O uivo de uma paixão: Escolhas do coração
5 David Guetta - She Wolf feat. Sia
Notas iniciais
Dominicky acordou deitada na cama, se sentou um pouco zonza no colchão. Esfregou a testa com a palma da mão, e ao notar a faixa enrolada no seu braço se lembrou de tudo o que havia acontecido. Catarina devia ter injetado algum tipo de tranquilizante nela, para que não fizesse algum tipo de besteira.
Ela se levantou da cama, mas caiu de novo sentada por causa da visão turva. Esfregou os olhos com as mãos, e quando sentiu que a visão estava se normalizando se levantou novamente. Abriu a porta do quarto e saiu para o corredor. Andou até as escadas evitando olhar para os degraus e a desceu devagar segurando bem forte no corrimão.
Quando desceu o último degrau se sentiu vitoriosa, soltou a respiração e sorriu. Ao ouvir a voz de Catarina vindo da sala, Dominicky se dirigiu até ela, e parou na porta, chamando a atenção das duas. Val a olhou, e parou de falar, os olhos estavam arregalados. Catarina se virou e sorriu quando avistou Dominicky.
— Como você está se sentindo querida? – Catarina perguntou, quebrando o silêncio entre todas.
— Eu estou bem. – Dominicky sorriu e se encostou na parede – Só estou um pouco zonza. Onde estão as meninas?
— Elas estão na cozinha. Devem estar preparando algo para comer. – Val lhe lançou um olhar cheio de compaixão.
Dominicky sorriu para a tia, e se virou indo em direção a cozinha.
— Hmm que cheiro bom. – Dominicky parou na porta.
Jess se virou para Dominicky com uma tigela de macarronada nas mãos.
— Nicky, você acordou! – ela gritou feliz – Como se sente?
— Bem melhor. Mas faminta. – Dominicky olhou para a macarronada.
— Vem comer com a gente então! – Maddy puxou uma cadeira ao seu lado.
— Nós ainda vamos ao shopping, não é?! – Dominicky perguntou curiosa.
Ela não queria que o que havia acontecido com ela atrapalha-se seus planos.
— Você está bem para ir? – Jess perguntou um pouco preocupada.
— Estou muito bem Jess! – Dominicky falou um pouco impaciente.
— Então é claro que nós vamos! – Maddy falou empolgada e bateu palmas.
Dominicky se sentou ao lado dela, colocou uma boa porção de macarronada no prato. Com tanta fome que estava, devorou tudo em um minuto.
Quando terminaram de comer Dominicky ajudou elas a retirarem as coisas da mesa, e a limpar a cozinha. Maddy olhou para o relógio de parede e arregalou os olhos.
— Já são quinze para as seis, melhor começarmos a nos arrumar, se não iremos nos atrasar.
— Vocês podem ir primeiro, daqui a pouco eu subo.
Elas assentiram e Dominicky terminou de enxugar a louça. Estava indo para a sala avisar a tia que já ia começar a se arrumar, parou na porta quando escutou ela falar seu nome, se escondeu atrás do batente e ficou escutando a conversa de Val com Catarina.
— Cat, eu estou muito preocupada com a Dominicky. Hoje é noite de lua cheia, e ela ainda não se transformou, e não tem controle a nada disso.
— Eu também estou preocupada Val! Mas é uma coisa que não podemos evitar, uma hora outra vai acontecer.
— Promete para mim Cat. Prometa que vai proteger a Nicky! Por favor? – A voz de Val saiu mais fraca.
Dominicky se encostou na parede ao lado e suspirou fundo, enxugando as lagrimas que insistiam escorrer pelo cantos dos seus olhos.
— Eu prometo Val! Afinal é o que faço desde quando ela era pequenininha não é?! – Catarina deu uma risada confortante – Ela é como uma filha pra mim!
Dominicky as observou mais uma vez. Se desencostou do batente devagar. Subiu as escadas correndo, indo para seu quarto.
Não tinha ninguém dentro do cômodo, Jess e Maddy ainda estavam no banheiro se arrumando. Dominicky começou a arrumar suas coisas, para começar a se arrumar também.
Ela abriu o guarda-roupa e começou a escolher o que iria vestir. Pegou um jeans escuro manchado em seu próprio estilo na perna e uma regata preta com decote. Não escolheu nada novo, e não eram roupas que ela usasse sempre. Caso ela se transformasse, poderia acabar perdendo as roupas.
Jess e Maddy entraram no quarto, já arrumadas. E Dominicky ainda estava ali, absorta em seus pensamentos. Pegou suas roupas e se virou para elas.
— Eu vou tentar me arrumar o mais rápido possível! – e saiu do quarto.
Ela entrou no banheiro, e com cuidado tirou a faixa enrolada de seu braço. Tirou sua roupa, e entrou debaixo da ducha, deixando a água morna escorrer pelo corpo sem molhar seu cabelo.
Se ensaboou, lavou as partes intimas e deixou a água escorrer pelo corpo novamente tirando toda a espuma dele. Desligou a ducha, pois já devia estar ficando atrasada. Ela colocou a roupa rapidamente e saiu do banheiro.
Ela entrou rapidamente em seu quarto, segurando nas mãos a faixa que antes estava enrolada em seu braço. Jess e Maddy estavam terminando de se arrumar, usando de suas maquiagens.
— Vocês podem me ajudar a colocar a faixa de volta?
Maddy andou até Dominicky sem dizer nada e enrolou a faixa no braço de Dominicky, prendendo as pontas da faixa com fita adesiva.
— Obrigada. – Dominicky agradeceu.
Maddy sorriu e se sentou na cama. Dominicky foi até suas maquiagens, passou delineador e rimel nos olhos, e gloss incolor na boca.
Se sentou ao lado de Maddy e colocou o all star vermelho de cano médio.
Maddy usava um corpete vermelho, com uma saia xadrez preto e vermelho, com um all star preto nos pés. E Jess usava uma camiseta preta de ombro caído, com uma calça legging de couro, com um coturno sem salto de cano mediano até a canela.
— Minhas roupas ficaram ótimas em vocês! – Dominicky lançou-lhes um olhar de repreendimento e depois sorriu.
— Eu sei que você não liga! – Maddy sorriu.
— Não mesmo! – Dominicky falou em tom de divertimento.
— Já é seis e meia. – Jess às alertou – Vamos?
— Vamos! – Maddy e Dominicky falaram em uníssono.
Elas saíram do quarto, e desceram até a sala. Val se levantou do sofá quando viu Dominicky parada na porta. Foi até seu lado e passou as mãos pelo seu rosto.
— Tome cuidado, por favor! – Val a abraçou, e confortou a cabeça em seu ombro.
— Pode deixar. Eu vou ficar bem. – Dominicky envolveu os braços na cintura de Val, e a abraçou da mesma maneira.
Dominicky a soltou e lhe deu um beijo na testa. Pegou sua chave pendurada no chaveiro da porta, e saiu primeiro que as meninas, que não demoraram muito para alcançá-la.
— Por onde nós vamos? – Dominicky perguntou.
— Podemos cortar caminho pelo beco. – Maddy pegou na mão dela.
— Pode ser que seja mais rápido mesmo. – Jess concordou.
Elas subiram um quarteirão acima da casa de Dominicky, e viraram à esquerda. No meio do outro quarteirão viraram em uma rua cheia de árvores e sem movimento nenhum. Era um pouco escuro ali, e as luzes dos postes ficavam piscando sem parar.
Ao chegarem no final do beco, viraram à direita e depois à esquerda, e novamente à direita para atravessarem a rua. Estavam a uma quadra antes de chegarem ao shopping.
— Como foi rápido! – Dominicky falou impressionada.
— E muito mais fácil.
As três riram e chegaram na entrada do shopping. Antes de entrarem, Dominicky escutou alguém lhe chamar. Se virou e avistou Juliano vindo em sua direção, com mais dois garotos lhe acompanhando.
Um era um pouco mais alto do que Juliano, moreno bronzeado da cor do pecado, cabelo louro acobreado estilo surfista, olhos cor de mel. O corpo era bem forte e definido.
O outro era um pouco mais baixo que Juliano, cabelo alaranjado, e olhos verdes igual a uma azeitona. O corpo era cheinho, mas não podia ser considerado como alguém gordo.
— Juliano! – Dominicky falou contente.
Ele deu um largo sorriso e andou mais rápido na direção dela. Chegando perto, lhe deu um abraço forte que a Fez levantar os pés do chão.
— É muito bom te abraçar baixinha! – ele sussurrou no ouvido dela, e beijo seu rosto.
Um arrepio subiu pelo corpo de Dominicky. Ele a soltou e finalmente pôde sentir o chão debaixo de seus pés novamente. Dominicky estava da cor de uma pimenta, de tanta vergonha que estava.
— Essas são as minhas amigas, Jess e Maddy. – Dominicky apontou para elas às apresentando.
Jess acenou com a cabeça e Maddy como sempre deu um sorriso de orelha a orelha acenando com a mão para eles.
Juliano as cumprimentou sem interesse nenhum em olhar para elas, seu olhar estava paralisado no rosto de Dominicky.
Juliano foi despertado com o moço moreno lhe dando cutucões com o cotovelo, o que o fez voltar à realidade.
— Ah, esse é o Marcelo. – ele apontou para o moreno – E esse é o Luciano. – e depois para o garoto de cabelos alaranjados.
— Olá meninas! – Marcelo falou simpático.
Luciano foi um pouco mais rude, deu um breve aceno com a mão, e um sorriso sem muita emoção. Um sorriso silencioso e sem sentimento.
— E essa é a Dominicky gente. – Juliano a apresentou para seus amigos – Ela trabalha naquela loja de chocolates.
— Sério?! Os chocolates de onde você trabalha são os melhores do mundo! – Luciano falou pela primeira vez.
A expressão de seu rosto passou para algo mais feliz, seu sorriso ficou largo e os olhos brilhantes.
Dominicky deu um sorriso envergonhado, ela pegou a bolsa que estava com Maddy. Abriu e puxou de dentro dela um pequeno saquinho enfeitado de dentro dela. Luciano focou na mão dela e seus olhos começaram a brilhar mais ainda.
— Já que você gosta tanto, fica pra você. – Dominicky deu um sorriso simpático e esticou o saquinho na direção dele.
— Eu gostei de você. – ele sorriu e pegou o saquinho um pouco acanhado.
Juliano olhava para Luciano um tanto enciumado, mas por fim revirou os olhos. Dominicky abaixou a cabeça como se tivesse acabado de fazer algo errado.
Juliano foi para perto dela e segurou em sua mão.
— Vamos dar uma volta dentro do shopping?
Dominicky assentiu e olhou para as amigas que também concordavam.
Juliano sorriu e segurou a mão de Dominicky mais forte, então entraram de mãos dadas, pois quando Dominicky tentou soltar a sua não conseguiu.
Eles andaram tranquilamente pelo shopping, Dominicky parava de vez em quando para olhar algo que a interessava em alguma vitrine.
Juliano a puxava para a praça de alimentação, e escolheu a mesa quando conseguiu chegar a seu destino. Dominicky se sentou de frente para ele, Jess se sentou ao seu lado, e Maddy ao lado de Jess.
Marcelo se sentou de frente para Jess, e Dominicky os olhou curiosa. Rolava um clima entre eles, mas nada que os entregassem diretamente. Maddy e Luciano conversavam como se conhecessem há muito tempo, mas sem demonstrarem interesse um ao outro.
Entre Dominicky e Juliano rolava o clima, mas ninguém falava nada, era uma situação estranha. Isso começou a irritar Dominicky.
— Está a fim de comer alguma coisa Nicky? – Maddy quebrou o silencio entre Dominicky e Juliano.
Dominicky olhou para a amiga e balançou a cabeça em negativa sorrindo.
Quando ela voltou à atenção para Juliano, ele trocava olhares com Marcelo e depois assentiu. Ele virou o olhar para ela e sorriu, segurou suas mãos que estavam em cima da mesa e sussurrou para ela.
— Vamos dar uma volta, só nós dois? – ele lhe lançou um largo sorriso.
— Vamos! – Dominicky sorriu também, com os olhos brilhantes.
Eles se levantaram e saíram sem falar nada para ninguém. Andaram um pouco mais além do shopping, conversando sobre comidas. Antes de atravessarem a rua, Dominicky avistou o Lucas do outro lado da calçada.
Dominicky acenou para ele, mas ele fingiu não ter visto e se virou de costas. Ela ficou pasma sem entender nada.
Ela ficou olhando para trás, sem entender a reação dele, ela abaixou a cabeça um pouco chateada com isso.
— O que foi? – Juliano parou em um canto e se encostou no muro de uma casa. Ele a puxou pelo cós da calça, juntando seu corpo com o dela.
Dominicky colocou as mãos no peito dele para poder se equilibrar. Olhou para trás novamente e já não via mais Lucas no final da rua.
— Não é nada. Eu só pensei ter visto um amigo, mas devo ter confundido. – ela mentiu.
Ela virou o rosto para ele, e seus olhos se chocaram um no outro. Ele colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
— Você viu como a lua está bonita? – ele mudou de assunto.
Dominicky olhou para cima. A lua estava grande e cheia, uma enorme bola branca. Ela sabia que era noite de lua cheia, e se lembrava muito bem do que a tia havia falado.
— Linda. Ela deve guardar muitos segredos dali de cima. – Dominicky falou pensativa.
Juliano ergueu as sobrancelhas e olhou com curiosidade para ela.
— Segredos? – ele perguntou quase rindo.
— Os segredos das pessoas daqui debaixo, ela deve saber de muitos.
— Ela deve guardar uns segredos muito... Íntimos...
Dominicky deu um sorriso maroto para ele.
— É só o que eu penso sobre a lua.
— Você é maluquinha! – ele sorriu.
Dominicky retribuiu o sorrio e mostrou a língua para ele.
De repente o silencio inundou entre os dois, o barulho dos carros era a única coisa que quebrava o silencio mórbido.
Juliano puxou Dominicky para mais perto de seu corpo. Sua pélvis grudou na dela, Dominicky o olhou surpresa e então ele lhe deu um selinho demorado. Ele se afastou e abaixou a cabeça, as bochechas ficando coradas.
Dominicky sorriu um pouco nervosa e lhe devolveu o selinho roubado. Quando ela se afastou, Juliano a olhou, e corou um pouco mais.
Ele a abraçou forte, como se tivesse a sensação de que fosse perdê-la, e disse bem baixinho no seu ouvido.
— Eu acho que estou gostando de você...
Dominicky fechou os olhos e deu um sorriso bobo pelo o que tinha acabado de ouvir. A sensação que sentia no momento era ótima, mas seu coração não batia com intensidade dentro de seu peito.
— A gente tem que ir devagar Juliano...
— Eu sei, mas é que você é tão linda, que eu não consigo resistir.
Dominicky sorriu tímida, ele se aproximou dela, e encostou sua cabeça na dela, deixando suas bocas a centímetros uma da outra. Dominicky se sentia nervosa, suas mãos suavam atrás do pescoço dele.
Dominicky sentiu os lábios dele se encostarem nos seus, fechou os olhos e permitiu que a língua dele invadisse sua boca, e começou a seguir os mesmos movimentos que o dele. A língua dela explorava o terreno novo, não era tão ruim quanto imaginava.
Dominicky achava que o beijo estava indo bem, o gosto da bala de morango que estava na boca dele passava para a dela, o que fazia com que o beijo ficasse bem melhor.
As mãos dele estavam na cintura dela, às vezes até acariciando-a e alternando para leves apertões carinhosos. As mãos dela estavam em volta do pescoço dele, e às vezes ela dava puxões carinhosos no cabelo de sua nuca, o que fazia com que ele se arrepiasse todo.
Juliano agarrou a bunda de Dominicky e puxou a cintura dela para a dele, e também deixando o beijo mais selvagem. Dominicky não queria parar e nem impedi-lo de fazer aquilo, o amasso estava gostoso. Mas quando Dominicky sentiu algo vibrar em sua coxa, arregalou os olhos e pulou para trás, interrompendo o beijo.
— Opa, desculpe. – ele disse preocupado. Enfiou a mão no bolso da calça jeans e puxou o celular para fora.
Dominicky caminhou até a beira da calçada, e estava um pouco constrangida. Havia deixado as coisas saírem do controle, arregalou os olhos ao pensar no que poderia ter acontecido se o celular dele não tivesse vibrado em certo ponto.
Ela cruzou os braços e abraçou a si mesma. Oque será que ele vai pensar de mim agora?! Eu não quero me prender a ele, eu não gosto dele!Não tinha o que se fazer agora, ela sabia que para ela tinha sido apenas um beijo, amasso, nada mais do que isso.
Ela estava distraída com seus pensamentos, sempre observando a lua, que até se assustou quando sentiu Juliano envolvendo seu pescoço com os braços e a abraçando carinhosamente.
— Era o Luciano, ele está indo embora e pediu para que eu o acompanhasse. – Juliano falou ao pé do ouvido dela.
— Ah, tudo bem. Ele falou algo das meninas?
— Só falou que elas estão com uns amigos na frente do shopping.
Dominicky sorriu e assentiu.
— Ele está me esperando do outro lado do shopping, não tem problema eu não te acompanhar, não é?!
— Não.
— Então se cuida! Eu passo na loja para combinarmos de sair outra vez.
Ele beijou a testa dela e depois lhe deu um selinho. Ele virou a esquina do shopping, e sumiu indo de encontro com Luciano.
Dominicky ficou parada como se estivesse esperando algo, passou a mão pelo cabelo e suspirou fundo. Dominicky andou até a entrada do shopping procurando por Maddy e Jess.
Quando as avistou, ambas estavam acompanhadas. Estavam do outro lado da rua, encostadas na parede e agarrando um garoto cada. Jess estava com Marcelo, e Maddy se agarrava com um garoto que Dominicky não fazia a mínima ideia de quem era.
Dominicky não queria atrapalhar os casais, abaixou a cabeça jogando o cabelo na frente do rosto, tentando passar despercebida.
Ela parou quando escutou alguém gritar seu nome, e se virou nos calcanhares. Jess e Marcelo estavam vindo atrás dela.
— Onde você vai Nicky?! – Jess perguntou curiosa.
— Eu vou para casa, estou cansada! – Ela mentiu.
Dominicky não ia ficar segurando vela, então o melhor jeito foi inventar algo.
— Você não ia avisar a gente?
— Eu não estava achando vocês! E meu celular está com a Maddy.
— Suas coisas estão comigo.
Jess entregou a bolsa de Dominicky para ela, e depois trocou um olhar preocupado com Marcelo.
— Nós iremos te acompanhar.
— Não! – a voz de Dominicky saiu em um grito – Eu quero ir sozinha, clarear a cabeça.
— Se é isso o que você quer. Depois você me conta o que aconteceu, OK?! – ela sorriu – Só toma cuidado quando você passar pelo beco, não pare pra nada!
Dominicky sorriu e assentiu. Ela se despediu de Jess e Marcelo e continuou seu caminho.
Na hora em que ela estava indo para o shopping, não viu nada de suspeito no beco, mas o que poderia ter naquele beco agora à noite? Era uma pergunta que não queria se calar em sua mente. O máximo que conseguia imaginar eram andarilhos sem terem onde dormir.
Dominicky olhou para o céu e reparou que a lua já estava bem mais alta do que antes, e ela sentia que podia explodir a qualquer momento. Seu peito começou a doer como se algo pontudo estivesse tentando perfurá-lo.
A rua estava deserta, não havia nenhuma alma viva no meio dela. Dominicky já estava na esquina do beco, suspirou fundo e andou devagar e com cautela, o mais silenciosamente possível.
Dominicky andou até o meio do beco, e a sombra de algo passou por de trás dela. Ela se virou rapidamente e observou o beco inteiro, mas não tinha ninguém ali.
Um cheiro de cachorro molhado invadiu o ar a sua volta, e ela tampou o nariz por causa do cheiro horrível. Dominicky achou aquilo estranho, o cheiro havia aparecido do nada, e ela não via e nem pressentia se tinha alguém ali. Um caixote de madeira caiu atrás dela, fazendo com que ela se virasse com um pulo.
Os olhos de Dominicky mudaram de cor na mesma hora, de um jeito instinto. Suas unhas se transformaram em garras, e posicionou as mãos em modo de ataque. Ela estava pronta para se defender de quem quer que estivesse ali.
— Ora, ora... – Dominicky se virou ao escutar a voz masculina – O que temos aqui?!
A visão de Dominicky estava muito melhor, ela conseguia enxergar além do escuro. Um homem alto, forte, com aparência de jovem, mas o cabelo grisalho revelava seus quarenta e poucos anos. Quando ele veio mais para perto da claridade, Dominicky notou os olhos vermelhos e ameaçadores.
Ele andava devagar, com classe e com passos leves. Ele parou alguns metros longe de Dominicky. Ele cruzou um dos braços no meio do peito, apoiou o cotovelo nele e levou a mão até o queixo.
— Quem é você? – ela perguntou com raiva.
O homem deu uma risada irônica, achando a pergunta de Dominicky ridícula.
— Você ainda não me conhece docinho. Vou me apresentar para você, Ok?! – ele soltou os braços ao lado do corpo, e se aproximou mais de Dominicky.
Dominicky se curvou mais para frente, e colocou as mãos em modo de ataque na frente do seu corpo, caso ele se aproximasse por mais um centímetro, ela conseguiria arrancar uma parte do rosto dele.
— Não precisa ficar com medo pequena princesa.
Ele enfatizou a palavra princesa de um jeito diferente, como se estivesse falando com alguém da realeza.
— Princesa?! – ela falou confusa.
— Sua tia não lhe contou Dominicky? – ele deu um sorriso largo, os olhos continuavam ameaçadores – Eu não acredito que ela não te contou que você é filha do líder do clã dos lobos...
— Como você sabe meu nome? – Dominicky percorria os olhos pelo rosto do homem, cada vez ficava mais confusa – Quem é você, porra! – ela gritou de raiva.
— Ah, me desculpe, eu não queria te deixar nervosa, mas eu havia esquecido deste pequeno detalhe. Eu sou de Roma, fui expulso do clã de lobos por tentar, e conseguir, matar a 16 anos atrás uma humana e o líder do clã. E meu nome é Louis querida.
Os olhos de Dominicky se arregalaram e começaram a ficar marejados. O que ele está fazendo aqui? Não pode ser ele!Ela levou a mão à boca, abafando o grunhido que vinha de sua garganta.
— O que você faz aqui? – ela tirou a mão da boca, levando-a aos olhos para limpar as lagrimas que insistiam em escorrer.
— Nada demais... – Ele começou a andar de um lado para o outro – Eu só queria conhecer a filha do meu falecido companheiro. – Ele olhou para o céu – Que Deus o tenha!
— Lave essa sua boca imunda antes de falar assim do meu pai! Você o matou! – ela gritou com ele, as veias do pescoço estavam estufadas.
— Ele abandonou nosso clã por causa da paixão que sentia por aquela humana repugnante! – as ameaças que os olhos dele transmitiam vacilaram em meio a palavra repugnante, e pelo que ele ainda viria a falar, tentou se controlar ao máximo ao falar sobre Lilian – Eu consigo sentir o cheiro de sangue ruim que corre nas suas veias. O mesmo sangue ruim da sua mãe!
— Não ouse falar assim da minha mãe! O que ela viu no meu pai foi bondade, ele tinha um bom coração. Meu pai confiava em você, e você o traiu!
— É, pode até ser. – o olhar dele vacilou novamente – Mas não estou aqui para falar sobre isso, estou aqui para terminar o que eu não consegui fazer à 16 anos atrás. – a frieza dele havia voltada.
— Do que você está falando? – Dominicky franziu o cenho.
Ele soltou um sorriso maléfico, e se inclinou um pouco para frente.
— Matar você!
Louis avançou para cima de Dominicky, e com grande facilidade ela se desviou do ataque dele. Louis foi para cima dela novamente, e a empurrou até ela bater contra o muro, e cair no chão.
Ele se afastou, queria jogar com ela. Dominicky se levantou e olhou para ele com raiva.
— Acho que sou mais forte do que você, não é?! – ele deu um sorriso sarcástico.
— Você não sabe o que fala Louis!
— Então mostre para mim o que você sabe fazer!
Dominicky se apavorou quando ele disse isso. Como ela ia fazer alguma coisa, se ainda não havia feito nada, não sabia o que fazer.
Louis deu uma breve olhada para ela, e então saiu correndo contra a rua e deu um salto super alto, então virou seu corpo ainda no céu, formando um movimento de lua cheia, enquanto um brilho contornava a lua conforme ele se virava.
Quando caiu no chão, caiu na forma de um lobo, seu pêlo era cinza e branco, dando a cor grisalha igual a de seu cabelo.
Dominicky arriscou fazer o mesmo que Louis tinha feito, e com sucesso conseguiu se transformar. O pêlo dela era todo preto, além de suas patas e seu focinho que tinham cor branca.
Os dois grandes lobos se encaravam, um rosnava para o outro. Até que correram na mesma direção, como se a qualquer momento fossem se chocar.
Louis se ergueu e se apoiou nas patas traseiras, e Dominicky fez o mesmo. Ela conseguiu dar uma patada no focinho dele, e ele caiu no chão, balançando a cabeça se sentindo incomodado.
Dominicky desceu no chão e começou a se afastar. Louis havia ficado nervoso, muito nervoso! Ele saiu correndo de onde estava, e foi para cima dela, e com uma única patada arranhou seu pescoço com cortes um pouco profundos.
Dominicky retribuiu mais uma patada nele, e ele cambaleou para trás arranhando o focinho dela com os dentes. Dominicky foi para trás, e Louis deu uma investida de surpresa nela. Ele a empurrou pela barriga e agarrou uma de suas patas tentando estraçalhá-la.
Dominicky estava sentindo muita dor, já não tinha mais forças para lutar. Louis ainda dava patadas e investidas nela, sempre a machucando mais e mais. Até que Dominicky caiu no chão, se transformando de volta em humana.
Louis se transformou em um humano também, e se abaixou ao lado dela. Colocou a mão no rosto dela, cutucando seus machucados, enquanto ela soltava gemido de dor.
— Admito que você seja forte... Mas não o bastante para mim. – ele se aproximou do ouvido dela – Eu irei te matar aos poucos Dominicky!
As lagrimas escorriam com intensidade dos olhos dela, não só de dor, mas de raiva por tudo o que ele falava também.
— Não chore princesa,você ainda não viu nada do que sou capaz de fazer com você
Louis se levantou e foi embora, deixando Dominicky ali. Ela estava nua e sentia frio. Tentou se levantar, mas não conseguiu, caiu novamente. Ela não teve escolha a não ser ficar ali, sua visão ficava cada vez mais turva e escura. A única coisa que podia fazer era esperar que alguém a achasse. E se achasse não é?!
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