Oasis
27 Princesa Gelada e Terrorista de Sexualidades
Notas iniciais
Como eu tinha tanta certeza que ia dar merda?
Simples.
Era só juntar Alice, Iris, Grey e uma pitadinha de nudez, já que, no final, daria no mesmo estar aqui ou em uma praia nudista. Dia filho da puta esse que decidi que a ideia de ir ao clube com a minha melhor amiga era uma coisa bacana.
Claro, porque não seria? Teria tiro, porrada e bomba! A especialidade do nosso amigo do Bin Laden aqui, vulgo Grey. Quem não quer esse combo?
Aparentemente, eu não queria. Até porque sabia pra que lado aquela merda toda ia cair. E só tinha uma opção. Pro meu lado. Mais especificamente, iria estourar em cima da minha cabeça.
Mas o máximo que pude fazer foi sorrir. Obviamente que eu não ia perder uma confusão daquelas. Só faltava Dênis aparecer para completar a bagunça. Mas bem que Deus poderia ser gentil comigo dessa vez.
Não tinha dado uns três segundos que eu tinha percebido a presença da loira e ela já estava toda relando no meu braço. Não é como se eu fosse dispensar a chance de sentir aqueles peitinhos contra minha pele.
Sou filho de Deus, porra!
Ou do Diabo. Nunca se sabe.
Dei uma olhada na cara de Art, que estava do meu lado. O filho da puta sorria e estava adorando a situação. Era óbvio que ia amar, já que não era com ele. Caio e Eric estavam mais preocupados em ficar se provocando.
Parecia que o moreno ainda não tinha perdoado o loiro completamente.
Grey já fingia que eu não estava ali e ficava com a cara fechada de sempre enquanto tentava fugir do assédio da minha mãe. Nem queria pensar no que meu pai fazia porque iria ser constrangedor.
Pelo o que ele havia me contado um tempo atrás, aposto que estaria secando a bunda nada maravilhosa do russo. Isso que é influência boa, pai.
– Fala sério! Não seria só nós dois? – Sussurrou uma Alice irritada no meu ouvido. Ela se esticava toda para encostar seus lábios ali.
– Pô, deixa de marra – Cocei minha nuca em descaso – Só relaxa, já é?
Ela suspirou e não disse mais nada. Iris me olhava com a cara feia enquanto puxava o Ivanovich de um lado e o loiro do diabo de outro. Teria que aguentar uma puta chatice mais tarde.
Dona Carolina também estava colada naquele grupinho e o safado, vulgo senhor Alex, ia atrás de todo mundo com uma expressão que não deveria estar na cara dele. Velho maluco e pervertido.
Entramos no clube debaixo de um calor maravilhoso. Maravilhoso para pegar um câncer de pele. Estava todo mundo louco para entrar para quimioterapia, né não?
Sinceramente, pensava se alguém não havia esquecido a porta do quarto do seu Lúcifer aberta.
Nem tínhamos escolhido um lugar pra ficar e já via Iris mergulhando em uma piscina enorme. Art jogou a bolsa dela em cima de mim e pulou na água também. Sentamos por ali mesmo e comecei a tirar a camisa.
– Tu vai nadar? – Estou começando a acreditar nas teorias de loiras serem burras.
Não, caralho. O sol está queimando a Terra, tem uma piscina aqui quase me comendo e não vou cair de bunda nela. Claro! Porque não pensei nisso antes?!
– Sim?
Ela ia falar mais alguma coisa, mas tirei a blusa, agarrei a mão da princesa gelada, mais conhecido como Grey, e saí puxando-o até a borda de uma piscina. Óbvio que houve resistência.
– ‘Vamo lá, princesa. Coloca essa bunda pra nadar.
– Vai se foder – Cruzou os braços e me encarou com os olhos semicerrados.
– Pediu pra apelar – Sorri provocativo.
Como estava um passo atrás do moreno, estiquei minha mão e apertei aquela bunda gostosa. Grey ficou possesso, se distraindo ao tentar me dar um soco. Até que o soco valia a pena. Aquela bunda durinha era uma delícia.
Foi por isso que ele nem viu que havia sido empurrado quando estava perigosamente perto da piscina, só não caindo na água porque eu o segurava pela blusa. Sorri para ele da forma mais inocente que conseguia.
– Caralho! – Gritou e começou a ficar vermelho – Me puxa de volta!
Parecia que ia ter outro ataque de pânico ali mesmo e tudo que eu queria fazer era rir até não poder mais e jogar seu corpo um pouco musculoso e grande na piscina.
– ‘Vamo lá, princesa. Tu pode fazer melhor que isso – Provoquei.
– Eu entro nessa piscina, porra. Eu entro! Eu entro nessa merda!
– Assim ‘tá melhor – Puxei-o pra longe dali e pude ver o dedo do meio que me mandou quando começou a andar em direção à cadeira onde minha mãe, meu pai e Alice estavam sentados.
Nem pensei que ele poderia fugir. Grey era uma pessoa de palavra e eu tinha percebido isso tinha um tempinho. Enquanto isso, os outros estavam jogando alguma coisa na água enquanto Iris ria por ser melhor do que os meninos. Ela sempre foi melhor do que a maioria dos caras em muitos esportes.
Segui o menor e vi quando ele abriu a mochila para guardar o aparelho do ouvido que usava. O que eu achava engraçado, pois ele era quase surdo, mas todo mundo se esquecia. Ninguém o tratava como alguém deficiente ou especial.
Isso também se devia ao fato de poucas pessoas terem o conhecimento do problema. Eu sabia como era ser olhado com pena e isso causava em mim um sentimento péssimo. Era o pior tipo de olhar que as outras pessoas podiam fazer.
Alice estava sentada com uma cara emburrada enquanto lixava freneticamente as unhas. Nunca entenderia esse tipo de mulher. Carolina ria com meu pai e piscou para mim quando viu que eu a olhava.
Grey tirou a camisa e fiquei ali, olhando aquele idiota branco que nem leite. Senti algo me cutucar e era a loira que me fuzilava com os olhos semicerrados. Jogou a lixa de qualquer jeito e levantou, agarrando meu braço.
– Eu vou junto, beleza? – Disse.
O russo revirou os olhos. A paciência dele já era nula. Se a garota estivesse ali, era abaixo de zero. Vi quando guardou a regata que usava e fechou a mala, indo em direção à piscina. Iris veio toda molhada em nossa direção, puxando Grey pelo pulso.
Quem via de longe, achava que eram melhores amigos. Na realidade, não sei quem mais odiava quem. Iris, assim como eu, estava sempre enlouquecendo o cara.
Via que ela falava e falava, mas o outro nem mesmo revirava os olhos. Ri. Ele escutava tão mal assim?
Até aí estava tudo bem. Entramos na água e Alice não desgrudava do meu pé. O momento crítico foi quando alguém, um filho de satanás, resolveu inventar que devíamos jogar polo aquático que nem era polo aquático porra nenhuma.
Um louco, que no caso era eu, dois pervertidos, uma maluca, um filho do diabo, uma loira oxigenada e um surdo. Ia dar merda?
Claro que não! Imagina.
Os primeiros dez minutos foram uma beleza. Caio, Eric e Grey no meu time e Alice, Iris e Art no outro. Foi no momento em que joguei a bola e Alice se distraía com as unhas que o circo pegou fogo.
A bola foi parar com toda a força naquela cara de menina mimada e Iris juntou em cima dela para pegar o objeto. A coitada, vulgo Alice, quase afogou. Mas claro que não deixaria passar.
Um minuto depois e ela estava colada no cabelo moreno da outra garota. Tentava afogar Iris, que tentava revidar com um soco mais que masculino. Até para brigar minha melhor amiga era masculina.
Eu não conseguia fazer nada além de rir. Levei uma cotovelada na costela de Art que parecia preocupado demais para o meu gosto.
– Eu não me meto em briga de mulher não, cara – Disse.
Nem teve tempo para resposta. Ouvi alguém pulando na água e logo Carolina apareceu para salvar o dia. Separou as duas e ficou encarando-as com uma cara nada boa. Eu não conseguia parar de rir.
– Iris – Minha mãe falou com voz de ameaça.
– Nem vem, tia – Reclamou.
– Mais uma dessas e a gente está indo embora – Avisou e saiu como se fosse a rainha do universo desfilando no São Paulo Fashion Week.
Porque essas mulheres amam saídas triunfantes? Não estamos em novela mexicana.
As duas garotas se olharam feio e cada uma foi para um lado. Iris saiu da piscina e Alice veio ter comigo. Suspirei. Lá vinha a parte do tiro, porrada e bomba. Porém até me assustei quando ela só disse:
– Estou com fome. Vem comigo – E me puxou pelo pulso.
Ela definitivamente era louca.
Acompanhei a menina até a mesa e sentamos. Enquanto ela pedia qualquer coisa para comer, olhei para trás para ver o que estava acontecendo. Não tinha mais ninguém na piscina.
Todos tinham sumido do mapa. E era exatamente isso que eu queria fazer.
Driblei a loira, dizendo que iria ao banheiro e comecei a andar aleatoriamente pelo clube. O lugar era imenso e estava lotado. Tinha muitas piscinas enormes e eu estava pouco me fodendo porque, de repente, comecei a ouvir uns gemidos enquanto passava por um local mais reservado.
Logo atrás de algumas árvores era da onde vinha o barulho. Eu, como bom safado e curioso que sou, fui lá dar uma espiada. Não ia matar ninguém se eu desse uma olhadinha.
E nem sei se preferia não ter visto porque eu só fiquei meio puto. Muito puto, na verdade. E não por ser quem era, mas por não estar sabendo de nada.
E lá na minha frente, depois de quase se comerem ali mesmo, estava Iris e Art. Ambos com os olhos arregalados por serem pegos quase transando. A boca dela estava até vermelha e o biquíni azul desarrumado de um jeito que quase dava para ver o peito esquerdo.
Eu estava chateado. Tudo bem. Não estava nem aí. Se ela estivesse pegando um homem casado, velho e com netos, eu não ligaria. Porém era um dos meus melhores amigos e ela sempre me contava tudo.
Tudo, menos isso. Fiquei um pouco enciumado.
Não me lembrava de ter omitido uma coisa se quer. Iris sabia de tudo sobre mim. Até das coisas que ela nem deveria saber, mas tinha plena noção por ter se envolvido comigo na época.
Olhei diretamente nos olhos dela e a garota sabia o que eu estava pensando. Ela chegou mais perto e coçou o cabelo daquela forma que sempre fazia quando estava nervosa com algo e não sabia como começar o assunto. Resolvi começar por ela.
– Vou vazar daqui – Disse e me virei para sair do lugar onde eu estava parado que nem uma estátua, pensando mais do que O Pensador.
A morena me agarrou pelo braço e se pôs a minha frente. Ficou me encarando por um tempinho até conseguir dizer alguma coisa que prestasse.
– Foi mal.
E era esse o discurso dela. Falava que nem pobre na chuva, mas quando precisava mesmo soltava uma pérola.
– Foi mal? – Repeti arqueando uma sobrancelha.
– Ah, qual é, Logan. Você não é de dar chilique.
– Não sou – Passei a mão pelo cabelo molhado – Mas eu ‘tava esperando que tu me contasse esse tipo de coisa.
– Eu não sabia como começar.
– Pelo começo? – Disse a coisa mais clichê do mundo. Credo.
– Você está com uma porrada de merda no momento para se preocupar com as minhas.
– Mas é isso que a gente faz, lembra? ‘Tá fodendo com o Art? Irado. Mas eu queria saber, já que você sabe de tudo.
– ‘Tá agindo como uma menininha – Ela despejou.
– Beleza.
Saí de lá, mesmo com ela me chamando, e fui andar em qualquer direção. Eu sabia que não tinha nada a ver em brigar por isso, mas, para mim, parecia que tinha perdido o voto de confiança.
Era dos meus melhores amigos que estávamos falando. Porra! Custava ter contado, quando ela sabe de tudo sobre mim? Eu estava passando por uma fase bem chata na minha mente, mas ainda tinha espaço para a loucura dela.
Quando vi, estava parado na porta do banheiro. Decidi entrar. Estava morrendo de vontade de mijar. Na verdade, esse era o meu propósito inicial, mas, quando havia terminado, vi o russo entrando ali dentro. E éramos os únicos no lugar todo.
Deixei para pensar na garota depois e retribuí o olhar sério do outro que me fitava através do espelho enquanto lavava as mãos. Fui chegando mais perto até que encostasse minhas costas na pia.
Ele terminou o que fazia e não disse nada, apenas continuou na mesma posição. Ficamos em silêncio por um bom tempo. Olhei para o pescoço branquinho, para os ombros largos, os músculos tensionados e as orelhas sem o aparelho.
A mexa branca estava colada na testa tanto pelo suor quanto pela água e o cloro da piscina. O cabelo todo desgrenhado e bagunçado, apontando para todos os lados. Os olhos coloridos, as cicatrizes avermelhadas nos pulsos, o piercing preto no qual fazia questão de remexer a todo instante.
Se parasse para pensar, era realmente estranho que nada ali fosse fora por personagem. Nada nele era fora do lugar. Tudo combinava estranhamente com aquele terrorista de sexualidades chamado Grey.
– Eu queria entender – Disse baixinho e dei uma risada nasalada enquanto dava alguns passos para frente e me desencostava da bancada.
Ivanovich viu o movimento dos meus lábios pelo espelho e arqueou as sobrancelhas, virando para me olhar nos olhos diretamente com toda aquela pose natural dele. Não achei que ele tivesse entendido.
– Posso ser surdo, mas não burro – Despejou embolado por não conseguir ouvir direito a própria voz.
– Pode não ser burro, mas é gostoso – Provoquei.
– É por ser assim que vai ser pai – Jogou na minha cara.
Aquilo me pegou de surpresa. Não porque ele estava sendo grosso comigo, já que isso era normal, mas porque podia ser verdade.
– É por ser assim que da próxima vez vai morrer – Apontei para os pulsos marcados.
Grey me olhou com a mesma cara de sempre. Nunca nada parecia o afetar, mas seus dedos não paravam de arranhar o mesmo lugar, a mesma cicatriz no lugar que eu havia acabado de mencionar.
– Você tem os seus segredos e eu, os meus – Fitou-me diretamente nos olhos – Não me pressiona porque não quer que ninguém faça o mesmo com você. Eu tenho o direito de morrer sozinho.
– Odeio quando não posso discordar de você – Sussurrei para mim mesmo.
– Ainda consigo ler seus lábios.
Lábios. Olhei para os dele e fiquei encarando por um bom tempo. Vermelhos, bem definidos, o inferior era ligeiramente mais grosso que o superior. Quem tinha feito aquele demônio tinha caprichado.
– Não tem nada de bonito em morrer sozinho – Disse ainda perdido em sua boca.
– Vou embora – Cansou-se daquele papo estranho que estávamos tendo e tentou sair do banheiro.
Tentou.
Puxei seu corpo pelo pulso e fiz força o suficiente para puxá-lo para dentro de uma das cabines. Prensei seu corpo contra a porta que eu havia acabado de trancar. Era muito apertado ali dentro para dois homens que nem nós dois. Poderia nem fazer diferença, mas ele ainda era quase do meu tamanho.
Coloquei um cotovelo de cada lado do seu rosto e fitava-o de perto. O moreno me olhava com a cara de porta e nem mesmo fazia força para sair dali.
– O que ‘tá fazendo? – Perguntou.
– Te olhando. Ficou cego também?
– Você é ridículo – Me empurrou e caí sentado em cima do vaso que, por um milagre, tinha tampa e estava tudo limpo.
Tem certeza que estávamos no banheiro masculino?!
Quando foi tentar sair, agarrei em seu pulso e fiz com que caísse em cima de mim. Mais especificamente, sentado com as costas apoiadas no meu peito. Puxei seu cabelo para que encostasse a cabeça no meu ombro.
Deveria estar doendo, mas não me importava muito. Nem ele parecia se importar muito pela dor.
– Eu ‘tô tão cansado – Suspirei depois de falar alto e perto o suficiente para que ele conseguisse ouvir o pouco que fosse.
Sem querer, acabava desabafando ali.
– Então me faz um favor e me larga. Vai descansar em qualquer canto. Longe de mim, de preferência – Disse raivoso, mesmo com tudo embolado.
Achava graça que ele usasse um jeito tão “correto” de falar. Sem nenhuma gíria ou ao menos um pouquinho de sotaque.
– Tu me entendeu, prego.
O menor suspirou. Meus dedos ainda faziam pressão em seus fios negros. Depois de um tempo em silêncio, ouvi algo sair de sua boca.
– Eu também – Falou tão baixo que achei que estava ouvindo coisas.
Fiquei assustado. Não imaginava uma resposta assim.
Era a primeira coisa que eu conseguia desde que havia conhecido essa peste. Fechei os olhos. Era estranho o entendimento mudo que acontecia entre nós. Não era preciso entrar em detalhes. Ninguém perguntava nada.
Não havia perguntas. Não havia respostas.
Nos odiávamos e nos entendíamos.
Era fácil respeitar o espaço dos segredos um do outro. Eu não queria que ninguém soubesse de nada e ele também não. Eu entendia e não perguntava por que não queria que o mesmo acontecesse comigo.
Era um sentimento estranho que começava a crescer dentro de mim. Era estranho me sentir tão confortável com ele, como se ele pudesse me entender tão bem que doía.
– Até que foi ‘mó divertido hoje – Sussurrei pertinho do seu ouvido.
– Você é um idiota e eu gostaria que parasse de me envolver nessa tua “diversão” – Reclamou, tentando sair do meu aperto.
– Tu é sempre tão chato assim, cara?
– Não te interessa.
– Se um dia te contar algo sobre mim, tu faz o mesmo?
Grey ficou quieto. Não me respondeu, nem ao menos se mexeu. Inspirei fundo, sentindo o cheiro de morango e bebês que não saía dele. Lambi a pontinha da orelha e senti que o corpo uns cinco centímetros menor se estremeceu.
– Te odeio – Reclamou, mas apertei mais seu cabelo – Isso dói, porra.
O quase gemido de dor acabou me despertando.
Fui escorregando minha mão pelo seu corpo másculo, mas magro. Apertei suas coxas nuas e ouvi um gemido reprimido. A tensão sexual, que eu havia criado tão rapidamente, era palpável. Levei meus lábios ao seu pescoço descoberto.
Tombei sua cabeça para o lado, ainda apertando muito seus fios. Lambi seu pescoço e chupei bem calmamente. O russo havia fechado os olhos com força, como se isso fosse apagar o que estava acontecendo.
Era difícil não ficar excitado quando estávamos seminus. Ele usando um bermudão de banho e eu apenas de sunga. Passei uma mão pelo seu peito, sentindo sua pele gelada. Grey fazia de tudo para ficar calado.
Mas eu estava disposto a não permitir isso.
Fui descendo a mão devagar enquanto ainda me aproveitava do seu pescoço e deixava algumas marcas na área entre ele e os ombros. Seu cabelo macio era espalhado pelo meu ombro, uma vez que sua cabeça repousava ali.
– Fala que me odeia de novo – Sussurrei e mordi sua orelha, passando a língua e molhando lentamente toda a área.
Via o seu desespero na forma com que mexia o piercing dentro da boca. Virei seu rosto para mim e tive acesso aos seus lábios. Primeiramente, era só um selinho inofensivo, mas, depois de muita luta e força empregada nos fios coloridos, consegui dar um beijo francês naquela boca.
Enquanto o beijava, Grey tentava sair dali. Parecia não querer ceder de jeito nenhum, mas eu não estava querendo deixar nenhuma brechinha para aquele filho de satanás fugir de mim e acertar meu pau de novo.
Escorreguei minha mão para dentro da bermuda, sentindo aquele membro semiereto. Era estranho tocar num pinto que não era o meu. Porém eu não conseguia sentir nojo. Apenas desejo.
Isso me levou a continuar.
Coloquei toda a minha força para conseguir virá-lo de frente para mim, já que ele ainda não tinha desistido de fugir. Puxei seus cabelos para trás enquanto o moreno era acomodado em cima de mim, com cada perna de um lado do meu corpo.
Fui trabalhando em seu pescoço enquanto tirava meu membro de dentro da sunga. Havia resolvido tentar uma coisa. Aquilo tudo era meio assustador. Sempre comi mulher e agora seria diferente. Diferente, mas não ruim.
– Me solta – Pediu em uma última súplica.
Ri um pouquinho, pois, mesmo pedindo arrego, Grey estava bem excitado. Tentava a todo custo me rejeitar, mas não estava conseguindo. Escondeu a cabeça no meu pescoço. Provavelmente querendo morrer por ter deixado tudo ir tão longe.
Estava sendo difícil para nós dois segurarmos os gemidos baixinhos que começaram a sair depois que peguei nossos membros juntos, ambos do mesmo tamanho, e comecei uma masturbação lenta e...
Porra, caralho. Aquilo era estranhamente bom.
Estava me sentindo meio confuso. Mesmo sabendo que o desejava, era a primeira vez que tocava outro homem dessa forma.
Eu deveria ser um puta de um bissexual, então. Isso me assustava, mas é a vida.
Grey desistiu de fugir. Enquanto fazia aquilo de um jeito tão gostoso e o moreno mordia meu pescoço tão forte que achei que iria arrancar minha pele fora, ouvi alguém chamando meu nome. Congelei por um instante, mas não parei.
Senti sangue saindo do meu pescoço, mas aquilo me excitava mais. Não conseguia não sentir prazer com a dor. Alguém procurando por mim me excitava mais ainda. Uma das minhas mãos quase arrancava o cabelo do menor, mas aquilo também parecia excitá-lo. Já não conseguia fugir.
Não sabia como aquela conversa estranha havia se transformado nisso. Droga de hormônios.
Após me concentrar um pouco, percebi que era Alice. Tossi um pouco, tentando me recompor, e tentei responde-la da melhor e menos suspeita forma possível.
– ‘Tô aqui – Respondi alto o suficiente para que pudesse ouvir de onde estivesse.
– ‘Tá tudo bem? – Perguntou com a voz suspeita – Tu saiu e não voltou até agora.
– ‘Tô passando mal – Menti.
Grey estava com os olhos fortemente fechados enquanto continuava com aquela masturbação dupla. Seu corpo todo se contraía com a ideia de alguém encontra-lo daquela forma e sua mão me arranhava pelos braços.
Sabia o que aquilo queria dizer. Que eu estava ferrado e ia apanhar quando aquilo acabasse. Porém eu estava pouco me fodendo, já que nem a minha maior responsabilidade era algo que eu conseguia considerar agora.
Aquilo estava sendo um ótimo consolo.
Eu estava todo ardendo e sangrando nos lugares onde ele insistia em me machucar, mas isso tornava tudo mais gostoso.
– ‘Tá bem. Vou te esperar lá na mesa.
Continuei o que fazia, aumentando bastante o ritmo. Passou uns dez minutos e acabamos gozando e nos sujando bastante. Fiquei um tempo tentando controlar minha respiração. Aquilo tinha sido bom para porra.
Assim que abri os olhos que nem tinha percebido fechar, olhei para a expressão de Grey. Acho que nunca o tinha visto com uma cara tão horrível quanto agora. Até me bateu uma pontadinha de culpa. O cara queria me matar.
Levantou do meu colo, limpou-se com papel higiênico e olhou bem fundo nos meus olhos, como se pudesse me trucidar só com isso. Engoli em seco porque tinha feito burrada indo rápido demais. Só agora que o idiota do Logan lembrava que tinha coisas a considerar.
– Não quero te ver. Não chega perto de mim. Esquece dessa merda – E cuspiu na minha cara.
CUSPIU NA MINHA CARA! Fiquei puto.
Saiu com raiva da cabine, deixando-a aberta. Olhei para seu corpo que estancou no lugar assim que pisou fora do lugar onde eles estavam. Não entendi. Limpei a sujeira e saí também para ver o que havia feito o cara parar.
E o que me fez parar também. Com os olhos arregalados.
Alice estava ali. Apoiada na parede em frente a cabine onde estávamos momentos antes. E ela tinha visto e escutado tudo, ao julgar pela cara assassina que fazia.
Porra.
Fodeu.
Essas coisas só podiam acontecer comigo.
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