Oasis
20 Extra: Universo Alternativo pt.2
Notas iniciais
— Não sei tomar banho sozinho – Fez bico e usou da sua voz mais manhosa.
“É hoje que eu perco a cabeça” – Pensou Logan em um rompante.
— C-Como assim? – Perguntou o ruivo meio nervoso.
Se aquilo acontecesse, não saberia se poderia se conter. Ver aquele que tinha uma personalidade horrível agir como uma criança inocente... Isso estava mexendo com sua cabeça. Tinha medo de fazer algo irreparável.
— Ainda não aprendi, tio – Disse sorrindo – Lá em casa a tia Amélia que me dá banho.
— Tia Amélia? – Indagou confuso. Nunca tinha escutado a menção daquele nome.
— Uhum – Seus olhos brilhavam – A moça que trabalha lá em casa. Ela é muito legal comigo.
Não sabia o que fazer. Só tinha consciência de que aquele moreno precisava de um banho e um urgente. Ainda havia sangue seco na sua testa, que tinha um corte nada preocupante, mas que poderia infeccionar.
Tanto o ruivo quanto o russo estavam sujos de terra por terem dormido em uma caverna, que a propósito não era em nada confortável, ainda mais em um dia de tempestade como aquele que estava se transcorrendo ao passar das horas.
Pensou um pouco antes de responder. Tinha que achar uma solução.
— Então espera aqui, sem fazer bagunça – Deixou claro. Aquele Grey parecia ser muito mais imperativo do que aquele que achava que conhecia. Mais imperativo e, com certeza, mais imprevisível.
Não tinha a mínima consciência do que ele poderia aprontar em uma situação daquelas. Jogar-se-ia de uma janela se o moreno quebrasse alguma coisa ou saísse correndo sozinho pela pousada. Só imaginava a bronca que levaria da sua melhor amiga maluca.
Foi para o banheiro e encheu a banheira de água e muita espuma. Pronto. Assim não poderia ver o corpo nu de certo russo. E que corpo! Já tinha noção do quanto ele era atraente pra si até nesses aspectos.
Seria possível sentir-se assim com outro homem? Será que ele também gostava daquela brutalidade masculina?
Ninguém sabia. Nem mesmo ele. Quem sabe um dia não resolvesse tirar a prova. Não, não se imaginava nesse tipo de situação, mas também nunca tinha imaginado que um dia Grey perderia a memória e rendesse-lhe um dia cheio de confusão.
Voltou para o quarto depois de retirar a camisa e a calça. Era óbvio que não queria molhar suas roupas, por mais sujas que estivessem. Olhou para o homem com mente de menino que quase cochilava em sua cama, espalhando sujeira por tudo quanto é canto.
— Vem ‘pro banheiro – Chamou em um tom mais alto, fazendo-o despertar.
— O tio vai vir comigo, ‘né? – Ditou meio esperançoso.
Uma veia saltou da testa do ruivo. Porque vê-lo naquele estado era tão irritante e atraente ao mesmo tempo?
— Anda logo, moleque – Disse meio grosso, mas sorriu no final da frase. Aquela situação não deixava de ser meio cômica.
O moreno saiu despindo-se antes mesmo de chegar ao cômodo destinado ao seu banho. Logan engolia em seco a cada roupa tirada. Já era difícil conter-se quando o idiota espancava-o, imagina quando não corria esse risco?
Virou-se de costas para ele quando Grey estava tirando a cueca. Suspirou audivelmente. Pedia a Deus pelo menos um pouco de autocontrole. Se é que Deus o ajudaria naquele caso. Ele era apenas um puto viciado em sexo e ainda estava em abstinência! Era muito tortura.
— Entra na banheira que eu já venho – Foi para fora do quarto, sem se importar com o fato de que estava seminu, enquanto o menor entrava no banheiro sem entender as atitudes do outro.
Escorou-se na porta depois de fechá-la e respirou fundo. Raciocinou até que chegou a conclusão que não teria problema nenhum em tirar uma casquinha. Era só o Grey, apenas suas memórias que estavam bagunçadas.
Era a maldita chance que ele esperava tinha tanto tempo. Só precisava saber o momento certo para aproveitá-la.
Voltou para o quarto com um sorriso pra lá de malicioso. Era até de se estranhar aquela mudança de comportamento tão repentina. Foi encontrar-se com o moreno, que estava brincando com a camada branca que se formava em cima da água.
— Seria legal se tivesse dinossauros pra eu brincar, ‘né tio? Eu gosto de dinossauros – E desatava a falar. Não era em nada semelhante, tirando a aparência, à outra personalidade que ele conhecia.
— Tu gosta desses bichos sinistros? – Fez uma careta ao mesmo tempo em que pegava uma bucha e esfregava-a no sabonete.
— Sinistro? – Pendeu a cabeça para o lado como se não entendesse nada daquilo.
— É – Então a parte de odiar gírias continuava a valer – Feios e bobos – Disse a primeira coisa infantil que veio em sua cabeça.
— Não são! – Protestou com um bico – O T-rex te mata, tio.
— Ah é? – Então a parte de querê-lo morto também não se tinha alterado – Tu me quer morto, moleque?
O outro fez uma cara de choro, como se o ruivo tivesse entendido tudo errado. Logo o maior percebeu e suspirou. Era ser carinhoso ou ser carinhoso. Não tinha outra opção, mas não queria ser assim com ele. Gostava dos maus-tratos diários.
Talvez tinha se tornado um tanto masoquista e até um pouco sado, mas fazer o que. A vida acabara fazendo-o assim.
— N-Não, tioooo – Prolongou a letra final e tentou abraçá-lo com o corpo todo molhado.
Nesse momento agradecia sua inteligência em ter tirado suas roupas. Recebeu um corpo molhado junto ao seu bem no momento em que ia ensaboar as costas do moreno. Sentiu leves fungadas na área do seu pescoço.
Um arrepio percorreu seu corpo naquele momento, concentrando-se nas suas partes íntimas. O que fazer? O que fazer? Não poderia assediá-lo em um momento como aquele.
— Não é pra chorar, mané – Ficou meio sem jeito. Nunca havia recebido um contato daquele em espontânea vontade.
— ‘Tá com raiva? – Sentou-se novamente na banheira e olhou-os com os olhos lacrimejados.
Ele era assim tão chorão quando criança?! Não entrava na sua mente.
— Não – O menino sorriu – Só fica quieto aí e me deixa te lavar.
— Mas tio, entra aqui comigo. Aí fica melhor, ‘né? – Disse na sua lógica de criança.
“Porra, claro que é mais fácil, mas aí é que eu fico duro”, resmungou o ruivo em pensamentos. O que fazer? O que fazer? Lembrou-se de que havia se permitido tirar uma casquinha. Aquele poderia ser o momento.
Levantou-se da beira da banheira, onde estava agachado para lavar o outro, e entrou na água de cueca e tudo. Não se importava com esse fato, mas não ficaria pelado. Caso isso acontecesse, não aguentaria e iria até o fim.
Sentou-se atrás do menor com um nervosismo que não era seu. Se fizesse algo àquele menino... Ah, como estaria fodido. Duas pessoas em especial iriam querer sua cabeça em uma bandeja de outro. Era novo demais pra morrer e servir de enfeite na casa de Iris e até do próprio Grey.
Levou suas mãos aos ombros meio musculosos, esses que não o deixavam esquecer a rudeza daquele ser, era forte, era bruto e, acima de tudo, era um homem. Nunca esqueceria esse detalhe. Passou o sabonete com calma.
— Ah, isso é bom. O tio sabe lavar direitinho – Falou com a voz manhosa.
Sentiu seu corpo retesar. Os pelinhos ruivos de todo o corpo até arrepiaram-se. Aquela voz rouca, que era característica daquele idiota, dizendo coisas com um tom tão gostoso que despertava sua libido em um nível alarmante.
— Toma – Entregou-lhe o sabonete – Lava aí na frente que eu faço a parte de trás.
Era claro que não havia deixado de sorrir pervertido. Sempre pensava em duplos sentidos nas suas frases. Essa não era nem um pouco diferente.
— ‘Tá bom – Sorriu animado com a chance de poder ajudar – Mas o tio vai lavar o meu bumbum? A mãe diz que eu não sei lavar direito, aí ela manda a tia Amélia, mas ela tem umas unhas grandonas e machuca.
Seu olhar negro em encontro a pele branca do outro era espantado. Não conseguia processar aquelas informações direito. Assim que se deu conta da idiotice cometida pelo outro, começou a rir como se não houvesse amanhã.
Não parava de passar em sua cabeça a cena de quando Grey lembrar-se-ia de tudo e ficaria puto. Isso seria a coisa mais engraçada que presenciaria na vida.
Logo depois se deu conta do que aquilo significava. Não! Não conseguiria fazer isso. Pronto. Era o fim da sua sanidade! Como tocaria aquele corpo daquela forma ousada sem ter uma vontade inescrupulosa de fodê-lo até que o outro não pudesse andar por alguns dias?
Era algo chulo e pervertido. Fato. Porém estava longe, muito longe de se importar. Faria isso. Estava decidido. Não se importaria com as consequências que viriam depois.
Tocou de leve seus ombros, fazendo uma massagem com os nós dos dedos. A pele branca e, geralmente fria, estava quente por causa da temperatura da água. Gostava das coisas mais brutas, porém levaria com calma. Não queria ter problemas com a mente de criança do outro.
Desceu uma das mãos pela coluna, explorando cada pedacinho. Grey virou o rosto para si, sem entender aquele tipo de carinho. Logan apenas sorriu sapeca e desceu mais a mão, apertando generosamente a bunda redondinha e dura daquele corpo.
O menor assustou-se, dando um pulo na banheira e um gritinho surpreso, facilitando o processo do outro de colocá-lo em seu colo. Pôde sentir a pele da entrada enrugada do outro no seu membro. A felação que havia acontecido alguns dias antes no quarto do ruivo, com os dois ainda de roupas, não era nada se comparado com aquilo.
Quis gemer, quis movimentá-lo e esfregar aquele lugar contra si, mas, antes que tomasse uma iniciativa que seria definitiva, ouviu a porta ser aberta e um grito de raiva ser proferido. Iris estava na porta e parecia querer matá-lo.
O ruivo sorriu culpado. A culpa era sua mesmo, mas não pediria desculpas. Nem em mil anos. A morena veio ao seu encontro com os olhos ferozes. Grey ainda não entendia o que estava acontecendo, muito menos o que estava sentindo crescer entre suas pernas. Sua mente de criança ainda era um tanto inocente.
— Não acredito no puto amigo que eu tenho – Vociferou enquanto puxava um aturdido moreno do colo do outro.
— Ah – Coçou os cabelos – Tu me conhece, ‘né. Não resisti.
— Tu tem alguma noção?! – Quase gritou, assustando o menino que havia sido acolhido em seu braço. O mesmo começou a chorar, pois estava confuso. Era engraçado, já que o moreno era bem maior que a menina.
— Não – Deu uma risada nasalada. Era um cara de pau de primeira.
— O Grey perdeu a memória e tu só se importa com isso?!
Fazer o que. Já não batia muito bem da cabeça em vários sentidos e a única válvula de escape que conhecia era sexo. Pra piorar, seu objeto de desejo mais recorrente estava naquele estado. Desperdiçar uma chance? Não era com ele.
— N-Não grita com o tio – Choramingou.
— O que tu fez pra ele? – Seus olhos eram ameaçadores. Era protetora com seu melhor amigo, mas sabia apontar seus defeitos. Nada como uma boa verdade para fazê-lo crescer. Era o único jeito que funcionava com aquele idiota que ela considerava como um irmão.
— Nada – Levantou os braços e relaxou-se na banheira, como se nada daquilo importasse – Só que meu autocontrole teu limite. Ele pediu pra mim lavar a bunda dele, na ‘mó inocência! Não sou santo, linda.
A menina segurou o riso. Na verdade, pagaria para ver aquela cena que deveria ter sido mais que cômica. Queria só ver a cara do seu amigo ao escutar aquela frase. Porém seu senso de responsabilidade naquele momento era maior. O amigo russo, por mais que tivesse raiva e quisesse matá-lo em alguns momentos, precisava de cuidados.
A testa do mesmo ainda tinha sangue. Nem ao menos limpá-lo aquele incompetente que havia virado seu amigo de uns anos pra trás não conseguiu fazer. Era o cúmulo.
— Idiota – Suspirou e sorriu, tentando ficar calma. Nada adiantava brigar com o amigo naquele momento.
— E tu me ama – Piscou divertido.
— Agora vaza daqui que eu dou banho nele.
— M-Mas... Pra onde o tio vai? – Perguntou receoso. Logan era o único que Grey reconhecia como alguém de confiança naquele momento. Mal sabia que o outro queria seu corpo de uma forma nada casta.
— Vou ali no quarto, prego. Fica aí na paz com a tia – Sorriu enquanto levanta-se e pegava uma toalha que estava pendurada em um objeto especializado naquela função.
— Não vai embora? – Seus olhos brilhavam.
“Irritante”, pensou. Não sabia por que achava aquela inocência tão irritante. Na verdade, sabia, mas preferia ignorar aqueles pensamentos turbulentos. Tentou não fechar a cara e estragar com a felicidade do menino. “Mas bem que ele merecia.”
— Não – Respondeu simplesmente, saindo dali.
Ao chegar ao outro cômodo, tirou a cueca molhada, secou-se com a toalha e vestiu uma roupa qualquer. O clima estava mediano depois daquele temporal, então poderia vestir o que quisesse. Saiu do lugar e foi procurar algum funcionário do hotel para informar-se sobre onde haveria um hospital por ali.
Depois de ficar ciente de que havia um no fim da avenida principal, sentou-se em uma poltrona do hall de entrada e ficou viajando em lembranças por um bom tempo. Sentiu uma mão no seu ombro e voltou à realidade.
— ‘Tô pronto, tio. A gente vai sair? Porque eu quero sair com o tio. Aí a gente pode brincar, ‘né? – Aquele olhar inocente dava pontadas de raiva dentro do ser ruivo. Até por que não parecia ser acompanhado nunca por um sorriso.
O que era estranho, levando em conta que sua mentalidade era de uma criança e crianças costumam sorrir sempre. Tudo era um mistério sem fim, uma das maiores incógnitas na vida de Logan.
Iris estava atrás do outro enquanto chamava Caio, Eric e Art pelo celular. Os meninos já haviam enchido a cara durante o dia e a morena simplesmente não suportava bêbados quando ela mesma não estava bêbada, por isso havia os mandado para o quarto.
— Vamos ao médico – Sorriu para a cara de desespero do outro.
— Nãaaaaaaaaao – Prolongou uma letra como sempre parecia fazer quando estava com as emoções afloradas.
— Sim – Sorriu mais ainda.
— M-Mas – Foi interrompido.
— Vamos contigo, moleque – Resmungou. Não estava a fim de ficar discutindo.
— ‘T-Tá – Abaixou a cabeça.
Ah, aquela situação tinha caído dos céus. Logan adorava poder fazer o que quisesse daquele ser tão marrento outrora. Era divino, algo perfeito para o sentimento sadista que sentia em relação àquele idiota.
Os outros haviam dito para a morena que não iriam. Estavam acabados. Eric esquecera passar o protetor na hora que o sol mais castigava, então estava todo queimado e ardendo. Caio havia acabado tomando algumas juntas com Art e o pessoal do vôlei. O resultado era que estavam todos impossibilitados de fazer qualquer coisa.
— Esses idiotas – Resmungou Iris enquanto dirigia. Assim que tiveram a notícia que os outros não iriam, já entraram no carro e partiram para seu destino.
— Que tal a gente encher a cara depois? – Logan deu a ideia – Estou precisando.
— Nem vem – Repreendeu – A culpa é tua e agora vai cuidar de marmanjo com cabeça de criança.
— Nossa, linda – Inclinou-se sobre o ouvido dela, mesmo estando no banco de trás com o moreno devidamente sentado e fazendo o uso do cinto – Não está muito malvada comigo, não? – Usou sua voz mais sensual.
— Não – Aquela voz era muito gostosa, mas não se deixaria levar pelas estripulias do seu amigo – E para de tentar me seduzir – Sorriu divertida.
— Assim que eu gosto – Disse, fazendo referência ao sorriso sapeca que a outra deu.
O moreno apenas assistia a cena com um bico nos lábios. Na sua mente de criança, o “tio” não estava dando a atenção que o mesmo queria e ainda estava levando-o para o hospital.
Quando chegaram ao prédio muito bem localizado, entraram e deram seus dados na recepção. Era uma instalação particular, mas isso não era problema para eles. Sentaram na sala de espera até que o médico viesse para saber o problema.
Entraram na sala branca apenas o ruivo e o russo. Iris disse que não faria diferença ali, mas que estaria de olho nos dois. O médico era bastante novo e tinha uma expressão carregada de cansaço. Estava de plantão desde o dia anterior, mesmo que nada demais estivesse acontecendo ali dentro.
— Então – Sorriu simpático, mas no fundo tentava entender porque dois homens haviam entrado ali juntos – Qual o problema de vocês?
— Esse prego aqui bateu a cabeça e voltou a agir como uma criança – Despejou Logan tudo de uma vez na maior tranquilidade. O curativo feito por Iris na cabeça do moreno comprovava o fato.
O médico ficou tentando processar aquilo por alguns instantes. Não era todo dia que um caso assim aparecia. Geralmente, as pessoas apareciam ali por causa de doenças ou quando estavam quase morrendo.
— Mas ele se lembra de mais alguma coisa? De você, por exemplo?
— Não. Só da mãe e da empregada, mas não conheço as duas, então não posso afirmar com certeza – Sentiu-se incomodado. E se tudo que o outro tinha falado fosse apenas uma criação de sua cabeça e ele não se lembrasse de nada?
— Muito bem – Suspirou – Vou precisar de uma tomografia. Por sorte, o hospital está vazio hoje e podemos fazer isso agora. Dependendo do resultado, irei avaliar a situação.
— Tudo bem. Vamos – Puxou Grey pela mão, uma vez que ele não queria levantar-se mesmo que Logan já havia feito isso.
— O senhor não pode ir – Disse o médico em um tom cordial.
— N-Não, o tio tem que ir comigo – Choramingou.
— Não posso ir mesmo? – Perguntou. A última coisa que queria era um show ali, bem no hospital.
— Não, infelizmente não pode ficar na sala do equipamento.
— Não – Começou a chorar Grey e agarrou-se ao ruivo – Não quero ficar longe do tio.
Estava desesperado. Parecia que tinham falado para o mesmo que iria para o abatedouro. Comportava-se como se odiasse ferrenhamente aquela situação a qual se encontrava. Logan olhava-o assustado, sem entender nada e sem saber o que fazer.
O outro viu quando o médico pegou uma seringa e usou-a para tirar um líquido de dentro de um frasco que ficava guardado dentro de sua gaveta. Logan até chegou a ficar receoso, mas o doutor olhou-o, como se pedisse permissão, permissão essa que foi concedida quando o ruivo entendeu o que ele queria fazer.
Enquanto Grey remexia-se inquieto e chorava ao pensar na ausente do “tio”, o médico aproximava-se. Quando estava perto o suficiente, cravou a agulha na pele alheia e injetou o líquido na sua corrente sanguínea. O choro cessou na hora, assim como o corpo do menor que desfaleceu nos braços do outro.
— Agora podemos ir – Suspirou. Não entendia a relação entre aqueles dois. Mal sabia ele que nem mesmo os dois entendiam.
O mais velho no lugar chamou alguns enfermeiros para que pudessem colocar o corpo inconsciente na maca e levá-lo para os exames. Logan apenas confiou o moreno nas mãos do homem competente e foi sentar-se na sala de espera.
— Cadê ele? – Indagou sua amiga com um olhar desconfiado.
— Foi sedado e levado para o exame – Suspirou – Que merda.
— Ninguém mandou ser irresponsável. Ouvi a gritaria daqui – Seu olhar estava fixado na porta por onde os dois haviam entrado minutos antes.
— Não enche, beleza? – Estava cansado. O dia já havia escurecido há um tempo e o dia tinha sido cheio.
— Já é – Fechou os olhos. Queria dormir. Tinha ficado preocupada de verdade com aqueles dois idiotas que só se metiam em coisas malucas.
o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-Oasis—o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o
Estavam voltando para a pousada. Grey havia acordado, mas ainda estava totalmente fora do ar. O médico havia dito que estava tudo bem, mas, por causa da queda, uma parte do cérebro onde são armazenadas as memórias tinha ficado um pouco inchada, mas esse inchaço iria ceder com o tempo.
Quando o moreno acordou, estava deitado em uma cama em um dos quartos do hospital, mas, ao contrário do que achava, seu “tio” estava lá, sentado de forma relaxada e característica na poltrona enquanto conversava e sorria para sua melhor amiga.
— ‘Tá tudo tranquilo aí, moleque? – Foi o que ele perguntou antes de ser abraçado.
— Tio, por que queria me deixar sozinho com médico mal? – Fez um bico.
Não entendia esses bicos que o outro fazia. Nunca cogitou em ver isso na sua vida, assim era com tudo o que aconteceu naquele dia estranho.
— Ele não era mal, só queria ver se estava tudo beleza, maluco – Sorriu – Vamos embora?
— Uhum – Levantou-se e saíram daquele lugar que cheirava a álcool.
Já estavam quase perto do lugar onde os outros haviam ligado e dito que os esperariam na porta. O moreno olhava a paisagem passar pela janela, como sempre. Logan cantava uma música que tocava no som enquanto dirigia e Iris mexia no celular.
Como o destino não era longe, logo chegaram. Os três que os esperavam levantaram-se de imediato, indo ao encontro deles assim que desceram do carro.
— Pô, até que enfim – Exclamou Art, um dos mais preocupados ali.
— Calma que ninguém ‘tá morto, ‘parça – Sorriu Logan enquanto colocava o braço nos ombros do loiro e todos se dirigiam para dentro do lugar.
— Porra, cara. Seu maldito, estávamos preocupados – Fez uma careta para o descaso do outro.
— ‘Tá tudo na paz.
— Tem certeza que não te deram nenhuma parada maluca lá no hospital, não? – Indagou Caio. O ruivo parecia estranho.
— ‘Tô fumando uma desde meio dia – Disse sério. Todos olharam espantados. Ele era meio doido, mas não costumava fazer esse tipo de coisa.
— O QUE? – Gritou a menina do grupo.
Até parece que não o conheciam.
— Ah qual é – Riu – Não ia perder a linha assim não.
Sentiu sua mão ser puxada e olhou para o lado. Grey fitava-o meio sem graça e com vergonha.
— Vamos pro quarto? – Indagou na sua inocência. O ruivo sentiu seu coração bater mais forte e vários pensamentos pervertidos passaram por sua mente.
— Já que quer tanto assim – Sorriu malicioso.
— Não vai abusar do garoto – Eric advertiu quando percebeu o olhar do outro.
— Pode crer – Mas não sabia se conseguiria evitar – Vão fazer o que?
— Tem um lugar maneiro ali. Vamos lá dar uma olhada – Falou Eric.
— Quando ele dormir, eu passo lá – Sorriu e foi para seu quarto junto com o menor que ainda fazia questão de segurar sua mão.
As coisas estavam estranhas. O ruivo não sabia mesmo como agir com um Grey daquele jeito, mas aproveitaria o que dava enquanto não poderia ser espancado pelo mesmo. Era como uma fantasia sexual. Podia abusar o quanto quisesse do outro por um dia.
Ao chegar à porta, viu Eduardo e Lucien entrando ao quarto ao lado. Sorriu. Já imaginava mil coisas na sua cabeça que, definitivamente, não prestava.
— Olha o tio fofo – Grey apontou para o loirinho quando o viu.
— É – O sorriso continuava.
Quando adentraram, o moreno jogou-se na cama e começou a pular. Com medo de que o móvel quebrasse ou que a situação piorasse (com o universo contra a existência do menor, ele muito bem poderia cair e bater a cabeça novamente), jogou-se em cima dele.
Só foi perceber que estava por cima do mesmo quando sentiu seus corpos roçarem-se. O menino olhou-o meio estranho, como se não entendesse o que era aquilo que estava sentindo. Logan não sentiu nem um pingo de remorso por aquilo.
— Quer ver algo bem legal? – Perguntou como se não quisesse nada.
— Quero! – Quase que gritou, os olhos coloridos cintilavam.
O sorriso com dentes brancos e perfeitos do maior abriu-se mais ainda e isso se devia ao fato de receber uma resposta positiva e ao fato de já imaginar o que acontecia ao lado, uma vez que ouvia leves gemidos manhosos que ele supôs ser de Lucien.
— Eu vou te mostrar – Seu olhar parecia o de um felino logo ao atacar sua presa.
— ‘P-Pera, tio – Seu rosto transfigurou-se em medo – Que barulho é esse? Estão m-machucando alguém?
— Não – Reprimiu a risada – É por causa disso.
E começou a beijar o pescoço branquelo do mesmo. Seu autocontrole tinha chegado ao fim, pra valer. Tentava não ser bruto, como sempre acontecia quando os dois estavam naquele tipo de situação, e estava conseguindo. Não iria traumatizar o garoto e piorar tudo.
Foi despindo o corpo abaixo do seu enquanto ainda o beijava no pescoço. Concentrava-se naquela região que parecia ser bem sensível. O moreno não entendia o que estava acontecendo, mas não tentou afastá-lo. Sentia-se estranho, mas não era algo ruim. Na verdade, era bom.
Queria saber o porquê daquela área íntima do seu corpo começar a ficar dolorida quando o ruivo passou a descer os beijos após tirar a sua camisa. Sentia sua pele ser maltratada e sentia dor, mas a dor era boa. Fechou os olhos com força por causa do turbilhão de sentimentos, inclusive a vergonha de ser tão exposto assim.
— Não fecha os olhos – Mandou quase em um rosnado.
O outro prontamente obedeceu-o, vendo o mesmo ficar de joelhos por cima de si, com cada perna ao lado de seu corpo, e tirar a camisa que vestia assim como a calça. O que aconteceria ali? Não sabia. Estava com medo.
— O-O que vai fazer tio?
— Tu vai gostar moleque – Sorriu provocador.
Por algum motivo, sentiu ganas de socar o seu “tio”. Aquele sorriso era irritante. Mas mais irritante ainda foi vê-lo arrancar suas bermudas e junto ir sua cueca. Ficou sem saber o que fazer. O que ele queria com seu corpo dessa forma?
Percebeu um movimento por parte do outro. O ruivo inclinava-se sobre si e logo seus lábios estavam em contato com os seus. Sentiu um calor que nunca tinha experimentado antes. Tesão. Porém não fazia ideia do que seria aquilo.
Logan embrenhou suas mãos nos fios negros e sedosos, puxando-os enquanto devorava os lábios macios em um beijo cheio de desejo. Sua língua brincava com o metal negro e gelado na língua alheia. Era bom, molhado e dava um puto tesão. Enquanto isso, suas mãos ousadas iam para o membro do outro.
Ficou incerto sobre o que fazer. Ainda achava que poderia broxar quando pegasse no órgão sexual do outro e visse que não era realmente aquilo que gostava... Até mesmo torcia por isso algumas vezes. Porém, não foi isso que aconteceu.
Quando sua mão começou com os movimentos de vai e vem, pôde ouvir claramente os gemidos que Grey não se preocupava em não deixar escapar. Não era o mesmo Grey orgulhoso de sempre. Isso até era meio sem graça, mas o corpo do outro era o mesmo. Só queria ver o que faria quando descobrisse o que aconteceu entre os dois ali.
O moreno tentava a todo custo respirar, mas parecia impossível. Era a primeira vez que se recordava sentir aquele tipo de coisa. Era um calor insuportável. Era ótimo. Logan também não facilitava. Beijava-o e continuava a bombeá-lo. Sabia bem como fazer, afinal só precisava fazer o que gostava que fizessem em si.
Era isso que facilitava o relacionamento entre dois homens. Ninguém precisava brigar pelo controle da televisão. Os dois vão querer assistir a mesma coisa, ter os mesmos amigos, sair pra jogar futebol ou coisas do tipo. E na cama... Saberiam bem como proporcionar o máximo de prazer um ao outro.
Tudo parou. Todos os movimentos, todos os toques, a mão quente e grande no membro bem dotado de Grey. Abriu os olhos, que havia inconscientemente fechado. Logan olhava-o com a sobrancelha erguida.
— O que falei antes moleque? – Perguntou num sorriso sádico.
— P-Pra não fechar os olhos? – Estava incerto. Aquilo era muito bom. O que era?
— E o que tu fez prego?
— Fechei?
— Exatamente – Falou ao mesmo tempo em que levantava a perna do outro e dava um tapa forte e audível na sua bunda, bunda essa que o ruivo considerava extremamente apetitosa.
— Ai – Choramingou, mas não pôde deixar de sentir certo prazer com isso.
— Agora pede – Mandou.
— Pedir o que?
— Diz assim – Inclinou-se para sussurrar em seu ouvido com a voz mais sensual que tinha – Me fode.
Grey sentiu seu corpo inteiro arrepiar, mas não fazia ideia do que ele estava pedindo.
— A-Ahn? O que é isso?
— Só diz, prego – Sorriu sacana. Era maldade, mas sua consciência nem se quer pesava.
— M... f... – Disse tão baixo que o outro não escutou nada além das primeiras letras.
— O que?! – Quase esbravejou. Porra, o seu membro estava extremamente duro ali! E queria alimentar seu ego ao ouvir aquilo. Ah, se queria... Jogaria na cara do outro aquele pedido tão épico.
E também não estava a fim de preliminares. Nunca chuparia o pau do outro. Estava fora de cogitação. Machismo, ele estava sendo idiota, o que for, mas não faria. Nem em mil anos.
— Me fode – Falou com a voz esganiçada, mas manhosa. Também estava sem paciência. Seu membro doía, pedindo alívio, e mal sabia o que estava acontecendo ali.
— Agora sim – Quase rosnou. Era muito para seu ego.
Sentia-se realizado. Não via a hora de entrar naquele corpo. Não via a hora do outro saber que tinha deixado o ruivo fazer aquilo e ainda tinha pedido em alto e bom som. Onde estavam as câmeras naquele momento?
Levantou-se meio atrapalhado, vasculhando a mochila com pressa em busca do tubo de lubrificante. Não dava pra entrar a seco. O outro era virgem. Era a mesma coisa que querer matá-lo de dor. Nem conseguia imaginar a quantidade de sangue que sairia se fizesse como um bruto qualquer.
Tinha alguma consideração, pelo amor de Deus!
Quando achou, voltou para a cama. Não estava a fim de nada meloso como nesses romances ridículos de quinta categoria. Estava querendo muito aquilo e há meses. Tempo é que não iria perder. Levantou as pernas alheias.
— Segura – Ordenou apontando para as pernas do moreno, que logo atendeu o seu pedido.
Abriu o tubo, jogando uma boa quantidade daquele líquido viscoso nos seus dedos da mão direita. Logo levou o médio àquela entrada apertada. Suspirou. Era a primeira vez que fazia aquilo, a primeira vez. Nunca tinha pensado que isso aconteceria, mas fazer o que. A vida é uma vadia imprevisível.
Inseriu o dedo ali e começou a prepará-lo. Era claro que Grey deveria ter levado em consideração outras preparações antes daquilo tudo, mas ninguém se importava. Ninguém tinha ciência de que aquilo chegaria acontecer, então seria daquele jeito mesmo.
Um dedo, dois dedos, movimentos circulares, movimentos de tesoura, gemidos de dor, gemidos de dor misturado com um prazer absurdo. O moreno mantinha os olhos bem abertos. Não queria, não tinha condições de parar aquilo agora. Mal entendia o porquê de seu “tio” estar o tocando naqueles lugares, mas valia a pena a ignorância. Aquilo era fodidamente bom.
Mais um pouco de lubrificante e outro dedo branco e grande do ruivo foi somado à entrada do russo. Seu rosto estava quente, todo seu corpo queimava de um jeito bom. Seus olhos coloridos até pareciam nublados de prazer, pois não parecia raciocinar mais nada.
— Ah, ai meu Deus – Gemia mesmo sem ter noção de que o fazia. Isso só atiçava mais o outro, que estava cansado de prepará-lo.
Era uma doce tortura. Aqueles gemidos e frases desconexas estavam enlouquecendo-o. Nunca fora uma pessoa muito paciente, quem dirá quando se tratava de sexo. Tirou os dedos dentro do outro, que soltou um suspiro meio inconformado.
— Impaciente. Vamos ver o que vai achar quando se lembrar disso – Sussurrou mais pra si mesmo do que para o outro.
Pegou um pouco de lubrificante e passou no seu próprio membro. Preferia exagerar do que fazer um estrago no moreno depois. Iniciou uma masturbação lenta e logo, com a ajuda da sua mão, levou seu órgão para aquela entrada apertada e nunca antes tocada daquela forma.
Colocou apenas a ponta, ouvindo um gemido alto de dor. Esperou um pouco e foi forçando devagar seu caminho para dentro daquelas paredes extremamente apertadas. Ia parando e esperando Grey acostumar-se à medida que seus gemidos de dor estavam mais altos e constantes.
Quando se enfiou por completo, soltou um gemido rouco e provindo do fundo da sua garganta. Aquilo não podia estar certo. Não mesmo.
— Porra! Isso é melhor que sexo com mulher – Resmungou sozinho.
O moreno nem se quer entendia mais nada. Apenas respirava fundo e fazia força, tentando expelir o intruso de dentro de si, assim a dor parecia passar mais rápido. Quando se sentiu mais confortável e a sensação começou a ficar mil vezes melhor, rebolou um pouco o quadril, pedindo mudo um pouco mais de ação.
Logan sorriu o sorriso mais sacana de toda a sua vida e começou os movimentos. Não foi gentil e começou lentamente. Já tinha esperado demais. Foi em uma estocada bruta que iniciou o que, a partir dali, poderia ser chamado de sexo.
Ouviu um gemido e outros e muito mais outros. Grey não conseguia fazer outra coisa a não ser isso. O ruivo apostava que, se fosse aquele moreno que conhecia, nunca ouviria isso. Achava que ele seria do tipo caladão nessas horas e acertaria, se o mesmo não estivesse com a mentalidade de uma criança.
Foi estocando com o máximo de rapidez e força que conseguia. Era certo que o outro ficaria quase sem conseguir andar no outro dia, mas pouco se importava. Aquilo era demais!
Quando sentiu as pernas brancas circularem sua cintura, estava quase no seu limite. Permitiu-se morder com afinco aqueles mamilos rosados e chamativos enquanto tentava ir com mais força.
Acertou a próstata do moreno muitas vezes. E foi em um dessas que ouviu o gemido mais alto da noite, onde Grey derrama-se em prazer, tendo o seu primeiro orgasmo que se lembrasse. Com aquela pressão, era claro que o ruivo, já excitado desde que voltaram da praia, não aguentaria.
Foi quando despejou o líquido branco dentro do outro que se sentiu um idiota. Tinha esquecido a camisinha. Pelo menos o russo não tinha a menor possibilidade de engravidar. Soltou um gemido e deixou seu corpo cair por cima do outro.
Tentou normalizar a respiração. Quando conseguiu, saiu de dentro do outro e deitou-se ao lado do moreno. Estava tão satisfeito que nem parecia ele mesmo.
— O que foi isso? – Grey já respirava normalmente.
— Algo bom. Vai dormir, prego – Sorriu e colocou os braços atrás da cabeça.
O moreno de olhos coloridos aconchegou-se mais perto do outro e suspirou. O cansaço era enorme. O que tinha sido aquilo? Não sabia, mas sentira a melhor coisa da sua vida.
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— EU VOU TE MATAR SEU FILHO DA PUTA – Era tudo que se podia ouvir na manhã seguinte ao acontecido. Era de se esperar, mas Logan não havia se arrependido em nenhum momento.
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