de ver uma treta daquelas.

– Só deixa fluir e não fiquem se estressando – Dirigiu sua fala a nós dois e sorriu mais ainda quando viu a presença escandalizada de Alice por ali. Por acaso, tinha presenciado toda a cena.

– É claro. Deixa fluir, Logan – O moreno desdenhou da gíria.

Sim, estava na cara. O Bin Laden teria sido melhor. Quem sabe uma bomba daria menos merda do que essa situação!

Notas finais
Muito obrigado por ter chegado até aqui.