OTHALA, A RUNA DA SEPARAÇÃO
2 capítulo 1 - OTHALA
Notas iniciais
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“Tempo de separar os caminhos
Tempo de mudar de pele
Tempo de dor e separação
Um ciclo termina e outro começa
É a runa da iniciação...”
Minos jogou um balde de água fria sobre a cabeça. As palavras de Guthrum continuavam ecoando em sua mente e a angústia, antes sem nome e rosto, agora era palpável. Grande merda! Disse a si mesmo. Saber não significava ter o poder de resolver a questão. Hades corria perigo e sabia que, mesmo que ele soubesse dos maus augúrios, ainda assim ele iria em frente.
Olhou para a entrada do salão. Homens do félag ainda perambulavam por ali, menos os de Jamian que haviam se retirado. A atmosfera estava sinistra e o fato de Hades não ter escolhido alguns que tinham a certeza de serem capazes acentuava o clima tenso.
Lá fora, os mais jovens que acompanhavam seus pais ou parentes brincavam de luta. Alone foi desafiado por um menino mais velho e conseguiu derrotá-lo, apenas se esquivando. Quando o garoto arriscou um golpe desengonçado e caiu numa poça de lama, Alone gargalhou e os outros o acompanharam. Furioso, o menino gritou:
— Pode rir, você é bøsse como o seu pai!
— E você é um jævel que não sabe perder! — gritou Alone de volta.
Seguido às ofensas mútuas, os dois se atracaram e foram ao chão. Minos percebeu que os dois estavam próximos de uma pequena fogueira acesa usada para os assados. Ele gritou, mas não conseguiu impedir. A dupla caiu sobre as brasas e um chiado, seguido do cheiro de queimado se espalhou no ar.
— Tire-os dali! – gritou Minos para um homem próximo à cena.
O guerreiro se aproximou e apartou os dois. Minos chegou perto e franziu o cenho ao ver a queimadura feia no rosto do garoto.
— Vá chamar Guthrum! – ordenou ele.
Os homens e mulheres que ali estavam olharam para ambos os meninos, enquanto Minos tentava acalmar o garoto que se debatia com a forte dor.
— Como é o seu nome? – perguntou ele.
— V-Vikar. – respondeu o menino se esforçando para não chorar.
— Escute, Vikar. Vai ficar tudo bem. Venha, vamos deitar naquele banco.
Parte da bochecha do menino estava enegrecida e em carne viva. Minos se ajoelhou ao lado dele, enquanto Alone tremia e dizia que não tinha tido a intenção de ferir o outro daquele jeito.
— O que está acontecendo aqui? – a voz possante de um homem rompeu o ar.
— O filho do jarl brigou com seu filho. Os dois se xingaram e acabaram caindo no fogo. – disse o guerreiro que havia separado os dois.
Thrand era um homem grande, temido por suas reações intempestivas e sua força que diziam ser igual à de um urso. Ele franziu a testa ao ver o rosto do filho.
— O que você fez ao Vikar? – vociferou ele olhando para Alone.
— Desculpe, mas não é o momento para isso. O seu filho está machucado. – disse Minos colocando-se entre ele e Alone.
— Eu estou vendo. E eu quero saber o porquê!
Minos encarou Thrand. Seu olhar foi firme e, em nenhum momento ele se deixou amedrontar.
— Foi uma desavença entre crianças. Guthrum cuidará do ferimento e Hades falará com Alone. Não há motivo para confronto. – falou Minos mantendo a posição.
O homem cuspiu e nada falou. Havia censura nos olhos azuis, mas também a sombra de algo que Minos não soube definir.
A vidente chegou e rapidamente acalmou o menino que gemia e cobria o rosto com as mãos. Em seguida, ela aplicou um unguento e cobriu a face dele com um tecido limpo de algodão.
— Você é jovem e talvez fique, somente, uma pequena cicatriz. – disse a vidente tocando gentilmente a cabeça do menino.
— Não vou ficar deformado? – questionou o menino.
— Não. E, mesmo que fique uma cicatriz, pense nela como uma marca de combate. – falou Guthrum.
Alone olhava para os dois com a respiração alterada. Minos percebeu e colocou a mão em seu ombro fazendo uma pequena pressão que significava “vai ficar tudo bem”.
O pai de Vikar observava a cena com os braços cruzados e as pernas afastadas. Quando Hades chegou, ele, imediatamente, começou a reclamar, olhando feio na direção de Minos e Alone.
Ignorando o alvoroço e os cochichos, Hades ouviu as queixas de Thrand e chamou Alone. O menino veio, exibindo marcas da briga, arranhões no pescoço e esfolados nos joelhos, mas nenhuma queimadura.
— O que aconteceu? – perguntou o jarl.
— Ele... Ele chamou o senhor de bøsse. Tudo porque eu o venci na brincadeira e ele caiu na lama.
— Meu filho não está acostumado a ver essas coisas! E disseram que seu filho ofendeu a mãe dele chamando-o de jævel. – interveio Thrand.
— Os dois erraram e Alone será castigado. Quanto ao que você acabou de dizer, Thrand, ontem eu dei liberdade a Jamian, o Corvo, para partir e não estabelecer nenhuma aliança comigo. Se o modo como eu conduzo minha vida e meu clã o ofende, sinta-se à vontade para recusar minha hospitalidade. Eu espero que fique bem claro para você e todos aqui que não tolerarei desrespeito a mim ou a qualquer outro do meu clã por questões pessoais.
Thrand se empertigou como se fosse um animal pronto para brigar. Era um homem de ação e pouca reflexão. Porém, ao encontrar o olhar de Hades, ele inspirou, antes de responder.
— Muito bem, vamos deixar esse incidente prá lá. São apenas crianças. Quanto às suas preferências eu não tenho nada com isso.
Hades olhou para o grupo de guerreiros que se aproximara e de volta para seu filho que aguardava ao seu lado.
— Já que estamos com tudo esclarecido, sugiro que aproveitem a comida e a bebida antes de retornar às suas casas. Os homens que irão comigo podem se reunir com Aldebaran e Rorik. O restante pode partir, assim que amanhecer.
Respirando fundo, novamente, Thrand levou a mão aos cabelos fartos e presos por uma tira de couro. Seu rosto estava vermelho e ele estava com uma caneca de hidromel nas mãos, trazida por uma das mulheres.
— Eu gostaria de acompanhá-lo.
— Os homens já foram escolhidos por algumas habilidades específicas. Você é um guerreiro forte e, por isso mesmo, é melhor que fique, porque temo que este rei esteja planejando contratar mercenários e atacar os clãs. Tem algo mais na morte de Wulfgar que ainda não compreendo.
— Acha que o rei pretende nos atacar?
— Sim e a morte do tal parente foi, apenas uma desculpa. Acredito que ele mesmo tenha enviado o homem, sabendo que ele ia ser morto.
Thrand inclinou a cabeça tentando compreender a linha de raciocínio do jarl, enquanto Alone olhava para seu pai, esperando que ele dissesse qual era o seu castigo.
— Suba para o seu quarto. Hoje ficará sem jantar. – disse Hades.
— Sim, senhor.
Minos observava a tudo afastado. Como sempre, Hades conseguia manter sua autoridade, mesmo quando havia discordância. Suspirou aliviado pelo término daquela situação, mas a outra ainda tomava espaço em suas preocupações. Viu o menino chamado Vikar ir ao encontro do pai e Guthrum voltar para a sua cabana. Era o momento certo para procurar Alone. O menino devia estar bastante triste...
— Você está bem? — Minos perguntou assim que abriu a porta do quarto e encarou Alone que estava sentado em um banco próximo da janela.
— Estou. O castigo do pai foi me deixar sem jantar. Pior que eu estou com fome. Preferia que ele me desse umas duas chibatadas e me permitisse jantar. – respondeu o menino apoiando o rosto nas duas mãos.
Um sorriso sorrateiro distendeu os lábios de Minos.
— Bem... Ele disse que você ficaria sem jantar, mas não disse nada quanto a um lanche, não é? Tome. – disse Minos estendendo um embrulho.
O rosto de Alone se iluminou ao abrir o embrulho e encontrar um pão recheado com carne. Mas, assim que o pegou, ele mordeu o lábio e largou-o de volta.
— Eu estaria trapaceando, não é certo. Meu pai me deu um castigo e tenho que suportá-lo como um homem.
Antes que Minos expusesse a sua opinião, a porta se abriu devagar e Hades surgiu. Ele estava sério, mas não havia censura em seu olhar.
— Fico feliz em saber que compreende sua posição como meu filho, Alone.
— Pai!
Em seguida, Hades olhou feio para Minos que disfarçou e coçou a cabeça.
— Não adianta me olhar com essa cara, eu não achei justo que Alone ficasse com fome por causa daquele garoto idiota. Foi Vikar quem começou!
Cruzando os braços, Hades encurralou Minos, obrigando-o a encará-lo.
— Isso não importa. Alone um dia será o jarl e precisa aprender a controlar-se. Se eu reagisse com violência a qualquer insulto já tinha matado meia dúzia. Quando se está seguro das próprias decisões não será um imbecil qualquer que fará você perder a cabeça.
— Tá, você tem razão.
Uma batida na porta os interrompeu. Ingrid entrou com uma pequena bandeja coberta com um pano. Quem olhasse de longe a veria carregar algo muito diferente de uma bandeja com comida, pareceria uma trouxa de roupa suja ou qualquer outra coisa...
— Aqui está o que me pediu jarl. – disse ela colocando o que trouxera na mesa.
Hades assentiu com um movimento de cabeça. Assim que ela saiu, ele descobriu a bandeja revelando um prato com frutas, pão e carne de javali. Ao lado, um pequeno chifre com hidromel e outro com água. Serviu-se de uma porção de carne recheada e sinalizou para Alone.
— Eu mandei trazer um lanche, mas já que Minos se adiantou, agora podemos todos comer. – disse o jarl com uma expressão ardilosa.
Alone sorriu e Minos também. Hades os havia surpreendido e agora se sentava na cama do filho e começava a comer. Os dois vieram juntar-se a ele e, em seguida, os três estavam lanchando e conversando.
Minos se permitiu usufruir daquele momento, tentando esquecer as runas e suas angústias. Tentaria falar com Hades, talvez atrasar um pouco a partida dele. Pensaria em algo!
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Hilda estava amarrada e suspensa por uma grossa corrente. O lugar era uma espécie de masmorra e parecia ser em um subterrâneo a julgar pela umidade e luz escassa. Havia dois archotes acessos, presos à parede de pedra e o som de água corrente fazia pensar que havia um rio embaixo daquele solo.
Os passos delicados a fizeram abrir os olhos. Tinha sido posta ali após a tentativa fracassada de matar o rei. Estava cansada, com fome e sede, mas sua índole guerreira a mantinha lúcida o suficiente para pensar em um modo de escapar.
A mulher que a atingira se aproximou. Estava sozinha e trazia a mesma vara de carvalho na mão, junto de um chicote. Ela tocou-lhe o rosto, roçando as unhas em seus lábios, fazendo-a sentir repugnância daquele toque.
— Ora, ora... Espero que tenha apreciado as suas novas acomodações.
Um tremor de ódio percorreu o corpo de Hilda. Aquela mulher possuía um olhar maligno, do tipo que se comprazia em produzir dor. Teria que resistir para ter uma chance. Não daria esse gosto àquela víbora!
— Não tenho medo de você!
Uma gargalhada reverberou pelas paredes, produzindo um eco macabro. Hilda retesou o corpo, esperando a chicotada que não veio.
— Pena... O medo exala um aroma atordoante e muito prazeroso. Torna as pessoas mais cobiçáveis, sabia?
— Você é louca! Uma cadela louca e ordinária!
Os olhos da mulher pareceram mudar de humano para animal. Um pequeno risco substituiu à íris, como se de repente o seu olhar fosse a de uma cobra. A mão que estava livre puxou as vestes de Hilda, rasgando-as e expondo a parte superior do corpo, revelando seios alvos e pequenos.
A mulher sorriu e elevou o chicote, fustigando-a nos mamilos. Hilda cerrou os dentes, mas não conseguiu evitar um gemido de dor.
— Ah, como é delicioso ouvir sua voz agora...
Lágrimas escorreram dos olhos de Hilda e, a cada chicotada, ela percebia que a mulher ficava excitada, o prazer de impingir dor impresso nas íris reptilianas...
O tempo passou e Hilda ficou no limiar entre a consciência e o torpor. O chicote que castigara sua pele era feito de um material especial para não cortar a carne e sim, apenas marcar. Vergões avermelhados povoaram o colo, e seios e depois as costas alvas. No início, ela sentira dor, mas a cada fustigada ela escapava para outro lugar usando da força mental que lhe restava para suportar a tortura.
A mulher segurou-lhe o queixo, aproximando bem o rosto do dela, enquanto passava a unha ao redor de um dos seios avermelhados.
— Vou dizer-lhe meu nome, para que o grave e, um dia, sussurre ao meu ouvido quando eu tomá-la para mim. Meu nome é Nairna... Aquela que ensinará a você ser dócil e útil ao nosso rei até o final dos seus dias!
Hilda estava com os olhos semicerrados, sua visão desfocada. Entretanto, ela se esforçou para voltar de onde estava. Sua mente fixando a mulher que a tocava daquela forma obscena.
— Vou... memorizar a sua... cara de cadela para matá-la.
Nairna ficou séria, mas depois riu alto. Ela se afastou de Hilda indo até um canto onde jaziam instrumentos e um braseiro. Calmamente, ela pegou um ferrete com a letra N que estava em brasa e voltou para perto de Hilda. Olhou-a sorridente e encostou o ferrete no ombro esquerdo, fazendo-a gritar.
— Agora não precisa memorizar, terá a inicial do meu nome gravado na sua carne! Durma bem... – disse ela, enquanto Hilda sentia um manto escuro descer frente aos seus olhos, ficando inconsciente.
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Alone acabou dormindo, aconchegado entre Hades e Minos. Uma atmosfera de intimidade familiar permeava a cena e Minos desejou que o tempo parasse.
Hades, cuidadosamente, desvencilhou-se da mão de Alone e o acomodou em sua cama. Olhou-o e acariciou os cachos loiros que já estavam escurecendo, enquanto ele crescia. Sentiu-se agradecido por viver momentos que jamais havia experimentado. Seu filho, Minos, Pandora... a família que estava se construindo forte e unida.
— Ele é forte. – disse Minos sorrindo e encarando Hades.
— Sim, ele é. Agradeço o cuidado e a preocupação que você tem com ele. Alone não teve muita atenção até você fazer parte do clã. Eu fui um pai ausente.
— Hades... – Minos sentiu a oportunidade se apresentar para expor o assunto que o angustiava.
Extremamente perceptivo em tudo que dizia respeito à Minos, Hades sabia que havia algo incomodando seu companheiro. O jovem estava inquieto e ansioso já fazia algum tempo.
— O que quer me dizer?
Os olhos violáceos o encararam. Parece que nunca vou pode esconder algo dele. Pensou, enquanto procurava as palavras certas e, no final, decidia ser direto.
— Eu joguei as runas. Guthrum me disse para fazê-lo. Elas não foram favoráveis a esta missão e eu quero pedir que você adie. Não tenho um bom pressentimento.
Hades encarou-o sem demonstrar preocupação com aquela revelação.
— Ainda tem muito que aprender Minos. Todos nós temos um destino e, mesmo que as runas não indiquem a vitória, é meu dever honrar com a minha palavra como jarl.
— Eu sei, mas... Eu não quero perder você e todos aqui, também não querem! Alone precisa do pai! Você mesmo acabou de dizer que foi um pai ausente.
— Minos... Um homem deve aceitar seu destino, ou ser destruído por ele. Já está decidido. Agora vamos para o nosso quarto. Esqueça os augúrios, nosso tempo é aqui e agora.
O jovem obedeceu com o coração apertado. Olhou dentro dos olhos do homem que amava e beijou-o. Hades segurou-lhe o rosto e o arrastou dali. Minutos depois, ambos estavam emaranhados um no corpo do outro...
Gemendo, Hades erguia os quadris, enquanto sentia Minos afundar-se mais entre as suas pernas e chupá-lo com sofreguidão, a boca traçando caminhos morosos e as mãos acariciando-o daquele jeito enlouquecedor que o deixava fora de controle.
Instintivamente, Hades começou a puxá-lo pelos cabelos para perto de si. Sentir seu membro ser acolhido dentro da boca quente daquela forma, despertava um prazer insano, indicando que o orgasmo logo viria. Sentindo que isso aconteceria, Minos parava e voltava a mordiscar as coxas do jarl, que ofegava com as sensações que o amante despertava.
Quando Minos sentiu que Hades já estava em desespero com a boca entreaberta puxando o ar e deixando escapar gemidos cada vez mais altos e roucos, posicionou-se sobre o corpo perfeito e se agachou sobre ele, roçando as nádegas em seu membro ereto. Depois, percebendo que Hades sentia uma excitação tão urgente que o fazia estremecer, enterrou-se por completo, arrancando um gemido alto do outro e sentindo-o pulsar forte, duro e cheio de vigor dentro de seu corpo.
Os músculos do ventre de Hades estavam contraídos, os mamilos rijos despontando na pele suada, a respiração ofegante... Os dois se olharam e sorriram, antes de Minos deitar-se sobre ele e buscar os lábios para mais um beijo lento, molhado, intercalado de gemidos, sussurros que se misturaram ao movimento ondulante dos corpos. As coxas roliças e alvas se moviam com maestria sobre as de Hades, fazendo a boca entreaberta do jarl, ceder espaço para gemidos desenfreados e mordidas cheias de luxúria.
O subir e descer do corpo sobre o falo túrgido arrancava tremores e as mãos fortes de Hades apertavam-se sobre as coxas de Minos, aprofundando a penetração, deixando as marcas dos dedos, enquanto a boca ávida demorava-se no pescoço e nos mamilos, sentindo o gosto da pele salgada, da saliva...
Minos gemeu alto, quando se sentiu tocado fundo do corpo, ao mesmo tempo em que os dentes alvos de Hades mordiscavam a curva do seu pescoço e ele se esfregava com frenesi em seu falo gotejante de excitação. A possessão prazerosa fazendo-os se agarrar um no outro, com loucura e uma libido implacável.
Os movimentos ficaram mais rápidos e veementes, ambos gemiam cada vez mais alto e os corpos se chocavam numa louca tentativa de fusão extrema. O suor cobria seus corpos, em minúsculas gotas, a respiração não tinha mais controle, anunciando que todo aquele ardor os aproximava do clímax.
Minos gemeu e o orgasmo irrompeu quente e abundante no tórax do jarl, enquanto estremecia convulso, contraindo-se em torno do membro ereto que estava mergulhado dentro de si.
Ao sentir-se engolido e chamado pela voz rouca de Minos, Hades também gozou, envolvido pelo delicioso aperto da cavidade que o massageava, estreitando-se em torno de seu falo, enlouquecendo-o de um prazer delirante que o fez estocar mais fundo e rápido, derramando-se dentro do homem que amava...
Sacudido por aquele clímax intenso e perturbador, Minos desabou sua cabeça sobre o corpo de Hades. O jarl passou a língua nos lábios, molhando-os, ainda de olhos fechados, a respiração ofegante...
Minos, também de olhos fechados, retirava-se do interior dele e desabava ao seu lado com o coração pulsando por todos os poros do seu corpo.
Ambos ficaram em silêncio, extenuados pelo grau de prazer e Minos encaixou-se no corpo de Hades, abraçando-o forte e desejando pedir, mais uma vez, que não embarcasse naquela missão. Inútil! Eu te amo... Amo tanto que dói. Para o inferno com o destino, eu não quero me separar de você! Pensou Minos, enquanto sentia a garganta doer por não poder dizer o que realmente queria.
Hades continuou em silêncio, abraçando Minos com força, sentindo na pele o calor do corpo dele e também a angústia em forma de estremecimento que o amante não conseguia ocultar. Delicadamente, ele enrolou os fios de cabelo platinado em seus dedos, cheirando-os e beijando-os. Então fechou os olhos e estreitou-o, ainda mais, em seus braços, murmurando:
— Não importa o que aconteça, eu sempre vou amá-lo, Minos. Sempre.
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Minos permaneceu imóvel como uma estátua, olhando para o caminho escarpado que descia até o mar. Três luas haviam se passado e fora tudo tão rápido que parecia ter sonhado tudo aquilo. Hades estava na extremidade do cais com doze homens escolhidos para a missão. Falava e gesticulava com autoridade.
— Papai vai partir daqui a pouco. – disse Alone, aproximando-se de Minos. – Eu gostaria de ser adulto pra ir junto.
— Você terá tempo. – falou Minos com um tom desanimado.
— Você está triste, não? – indagou o menino.
— Seu pai é o jarl, ele tem obrigações.
— Mas você tá triste.
— Sim, eu estou, mas também estou puto.
Alone franziu o cenho.
— Por quê?
— Porque nessas horas eu queria ser um guerreiro tão bom quanto o seu pai e estar ao lado dele. Assim não haveria separação nenhuma.
— Se você fosse um guerreiro nada disso teria acontecido. Nós não seríamos uma família, nem experimentado tantas coisas boas, juntos. Cada um tem uma missão no mundo e a sua é tão ou mais importante que ser um guerreiro, Minos. Você é especial.
A fala do menino fez Minos fitá-lo e experimentar uma emoção tão intensa que ele quase chorou. Ele abraçou Alone com força. Aquele garoto era um presente dos deuses em sua vida.
— Você é uma benção, sabia?
— Você também.
Hades viu de longe a cena e, pela primeira vez, sentiu um aperto no peito. Lembrou-se de Guthrum e sua voz rouca, ele a tinha procurado como sempre fazia antes de uma missão importante. Ela jogara sal com ervas por sobre o braseiro, ao invés de jogar as runas. Quando a fumaça se elevou enchendo a cabana de um odor forte, ela olhou-o e disse: Não há destino que possa ser evitado. Rezo para que Odin lhe dê forças, jarl.
Respirou fundo e elevou o queixo. A expressão sombria em seu rosto foi substituída pela firmeza de propósito. Caminhou até Minos e Alone para se despedir e deixar suas últimas instruções. Outras famílias já se despediam de seus guerreiros
Quando o sol se transformou numa bola incandescente sobre o mar, o navio de Hades deixou a aldeia com seu grupo de guerreiros. Fazia frio e a temperatura estava baixando.
Da beira do rochedo, Minos ficou olhando para o mar até que a silhueta do navio se transformasse em um pequeno ponto escuro. Sentia a névoa fria no rosto, mas não pensava em voltar para o grande salão. A opressão em seu peito parecia um ferimento exposto e não queria que ninguém o visse assim. Radamanthys veio ao seu encontro.
— Quanto tempo ainda vai ficar aí? – perguntou ele.
Minos virou-se e havia sofrimento em seus olhos.
— O que quer Radamanthys?
— Eu não quero nada. Só achei que devia avisá-lo que estão esperando por você.
Franzindo o cenho, Minos pegou uma pedra e lançou-a nas águas frias e espumosas.
— Esperando para quê?
— Ora, para quê. Esperando para o jantar. Na ausência do jarl é o seu companheiro quem se senta à mesa central e cuida das coisas. O que está fazendo aí quase chorando como uma mulherzinha?
Minos encarou o irmão com o cenho franzido. Depois olhou na direção do horizonte, mais uma vez. Então endireitou os ombros e socou o ombro do irmão.
— Mulherzinha é a sua mãe.
— Sim, ela era e socava mais forte que você. Aliás, ela era sua mãe também. – respondeu Radamanthys bem sério.
O jovem obrigou-se a sorrir. Seu irmão tinha razão, havia muito a ser feito e ele não podia ficar hesitante. Pelo bem do clã e por um futuro próspero, como Hades esperava dele.
Caminhou junto do irmão sufocando a angústia e colocando propósito em cada passo dado. As palavras de Guthrum, após ele tirar aquela runa e entrar em desespero ainda ecoavam em sua mente: *"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana, os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem. É só o que eu posso dizer a você, meu neto.”
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