Oasis
17 Meio Alteradinho
Notas iniciais
Depois de um tempo que aquele idiota bipolar tinha sumido do meu quarto, resolvi levantar e ir fazer alguma coisa. Não ficaria ali remoendo aquilo que nem uma garotinha virgem.
Apesar de que eu pagaria alto pra saber o que se passava na cabeça daquele russo. Como assim ele retribui meu beijo, se esfrega em mim, depois me bate e sai correndo?
Esse cara tem tanta tensão sexual acumulada que eu perco a linha.
Sai do quarto e achei meu pai jogando video-game na sala. Sentei-me ao seu lado e minha boca ficou coçando para fazer aquela pergunta.
Alex percebeu o jeito que eu o encarava e sorriu meio sacana em minha direção, como se soubesse exatamente o que rondava em minha mente.
— Pode falar – Deu de ombros.
— Estou curioso com aquela parada de "fases" – Me referia ao fato de que ele havia dito que também havia tido suas fases.
— Hm... – Sorriu malicioso – Lembra do Enzo?
Arregalei os olhos.
— O tio Enzo? – Quase gritei.
Esse cara não era o meu tio de verdade. Minha mãe, meu pai e o Enzo são amigos de infância. Sempre estudaram no mesmo colégio e seus pais eram melhores amigos.
Atualmente, ele estava rodando o mundo por causa da sua profissão. Era fotógrafo e cineasta. Não parava quieto em lugar nenhum.
— Deixa de ser escandalosa – Riu meu pai, debochando de mim. Revirei os olhos – Vamos dizer que a gente era bem próximo e ficamos meio curiosos quando tínhamos a sua idade.
— Caralho, pai. Não me faça imaginar coisas nojentas.
— Mas aí eu percebi que era mesmo apaixonado pela sua mãe pouco tempo depois.
Já sabia essa parte da história. Aquelas coisas melosas que todo mundo duvida que realmente aconteceu porque é totalmente romantizada pelos olhos de quem conta.
A Carolina arrumou um namorado e meu pai ficou todo ciumento. Quando ela descobriu que o cara traía ela, foi procurar consolo em quem ela mais amava.
Depois disso, eles acabaram transando, meus pais não são nada reservados contando isso, e ficaram juntos. Meu pai mandou o cara para o hospital quase morto uns dois depois.
Não era só eu que ficava esquentadinho.
Mas ele ter ficado curioso era outra coisa. Isso não fazia parte do roteiro de filme que era a vida deles.
Quando a ficha realmente caiu, não conseguia parar de rir. Porra, meu pai! Lágrimas quase derramavam dos meus olhos. Era hilário.
— Ainda é tempo de eu te corrigir – Ameaçou com os olhos estreitos.
Sorri e passei meu braço pelos seus ombros. Éramos quase da mesma altura.
— E quem foi o passivo? – Fiquei curioso.
— Quem você acha? Eu não ia dar a bunda – Fechou a cara.
— Será?
— Idiota – Bagunçou meus cabelos – Fico feliz em te ver melhor.
O seu sorriso agora era carregado de melancolia e tristeza.
— Não vamos falar disso, pai.
— Logan... – Olhei-o com um olhar arredio e o outro ruivo suspirou – Tu sabe, se escolher que gosta mesmo de homens, sabe que não vai ser fácil, né?
— Não se incomode com isso – Cruzei meus braços sobre o peito.
— Eu brinco contigo, mas tenho consciência que tu sabe que a sociedade ainda não consegue entender esse tipo de coisa.
— Eu entendo, pai. Não precisa se preocupar.
Não queria ter aquele tipo de conversa. Ele me olhou com repreensão e apenas bagunçou meu cabelos novamente, voltando a jogar Fifa.
Alex sabia como eu era arredio quando entrava nesse tipo de assunto que envolvia meu emocional. Só demonstrava meu lado frágil quando estava mesmo mal.
E, mesmo assim, era algo que eu odiava. Eu era o Logan de sempre, puto e idiota. Não queria ser levado como coitado.
Nesse momento, as coisas estavam melhores. A pior fase tinha passado.
Meu únicos problemas era resolver o que faria da minha vida, tendo em mente a criança que crescia na barriga daquela loira oxigenada, e o fato de eu estava totalmente:
NA SECA.
Sentia que iria ficar louco a qualquer momento.
Depois dessa conversa, apenas juntei-me a ele no jogo, comentando, rindo, etc. Só fui sair dali quando lembrei que tinha tarefas da escola.
Os próximos dias passaram e eu sentia que tinha algo errado, como se estivesse esquecendo alguma coisa.
Realmente gostaria de dizer que as coisas entraram em uma vibe boa, que Alice tinha largado do meu pé e que eu tinha afogado meu tesão em alguma por aí, mas não... A vida tinha que ser fodida.
Então estava simplesmente irritado com tudo.
Era uma quinta-feira e não tinha nada pra fazer, tanto que eu estava esparramado na cama, lendo um poema do Claúdio Manoel da Costa.
E, caso vocês não saibam quem é esse maldito, eu te digo que foi o fundador do Arcadismo brasileiro. E o que é Arcadismo?
Vão se foder.
Ouvi a porta ser aberta em um rompante e quase cai da cama com o susto. Era uma morena com uma expressão de quem estava aprontando.
Sim, Iris tinha a chave da minha casa.
— O que tu fez dessa vez? – Coloquei o livro no criado mudo e arqueei as sobrancelhas.
Ela fez uma expressão chateada e caminhou rapidamente pra perto de mim, jogando-se na minha cama. Folgada.
— Não posso mais vir te ver, ruivo? – Deu um sorriso arteiro.
— Não com essa cara de quem vai fazer merda – Apertei a ponta de seu nariz para irrita-la.
— Para com isso – Fez bico – Sabe que eu não gosto.
— E é por isso mesmo que eu faço – Sorri – O que tu quer?
— Credo! Assim parece que sou uma interesseira.
— E é mentira?
— Idiota – Deu uma risadinha – Vamos comigo por aí.
— Defina "por aí".
— Levanta essa bunda branca e vamos. Agora – Levantou-se e puxou-me, empurrando meu corpo até o banheiro.
Lavei meu rosto, coloquei uma camiseta e desci as escadas com a morena. Assim que colocamos o pé na rua, a menina começou a reclamar da falta de estilo do pessoal que passava ao nosso lado.
Coloquei um fone de ouvido e só deixei que ela me levasse de um lado pro outro, agarrada no meu braço. Primeiramente, a menina levou-me para uma pista de skate que gostava.
Preferia muito mais minha moto à joelhos ralados, mas minha amiga tinha um lado nada feminino. Era como se ali fosse o lugar dela.
Logo depois, me arrastou para uma loja e me obrigou a escolher uma roupa, isso incluía até cuecas. E ainda pagou as vestes por mim. Estranhei.
Desde quando ela pagava coisas pra mim assim? Do nada?
Tomamos um açaí, apesar de que, na metade do creme, eu já estava enjoado daquele gosto, e Iris foi para sua casa.
Subimos até o seu quarto e ela me jogou a minha toalha que ficava por ali. Fazer o que. Eu costumava passar bastante tempo ali antigamente.
— Vai tirar esse cheiro de suor e fique bem cheiroso – Sorriu maliciosa.
— Isso não vai dar coisa boa.
Ela sorriu e me deu um beijo na bochecha, estalando um tapa na minha bunda quando eu me dirigi ao banheiro que ficava ali.
Essa garota...
Depois de limpo, voltei para o quarto de cueca e comecei a vestir a calça preta, assim como a blusa social branca e um casaco fino da mesma cor. Como assim?
Estava indo para alguma festa e não sabia?
Passei a toalha nos meus cabelos que respingavam e, quando estava sentado na cama, calçando os sapatos, Iris entrou no quarto usando um vestido preto de alcinhas.
Sorri. Combinava extremamente com ela.
— Tu 'tá uma delícia – Veio até mim.
— Eu sei – Empinei o nariz e depois dei uma risadinha – 'Tamo indo em algum lugar e não 'tô sabendo?
Ela deitou no meu colo e sorriu sacana. A menina não tinha nenhuma postura e era isso que mais me agradava nela.
— Se liga, garoto, eu sou um mistério. Não vou te contar – Fez bico.
— Eu 'tava mesmo querendo cair na night – Suspirei.
— 'Tá tão necessitado assim? Quem diria...
— Tô na seca tem mais de uma semana, não começa – Fiz birra.
— Então, vamos. Temos que passar na tua casa primeiro.
Estranhei novamente, mas apenas peguei minhas coisas que haviam ficado ali e saí da casa, sendo acompanhado pela minha melhor amiga, toda sorridente.
A minha casa era relativamente perto da dela, então levamos 10 minutos até chegar lá e, quando o fizemos, arregalei os olhos em descrença.
O que eu perdi?
Havia muitas pessoas ali, quase saíam pelas janelas. Música eletrônica alta tocava lá dentro e tinha gente se pegando no muro da frente. Pisquei algumas vezes e continuava a tentar me situar naquela situação.
— Feliz aniversário, Incrível Ruivo! – A morena me abraçou apertado e encheu meu rosto de beijos.
Porra! Era meu aniversário de 18 anos! Eu tinha esquecido meu próprio aniversário.
Não, eu não tinha repetido de ano, apenas entrei atrasado na escola.
— Obrigado, Iris Maravilha – Dei um beijo na sua testa – Acabei esquecendo.
— 'Tô ligada! Tu anda tenso demais. 'Vamo lá pra dentro trocar uma ideias que eu tenho dois presentes pra tu além dessa roupa que te deixou um gostoso – Sorriu radiantemente.
O que eu faria sem ela?
— Mais presentes? – Sorri enquanto passava o braço por seus ombros e começávamos a caminhar em direção a entrada da casa.
Iris sorriu sacana e apressou o passo. Tinha tanta gente ali dentro que era até difícil respirar. De onde saiu isso tudo? Fomos até a cozinha onde avistamos Caio, Eric, Art e...
Grey?!
Sério mesmo, produção?
Estou começando a considerar a possibilidade de que esse russo está ficando mais sociável. Eles estavam ao redor da bancada da cozinha, onde estavam as bebidas.
— Meus dois presentes – A morena disse quando chegamos mais perto dos meninos – Número 2: arrumei um jeito da vadia não aparecer.
Por vadia, entendi que ela se referia à Alice. Fiquei aliviado em não ter que vê-la e escutar suas reclamações no meu aniversário.
— Porque começou com o número 2? – Perguntou Caio sem entender.
— Porque o primeiro é o melhor – Ela passou o braço ao redor dos ombros de Grey, que a fuzilou com o olhar – Ele 'tá aqui! E tudo graças a minha lindíssima pessoa.
Fitei o russo de cima a baixo. Usava uma bermuda preta meio larga e desbotada, sua cueca vermelha aparecia quando se movia bruscamente e uma regata cinza.
Acho que nunca tinha parado para reparar que ele tinha uma tatuagem de um dragão na perna esquerda, que contornava a canela e a panturrilha em um espiral.
Era toda em preto e combinava muito com o jeito do menor.
— Não vim por que quis. Essa maluca me arrastou – Deu de ombros.
— Aposto que ficou uma hora no espelho pra escolher essa roupa aí – Iris provocou.
— E tu nem precisou fazer isso, pegou o primeiro trapo que encontrou – Rebateu.
A menina olhou pra mim com fúria. Amava aquele vestido que estava usando e ninguém nunca ousou criticá-la assim.
— Eu não deixava – Riu Art.
Tinha que ter um otário pra falar isso.
— Posso? – Estalou os dedos enquanto ainda me fitava, indicando que queria começar uma briga ali.
— Nem fodendo. Baixa a bola aí.
— Pode vir – O russo deu de ombros.
— Quanto amor – Ironizou Caio – Parabéns, Logan. A gente vai pra pista – Deu tapinhas na minhas costas e pegou um copo com vodka, saindo dali com Eric em seu encalço.
Esses dois... Nunca se desgrudam. Se forem tão heteros que nem eu, já dá pra saber o que fazem quando estão sozinhos.
Acho que fiquei gay demais esses dias.
— Parabéns também, mané – Disse Art, repetindo o mesmo que o outro loiro e saindo dali com Iris.
— Não vai me parabenizar também? – Abri os braços para o moreno.
— Não – Respondeu como se fosse óbvio.
Virou-se para colocar mais bebida no seu copo. Percebi que ainda estava com minhas roupas nas mãos e fui até meu quarto guardá-las, não antes de pegar um copo pra mim.
A casa estava toda escura, com jogos de luzes. Os móveis haviam sido mudados de lugar, dando espaço para uma espécie de pista de dança na sala.
Recebi congratulações de muitas pessoas, conhecidas ou não. Quando voltei, o russo já estava meio vermelho. Interessante. Havia esquecido que esse era seu ponto fraco.
Enchi novamente meu recipiente de bebida, tomei tudo de uma vez, e cheguei perto do menor, que estava sentado em uma cadeira ao redor da mesa da cozinha.
O único lugar que estava mais parecido com o que sempre foi.
— Já 'tá meio alteradinho— Provoquei com um sorriso debochado.
— Vai se foder – Rosnou e tomou mais um gole.
Peguei a bebida de sua mão e ingeri, sentindo o gosto amargo descer queimando na minha garganta. Era uma ótima sensação.
— Isso não 'tá forte demais? – Franzi as sobrancelhas.
— Me devolve – Levantou-se em rápido, mas quase caiu.
— Pega – Sorri sacana.
Estendi o máximo que pude do meu braço pra cima com o copo em mãos. Claro que ele poderia alcançar, não era tão menor que eu, mas não nas condições em que se encontrava.
E é claro que eu, sendo eu, tiraria proveito dessa situação.
— Filho da puta. Devolve – Tentava pular.
— Dá um beijinho e eu faço isso.
— Vai. Se. Foder – Falou pausadamente e virou-se pra mim, indo pegar outra dose.
Suspirei. O cara iria acabar em um coma alcóolico, contando que o mesmo não tinha muita experiência com esse tipo de coisa.
Depois de mais alguns goles e conversar com o pessoal que estava ali, sentia vontade de ir ao banheiro. Havia um no mesmo andar onde estava, então fui até lá.
Abri a porta e tive uma puta surpresa. Inicialmente fiquei pasmo, tentando processar a informação visual que meu cérebro recebia.
Eric estava sentado na bancada de pedra onde ficava a pia e tinha a blusa xadrez de botões aberta enquanto Caio estava sem camisa em frente a si.
As mãos do loiro apertavam possessivamente a cintura do outro e as pernas do moreno circulavam a cintura do maior. Esfregavam-se um no outro e compartilhavam um beijo bruto.
Perceberam a minha presença ali e pararam com tudo, ficando com os olhos arregalados e a respiração suspensa. Pareciam com medo da minha reação.
Quando sai do estado de choque, sorri maliciosamente. Então eles se pegavam? Quem mais é hetero nesse mundo?
— L-L-Logan – Tentou justificar Caio, mas apenas fiz um sinal positivo com o dedão, calando-o.
— Não tenho nada com isso. Só tranquem a porta – Pisquei para Eric, que estava completamente tímido (ele não era muito de falar), e saí dali com um sorriso malicioso no rosto.
Usei o banheiro do meu quarto e fiquei um tempo dançando com umas meninas que chegaram em mim para me cumprimentar.
Decidi procurar pelo russo, antes que parasse no hospital mais uma vez. Ele continuava no mesmo lugar, mas parecia bem mais alterado. O idiota era mesmo fraco pra isso.
Arranquei o copo de sua mão e puxei-o pela mesma para um lugar mais tranquilo. Claro que o moreno relutou, mas não deixei essa oportunidade passar.
— Me solta, idiota – Rosnou meio enrolado.
— Tu 'tá muito chapado – Dei uma risadinha nasalada.
— Chapado o teu cú. Paaara – Disse com raiva, finalizando com um tom mais arrastado.
Ainda me surpreendia com as mudanças que acontecia quando ele estava bêbado. Dei mais uma risada e Grey começar a dar socos no meu peito.
— Não dói – Ainda ria.
E começou a fazer mais forte. Foi aí que segurei seu pulso e coloquei seu braço ao redor do meu pescoço.
Não tinha ninguém ali, que estivesse sóbrio o suficiente pra se lembrar dessa nossa situação depois, e minha música preferida do Coldplay tinha começado a tocar.
Tinha decidido anteriormente que o faria dançar comigo essa noite. Era uma forma de me esquecer das coisas. Quando o garoto estava comigo, era tudo mais natural.
Não ficava tão tenso.
Tentou sair dali, mas passei meus braços pela sua cintura, apertando-o contra o meu corpo. Era uma música com um ritmo mais cativante e meloso.
"So I look in your direction
(Então eu olho em sua direção)
But you pay me no attention, do you?
(Mas você não presta atenção em mim, não é?)
I know you don't listen to me,
(Eu sei que você não me escuta)
'Cause you say you see straight through me
(Porque você diz ver direto através de mim)
Don't you?
(Não é?)"
Achava a letra tão a nossa cara que assustava. Apertei mais sua cintura e depositei minha cabeça na curva de seu pescoço, começando a me mover conforme o ritmo.
Podia sentir seu cheiro característico. O moreno não fazia nada, deixava-se levar por mim, o que era novidade. Ambos estávamos bêbado. O que poderia sair de bom nisso?
"But on and on
(Mas de agora em diante)
From the moment I wake
(Do momento em que eu acordo)
To the moment I sleep
(Até quando eu for dormir)
I'll be there by your side
(Eu estarei lá ao seu lado)
Just you try and stop me
(É só você tentar e me parar)
I'll be waiting in line
(Eu estarei esperando na linha)
Just to see if you care
(Só pra ver se você se importa)"
— Just you try and stop me— Colei meus lábios no seu ouvido e sussurrei baixinho para provocá-lo. Sorri vitorioso quando senti seu corpo estremecer.
Ele se mostrava um pouco mais susceptível às minhas investidas. Retirei minha cabeça da sua curva do pescoço e senti a sua vir se acomodar no meu peito. Parecia cansado.
Não conseguia não fazer esse tipo de coisa. Era assim que me distraía das coisas que me incomodavam. Continuei a balançar nossos corpos lentamente.
"Oh, did you want me to change?
(Oh, você queria que eu mudasse?)
Well I've changed for good
(Bom, eu mudei para melhor)
And I want you to know that you'll always get your way
(E eu quero que você saiba que você sempre continuará do seu jeito)
And I wanted to say
(E eu queria dizer)"
— Don't you shiver? You shiver (Você não se arrepia? Você se arrepia) – Cantei ao pé do seu ouvido, sussurrando com a voz mais sexy e rouca que eu poderia fazer.
Senti-o se arrepiar todinho. Passei os dedos nos pelinhos do seu pescoço, sentindo-os totalmente eriçados. Enchi-me de um sentimento estranho de conquista.
Dei uma lambida na ponta de sua orelha, vendo ali o seu aparelho. Grey levou sua mão até ali, impedindo que eu tocasse naquele local. Estranhei, mas não fiz nada.
Voltei com minha cabeça para o seu pescoço, cheirando ali. Ah, isso me excitava. Estava realmente querendo traçar aquele russo.
Ah, essa seca do caralho.
A música continuava a tocar, mas eu não prestava mais atenção. Colei minha testa com a dele e ficamos assim por um tempo, sentindo uma a respiração do outro.
Não era isso que eu queria. Estava querendo apenas uma boa foda, mas, quando fui tomar uma atitude, senti que o moreno estava calmo demais.
Apertei meus olhos naquela escuridão e percebi que o idiota tinha dormido em pé, encostado no meu corpo.
Suspirei. Que porra. Eu era tão chato que ele sempre acabava dormindo quando estava comigo?
Isso era estranho, mas, em todo o caso, eu não iria acordá-lo. Já havia percebido que ele parecia cansado, sempre parecia.
Também, pra ajudar, o garoto estava totalmente mamado. Arrumei um jeito de levá-lo para meu quarto e coloquei seu corpo sobre minha cama.
Para variar.
Já vi essa cena antes, vocês não?
Olhei para seu corpo adormecido na minha cama, de lado e com meu travesseiro sendo abraçado entre os braços e as pernas.
Porque me sentia tão preso à ele?
Coisas ruins me vieram a mente. Suspirei. A vida era mesmo estranha.
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