Oasis
10 Amor de Madrugada
Notas iniciais
Mais uma vez me via em um extremo mal humor. Tudo isso porque era plena segunda-feira de manhã e eu realmente odiava segundas-feiras. Era como se fosse o dia preferido do cara lá de baixo. Só podia.
Após o acontecido no parque, levei um Grey adormecido pra casa e, depois de acomoda-lo na minha cama, sentei no sofá pra jogar e acabei pegando no sono. Nem vi quando o maldito foi embora sem avisar ninguém.
Mas também não era como se fosse algo que me surpreendesse. O surpreendente mesmo foi ele ter ficado esse tempo inteiro ao meu lado.
Art e Iris foram embora assim que chegamos na minha residência, os dois juntos. Estavam muito coladinhos para o meu gosto.
Acordei realmente atrasado aquele dia e fiz tudo correndo. Só prestei atenção nas coisas a minha volta quando cheguei na sala de aula e faltava apenas cinco minutos para o sinal tocar.
Já não tinha uma excelente reputação, apesar de um ótimo aluno, e ainda fazia questão de me atrasar sempre que possível. Talvez seja por isso e entre outras que aquele mesmo professor me odiava com todas as forças.
Fazer o que, não era todos que se sentiam confortáveis com uma personalidade instável e provocadora que nem a minha.
Nem pude me sentar na carteira e Iris já havia me lançado um sorrisinho animado.
— Bom dia, ruiva adormecida.
— Ah, nem vem, sua puta — Disse meio irritado, mas não perdendo o tom divertido — Hoje não 'tá pra mim.
— Hm? Aconteceu alguma coisa?
— Que nada. Só que acordei com clima de enterro, até parece que vai acontecer umas porrada de coisa ruim — Dei de ombros.
Mas também... Ninguém poderia confiar muito nos meus pressentimentos, uma vez que eu não tinha muito controle sobre minhas emoções.
E quando eu digo que não tinha controle, eu quero dizer: Nadinha mesmo. E tudo isso por umas parada que não gosto nem de lembrar.
Balancei a cabeça e suspirei frustrado, lembrando-me de coisas que não deveria.
— Meu Deus, que dramático — Resmungou, virando-se para frente.
Além disso, tinha outra coisa que me incomodava profundamente. E ela se chamava curiosidade.
Tudo isso porque tinha aparecido um idiota na minha vida, que tinha ido parar no hospital com os pulsos cortados, que tinha tido um ataque de pânico e ainda era o bicho mais estranho e antissocial que poderia existir.
E cadê a porra da explicação pra tudo isso?
Pois é, não tinha nenhuma.
Como é que eu vou deixar esse assunto pra lá? Com todo esse mistério? Não sei, tem algo nele que não me deixa ir embora.
Olhei para trás, mais especificamente para a carteira do russo no fim da sala e quase tive um ataque quando vi que o maldito estava com um livro que eu simplesmente amava nas mãos.
You Get so Alone at Times that it Just Make Sense, by Charles Bukowski.
Fiquei meio animado porque não tinha aquele livro traduzido e eu estava muito afim de tê-lo na minha prateleira. E não confiava muito em comprar coisas de fora do país pela internet.
Pela primeira vez, eu e ele tínhamos algo em comum.
— Não baba, Logan — Senti um tapa no topo da minha cabeça e ouvi a voz de Art. Virei-me pra ele com um sorriso malicioso.
Não seria eu se não fizesse uma piadinha.
— Não precisa ficar com ciúmes — Pisquei pra ele que fez uma careta de desagrado
— Você me dá nojo — Usou um tom falsamente nauseado.
Só ficamos calados quando o professor pediu silêncio e iniciou aquela aula incrivelmente desgastante. Porém minha mente vagava em uma frase que trazia sorrisos ao meu rosto.
"Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar"
Era tão estupidamente a cara do Ivanovich, que, se acreditasse em reencarnação e essas paradas, pensaria que ele era a própria alma reencarnada do autor dessa frase, Charles B.
Ri um pouco internamente. Era bom estar sozinho, mas a solidão não é algo que você pode conviver todos os dias. Lá no fundo, sempre procuramos por companhia, assim não dá pra acabar cedendo espaço pra nossa própria loucura.
Depois de um tempo, consegui voltar a minha atenção para as matérias ensinadas e, em pouco tempo, o sinal do intervalo tocou.
Espreguicei-me na carteira e fui em direção ao corredor que levaria ao refeitório sozinho, já que meus lindos amigos tinham desaparecido e eu estava morto de fome. Senti meu celular vibrar no bolso e apressei-me para responder as mensagens enquanto andava.
Logo pude sentir um solavanco no meu ombro e percebi que tinha esbarrado em alguém. Quando levantei o olhar para desculpar-me com a pessoa, apenas não disse nada e fechei a expressão o máximo possível.
— Ah, então estudam pessoas que nem você por aqui? — Disse com descaso.
— Não vai me pedir desculpas? — Cruzou os braços em frente ao peito e ignorou meu comentário.
Era aquele idiota da cicatriz.
— O que faz aqui? — Ignorei-o.
— Eu estudo aqui — Deu de ombros — Acho bom me pedir desculpas, sabe... Não vai me querer irritado.
— Eu digo o mesmo. Já tem um bom tempo que quero encher tua cara de porrada.
— Olha como você fala com ele — Um dos meninos que estavam sempre ao lado do idiota tentou me socar, mas apenas desviei.
— Vai ter que melhor um pouquinho pra me acertar — Sorri meio psicótico.
Volto a falar que não era bom com minhas emoções e não estava num dia bom. Estava muito afim de sair socando o que viesse na minha frente.
O moreno alto suspirou e segurou o menino alterado.
— Deixa pra outro dia — Sorriu pra mim falsamente — Não tenho tempo pra você.
E assim como vieram, sem eu nem mesmo perceber, foram embora, deixando-me um tanto frustrado.
Então aquele filho da puta estudava na minha escola. Que azar.
Fui em direção ao meu destino inicial e infiltrei-me naquela enorme fila. Era por isso que sempre saía cedo da sala. Suspirei inconformado com a demora em chegar minha vez.
Logo pude ver um loiro alto e musculoso, com os cabelos curtos e arrepiados, vindo em minha direção.
— E aí, cara? — Perguntou Caio, meu amigo mais chegado do futebol.
— Oi, Cai — Respondi desanimado.
Gostava do garoto. Era um carinha muito do bacana, mas minha paciência tinha morrido uns cinco minutos atrás.
— 'Tá tudo tranquilo? Eu vi tu conversando com o Dênis.
— Dênis?
— É, cara. O cabaço da cicatriz que acha que é mais foda que todo mundo. Adoraria arrebentar aquele cara um dia. Pena que é filho do governador.
— E eu ainda te dava uma moral — Resmunguei.
Porque aquele cara tinha que ser filho de gente poderosa? Assim ficava difícil.
— Aê, estamos conversando até agora e você ainda não fez piada.
— Meu humor ficou em casa.
— Não faz mal. Vai ter uma resenha aí na casa de uma goxtosa hoje à noite, o que acha?
— Nem vem, cara. 'Tô pra isso não.
— Vou falar com a Iris.
Todo mundo sabia da fama dela nesse momento. Se quisessem me arrastar pra algum lugar, era só falar com ela. Maldita melhor amiga.
— Entendi o recado — Soltei uma risadinha amarga.
— Ótimo.
Logo chegou a minha vez de poder comprar algo naquela lojinha da escola. Assim que paguei, voltei pra sala e nem pude respirar o ar daquele lugar direito antes de sentir um peso nas minhas costas.
— Acho bom te ver todo gostoso nessa festa de hoje — Era Iris.
— Claro.
— Seria ótimo arrastar o Grey junto, o que acha?
— Pode ser.
Ela me analisou um pouco, acho que deveria ter percebido meu desânimo. A garota me conhecia demais. Se tinha concluído que havia algo errado, não demonstrou, porque apenas deu de ombros e foi falar com o moreno, levando-me junto.
Pra variar, a menina usou de chantagem para convencer o garoto de que deveria ir junto com a gente. Disse apenas algo como: "saio esparrando pra tudo quanto é canto que tu ficou bem duro por causa do Logan" e o menino apenas falou pra mim: "abre a porta de casa às oito".
Uma conversa muito produtiva mesmo.
O resto do dia... Nem vi. Acabei dormindo na aula e a tarde toda. Estava com um sono fora do normal e sentia-me cansado.
Só fui tomar um banho e colocar uma calça negra meio rasgada propositalmente e uma regata cinza, junto com um gorro da mesma cor, quando já eram umas sete horas.
E de fato, assim que deu o horário, 20:00 em ponto, ouvi a campainha tocar e pensei que aquele garoto era mesmo muito pontual.
Abri a porta e encontrei-o sentado na varanda de casa, fitando a rua como se fosse algo muito interessante.
— Não é que o cara veio? — Sentei-me ao seu lado.
— É, é muito difícil perceber isso — Ironizou.
— Cara, eu vi que tu gosta de Bukowski.
— Gosto.
— Eu também.
Estávamos mesmo tendo uma conversa quase descente?
— Fico surpreso ao ouvir isso vindo de alguém como você.
— Espera, como assim alguém como eu? — Dei uma risadinha.
Por que me sentia mais descontraído nesse momento?
— Não é tão esperto? Pense nisso sozinho.
Não dá pra conversar com esse cara mesmo.
— Tudo bem, entendi — Sorri e estendi a mão pra ele — Vamos?
O russo recusou minha ajuda para levantar-se e o fez sozinho, logo fiz o mesmo e fui em direção a garagem. Subi na minha moto, que era a minha paixão mais antiga, e bati na parte que ficara desocupada.
— Vamos ter que ir nesse troço? — Desdenhou.
— Não fala assim dela — Fiquei irritado — E você já andou nela, se quer saber.
— Como? — Não acreditava nas minhas palavras.
— Você acha que te levei pro hospital a pé?
— Você é doido.
— Doido pra tirar uma casquinha de você — Sorri malicioso. Perto dele tudo parecia mais fácil.
Não gostava de me sentir assim, não mesmo.
Fui ignorado. O moreno apenas chegou perto do veículo e sentou-se atrás de mim, colocando, relutantemente, as suas mãos pálidas e geladas nos meus ombros.
Acho que não queria me agarrar pela cintura. Será que isso seria alguma atitude demasiada íntima para alguém como ele?
Dei partida e saí correndo com a moto em direção ao lugar onde seria a festa. Sempre andava rápido quando estava com a Joaninha. O fato era que eu adorava sentir o vento nos meus cabelos.
Era uma sensação incrível de liberdade.
— Vai mais devagar, seu bruto — Resmungou.
— Não — Dei uma risada — Você que se segure melhor.
E foi o que ele fez. E fiquei extremamente surpreso com aquele momento de obediência. Pensava em como tudo rolava com naturalidade, mesmo que com certa brutalidade, quando estávamos juntos.
O moreno desceu as mãos para minha cintura e apertou-me bastante, colando seu peito às minhas costas. Sentia seu calor, seu cheiro, bem ali.
Era algo novo.
Tudo com ele era algo muito novo.
E confuso.
Chegamos a porta da festa e não fiquei surpreso com nada que vi. Era tudo do mesmo jeito. Pessoas bêbadas jogadas. Copos espalhados pelo gramado. Tanta gente que não dava nem para andar direito.
Apenas uma coisa estava diferente ali. Ainda não havia nenhuma espécie de música e eu sabia o porquê.
Encontrei meus amigos assim que entrei na sala do lugar. Iris carregava uma capa nas costas e estava conversando animadamente com Caio, Eric e Art.
— Até que enfim, filhadaputa — Sorriu meu amigo loiro do futebol, passando o braço pelos meus ombros — 'Tava achando que não vinha.
— Não sou de arregar — Sorri.
— E aí? — Cumprimentou Eric, era do tamanho do Grey, moreno dos olhos negros, outro amigo meu da pelada — Ainda por cima conseguiu trazer o cara pra socializar um pouco, aê.
Ele apontava para Grey que estava um pouco deslocado atrás de mim.
— Não tem como resistir a mim — Sorri.
— Tudo bem! — Interrompeu Iris — Vamos lá pra fora usar isso — Empurrou o objeto que estava embrulhado com a capa preta.
Na parte de trás da casa, havia uma piscina imensa e um extenso gramado verde. Me arranjaram um banquinho e todos reuniram-se a minha volta para ver o que iria acontecer.
Tirei o violão da capa e apoiei no meu colo. Sim, eu tocava e cantava. Até que isso combinava com minha personalidade descontraída.
Não faria isso se Iris não tivesse me obrigado também. Fazer o que. Ela sempre conseguia o que queria.
Comecei a dedilhar pelo meu violão uma das músicas animadas que vieram a minha mente. Sempre a ouvia por causa dos gostos dos meus pais e queria canta-la olhando nos olhos de certo russo.
Até que minha voz era boa, não se enganem.
"Vem amor que a hora é essa
Vê se entende a minha pressa
Não me diz que eu tô errado
Eu tô seco, eu tô molhado"
Não era exatamente do gosto de todos, mas, desde pequeno, havia me apaixonado por Kid Abelha. Procurei por olhos coloridos pela "plateia" enquanto cantava. Fiz um esforço pra sorrir.
"Deixa as contas
que no fim das contas
O que interessa pra nós
É"
Meu olhar e sorriso adquiriram um brilho malicioso por causa do refrão que viria a seguir. Cantava e olhava pra ele, que me encarava de volta com as sobrancelhas arqueadas.
"Fazer amor de madrugada
Amor com jeito de virada
fazer amor de madrugada
Amor com jeito de virada"
Sua expressão denunciava raiva, mas vi quando ele mexeu em seu piercing na língua e soube que havia mexido com ele.
"Larga logo desse espelho
Não reparou que eu 'tô até vermelho
Tá ficando tarde no meu edredon
Logo o sono bate"
E continuei cantando, não tirava seus olhos de sua expressão indiferente um minuto se quer. Quando terminei de cantar, ouvi aplausos de quem estava sóbrio e uma porra de coisas que não dava pra entender dos bêbados.
Levantei-me dali e fui guardar meu violão em um lugar seguro. Quando virei-me para voltar ao encontro dos meus amigos, ela estava lá, Alice, estendendo um copo de bebida pra mim.
— Precisamos conversar — Disse, parecendo aflita.
— Sobre o quê? — Perguntei com descaso. Não queria falar nada com ela.
— É importante, Logan — Ficou meio desesperada e estendeu mais ainda o copo em minha direção — Toma.
E eu tomei daquele líquido alcoólico com muito prazer.
— Então, pode falar. Se for por aquele dia, então desculpa, mas não deixaria o garoto ir embora naquele estado.
Estava sem paciência.
— Não é sobre isso — Começou a bater o pé no chão de impaciência — Vamos para outro lugar? É sério.
Dei de ombros. Não me custava muito ouvir o que ela tinha pra falar se era assim tão importante pra fazê-la ficar tão desesperada.
Segui a garota para um dos quartos. Assim que passei pela porta, ela fechou a mesma e começou a brincar com os cabelos, meio incerta de como começaria aquilo. Parecia nervosa.
— Eu já vou avisando que não sei como aconteceu e... Ah, aconteceu do mesmo jeito então... — Ficava dando voltas. Odiava isso.
Não estava gostando nem um pouco com o rumo daquela conversa.
— Anda logo, Alice.
— Eu 'tô grávida, Logan. De um filho teu — Disse choramingando.
O QUE?
Que porra de brincadeira era essa?
Não aguentei o choque de ouvir aquelas palavras e sentei-me no chão mesmo. Passei as mãos pelos cabelos, sem saber o que fazer. Fiquei sentindo-me desesperado naquele momento.
Sabia que ia acontecer algo ruim hoje. Não consigo acreditar. Isso não está mesmo acontecendo, está?
Eu simplesmente não podia, não queria ser pai. Pelo menos não nessa idade.
Foi então que comecei a suar frio. Via a faculdade de medicina e de psicologia sumindo do meu futuro por causa de um bebê pra criar. Era meu, não era?
Era minha responsabilidade! Não podia empurrar tudo para os meus pais e...
Meus pais!
Senti meu coração apertar e ficar minúsculo no peito ao pensar em suas expressões decepcionadas. Tudo que tinham feito por mim e me ensinado... Ignorei tudo no momento que me enfiei nas pernas dessa mulher.
Me odiei muito naquele momento. Odiei minha irresponsabilidade e promiscuidade.
— Mas... A gente usou proteção — Tentei justificar.
— Essas coisas não são 100% confiáveis, você sabe... — Choramingou mais uma vez.
Era horrível, mas tinha raiva daquela cara dela.
A mãe do meu filho! Ela! Não pode ser real.
Sei que, na vida, um filho precisa de um pai, de segurança, e não seria tão filho da puta ao ponto de privar isso dele.
Ainda tinha nossas famílias. Seria um escândalo! A família rica da moça provavelmente exigiria um casamento, mesmo estando no século 21.
Será que ninguém sabia disso?
Senti-me totalmente perdido e sozinho ali. Sem saber o que fazer.
— E... — Não tinha coragem pra perguntar, mas era necessário — O que vamos fazer?
— Criar esse filho! Não tenho coragem de fazer um aborto, Logan! — Disse exaltada — Além do mais... Eu — Pareceu sem graça — Gosto de você.
— Você tem certeza, Alice? — Minha voz estava fraca.
A loira mexeu em uma pequena bolsa que trazia e tirou de lá um negócio branco. Quando chegou perto de mim, pude ver um teste de gravidez de farmácia com o resultado positivo.
Arregalei os olhos e senti que os mesmos ardiam. Claro que eu queria era chorar naquele momento.
Sabia que o pior iria acontecer, talvez. Sabia o quanto minhas emoções deixavam-me totalmente fora de controle.
Mas a única coisa que consegui fazer naquele momento foi encolher-me, encostando meus joelhos no peito e enterrando minha cabeça nos mesmos.
Estava tudo meio perdido agora.
Senti algo molhar minha bochecha. Depois uma avalanche veio junto. Não gostava de chorar, mas não era nenhum insensível também.
Não amava aquela mulher, nem se quer acreditava em amor. E agora, aos dezessete anos e com milhares de sonhos, vou ter um filho com ela.
Algo que une você a uma outra pessoa pra sempre.
Que devia ser feito com planejamento e que deveria ter o máximo de cuidado. Dar educação, amor, carinho e estabilidade. Tudo coisas que não tínhamos no momento.
Dor.
Irresponsabilidade.
Como posso ser assim?
Apesar de tudo, faria qualquer coisa por aquela criança, assim como meus pais fizeram e ainda fariam por mim. Era triste, mas aquele bebê não era culpado de nada, eu sabia.
Toda a responsabilidade estava nas minhas costas agora. Meus pais sempre deixaram isso claro pra mim. Sempre me ensinaram que, se algo assim acontecesse, era eu que iria me desdobrar, trabalhar e sustentar!
Eles sempre me ensinaram do melhor. Sempre foram o melhor pra mim...
Isso me fez pensar nos pais de Grey. E acabei lembrando de seu rosto. Sempre tentando fugir de mim.
Mas a verdade estava ali.
Nunca poderia descobrir se o amor romântico existia ou não. Agora era definitivo.
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