OTHALA, A RUNA DA SEPARAÇÃO

3 Capítulo 2 - TORMENTO


Notas iniciais
♥ ❤ Mais um capítulo!! Agradecimentos às meninas amadas que sempre deixam seu carinho registrado em reviews e que me apoiam sempre! ♥ Capítulo postado e revisado na madrugada. Quaisquer erros, me avisem!!!

A jornada do drakkar iniciou enfrentando problemas. O navio estava sendo atingido por fortes tempestades e ondas gigantescas quebravam sobre o casco, inundando o fundo do barco e cobrindo os tornozelos dos guerreiros.

Hades gritava ordens e se mantinha firme, mesmo quando parecia que a embarcação iria afundar. Não costumava pedir nada aos deuses, mas ao vislumbrar o céu escuro ser rasgado por raios e trovões, incessantemente, orou em silêncio a Thor para que ele não atingisse o navio. Também pediu ao deus Aegir, senhor dos mares que permitisse ao navio navegar em seus domínios e também a sobrevivência dos guerreiros ao seu comando. Ofereceu seu destemor e um sacrifício digno, tendo para si que era mais que suficiente.

Jarl! A vela rasgou! Se não chegarmos a terra logo, temo que não consigamos! – gritou Aslak.

— Continuem firmes! Usem as cordas e mantenham os remos! Iremos conseguir! – devolveu Hades.

O cansaço e a dor eram grandes, mesmo nos mais fortes e acostumados ao esforço. A força do mar e dos ventos os fazia permanecer atentos, roubando-lhes a chance de dormir e descansar antes da missão.

Um jorro se água invadiu o drakkar e um dos homens voou por cima da amurada e caiu no mar. O guerreiro afundou em meio às ondas violentas e Hades ainda tentou resgatá-lo, mas foi em vão. Um redemoinho de água sugou o guerreiro para o fundo e o jarl o perdeu.

Aiacos, Lune e Aldebaran puxaram as cordas, trazendo Hades de volta ao navio. Agora, estavam com um homem a menos e a tempestade continuava inclemente.

— Fiquem juntos! – gritou Hades.

Os homens obedeceram, esperando e orando aos deuses para que o navio não virasse. Passou-se muito tempo, parecia que navegavam há séculos até o céu silenciar e as ondas se tornarem menores. Esgotados, os guerreiros observaram o mar deixar de rugir e uma névoa tornar a água acinzentada.

De pé, com as mãos apoiadas na murada, Hades contemplava a imensidão, os cabelos negros e molhados ondulando ao vento. Sua mente devia estar focada na missão, na reestrutura do plano que devia assimilar a perda de um guerreiro. No entanto, ao observar a bruma sobre as águas, ele pensava em Minos e no último olhar que ele lhe lançara. A angústia serpenteava nos olhos violáceos do amante e o amor que ele sentia, também. Era tudo tão transparente entre eles...

— Os deuses foram bons, a tempestade arrefeceu. – disse Rorik.

Hades voltou-se para o amigo e assentiu com a cabeça. Notou a exaustão no rosto de cada um e sabia que o seu não estava diferente. No entanto, respirou fundo e respondeu:

— Devo a eles um sacrifício.

Rorik sorriu.

— Vamos dar a eles o coração de um rei.

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Minos acordou cedo e resolveu dar uma volta. Assim, não ficaria contando os dias da viagem de Hades, apesar de ficar a maior parte do tempo discutindo projetos com Halfdan e, quando terminava, ainda havia as lições com as crianças.

Tinha consciência que projetar e ensinar era importante. No entanto, havia outra parte da aldeia que era igualmente vital para o futuro, os campos onde era cultivado o trigo, a cevada e o centeio. Também importavam os animais, pois o conjunto todo significava uma vida com abundância e prosperidade.

Observou as matas de pinheiros e outras árvores grandes e frondosas que cercavam os campos formando uma barreira natural, porém Hades havia conversado sobre uma defesa ainda mais eficiente, após a invasão sofrida e ele pensara nisso, também. A praia era composta de uma baía estreita que possibilitava vislumbrar qualquer embarcação chegando e as rochas protegiam o restante. O ponto nevrálgico de tudo era a possibilidade de ser atacado por rivais vindos de dentro e não de fora como acontecera com Guilty.

— Minos!

A voz infantil que já começava a mudar, se tornando mais grave, o tirou de suas avaliações.

— O que foi Alone?

— Guthrum quer falar com você.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não sei, mas ela disse que é pra ir depressa.

Estranhando aquela urgência, Minos tratou de acompanhar Alone. Pelo caminho notou uma mudança no ar, era algo sutil, mas que pareceu-lhe tão forte que ele olhou para o céu. Não havia muitas nuvens e uma brisa fresca se insinuava por entre as árvores, balançando as folhas em diversos tons de verde.

Ao chegar à cabana, notou a movimentação da vidente que escolhia ervas e as juntava em pequenos feixes. O ambiente, como sempre, estava enfumaçado e o odor herbário parecia impregnado em cada canto.

— Mandou me chamar?

— Sim, me ajude aqui. – disse ela.

Minos não entendeu no quê poderia ajudar já que sua avó já estava juntando tudo e muito rápido.

— O que deseja que eu faça? Não parece precisar de ajuda com tudo isso. – falou Minos olhando em volta.

A vidente pegou uma capa de pele de lobo e o cajado que possuía. Em seguida, deu os pequenos feixes de ervas para Minos e assoviou para o corvo empoleirado, fazendo-o voar e pousar em seu ombro. Ela cochichou algo próximo da ave e o corvo voltou para o poleiro.

— Vamos! – disse ela e Minos franziu o cenho.

— Para onde?

— Chega de perguntas, já tive a minha confirmação! Venha! – disse ela.

Quando os dois deixaram a cabana, havia uma correria acontecendo. Mulheres e crianças recolhiam os animais, enquanto uma ventania forte sacudia portas e janelas. O céu estava tomado por nuvens cor de chumbo que formavam uma grande espiral. Tudo acontecera em poucos minutos, surpreendendo Minos.

— Por Odin... – murmurou ele ao ver a dimensão daquelas nuvens e sentir a força do vento. – Não podemos ficar aqui fora, vou ver onde Alone está e...

— Eu sei! O que acha que estou fazendo? Se esta tempestade cair aqui, muitos ficarão sem casa e podem até perder a vida. Alone já está em casa, não precisa se preocupar com ele.

— Mas o que pretende fazer?

— Você verá. Venha!

Com dificuldade, Guthrum foi até os rochedos e Minos não compreendia o que ela tencionava fazer até vê-la posicionar-se sobre uma rocha grande, o corpo sacudido pelo vento, mas ainda assim, ela parecia estar presa ao chão. Ela abriu os braços tendo um feixe de ervas em cada mão, a pele de lobo sacudindo a cada rajada de vento forte. Em seguida, um murmúrio escapou dos lábios ressequidos até tornar-se um canto alto e estridente como o vento que os açoitava.

Minos ouvia as palavras da vidente sentindo uma vibração estranha dentro de si. E foi com espanto que ele testemunhou o poder de uma völva naquele momento especial. Enquanto Guthrum cantava e agitava as ervas, as nuvens se partiam ao meio como se estivessem sendo separadas pela Gungnir, a lança de Odin.

Com a boca aberta, Minos continuou olhando para Guthrum que agora agitava o cajado como se fosse lançá-lo ao céu e, em seguida, o batia na rocha, junto aos pés. Ela deixara de ser uma mulher velha para tornar-se uma entidade, algo completamente diferente daquela que era sua avó.

O céu se transformou, as nuvens continuavam ali, mas dissipadas em montículos gasosos que, agora, se moviam com graciosidade e leveza. Minos achou que estava vendo coisas, mas ao final, deu-se conta que presenciara o poder de uma völva em sua totalidade. Guthrum interferira no clima, uma façanha que ele nunca acreditara ser possível.

— Vó... – disse ele.

Guthrum caiu de joelhos e Minos a amparou.

— Você... Você é muito mais poderoso que eu... Por isso eu o trouxe, para que comece a ver e acreditar...

— Mas, eu... Eu gosto de construir coisas e minhas visões não são claras. Além disso, eu nunca poderia fazer o que a senhora acabou de executar.

Guthrum sorriu e tocou o rosto do neto.

— Você é um visionário, meu neto. O talento que tem para construir, também tem para vislumbrar o futuro. Mas, não é só isso, você herdou muito mais que eu... muito mais! Logo, você compreenderá. – disse ela se levantando e apoiando no ombro de Minos.

Os dois caminharam, em silêncio, de volta ao centro da aldeia e uma chuva fina começou a cair. Ao chegar à casa do jarl o ambiente estava enfumaçado e quente. Barris de hidromel circulavam pelas mesas para aqueles que haviam ficado e agora se reuniam ali. O aroma do carneiro assado, somado aos nabos e cebolas temperados tornava tudo apetitoso. Algumas mulheres trabalhavam no tear, enquanto as crianças corriam pelas mesas.

Tudo acabara bem, graças ao poder de Guthrum e Minos pensava sobre o assunto. Não sabia muito bem como encarar os acontecimentos, nem o que a vidente lhe dissera, mas precisava manter o foco e trabalhar para que tudo corresse bem na ausência de Hades. Procurava não pensar nas previsões e sim nas ações no momento presente.

Pandora olhava pela janela, enquanto Radamanthys saía com alguns homens para verificar se estava tudo bem lá fora. Para ela, ainda era estranho assumir um papel passivo frente a tudo. Estava feliz com a gravidez, mas, ao mesmo tempo, tinha que fazer força para adaptar-se.

— Aceita água fresca? – perguntou Minos se aproximando.

Com um sorriso sem graça, ela aceitou. O hidromel não era aconselhável, agora no início da gravidez. Mais tarde poderia retomar o hábito. Outra coisa com que tinha de lidar.

— A chuva arrefeceu. Cheguei a pensar que teríamos uma tempestade forte. – disse ela bebendo um gole de água.

— E seria, mas Guthrum dividiu as nuvens e dispersou a tempestade. Eu vi e até agora, custo a acreditar.

— Ela é mesmo poderosa. Meu pai a acolheu por causa disso, ela salvou a vida dele e, depois que chegou, nosso clã se tornou mais protegido. – falou Pandora sem se surpreender.

— Eu nunca poderia imaginar isso. Ela é tão...

— Velha?

— Não. – disse Minos rindo. – Só que ela parece tão frágil.

— Mas, ela não é. – falou Pandora olhando para a porta da frente no exato instante em que Radamanthys havia voltado com os outros.

Minos percebeu e a deixou sozinha. Subiu até o quarto que dividia com Hades e deitou-se na cama ampla. Agarrou-se ao travesseiro e fechou os olhos, sentindo o cheiro do amado na roupa de cama. Ali ficou todo o tempo, até o barulho das conversas ficar longe, quase como um eco. Sua mente fervilhava, mas também estava cansado. Então, tudo escureceu...

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O desembarque foi abaixo de uma chuva torrencial. Trovões ressoavam junto dos raios que se bifurcavam no céu. Hades tivera o cuidado de enviar espiões que lhe dessem informações sobre pessoas e lugares na corte do rei, assim conduziu a invasão com mais conhecimento de causa. Não confiava muito em Styr, pois quando o inimigo escolhia alguém para sobreviver e levar uma mensagem, geralmente o homem era covarde ou propenso à traição. Então contatara com alguns homens que lhe deviam algum favor e os tornara os seus olhos.

Olhando fixamente para a passagem de pedra sobre a ravina, Hades repassou o plano mentalmente. Seus homens estavam atrás e ele sinalizou para que ficassem próximos e em silêncio como o combinado. Havia uma porta sólida e pesada nos fundos da fortaleza que, segundo suas informações, estaria sem guarda.

Sinalizou para Rorik, o ferreiro, que tinha experiência em ferrolhos e metais. O homem, prontamente usou de suas habilidades para abrir passagem, enquanto os demais desembainhavam as espadas. O jarl tomou a frente e empurrou a porta com cuidado. Quando avançou um passo, ouviu um grito:

— Peguem-no! Não deixem que nenhum deles passe daqui!

Olhando para trás, Hades viu dez homens chegando de espada em punho impedindo-o de recuar. À frente, doze homens também armados e prontos para atacar os tinham encurralado. Outra vez a traição! Mas, de onde teria vindo?

Apesar da surpresa, ele avaliou a situação, focando no presente e decidindo avançar. Os guerreiros se mantiveram unidos e elevaram seus escudos e espadas. Silencioso, como lhe era característico, Hades atirou-se sobre eles, sendo seguido por seus homens que bradavam um grito de guerra.

O grupo de Hades se moveu como se fosse uma onda humana, atacando com força e destemor. O próprio Hades abriu caminho por entre os soldados abatendo um a um com a espada afiada, vendo o sangue escorrer pela lâmina e perder-se em meio à chuva e lama.

Escudos, espadas e machados se chocavam produzindo o som da morte. Aldebaran cuidava da retaguarda, seu machado descendo sem piedade sobre o escudo dos soldados, destroçando-os e fazendo verter sangue e ossos.

Aiacos e Lune eram rápidos e posicionavam-se de costas um para o outro, suas espadas cortando a carne do inimigo em uma sincronia perversamente bela, enquanto Rorik balançava a espada de um lado a outro buscando uma brecha até estocar com força e acertar as costelas do inimigo que gritou e caiu em meio ao sangue.

A chuva se intensificou e um forte trovão fez tudo em volta estremecer. Os soldados estavam mortos e Hades saíra vitorioso sem perder um guerreiro sequer. No entanto, antes que pudessem comemorar o fato, mais soldados surgiram e, desta vez, posicionados em ambos os lados no alto da ravina.

— São arqueiros! Protejam-se! – gritou Hades ao perceber a manobra.

O aviso, mesmo rápido, veio ao mesmo tempo em que uma chuva de flechas abateu-se sobre o grupo. Aslak e Aldebaran ergueram seus escudos, assim como Rorik e Hades. Desta forma, protegeram os demais que lutavam sem ele, como Aiacos, Lune e os demais.

As flechas cravaram-se nos escudos de madeira e Hades pensava numa manobra evasiva, quando o comandante dos soldados elevou a mão novamente e um soldado alcançou-lhe um arco. Determinado, o comandante armou o arco e, com calma, estendeu a flecha e a soltou. O voo certeiro da flecha tinha um destino e, quando ela o alcançou, Hades perdeu o equilíbrio, inclinando-se para trás, mas não caiu. A flecha cortara a cortina de a chuva pesada indo cravar-se em sua coxa direita, rasgando o músculo e fazendo-o cambalear.

Jarl!— gritou Rorik indo até Hades.

— Não! Não desfaçam a proteção! – devolveu Hades sabendo que o ferimento era profundo e, logo, minaria suas forças.

Mais flechas foram lançadas e, desta vez, atingiram fatalmente seis dos homens de Hades, enquanto Aldebaran, Rorik, Aslak, Aiacos e Lune foram feridos, mas não mortalmente.

Logo, que os remanescentes foram abatidos, mais uma horda de soldados lançaram-se sobre eles. Os guerreiros combateram os soldados com fúria, porém feridos e perdendo sangue acabaram sendo superados pelo número maior de homens. Foram cercados e golpeados com a empunhadura de suas espadas, tornando-se prisioneiros.

Hades foi agarrado por cinco homens que o forçaram a cair de joelhos na lama. Ele ainda revidou com a espada, atirando o escudo em um deles e atingindo outro na perna com a adaga presenteada por Wulfgar. Os soldados o soltaram e fizeram um círculo em volta dele. Arrastando a perna e tendo numa das mãos a espada e a adaga na outra, ambas ensanguentadas, ele ainda se mantinha em pé sob a chuva fria.

— Sua fama não é infundada, Kriger hjerteløs, mas ela acaba aqui! – disse o comandante.

Ofegante, Hades não disse nada, continuou encarando o homem sob a chuva fria que começava enregelá-lo. Pela primeira vez experimentava o fracasso, os olhos angustiados de Minos lhe vieram à mente junto com a dor. Embora derrotado, ele não sentia medo e sim desapontamento consigo mesmo.

De repente, uma mulher surgiu no meio do círculo de soldados e foi se aproximando de Hades. Ela vinha presa por uma coleira. Tinha os cabelos brancos grudados na cabeça, emoldurando o rosto alvo como uma máscara mortuária. Hades julgou que ela parecia uma Valquíria...

Mas, as Valquírias eram belas e fortes... Não, aquela mulher não podia ser filha de Odin, seus lábios estavam azulados por causa do frio e seus olhos pareciam mortiços, como se ela estivesse dormindo de olhos abertos.

Entre as análises que fazia, mentalmente, Hades não conseguia desviar os olhos da mulher que, agora, bem perto de si, ele reconhecia como a filha de Wulfgar. Hilda!

— Se entregue ou eles vão matá-lo. – disse ela, baixinho.

Hades franziu o cenho. Olhou para a filha do amigo morto, presa àquela coleira como se fosse uma escrava ou um animal. Ela mal pronunciava as palavras e ele, por sua vez, não mais ouvia o que ela tentava dizer.

Desviou dela e voltou a encarar o comandante dos soldados do rei. Ele sorria e empunhava um punhal de prata. Assim como a flecha, ele ergueu a arma devagar e apontou para o peito do jarl.

Hades manteve a espada erguida e não desviou o olhar quando o punhal veio em sua direção. Ele esquivou com dificuldade e então, lentamente, caiu de joelhos quando sentiu o punhal perfurar-lhe o ombro direito, cravando-se na carne. Fixou o olhar no chão lamacento, sentindo a chuva fria envolvê-lo como uma mortalha. Havia falhado e estava indo ao encontro da morte.

Minos... Pensou Hades, enquanto tombava para frente, seu rosto afundando na lama...

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Minos!

Ele ouviu seu nome sussurrado na escuridão da noite. Seus olhos se abriram e seu coração estava batendo loucamente na garganta. A visão de Hades caindo em meio ao sangue e lama o fez acordar do sono profundo com o corpo molhado em suor e uma dor terrível no peito.

Hades! O nome do amante ressoou em sua mente, assim como o tremor em seu corpo. Pulou da cama no exato momento em que a porta do quarto se abriu e Pandora entrou.

— P-Preciso de ajuda...! M-Minha barriga está doendo. – disse ela.

Obrigando-se a conter o terror que sentia, Minos foi amparar Pandora que cambaleava.

— Venha, deite-se aqui. – disse ele levando-a até a cama.

— Estou com medo... Senti algo muito ruim, antes dessa dor maldita. – murmurou ela com os olhos cheios de lágrimas.

Minos percebeu uma mancha vermelha nos trajes de Pandora.

— Onde está meu irmão?

— Foi fazer a última patrulha noturna... D-Disse que fará isso até as fortificações ficarem prontas.

— Vou chamar Guthrum. Fique aqui e não se mexa. Pedirei que uma das mulheres fique com você.

Assim que Minos desceu as escadas, Guthrum surgiu.

— Ainda bem que veio, Pandora está...

— Quase perdendo a criança, eu sei. O laço entre irmãos é forte. Entre gêmeos é ainda mais forte.

— Isso quer dizer que Hades, ele...

— Não pense nisso agora. Venha ficar ao meu lado.

Assim como Pandora, Minos sentiu o gosto das lágrimas na garganta. Não queria fraquejar, mas a visão fora clara, desta vez. Hades estava ferido, talvez até morrendo. Acompanhou sua avó como se fosse uma das marionetes que usava para ensinar as crianças, sufocando a angústia por um bem maior.

Ao entrar no quarto, Guthrum viu o medo e a tristeza nos olhos de Pandora. Ela apertava o ventre e estava em posição fetal. O sangue molhava as vestes num tom de vermelho vivo.

— Guthrum... Eu não quero perder meu bebê. – murmurou ela deixando as lágrimas rolarem pela face alva.

— Vamos, fique calma e me deixe ver você.

A vidente examinou Pandora com bastante atenção e cuidado, depois macerou algumas ervas murmurando algo incompreensível, enquanto as colocava em uma caneca com água quente. A infusão tinha um aroma forte e azedo.

— Beba. – disse ela estendendo a caneca para Pandora.

Tremendo, Pandora obedeceu sentindo um gosto horrível, mas ainda assim bebendo tudo.

— Agora descanse e não saia da cama. O sangramento deve parar, mas você deve ficar bem quieta e só sair desta cama para fazer suas necessidades.

— Guthrum... Essa dor, ela tem a ver com meu irmão, não é? – sussurrou Pandora.

— Escute... – disse a vidente tomando-lhe a mão entre as suas. – Agora só deve pensar nesta criança. O destino pertence aos deuses.

Pandora soluçou e Minos solidarizou-se com ela, abraçando-a.

— Você também sentiu, não é? – perguntou ela, baixinho.

Em silêncio, Minos fez que sim com a cabeça e mordeu o lábio inferior com força. Não podia fraquejar, nem entregar-se ao desespero. Se era verdade que possuía algum poder, iria aprender a usá-lo e, quem sabe, mudar o destino.

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O rei acariciou o rosto belo e beijou os lábios carnudos e sensuais oferecidos pelo escravo. Ele contornou-os com a língua, introduziu no interior cálido e sentiu o gosto adocicado de amêndoas e canela que ambos haviam provado no vinho com especiarias. Ouviu um suspiro e, satisfeito, deu uma palmadinha no rosto juvenil.

— Você me agrada e me satisfaz. – disse ele.

— Alegra-me ouvir isso, meu senhor. – respondeu o jovem deslizando os dedos longos pelo abdômen do rei até chegar aos pelos pubianos.

Offa prendeu a respiração, quando a mão macia fechou-se ao redor do seu membro e sorriu antevendo o que viria a seguir. Concentrou seus sentidos nos lábios que roçavam em sua pele, movendo-se cada vez mais para baixo...

Experiente, Misty o sugava com visível prazer. A sensação era indescritível, seu falo pulsava e todo o seu corpo estremecia. Arqueou as costas e gritou enrouquecido, derramando sua semente dentro da boca quente do escravo.

— Por todos os deuses... – conseguiu dizer quando seu coração se acalmou. – Você é um animal magnífico.

Misty sorriu, enquanto passava as costas das mãos sobre os lábios.

— Vivo para servi-lo, meu senhor...

O aposento estava iluminado pelas velas, criando sombras ondulantes nas paredes. Era uma sala de leitura, onde Offa recebia as correspondências e também aproveitava para dar vazão aos seus desejos. Antes que o rei dissesse algo, Nairna adentrou a sala sem pedir licença.

— Perdão, meu senhor, mas o que me traz aqui é urgente. – disse ela com naturalidade.

A atitude de Nairna poderia ser considerada insolente e passível de um severo castigo. No entanto, Offa estava sob o efeito do orgasmo recente e conhecia muito bem a sua carrasca. Acariciando as coxas firmes e alvas do escravo, ele a encarou.

— É bom que seja mesmo. Como pode ver, estou ocupado.

Nairna olhou para o escravo e de volta para o rei. Ela sabia dos apetites secretos de seu soberano e tinha por ele uma devoção quase doentia, assim como uma fidelidade inquestionável. Seus olhos não conseguiam esconder a emoção de trazer aquela notícia.

— O viking conhecido como Kriger hjerteløs foi capturado!

Os olhos do rei brilharam.

— E onde ele está?

— Ele foi levado para a pedra, meu senhor.

— Vivo?

— Sim, instruí o comandante para que o deixasse incapacitado. Achei que gostaria de matá-lo, pessoalmente.

Os olhos azuis de Offa revelavam uma paixão e uma crueldade que a idade não atenuava. Foder e matar eram, para ele, um prazer que o ajudava manter-se poderoso e influente. Também possuía um segredo, um trunfo que usava para descobrir os pontos fracos de seus inimigos.

Para seus súditos, defendia a religião cristã, porém mantinha para si, a crença na magia ancestral e nos poderes dos antigos druidas. Possuía seu próprio mago que gozava de todos os privilégios e lhe era fiel, pois tinham o mesmo sangue. Sorento de Sirene era seu meio-irmão e consultor espiritual. Fora, através dele, que soubera dos planos de Hades e pudera precaver-se contra o ataque.

— Fizeste bem, Nairna. – disse o rei. E olhando para Misty fez um sinal para que saísse.

O jovem obedeceu, deixando a sala de forma insinuante. A túnica que usava marcando os quadris estreitos e as nádegas redondas.

O rei olhou-o até que saísse por completo. Em seguida, tornou a fitar Nairna que se sentou aos seus pés, beijando-os.

— Permita-me, também eu, dar-lhe prazer, meu senhor. – disse ela, ofegante.

O rei sorriu, abrindo a túnica. Sua respiração tornou-se acelerada, as narinas dilataram, os olhos ganharam um brilho sinistro, cheio de luxúria...

Nairna levantou-se, ergueu os olhos e passou a língua nos lábios. Em seguida, elevou o chicote que trazia nas mãos.

Antevendo o prazer, Offa despiu-se, por completo... Quando ela o fustigou no tórax e na virilha, uma, duas, três vezes, ele gozou, novamente, enquanto imaginava todas as torturas possíveis, antes de matar o bárbaro que ousara confrontá-lo...

Notas finais
❤*❤ Agradecimentos a todas que, de alguma maneira, deixam sua energia aqui. Boa semana com muita alegria pra todas!!!