O Último Pendragon
10 Capítulo 10
O tecido que cobria a cabana tinha pequenos furos, uma pequena lembrança de que devíamos ter nos certificado de que não havia traças no enorme armário de Jay onde ficara guardado nas últimas semanas. Eram frestas pontilhadas, como se tivesse chovido agulhas, se existissem agulhas tão largas. Por esses furos os feixes da manhã ensolarada adentravam a tenda, iluminando como miras de algum atirador treinado. Claro, não havia nenhum acima das nossas cabeças. Talvez o destino com suas peças exóticas, mas realmente não acreditava muito nisso.
O fato era que alguns desses raios se perdiam no cabelo escuro de “George” e um iluminou sua bochecha esquerda quando se desvencilhou das minhas mãos. Havia sido um movimento leve, mas decidido. Recomeçou a balbuciar desculpas, que só me deram a certeza de que tentava se passar por outra pessoa. Ou talvez George nem ao menos existisse e eu estava lidando com um psicopata em potencial. Calma. Forcei-me a repetir mentalmente enquanto todas as aulas de autodefesa que minha mãe me fizera passar antes de ir para uma universidade em outro condado. Ele está ajudando, não está?
E então me lembrei de outra pessoa que apenas estivera ajudando, mas não se importava muito em ser polido enquanto o fazia.
A ideia era tão absurda que não consegui conter uma risada. Talvez fosse também o nervosismo com a justa que se aproximava a cada segundo. O rapaz me olhou com semblante de que agora era ele quem não tinha muita certeza da sanidade mental da companhia.
- Então – falei, decidindo que passaria pela maior vergonha da minha vida se meu palpite estivesse errado – “George”.
- Sim? – a resposta veio em um tom prestativo demais.
- Quanto tempo temos antes de ter que me apresentar com Smoca?
Fez uma careta enquanto estimava o horário.
- Menos de cinco minutos.
- Bom. – respondi, fechando a minha mão sobre a sua – Então temos tempo suficiente para uma pequena volta.
Seguiu-me, mesmo que com passos meio inseguros. Quando levantei a aba da tenda e meus olhos se cerraram como reflexo de proteção contra o sol veio a primeira reclamação.
- Eu consigo andar sozinho, sabe.
Ignorei completamente a imagem que estávamos criando para as pessoas ao redor. Meus passos eram largos e o rapaz que tinha a minha altura quase teve que correr para acompanhar.
- Estou apenas me certificando. – retruquei desviando de uma garota que tomava o maior sorvete que eu já vira. A bola gelada pendeu perigosamente para o lado direito quando passamos por ela, mas seu reflexo foi suficiente para impedir uma tragédia maior.
- Certificando?
- De que não se dissolva no ar ou algo do tipo.
Pensei ter ouvido uma gargalhada mal disfarçada, mas não me virei para ver. Dei um rápido aceno para Jay quando passamos pela barraca da vidente. Reagiu ao meu sorriso com uma olhada confusa para o relógio que foi seguida de uma olhadela em direção à “arena” de justas. Não tinha tempo para explicar, então podia apenas torcer para que não começassem sem mim.
Quando chegamos ao lugar onde havia estacionado mais cedo soltei a mão do rapaz que parecia ainda mais perdido que antes.
Cruzei os braços teatralmente atrás das costas. Isso me ajudaria a construir a imagem de alguém com um parafuso a menos se tudo saísse errado, mas estava confiante.
- Então, George.
- Você parece ter gostado muito do nome. – comentou – Agora que esticou as pernas podemos voltar ao que interessa.
- “Gostado do nome.” – repeti – Não “do meu nome”.
Jogou a cabeça na nuca, encarando o céu livre de nuvens com olhos pequenos.
- Não acha que está um tanto quanto ameno para alucinações por insolação? Em pensar que eu realmente achava que tinha alguma chance de vencer.
- Certo, espertinho. – apontei a minha moto num gesto displicente – O que é aquilo?
- Uma cena de alguma comédia sem graça?
Dei um pequeno sorriso. Seu pequeno mentiroso.
Aproximei-me do veículo, passando a mão no acento e parando na direção. Vi a confusão se transformar em outra coisa. Divertimento talvez e ligeira irritação.
- Qual o nome disso aqui? – o encorajei – Vamos George, é muito fácil.
- É... – ele começou inseguro, mas o humor brilhava em seus olhos – Um tipo de montaria.
- Péém.
- Bem, não deixa de ser.
- Não, mas você sabe o que eu quero.
- Sei?
Ignorei o cinismo em sua voz e me virei em direção ao festival.
- É uma pena, parece que vou perder a justa afinal. – comentei pouco tocada – E me esforcei tanto para treinar.
O rapaz deu um suspiro exasperado. Mas esse era o som da vitória.
- Certo. – disse em tom monótono – É um motociclo.
Bati em seu ombro e dei uma grande risada. Não era a reação que esperava, porque se afastou como se tivesse lhe dado um choque.
- Merlin. – eu disse sentindo lágrimas escapando de meus olhos – Por que não me contou que poderia se transformar em um cosplay de menino dos estábulos?
- Menino dos estábulos? – e naquele instante o ar orgulhoso havia voltado.
- Desculpe. – respondi enxugando os olhos com a palma da mão – É que essa roupa e todo o mais...
- Todo o mais?
- Merlin, eu sinto muito. Sabe que estou feliz que esteja aqui? – segurei a sua camisa na altura do cotovelo e o puxei para o caminho de volta para a competição – Não me disse que havia servido como pajem.
- Eu fui muito mais que isso. – foi sua resposta vaga e por ela soube que não havia tomado meu acesso de riso como algo simpático.
- Claro que foi. – concordei – E estou contente que esteja aqui agora. Alguma dica de última hora?
Seus olhos azuis se estreitaram.
- Não caia do cavalo, não quebre o pescoço.
- É só uma demonstração Merlin. Não é nada demais.
- Sim, sugiro que trabalhe mais nisso. – ele falou em tom sério, mas quando o olhei estava sorrindo – Vai dar tudo certo, vi Smoca. Acho que vai fazer todo o trabalho por você.
Deveria ter lhe enfiado o cotovelo nas costelas, já que se apresentava em um corpo que não parecia sujeito a ser levado pela mais leve brisa. Mas havia elogiado meu cavalo.
Andou ao meu lado, anuindo para Leon quando este veio acompanhado por Smoca e Dianne em nossa direção. Leon empurrou a guia do garanhão em minha mão e me deu uma palmada amigável nas costas. Dianne sorriu e fez caretas sugestivas nas costas de Merlin. Mais tarde teria que explicar que o rapaz com uma beleza estranha tenha alguns milhares de anos. A pior parte é que Dianne provavelmente não o veria como empecilho.
Fiquei feliz quando nos deram as costas para procurar lugares razoáveis em meio aos espectadores e meu estômago sofreu uma pequena queda livre quando vi os dedos longos da minha melhor amiga procurar os do Leon. Subi em Smoca com um sorriso bobo no rosto e quando Merlin perguntou tive que mudar de assunto.
Estávamos atrás das arquibancadas. Apenas “cavaleiros” e seus “pajens” eram permitidos naquela área de preparação. A maioria conversava em tom baixo enquanto a voz aguda de Jay (que sempre assumia quando estava meio nervoso) anunciava o campeonato de justas. O único que não tinha companhia era o cavaleiro com o elmo com crina de cavalo, o pelo longo chegava aos seus ombros e era claro como a neve. A viseira estava abaixada, mesmo com o calor. Talvez fosse tímido. Ou estava se concentrando. Tentei me lembrar de seu nome, mas conhecia todos os que seriam meus oponentes então não me preocupei muito.
- Não se importe com os outros. – Merlin falou – Faça o seu melhor e o resultado virá. E se pudesse parar de rir a cada frase que digo – acrescentou com a voz leve – seria muito apreciado.
- É apenas... – me esforcei para permanecer séria – Todas essas palavras de sabedoria não combinam muito bem com, bem, com o que você está sendo agora.
- Por quê? Velhas demais?
- Mais ou menos. Mas foi uma boa ideia. Um ancião não conseguiria se passar por um pajem muito convincente.
- Como?
O encarei, me perguntando se o feitiço ou poção ou o que quer que tenha feito não estava tendo algum efeito negativo. Inclinei-me o suficiente em sua direção para que ouvisse minhas palavras.
- Para se passar por pajem. Você quis se certificar de que não colocasse a armadura ao avesso, não foi isso? E se passar por alguém jovem foi um plano genial, parabéns.
Vi que sua expressão se fechou por completo. Mas não foi como se estivesse com raiva. Foi como se as minhas palavras o tivessem atingido de uma forma que o fizeram se arrastar para longe, o mais distante de mim que era possível a uma distância de alguns centímetros. E eu vi e não entendi.
Quando me passou a lança não olhava em meus olhos. Fez carinho no pescoço de Smoca e desejou boa sorte. Se tinha sido para ele ou para mim não tinha ideia. Pensava em perguntar o que estava errado quando Jay anunciou com voz estridente a primeira dupla a se enfrentar e Merlin sumiu em meio à confusão de vozes e cascos.
O torneio era organizado de uma forma muito simples. Duplas se enfrentariam em um mata-mata (metafórico) que culminaria em um confronto entre os dois vencedores. Quem ficasse entre os dois primeiros ganharia vaga automática nos duelos que aconteceriam durante a tarde. Essa decisão fora tomada pelo comitê organizador porque havia uma grande quantidade de participantes inscritos no evento que preencheria a tarde e uma limitação precisava ser feita se pretendêssemos anunciar um vencedor antes da meia-noite.
O que significava também que havia a chance de ganhar um troféu duplo. E eu pretendia lutar por ele da melhor forma que podia.
Pareceu uma eternidade até que meu nome e o de Smoca fossem chamados. Uma eternidade preenchida de aplausos, arquejos e barulho de lanças batendo em armaduras. Às vezes se seguia um baque surdo e Jay intervinha anunciando o vencedor e assegurando que estava tudo bem.
E estava mesmo. As lanças não eram de metal, nem eram pontiagudas. Deveriam se partir no momento do impacto e caso o posicionamento não fosse correto, muito provavelmente não seriam suficientes para derrubar alguém da sela. Também havíamos treinado. O pior que poderia acontecer era que a lança atingisse de alguma forma o elmo, mas confiava na habilidade dos meus oponentes o suficiente para riscar esse incidente das possibilidades.
Quando “E agora, Sir Avina montando Smoca!” zuniu em meus ouvidos dei uma leve batida nos flancos de Smoca e o garanhão começou a andar. Pude sentir que seus músculos estavam tensionados, ansiosos para liberarem uma explosão. Frear Smoca sempre tinha sido uma tarefa considerável, mas hoje aquilo seria uma vantagem. Se não derrubássemos os oponentes pela eficiência da lança falsa pelo menos poderíamos tentar através do impacto e da velocidade.
Os espectadores estavam acomodados nas arquibancadas modestas, de cada lado da arena de justas. Chamar de arena a nossa pequena improvisação era um grande elogio, porque consistia apenas em uma área coberta de areia de mais ou menos 200 metros com uma longa barra de madeira apoiada a alguma distância do chão que separava as duas fileiras.
As arquibancadas eram nada mais que dois lances de longos bancos que estavam completamente abarrotados. Em meio a uma delas Jay se vestia como rei (fora, naturalmente, autoproclamado) e tinha um microfone a tiracolo.
Acenei para as pessoas, encontrei Leon e Dianne que deveria estar aplaudindo a vida para fora de suas mãos, mas não consegui encontrar Merlin em lugar algum. Nem Gwynn, o que me desapontou por quase cinco segundos. Eu tinha que me concentrar. No lado oposto, no início da pista Bobby Simons tentava controlar sua égua. Pobre Charlotte era velha e não esperava passar a aposentadoria disputando torneios fictícios. E mostrava a sua indignação sempre que podia.
Quando seus cascos pararam de dançar Bobby a colocou em posição. Jay gritou para que avançássemos e dez segundos depois o traseiro coberto de placas de metal do adolescente nervoso encontrava o chão coberto de areia.
Não me importei em tirar o elmo, apenas me certifiquei de que estava bem. Pensei tê-lo ouvido gritar que Charlotte passaria a noite sem cenouras, mas a égua não parecia afetada pelas palavras. Na verdade, levantou o rabo e expressou o que sentia em relação ao evento em meio aos urros das arquibancadas.
As justas contra Tim e Rose tiveram fins parecidos. No primeiro o cavalo refugou, derrubando o rapaz antes mesmo da minha lança encostar nele. Contra Rose, cujos cabelos ruivos esvoaçavam por baixo do elmo, as lanças se encontraram, partindo-se sem decidir coisa alguma. No segundo embate sua lança atingiu meu braço, quase me fazendo perder o equilíbrio. Mas consegui me manter firme e, melhor ainda, segurar a lança na posição correta. Ela esmagou-se contra o torso da armadura de Rose, levantando-a da sela. Diferente dos meninos ela caiu rolando e no segundo seguinte já se levantava, afastando a areia de seus trajes. Era boa e esperava um encontro mais difícil, mas não reclamaria.
Quando Rose apertou a minha mão em congratulação vi Merlin sentado em um lugar central, próximo a Jay que anunciava fora de si que o torneio tinha encontrado seus finalistas. Pensei ter ouvido errado, mas quando ele repetiu os nomes não havia dúvida.
Eu enfrentaria Sir Lancelot.
-x-
- É o cara com crina de cavalo no elmo. – sussurrou Dianne como se estivéssemos conspirando para derrubar um ditador – Você precisava ver, derrubou os oponentes como se fossem frutas podres. Apenas poft!
- Dianne. – cortou Leon, me passando uma garrafa com água – Acho que Avina consegue viver sem imaginar essas coisas.
A água estava fria e hidratou minha garganta, me sentia cheia de energia.
- Não tem problema. É bom que saiba o que vem por aí, não é daqui, é? Acho que é do mesmo vilarejo de Tim.
- Achei que tínhamos concordado que codinomes não seriam usados. – comentou Leon – Quem se intitularia sir Lancelot de qualquer forma? É muito presunçoso.
- Ou confiante. – refletiu Dianne e logo encontrou um tema mais empolgante – Ei, onde está aquele seu pajem bonitinho?
- Não faço ideia. – e não fazia mesmo, Merlin havia sumido assim que minhas botas tocaram o chão – Onde o arranjou Leon?
- Otto cuidaria das suas preparações, mas ficou doente. Mandou um primo e pela forma como as coisas estão, parece ter feito um bom trabalho.
Anui, lembrando-me de perguntar a Merlin que fim levara Otto em seu plano de se esgueirar para dentro do festival.
Deveríamos ter tido uma pausa maior, mas as pessoas queriam almoçar e assim quinze minutos depois estávamos de volta à arena.
Smoca estava inquieto. Ou talvez eu estivesse deixando-o nervoso.
Mas a ansiedade preenchia cada centímetro do meu corpo e o cavaleiro à minha frente parecia pouco ameaçador. Eu vou vencer. Percebi, com uma pontada de orgulho.
Quando meus olhos passaram pela arquibancada não vi apenas meus amigos e Merlin de volta ao seu posto. Minha barriga fez aquilo de recriar a sensação de descer uma montanha russa quando meus olhos encontraram os de Gwynn. Ele sorriu e acenou, depois disse algo para o garotinho em seu colo e apontou em minha direção para que me visse também. Era como uma versão menor de Gwynn, o que era muito adorável e meio assustador. Às vezes eu era lembrada que irmãos costumam ser parecidos uns com os outros e não tinha exatamente culpa de Morgan ser um modelo de passarela enquanto eu... Bem, não. Ellie conversava com uma mulher de meia idade, que parecia ao mesmo tempo muito cansada e muito animada de estar ali. Era negra, seus cabelos estavam presos em um coque desajeitado e parecia como um todo muito frágil. Como se tivesse que se lembrar de manter o porte reto e o sorriso no rosto. O menino de talvez oito anos ao seu lado fechava a família e estava ocupado demais mexendo no nariz para me notar.
Acenei de volta e fechei a viseira para que não me vissem corando. O sol se aproximava do seu ponto mais alto, a armadura já funcionava como uma estufa perfeita.
- Vamos lá garotão. – falei para Smoca e o garanhão relinchou em resposta.
Olhei uma última vez para Merlin, achando que a viseira seria um obstáculo suficiente para que não visse minha expressão. Mas provavelmente viu de alguma forma, porque colocou um de seus melhores sorrisos que iam de uma ponta a outra do rosto e levantou o dedão. Apontou para sir Lancelot, seus lábios formando palavras que não consegui entender.
Parecia ser importante, porque o repetiu quando não esbocei reação.
Naquele momento fomos interrompidos por Jay que nos convidou a assumir nossas posições. Meu olhar perdeu-se de Merlin e encontrou o de Mordred que sentava na fila superior com Morgan ao seu lado. Seus olhos frios nada revelavam, mas anuiu por um curto momento e Morgan agarrou seu braço enquanto gritava alguma coisa vergonhosa para me animar.
Está tudo bem. Queria poder dizer para todos eles. Está tudo bem, vou vencer.
O cavalo do meu oponente enfiava as patas no chão, ansioso para finalmente se pôr em movimento. Era musculoso e seu pelo brilhava em tons ruivos. A crina era branca como a do elmo de seu cavaleiro o que era, eu tinha que admitir, um toque muito legal. O sinal para avançar foi dado e então foi como se o mundo mergulhasse em um filme mudo posto em câmera lenta.
Esporeei Smoca adiante e vi o cavalo de sir Lancelot saltar para frente, investindo cada vez mais rápido. Posicionei minha lança, lembrando-me de colocar meu peso na arma de mentira. Teria que acertar o local certo na armadura e o sir Presunçoso, fosse quem fosse, cairia em direção ao segundo lugar.
Não foi minha culpa. A velocidade estava alta demais e quando o cavaleiro levantou a lança achei que abortaria o ataque. No lugar disso vi a lança mudar de mão e minha guarda ficar totalmente aberta. No momento seguinte senti o peso esmagando meu peito, fui libertada da sela e jogada para trás. Durante a queda só conseguia me lembrar de como estava caindo totalmente errada. Vou cair de costas, vou quebrar alguma coisa. Pensei de relance e então foi como se o mundo parasse por um segundo. Meu corpo foi levantado alguns centímetros no ar, o suficiente para me livrar de uma lesão na coluna e discreta para não chamar atenção indesejada.
Então veio a areia e mesmo com a ajuda de Merlin, claro que fora ele, bati contra o chão e estava tão rápida que rolei algumas vezes antes de conseguir parar. Arfei, tentando captar algum som, mas tudo estava emerso no silêncio. Meu pulmão implorava por ar, mas não consegui respirar, o impacto doendo em cada músculo.
Tirei o elmo, tentando afastar o cabelo molhado de suor do meu rosto. Mas quando passei as mãos vi que não era suor e minha visão ficou turva até começar a escurecer.
A última coisa que vi foi Morgan pulando a arquibancada e correndo em minha direção, seu rosto estava tão preocupado. Tentei dizer que estava tudo bem, que não fora nada.
Mas assim que ouvi sua voz o choro escapou da minha garganta.
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