Oasis

21 Desencosta, seu gay


Notas iniciais
Galerinha! Desculpa pela puta demora, haha, mas acontece que, como já tinha dito nos outros capítulos, as coisas estão bem corridas aqui e ainda por cima estava meio sem inspiração pra escrever, depois que escrevi um extra nada a ver com a história original, haha. Mas está aqui e espero que gostem! Um pouco de treta é sempre bom, hahahaha. Bom, pode ser que tenha ficado um pouco pequeno e sem muita ação nesse capítulo, mas como é um de transição, estamos entrando em outra etapa da história, terá que ser assim. Prometo que o próximo será mais interessante e, claro, bem maior, hahaha, Aviso: Tô com uma nova fic aí, se quiserem dar uma olhada é esse link aqui: http://fanfiction.com.br/historia/609180/Blackshirts/ É bem diferente dessa, mas espero que curtam, haha. Ficaria bem feliz em ver vocês nos comentários!

Acordei com um grito estridente e, como sempre, praguejei mentalmente, contando até dez antes de ficar com vontade de matar seja lá quem que esteja perturbando o meu sono lindo. Porque isso sempre acontecia comigo?

Tentei me sentar na cama para que pudesse me situar, mas apenas consegui gemer de dor. Filho da puta! Rezo pra Deus, até pra pomba gira, que Dênis esteja mil vezes pior. Abri os olhos e lá estava ela, morena e baixinha como sempre.

— Logan Weber – Seu tom e seu olhar indicavam ameaça.

— Oi mãezinha linda – Sorri amarelo. O que eu tinha feito agora?

— Sabe que dia é hoje? – Tentei pensar, mas minha cabeça doía por causa da bebida de ontem à noite – Sabe quantas horas são?!

— Não?! – Cocei a parte de trás dos meus cabelos.

— Levanta daí. Agora! – E me jogou o meu celular que quase se espatifou na parede.

Meu Deus. São quase sete e eu ainda dormia. Tinha aula na sexta! Mesmo que meu aniversário tivesse sido na quinta, eu não era permitido a faltar sem um motivo muito bom.

— É pra já – Levantei-me correndo.

— E o senhor não pensa que vai escapar da faxina, mocinho – Gritou quando eu já estava me despindo dentro do banheiro – Seu gato fez uma bagunça no quintal!

Bem que ela podia me dar um desconto! Não percebeu que eu estava todo fodido?

Lavei-me na maior pressa do mundo. Se bobear tinha até ficado sabonete na parte de trás da minha orelha. Passei a mão pelos cabelos molhados, vesti o uniforme e desci correndo. Nem ao menos havia tempo de tomar um café.

E, detalhe, havia percebido que aquele russo maluco não estava mais por ali. Nossa, mas que novidade. Ele parecia era um gato de rua. Vem e vai quando quer. Suspirei.

Saí correndo que nem um louco pelas ruas. Minha mãe havia me obrigado a levar uma maçã e era isso que eu comia enquanto passava pelos portões do colégio alguns minutos antes do mesmo se fechar.

Entrei no instituto e joguei o que sobrou da fruta na primeira lixeira que vi. Droga! Iria ficar sem escovar os dentes. E aquela história que maçã limpa os dentes? Era verdade, vó?

Avistei um tufo amarelo no meio da multidão e passei meus braços ao redor dos ombros dele. Olhou-me com uma cara tipo: “Desencosta, seu gay” e me sorriu.

— Fala, gatinho – Disse enquanto dava uma chave de braço no Art.

— Ai, seu filho da puta – Deu uma risadinha nasalada – Não vem com viadagem.

— Eu sei que tu curte, lindo – Fiz uma voz afeminada.

— Já saquei que ‘tá querendo dar – Provocou.

— Meu cú é lacrado – Fechei a expressão, mas logo em seguida sorri. Já estava acostumado a fazer piadinhas homossexuais e ele sempre cooperava comigo, mas não gostava de pensar na ideia de dar.

Não. Isso não é pra mim.

— Não boto fé nisso – E riu. Estávamos quase na porta da nossa sala.

— Mas e ‘aê – Iria mudar de assunto – Tirou onda comigo e sumiu da minha festa.

— Ah – Fechou a expressão – Nada demais. Só algumas ‘parada que surgiram.

— Tudo bem – Tirei meu braço dos seus ombros – Quando bater um papo, eu ‘tô disponível – Sorri malicioso e entrei na minha classe, sendo seguido por ele.

Iris nos viu e sorriu com aquele jeito sapeca de quem ia aprontar. Ah, não gostava mesmo desse sorriso. Sempre acabava em merda ou em uma putaria marota. Não que eu desgostasse da última opção.

Fui até lá e me sentei no meu lugar, todo esparramado como era de costume. A morena logo se virou pra mim e me deu um beijo afoito na bochecha. O loiro também se sentou em sua carteira.

— Dormiu bem? – Perguntou – ‘Tá com uma cara de merda – Riu.

— Nossa, quanto amor – Resmunguei. Eu sei que devia estar cum uma puta cara de cú, mas não precisava jogar assim, ‘né?

— Mas então... – Olhou-me com os olhos esperançosos.

— Lá vem algo sinistro – Reclamou Art. Ele já entendia os sinais de perigo que minha amiga emitia quando queria algo.

— O que quer aprontar dessa vez? – Sorri. Se terminasse em putaria, eu estava dentro.

— Eu tive uma ideia esses dias... – E ficava fazendo pausas dramáticas.

— Fala logo, bicho.

— Vamos ‘pro clube, gente – Sorriu.

Porra, que ideia era essa agora? Estava planejando me afogar? Quem sabe assim meu cérebro não voltava para o lugar?!

— Nem... ‘Tô afim é de ficar chapado e transar – Dei de ombros. Fazer o que se estava na seca e não aguentava mais.

— Ai, seu puta – Deu uma risadinha, mas logo ficou séria – Fala sério, ‘tamo precisando de um momento da galera, sem sexo.

— Quando se tornou tão sentimental? – Provoquei.

— Vai se foder – Riu e deu-me um soco no braço.

— Ai – Deu uma risada que até contagiou o loiro de farmácia ao nosso lado.

— Olha, eu topo – Ele sorriu.

— Viu? Até ele concor... – Mas foi interrompida pela porta da sala batendo.

O professor tinha entrado e não parecia estar de bom humor, para variar. E era justamente aquele que mais me odiava naquela escola. Quando passou os olhos pela sala, parou seu olhar sobre mim e fez uma expressão estranha.

O que eu tinha feito agora? Só faltava ser culpado pela morte de alguém.

Iris olhou-me confusa, assim como o loiro aguado. Dei de ombros e prestei atenção no que aquele homem iria falar. Ah, qual é. Não são todos que gostam do meu jeito, mas tinha que ser logo ele? O professor?

Isso era panelinha!

— Weber – Toda a turma tinha se calado pra escutar – O que faz aqui?

— Ahn? Estudando? – Não entendi. Era óbvio que eu estava na escola pra estudar, não é? Que maluco, ‘meu.

— Então não te noticiaram? – Falou depois de resmungar algo ininteligível e distorcer a cara em desgosto com a minha resposta atravessada.

Fiquei apreensivo e segurei a respiração. Como assim não me noticiaram? Tinha algo errado acontecendo? Algo que eu não sabia?

— Oi? – Perguntei na inocência.

— Você não faz parte dessa escola mais. Está sendo convidado a se retirar – Disse com clara satisfação. Filho da puta!

Mas que porra de convidado! Eu estava sendo expulso?! Que merda era essa?

Aposto que minha cara de tacho estava muito evidente. Porque eu estava sendo expulso? Eu não havia feito nada. Minha conduta na escola não era das melhores, estava sempre dando em cima de alguém, mas não era a pior.

Eu tirava notas boas também!

As escolas sempre “convidavam” a pessoa a resignar sua vaga na instituição quando sentia que o perfil do aluno não combinava com a sua imagem.

Olhei ao redor e alguns olhavam pra mim com pena e outros com descaso. O russo nem se quer estava ali. Onde estava ele? Ah, não era com isso que eu devia me preocupar agora.

Suspirei. Minha morena me encarava com uma cara de dar dó. E eu odiava esse sentimento. Sorri pra ele e afaguei seus cabelos. Art estava sem entender, assim como Caio e Eric que se sentavam mais distantes de nós três.

— Daqui a pouco eu colo aqui de novo – Sussurrei.

— Eu preciso começar minha aula, Weber – O professor me alertou sobre a minha demora em sair da sala.

— Falou, galera – Disse sorrindo pra todos e saindo daquele ambiente que começava a me sufocar.

O que eu faria agora?!

Como assim eu estava sem escola? Era quase nula a chance de me matricular em uma escola boa depois de alguns meses de aula. Não eram muitos, mas as escolas costumam ser rigorosas com isso, principalmente no terceiro ano.

Como explicaria isso para a minha mãe? E o meu pai? Mais uma vez, estava correndo de ver a cara de desapontamento deles dirigida pra mim. Isso era o que mais me machucava.

Caminhava de cabeça baixa pelos corredores. Mas que porra. Logo senti alguém correndo atrás de mim. Estava quase perto da saída do colégio.

— Ei! – Ouvi-o me chamar quando estava perto o suficiente para colocar a mão no meu ombro. Virei-me, dando de cara com o moreno mais baixo do que eu.

— Oi, Eri – Sorri amarelo.

— Cara, eu tinha te avisado – Suspirou.

— Como assim? – Do que ele estava falando? Estava confuso novamente.

— Sabia que o Dênis ia pegar pesado – Balançou a cabeça em negação enquanto mordia o lábio.

Fiquei parado enquanto o encarava por alguns segundos. Tentava raciocinar sobre o que o menor falava, até que, finalmente, entendi. Era tudo culpa daquele desgraçado.

— ‘Tá mesmo me falando que ele tem poder pra isso?! – Minha voz tinha até saído um pouco esganiçada de tanta raiva e indignação.

— É... O pai dele é dono dessa porra – Disse. Também estava com raiva. Dava pra ver pelo modo como apertava os punhos. Aqui era o seguinte: Mexeu com um, mexeu com a turma toda.

— O QUE?! – Ah, vão tudo se foder! Mas que merda é essa?

Quantas vezes terei que repetir isso por dia?

— É por isso que disse...

— Tudo bem – Suspirei – Valeu por vir até aqui me falar isso – Baguncei os cabelos dele.

Até parecia que via o fio do meu futuro e da minha paciência se partindo em milhões de pedaços à minha frente. O mundo agora ‘tava de sacanagem era comigo!

Que puta justiça é essa que a gente tem aqui, não? Usando o poder do pai pra fazer o que queria. Ah, mas isso teria volta! Se teria...

Não conseguia acreditar nisso, simplesmente. Então era daquele jeito. A justiça e a lei sempre estavam nos olhos de quem as viam. A forma com que éramos descartados, injustiçados, vinha para cada um como um flash de luz.

Nada era certo. Ontem eu estava ali, estudando e zoando com meus colegas, e, por um passe de mágica ou por um dedo do Dênis no meio da coisa toda, eu estava sendo expulso.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Muito obrigado, moçada! Vejo vocês nos comentários!