Notas iniciais
Boa leitura! (:

Três colchões estavam espremidos no chão do quarto de Dominicky. As três meninas já estavam deitadas, todas olhando para o teto.

— Nicky você está animada para se mudar? – Jess soltou a pergunta no ar.

— Foi uma das melhores noticias que recebi até agora! Eu estou feliz, e espero que seja perto do shopping, por que aí vou ficar perto de vocês, da Catarina, e do colégio...!

— Realmente seria bom se for perto de nós! – Maddy falou empolgada.

— E ainda por cima combinei com o Juliano de encontrá-lo amanhã, e acho que até lá já estarei na casa nova.

— Quem é Juliano? – Jess se sentou no colchão.

— É o gatinho que foi lá na loja hoje, ele vai todo dia atrás da Nicky! – Maddy também se sentou e olhou maliciosamente para Dominicky.

Dominicky ruborizou e as duas começaram a rir.

— Sabia que a Nicky nunca beijou na boca... – Maddy falou entre os risos.

— Você disse que não contaria para ninguém! – Dominicky jogou com raiva o travesseiro em Maddy.

— Mas Jess agora é nossa amiga. Ela não vai contar para ninguém, não é Jess?! – Maddy a olhou com os olhos arregalados.

— Claro que não! – Jess sorriu – Nenhum beijinho Nicky? – Jess colocou a mão na boca, segurando uma gargalhada.

— Não! – Dominicky a olhou feio – Mas eu garanto que de amanhã não passa.

— É isso aí! – Maddy concordou.

— Vamos dormir agora. Temos que acordar cedo amanhã. Boa noite.

— Boa noite. – As duas falaram juntas.

Dominicky pegou o travesseiro, se deitou e virou para o lado. Não conseguia dormir, era difícil esquecer toda a história de que é um lobo. Só que ao mesmo tempo curioso, pois não havia se transformado completamente.

Como será que eu seria em um corpo animal? Como eu poderia ser um animal e ao mesmo tempo um ser humano?!ela não conseguia parar de pensar nisso, pois não tinha conhecimento de nada. Então sua mente foi se acalmando, até ela pegar num sono tranquilo e pesado.

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Dominicky acordou com alguém lhe dando fortes cutucões nas costas, se sentou sonolenta no colchão, a luz forte do sol atravessava a janela. Olhou para o lado e as meninas a olhavam assustadas.

— O que aconteceu? – ela falou zonza de sono.

— Com o que você sonhou? – Jess perguntou um pouco mais tranqüila do que Maddy.

— Eu não me lembro, por quê? – Dominicky esfregou os olhos e depois se levantou do chão.

— Você começou a resmungar e se debater a noite, parecia que estava sonhando. – Maddy respondeu fazendo caras e bocas.

— Faz algum tempo que isso acontece, às vezes acordo comigo mesma.

Elas assentiram e também se levantaram do chão.

— Melhor começarmos nos arrumar. Eu vou ao banheiro. – Dominicky saiu do quarto e entrou no banheiro.

Tirou a camisola azul de flanela com estampas de coelhinhos, era seu pijama favorito. Prendeu o cabelo em um coque e entrou debaixo do chuveiro para poder despertar melhor.

Escovou os dentes, se enrolou na toalha e foi para o quarto para poder se vestir. Colocou um shorts jeans, uma blusinha cinza de alça e o tênis all star no pé.

Maddy e Jess já estavam sentadas na mesa tomando o café da manhã. Dominicky se sentou e encheu uma tigela com morangos e leite e um grande copo de suco de laranja.

— Ansiosa? – Val perguntou enchendo um copo de suco para ela também.

— Muito! – Dominicky sorriu – Como é a casa?

— Surpresa. – Val sorriu.

Dominicky olhou para as meninas e revirou os olhos. Odiava quando Val fazia isso, e ainda odiava surpresas.

Terminaram o café da manhã, e ajudaram a colocar o restante das coisas no carro. Dominicky voltou para o apartamento, certificando-se de que não haviam se esquecido de nada.

— Vamos embora Dominicky! – Val a chamou.

Dominicky atravessou a porta do apartamento e Val a trancou. Parou e colocou a mão na porta branca, sabia que iria sentir saudades.

Entraram no elevador e desceram até o estacionamento, entraram no carro e Val dirigiu para fora do prédio. Val pegou uma rua que ia em direção ao centro da cidade, e Dominicky começou a ficar mais animada.

Estavam na rua do shopping, e duas ruas antes viraram à esquerda para uma rua sem saída. Val parou em frente a um sobrado amarelo, quase mostarda. O portão era de madeira escura, com espaçamento entre as tabuas, que dava para ver um quintal razoavelmente grande.

— É essa a casa tia? – Dominicky sorriu.

— Essa mesma. E o seu quarto é aquele.

Val apontou para o quarto com sacada de madeira também. E uma árvore bem grande se esticava ao lado da sacada. Com tronco grosso e de galhos de diversas espessuras e tamanhos carregavam em suas folhas vários ramos de pequenas flores rosa.

Dominicky ficou embasbacada de como as flores eram lindas e chamativas. Seu sorriso aumentou e seus olhos começaram a brilhar.

Val sorriu com a expressão de Dominicky e andou até o portão pequeno que havia ao lado do de garagem e o abriu. Dominicky entrou primeiro que todas e ficou encantada com a grama verdinha que a envolvia, e no meio dela um caminho de pedras cravadas ao chão.

Dominicky ficou parada a meio metro da casa. Na sua frente uma escada de madeira com três degraus a levava a porta de entrada. Havia uma varanda também com grades saindo uma para cada lado do corrimão da pequena escada.

Do lado esquerdo da varanda tinha um balanço também de madeira pendurado por correntes no teto. Dominicky subiu as escadas, escorregando as mãos pelo corrimão. Ela colocou a mão na maçaneta de ferro dourado e empurrou a porta de madeira clara.

O hall de entrada era como qualquer outro, com a escada a sua frente que dava para o andar de cima. A sua esquerda era a sala, onde já estava tudo arrumado e com móveis novos. O sofá de couro vermelho entrava em contraste com as paredes brancas, duas estantes creme onde uma apoiava a TV led de 42 polegadas.

A cozinha ficava a direita da escada. Não era muito grande, tinha uma mesa de seis lugares cor magno com vidro em cima. O armário branco combinava com a geladeira e fogão de seis bocas.

Dominicky subiu a escada em espiral de madeira escura, e correu as mãos pelo corrimão. A primeira porta a esquerda era um banheiro, com ducha e uma banheira hidromassagem de acrílico preta embutida no chão.

A segunda porta era um quarto com uma cama de casal e um guarda-roupa branco e marrom, indicava que era o quarto de Val. Um corredor que virava a esquerda obtinha mais um quarto e uma sala de estar, parecida com a do andar de baixo, mas com uma lareira e uma estante cheia de livros.

O outro quarto estava com a porta fechada, Dominicky colocou a mão na maçaneta e um gritinho surgiu do fundo da sua garganta. Ela abriu a porta devagar e ficou surpresa, o quarto era enorme.

Um beliche com bi-cama estava encostado em uma parede, era branca e lilás, ao lado tinha um armário da mesma cor, parecia ser conjunto. A outra parede era tampada por um guarda-roupa enorme, a parede ao lado era lilás com uma escrivaninha encostada nela.

As portas da janela estavam fechadas, Dominicky foi até ela e puxou a cortina lilás para o lado, e abriu as portas deixando a luz do sol invadir o quarto. Ela foi até a sacada e expirou o perfume das flores.

— E aí, o que você achou? – Val falou empolgada.

— Eu amei! – Dominicky se virou para a tia – Mas, como você conseguiu tudo isso?

— Isso não importa querida. O que importa é que eu consegui não é?! – Val deu um meio sorriso.

Dominicky ficou bem desconfiada da tia, mas não falou nada. Saiu do quarto e andou até o final do corredor. Encontrou uma porta, abriu-a e se deparou com uma escada e resolveu subi-la para ver onde dava. Era uma laje, e a vista era muito bonita dali.

Ficou pensando que aquele lugar iria ser perfeito para ela se distrair, um lugar para quando quisesse ficar sozinha.

Dominicky desceu as escadas da laje para voltar para seu quarto. Quando chegou na porta do quarto, ouviu a campainha tocar. Desceu as escadas de dois em dois degraus e saiu em disparada pela porta do hall.

Chegando perto do portão se deparou com uma mulher que não devia nem beirar os quarenta anos, e um rapaz que aproximava ter uns 20.

— Oi. – a mulher notou que Dominicky se aproximava do portão – Nós somos seus vizinhos. Eu sou Cátia, e esse é Lucas, meu filho.

— Olá! – Dominicky sorriu. Pensava que esse negócio de boas vindas já havia deixado de existir faz tempo.

— Queremos te desejar boas vindas! – Bingo!Ela pensou.

A voz do rapaz soou firme. Muito bonito também, loiro, alto e magro. Os olhos eram um pouco mais escuros que o de Dominicky. A mãe era bem parecida com ele, e muito bonita por sinal. Ele teve a quem puxar!

— Eu sou a Dominicky. E minha tia Val está lá dentro, acho que terminando de arrumar algumas coisas.

— Então, bem vinda Dominicky!- Cátia sorriu e lhe deu um beijo no rosto.

Cátia saiu sorridente atravessando a rua. E Lucas lhe deu um aceno de longe à acompanhando.

Dominicky o olho um pouco estranho, deu de ombros e fechou o portão. Entrou em casa e foi até a cozinha.

— Quem era? – Val perguntou.

— Vizinhos. Vieram dar as boas vindas.

— Ah... – Val não ligou muito.

— Onde estão as meninas? – Dominicky perguntou.

— Devem estar lá em cima querida. Pedi que levassem umas caixas para o meu quarto.

Dominicky subiu as escadas correndo, e quando chegou no quarto Maddy e Jess estavam sentadas no chão olhando algumas fotos.

— O que vocês estão fazendo?

Elas analisavam as fotos com curiosidade, Jess ergueu uma das fotos na direção de Dominicky.

— Quem é? – Jess perguntou.

Dominicky andou até ela e pegou a foto que estava em suas mãos. Ela olhou para a figura da foto e uma mulher segurava um bebe, e um homem abraçava a mulher pela cintura.

— Eu acho que são os meus pais... – Dominicky disse.

A foto estava um pouco amassada, não dava para reconhecer quem eram.

Dominicky se abaixou ao lado das meninas e começou a revirar a caixa. Conseguiu achar uma foto onde a imagem mostrava uma mulher sorrindo. A moça era muito bonita, cabelos castanho escuro curto, e olhos esverdeados. A blusa de alça não escondia a enorme cicatriz no ombro, onde faltava um pedaço da carne. Dominicky virou a foto, e na parte de trás estava escrito: “De: Lilian, Para: Félix.”

Minha mãe!Dominicky pensou. Seus olhos começaram a se encher de lágrimas, prontas para transbordar. Ela começou a analisar a foto. Imaginou que se tinha uma da mãe dela para o pai, deveria ter uma do pai para a mãe também.

Dominicky começou a revirar a caixa novamente. Procurava uma foto com o fundo parecido com o da outra foto. Alguns segundos depois encontrou uma foto com um moço. De cabelos castanhos e olhos também castanhos.

— Como meu pai era lindo! – ela analisou a foto.

— Como você sabe que é seu pai Nicky? – Maddy perguntou.

Dominicky virou a foto e atrás estava escrito “De: Félix, Para: Lilian”. Passou a foto para Maddy que analisou dos dois lados.

— Realmente, seu pai era muito bonito.

Dominicky sorriu. Sim os pais eram lindos, mostrando a beleza radiante que a mãe havia passado para Dominicky, e os traços de seu pai que completavam essa sua beleza.

Dominicky pegou as três fotos, deu um beijo em cada uma e depois as escondeu debaixo do travesseiro. Se virou para as meninas e fez sinal para que elas entendessem que não tinham visto nada.

— Minha tia lhes entregou a caixa para que levassem ao quarto dela não é?!

As duas assentiram.

— Então é melhor levarmos para lá, agora!

Dominicky arrumou um pouco a bagunça que tinha feito. Carregou a caixa em seus braços, e a levou até o quarto de Val. Colocou-a em cima da cama, e depois saiu do quaro fechando a porta.

Voltou para o quarto e se sentou na cama, a respiração um pouco acelerada.

— Você está bem? – Maddy colocou a mão em seu ombro.

— Um pouco confusa e emocionada. Mas estou bem.

— Vai ficar tudo bem Nicky. Você vai ver. – Jess se sentou ao lado de Dominicky, segurando sua mão e lhe dando um sorriso confortável.

Dominicky retribuiu o sorriso, e depois soltou uma gargalhada um tanto desesperada.

— Será que o almoço está pronto? – Dominicky resmungou colocando a mão livre no estômago.

— Podemos ir lá na cozinha ver. – Maddy perguntou empolgada.

Elas desceram as escadas e foram até a cozinha. O cheiro bom atravessava pela porta e consumia o cômodo.

— Tia, o almoço está pronto? – Dominicky entrou saltitando na cozinha.

Na frente de Val ela tentava demonstrar que estava bem, para não ser bombardeada de perguntas.

— Está sim querida. Vocês tem um apetite e tanto hein?!

Cada uma sorriu de um jeito. Dominicky começou a arrumar a mesa, colocando os pratos e talheres sobre ela. Val colocou na mesa uma panela de arroz, a de feijão, legumes refogados, bife a milanesa, e salada de batata com ovo.

Cada uma se sentou em um canto da mesa, e começaram a se servir.

— Nossa Val, sua comida está muito gostosa! – Jess falou com a boca um pouco cheia.

— Ah, obrigada meu bem. – Val ruborizou um pouco – Que horas vocês irão para o shopping?

— Às sete e meia tia.

— Vocês querem que eu vá buscá-las a hora que quiserem vir embora?

— Não vai precisar tia. Não estamos pensando em voltar muito tarde. E qualquer coisa ligaremos para você. – Dominicky sorriu para Val.

Val a olhou com certa decepção e curvou os lábios no que parecia ser um sorriso. Todas voltaram a almoçar em silêncio.

Depois de terminarem o almoço, Dominicky ajudou a tia a tirar a mesa e a arrumar a cozinha. Depois de ajudá-la foi para o quintal da casa com as meninas.

Dominicky se sentou no chão, e Jess e Maddy se sentaram no balanço. Dominicky sentia falta do apartamento. Olhou a sua volta e tudo era estranho, ao mesmo tempo maravilhoso. Se sentia estranha por estar no meio de um monte de gente que não conhecia, mas aliviada por poder conhecê-los.

— Nicky, você tem certeza de que o Juliano vai para o shopping? – Maddy perguntou.

— Ele disse que ia. Não trocamos nenhum contato.

— De boa amiga, ele é muito gato! Você tem sorte de poder dar o primeiro beijo em alguém bonito.

Dominicky olhou para Jess com uma cara não tão animada.

Maddy começou a analisar o rosto de Dominicky. Franziu o cenho, deixando as sobrancelhas quase grudadas uma à outra.

— O que você tem Nicky?

— Não é nada. – Dominicky tentou disfarçar um sorriso.

— Dominicky Anastácia Vasconcellos. Eu te conheço desde quando tinha cinco anos, não tente esconder nada de mim! – Maddy fez cara de brava.

Dominicky revirou os olhos e suspirou fundo. Odiava quando a chamavam pelo nome inteiro.

— É que... Eu só acho que ele não seja o cara certo... – Dominicky olhou para as mãos.

— Você não está pensando em dar para trás não é?! – Jess perguntou incrédula.

— Não. Eu sinto vontade de ficar com ele, ver ele me dá um frio na barriga. Mas o coração...

— Ah Nicky, mas isso é normal. Você não vai se apaixonar pelo primeiro cara que quiser ficar com você.

— Eu sei disso. É bobeira eu ficar me preocupando com isso não é?!

Maddy e Jess assentiram e sorriram para ela e Dominicky sorriu de volta. Virou a cabeça e avistou Lucas passando na frente do portão de sua casa.

Ela se levantou e correu até o portão, tirou a chave nova do bolso do shorts e abriu-o. Ela atravessou o portão e gritou o seu nome.

— Lucas!

Ele se virou e quando avistou Dominicky, voltou com os lábios repuxados no que parecia ser um sorriso.

— Oi... – ele aumentou o sorriso.

— Tudo bem? – Dominicky perguntou sem saber o que falar.

— Sim e com você?

— Estou bem. Você vai sair hoje?

— Não sei... Minha mãe está resfriada, não gosto de deixá-la sozinha quando está assim.

— Bom, se você mudar de idéia estarei com alguns amigos no shopping. – Dominicky sorriu – E melhoras para a sua mãe.

— Obrigada. – ele sorriu e acenou com a mão. Voltou em seu caminho para onde quer que fosse.

— Tchau... – Dominicky falou baixinho.

Ela voltou para casa, e as meninas estavam perto do portão observando Lucas ir embora.

— Ele é estranho, mas bonitinho. – Jess falou observando Lucas de costas.

— Olha só quem fala em alguém ser estranho. – depois de ter falado isso Maddy começou a rir. E Jess lhe mostrou o dedo do meio.

— Vocês duas, parem agora com essa guerrinha de obscenidades! – Dominicky olhou com cara feia para elas.

Elas foram para perto da árvore que ficava em frente à janela de Dominicky. Se sentaram debaixo da sombra da árvore e Dominicky encostou a cabeça contra o tronco. Ficou admirando as flores rosa balançarem suavemente, até que um pequeno ramo caiu em seu colo.

Ela pegou o ramo nas mãos e levou as flores até seu nariz, inalando o belo perfume que elas exalavam. Olhou para a árvore novamente e teve uma idéia.

— No que você está pensando Nicky? – Jess a olhou curiosa.

— Será que é fácil de escalar? – Dominicky ainda olhava para cima girando as flores entre os dedos.

— Escalar o que?! – Maddy ainda não havia entendido.

— A árvore. – Dominicky lhe deu um sorriso.

Colocou o raminho de flor delicadamente no chão, e se levantou limpando a sujeira do shorts.

Dominicky lançou-lhes um olhar malicioso, e se aproximou da árvore. Segurou um galho e enfiou o pé no primeiro buraco da árvore, e se impulsionou até chegar a um galho mais alto.

— Nicky, sua louca. Você vai se machucar! – Jess gritou.

Dominicky olhou para Jess e deu risada. Depois começou a escalar a árvore novamente. Conseguia escalá-la com uma enorme facilidade, ficando impressionada com ela mesma.

Ao tentar alcançar outro galho, arranhou a parte exterior do braço, mas não ligou. Alcançou a sacada da sua janela, e segurou a base com força passando uma das pernas para o lado de dentro e depois a outra, e assim pulou para dentro da varanda.

Ela se debruçou na sacada da janela e olhou para as meninas que a olhavam boquiaberta. Jess balançou a cabeça em negativa, e lançou um olhar preocupado para o portão.

— Vocês não vão subir? – Dominicky gritou soltando uma gargalhada.

— Vamos pela escada! – Jess gritou – É mais seguro!

Dominicky sorriu e abriu a porta da janela, entrou no quarto e se sentou na cama.

Maddy entrou no quarto segundos depois, e Jess estava atrás, com a cara fechada. Depois de ter entrado fechou a porta atrás de si.

— Você é louca não é?! – Jess falou preocupada – E eu acho que viram você.

— Quem?! – Dominicky arregalou os olhos. Principalmente por que Jess falava brava com ela.

— O seu vizinho Lucas. Ele viu você subindo a árvore com tanta facilidade, mas pareceu não demonstrar interesse.

— Será? – Dominicky falou nervosa.

— O que ele poderia pensar?! Qualquer pessoa pode conseguir subir uma árvore. – Maddy tentou acalmá-las.

— Mas a árvore é muito alta Maddy. Nem toda pessoa normal consegue subir uma árvore assim. – Jess parecia se irritar com o assunto.

— Gente o Lucas parece ser super neutro. Ele não iria ligar por eu ter subido em uma árvore.

Dominicky jogou os braços pra trás entrelaçando as mãos atrás da cabeça. E sorriu para as meninas de um jeito que até os olhos dela brilharam.

— Eu disse que você ia se machucar! – Jess falou começando a ficar irritada novamente.

Dominicky virou o braço em direção dos olhos, e analisando do lado exterior do pulso até o cotovelo mais ou menos.

— Não foi tão grande assim. – Dominicky continuava analisando atentamente o corte.

Uma gota de sangue estava brotando do corte a cada movimento brusco que ela fazia. Uma gota escorregou e caiu no chão, e para não cair mais Dominicky passou o dedo no corte e levou-o até a boca como sempre fazia quando isso acontecia.

Depois de ter tirado o dedo da boca, pôde sentir melhor o gosto do sangue. Dominicky arregalou os olhos, passou a língua pelos lábios que começavam a ficar secos. A cabeça começou a doer e latejar, a visão ficou turva.

Dominicky fechou os olhos e apertou as têmporas com força. O gosto do sangue ainda estava ali, e o cheiro começou a ficar mais forte e adocicado, por causa de seu olfato aguçado.

— Nicky, você está bem? Está nos deixando preocupada. Maddy se aproximou de Dominicky e tocou seu ombro com delicadeza.

Dominicky abriu os olhos e empurrou Maddy com tanta força que ela se desequilibrou e caiu no chão.

— Fique longe de mim! – Dominicky trincou os dentes.

Jess ajudou Maddy a se levantar, as duas estavam muito assustadas, e se afastaram até a porta. Dominicky também se afastou, encostando-se ao vão em tinha entre o guarda roupa e a cama.

— Chamem a minha tia, ou Catarina!

Jess assentiu e puxou Maddy junto contigo. Dominicky começava a se sentir cada vez mais descontrolada. Se contorcia e gritava com a dor que se espalhava em sua cabeça. O cheiro e o gosto do sangue provocavam seu instinto selvagem.

— Nicky?! – a porta se abriu devagar – Onde você está querida?

Dominicky estava toda encurvada no mesmo canto e se segurando na parede. Olhou para cima e Catarina andava com pressa em sua direção.

— Querida o que aconteceu? – Catarina se abaixou na frente de Dominicky, mas não colocou a mão nela.

Dominicky não falou nada, abaixou a cabeça e levantou o braço que ainda escorria bastante sangue. Catarina não estava preparada para isso, se levantou rapidamente e colocou a mão no nariz, tampando-o. Dominicky assistia a reação de Catarina e em uma arfada falou.

— Por quê? Por que isso está acontecendo comigo?

— Por que até você ter seu próprio autocontrole com o cheiro e com o gosto do sangue isso vai ser normal acontecer.

— Então me ajude... – Dominicky soltou a parede e caiu de joelhos no chão.

Se sentia cansada, fraca e sem forças, parecia não conseguir mais continuar transformada como humana.

Catarina se aproximou e se abaixou ao seu lado novamente, segurava uma seringa com um liquido transparente dentro. Antes que Dominicky pudesse golpear a mão de Catarina e tirar a seringa dela, Catarina acertou seu braço com a agulha, conseguindo injetar todo o liquido em seu músculo, fazendo Dominicky cair desmaiada no chão.

Notas finais
Espero que gostem! (: