Na manhã de terça-feira Dominicky fez sua típica rotina, foi para a escola, deu a boa notícia para suas amigas que riram se empolgaram e choraram com ela. Também prometeram passar em sua casa para se despedirem antes de Dominicky ir embora.

À tarde depois do colégio ela terminou de arrumar suas coisas, em principal seus pertences pessoais.

Começara a ficar ansiosa para viajar, e quando era oito horas da noite já estava na cama, a fim de levantar bem cedo, não queria perder um minuto se quer antes de ir para o aeroporto.

—--------------x---------------

Como fora decidido na noite anterior, Dominicky acordou bem cedinho, queria se alongar e aproveitar o dia o máximo possível.

Eram seis da manhã e sol brilhava bem forte no azul do céu. Dominicky estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo, usava uma calça de moletom preta e uma regata branca, e um tênis de corrida nos pés.

— Tia eu vou dar uma corrida. – Dominicky encontrou a tia na cozinha.

— Você não sai de casa antes de comer alguma coisa. – Val falou firme.

Dominicky revirou os olhos, mas não quis discutir com a tia. Puxou uma cadeira e se sentou. Pegou uma torrada e encheu um copo de suco de laranja.

— Você não vai para o colégio? Não vai avisar suas amigas que está indo viajar hoje?

— Tirei o dia para aproveitar um pouco antes de viajar. Elas já estão sabendo, vão passar aqui mais tarde para se despedirem.

— Tudo bem. – Val deu de ombros e voltou a tomar seu café da manhã em silêncio.

Dominicky sorriu e engoliu aquilo que chamou de café da manhã e saiu correndo de casa antes que sua tia fizesse mais alguma pergunta.

Logo que saiu de casa, um sol forte e quente bateu em seu rosto quase a cegando. Já na rua ela seguiu até o final da rua e pegou uma estradinha de terra que dava na direção de um parque com uma pista de corrida.

Dominicky colocou o fone de ouvido, e ligou a música no celular no último volume para ficar bem relaxada. Ao pisar na pista ela se alongou um pouco e depois começou a trotar. Ela tentava se concentrar para não sair do ritmo e acabar caindo ou coisa pior.

Dominicky escutava Wonderwall-Oasise se distraía cada vez mais. Ao passar ao lado de um parquinho, ela olhou ao redor e alguns palhaços tentavam entreter as crianças e algumas pessoas que passavam ao lado deles.

Dominicky ficou tão interessada que já não era mais a música que a distraía para ela não perder o foco, e sim os palhaços que a fazia com que olhasse para trás quase quebrando o pescoço. Ela já não prestava mais atenção por onde andava então ela tropeçou em uma pedra e foi direto de cara no chão.

Dominicky se assustou e fechou os olhos com força, mas não sentiu seu corpo bater contra a terra, e então confusa ela abriu os olhos. Seu corpo estava inclinado e alguém a segurava pelo braço.

A pessoa a puxou para cima agarrando sua cintura, e depois a soltando para que pudesse se equilibrar. Dominicky se virou e deu de cara com Lucas, que tinha as feições tomadas de preocupação. Ela puxou o fone do ouvido e ele disse:

— Agora toda vez que nos encontrarmos vou ter que te salvar?! – ele deu um sorriso travesso.

— Se não quiser da próxima vez deixe com que eu caia. – ela não havia reparado no sorriso, estava um pouco nervosa.

— Não precisa ser ignorante Nicky, eu estava brincando! – ele a repreendeu.

Dominicky analisou o rosto dele com certo desdém, pois não gostava desses tipos de brincadeiras. Se ela retrucasse além de estragar seu dia ela iria arrumar confusão à toa. Ela abaixou a cabeça e soltou a respiração, e tentou fazer com que estivesse se sentindo culpada.

— Desculpe-me ainda estou em choque.

— Tudo bem... – ele deu um sorriso compreensivo – Você está bem?

— Estou. – ela sorriu com a respiração um pouco acelerada – O que você está fazendo aqui?

— Sempre faço caminhada aqui de manhã. – isso explicava um pouco do corpo físico – Acabei de chegar, te vi e quando fui te chamar você tropeçou.

— Aconteceu tudo tão rápido... – ela pressionou uma das mãos na testa.

— Você só estava distraída.

— É eu percebi! – ela voltou a encarar os palhaços e balançou a cabeça, queria esquecê-los por um bom tempo.

— Vamos continuar juntos? – Lucas propôs.

— Vamos. – ela deu um sorriso amarelo.

Dominicky começou a correr novamente, e Lucas começou a acompanhá-la. Às vezes ela o deixava para trás, mas quando percebia diminuía as trotadas até estar ao lado dele novamente.

Dominicky ficou atenta de repente, parou de correr e olhou para o lado sentindo que alguma coisa a observava, ela respirou fundo o ar e sentiu um cheiro diferente nele, vindo da direção de uma mata que tinha ali do lado. Ela não sabia do que exatamente era o cheiro, mas identificou espalhado pelo ar cheiro de ferrugem e podridão, para ela chegava até ser insuportável.

— O que foi? – Lucas parou notando o modo estranho com que Dominicky agia.

Dominicky balançou a cabeça e fez menção a continuar correndo, mas o cheiro estava muito forte para o seu olfato, e novamente ela sentiu estar sendo observada.

Podia ser coisa da sua cabeça, ela podia estar ficando louca por causa de tudo o que estava passando, mas isso não a impediu. Ela saiu correndo em direção a mata, não se importou se Lucas estava ou não atrás dela. Ela pulou a cerca que separava o parque da mata, e se enfiou dentro da mata.

Dominicky escutou Lucas chamando-a e pedindo para que ela o esperasse. Mas aquele cheiro que ela sentia era muito mais tentador, e mais do que qualquer outra coisa a deixava muito curiosa. Ela se aprofundou mais no meio da mata, e por fim descobriu o que era aquele cheiro.

Encostado em uma árvore havia um coelho morto, e a sua volta tinha sangue já seco, e era de onde estava vindo o cheiro de ferrugem e podridão. Dominicky se virou e chutou as folhas a sua volta, estava decepcionada. Olhou a sua volta e não tinha nada ameaçador ali, apenas árvores de todos os tamanhos e tipos. Ela estava começando a se convencer de que estava ficando louca.

Dominicky ouviu um ruído vindo em sua direção, e sentiu o cheiro de humano, um humano conhecido e que parecia estar cansado demais para conseguir dar mais um passo sequer.

Dominicky se lembrou de que Lucas estava atrás dela, e que tinha fica para trás. Ela começou a voltar pelo mesmo caminho de que tinha feito, imaginando que poderia encontrá-lo pelo mesmo.

Lucas estava ajoelhado no chão, totalmente com falta de ar. Dominicky se ajoelhou ao seu lado e ergueu sua cabeça para o alto, sua pele estava super pálida, branca igual a uma folha de papel.

Dominicky olhou para os lados e avistou uma nascente de água que tinha ali do lado, ela foi para perto da nascente e pegou um pouco de água na mão, e com bastante cuidado pra água não vazar ela levou até Lucas para que ele bebesse. Ele conseguiu beber um pouco, mas ainda estava sem ar.

— Quer mais água? – ela perguntou.

Lucas balançou a cabeça não conseguindo nem falar direito. Dominicky resolveu carregá-lo em suas costas, ou pelo menos tentar. Ela o puxou e conseguiu encaixar o corpo dele em suas costas, ela o levou até a beira da nascente e ele se debruçou no pequeno barranco para poder beber da água.

— Toma cuidado para não secar a nascente! – ela falou brincando e tomando um pouco da água também.

— Caraca, você corre muito rápido! – a respiração dele ainda estava um pouco entrecortada – Quase morri tentando te acompanhar.

— Eu percebi. – ela sorriu envergonhada – Estamos muito longe do parque?

— Um pouco. – ele olhou ao redor – Como você conseguiu me carregar? – ele perguntou confuso.

— Eu acho que é mais uma coisa que eu consigo fazer. Você sabe que tenho uma força diferente da sua.

Os dois sorriram e de repente escutaram um barulho no meio da mata, Dominicky ficou atenta para saber o que estava causando o barulho.

— O que foi? – Lucas perguntou sem entender nada.

— Shhh... – Dominicky pediu silêncio.

Ela andou devagar até um pedaço da mata, avistou um coelho de longe e voltou para onde Lucas estava.

— Um coelho. Isso foi decepcionante. – Dominicky falou para Lucas.

— Você pensou mesmo que iria sair um lobo dali e lutar com você? – Lucas ficou indignado quando Dominicky balançou a cabeça positivamente – Você é uma louca!

— Claro que não! Mas um pouco de aventura e emoção não iria me fazer mal... – ela falou pensativa.

Lucas deu risada e se levantou para tentar localizar onde eles estavam.

— Eu não estou conseguindo me localizar, você sabe onde estamos?

— Não faço idéia, mas posso farejar o caminho de volta.

— É uma boa idéia.

— Vamos andar então até eu achar a pista de cooper novamente.

— OK.

Eles começaram a andar e se enfiaram no meio da mata para tentar encontrar o caminho de volta. Dominicky sabia que o parque estava muito longe, e que demorariam muito para chegar.

— Lucas nós estamos muito longe, se formos andando vamos demorar muito.

— E o que você tem em mente? – ele perguntou curioso.

— Sobe nas minhas costas. – Dominicky mordeu o lábio inferior já sabendo qual seria a reação de Lucas.

— Claro que não! Você não vai me agüentar.

— Ah, fala sério! Sobe logo, não é só por mim, por você também. Sei que você está cansado.

— Nicky eu sou mais alto que você, peso mais, você não vai conseguir.

— Esqueceu que sou um lobo?! – Dominicky deu um sorriso desafiador para ele – Se continuarmos andando não chegaremos nunca na pista.

— Tudo bem. – ele concordou, mas ainda não estava convencido – Mas não venha reclamar depois! – ele apontou o dedo para ela.

— Então sobe logo!

No momento em que Lucas subiu nas costas de Dominicky, ela pegou impulso e saiu em disparada. Ela não conseguia nem sentir o peso de Lucas em suas costas, para ela, ele era leve igual a uma pena.

Alguns segundos depois ela avistou a cerca que separava a mata da pista de cooper, e parou um pouco antes de chegar nela, para que ninguém a visse.

— Chegamos. – a voz dela estava um pouco entrecortada.

— Você está cansada não é?!

— Só um pouquinho. – ela puxou o ar tentando recuperar um pouco do fôlego.

Lucas começou a encará-la com certa curiosidade, e depois sua expressão passou para certo interesse, que fez Dominicky rir sem entender nada.

— Ser um lobo deve ser genial não é?! – ele falou sorrindo – O que você acha?

— Depende do seu ponto de vista. Por enquanto estou tendo mais pontos negativos do que positivos.

Eles continuaram a andar em silêncio até chegar rente a cerca. Eles pularam a cerca e tiveram que andar um pouco mais até chegarem cada um em sua casa. Com o tempo Dominicky foi se sentindo cansada, ela realmente tinha corrido muito, e os efeitos só estavam aparecendo agora.

Ela sabia que não era acostumada em pegar pesado, e por isso poderia passar mal. Sua visão começou a ficar embaçada, seu corpo começou a ficar trêmulo e mole. Ela parou e colocou a mão na cabeça e suspirou bem fundo.

— O que você tem? Está super pálida. – Lucas parou ao lado dela e segurou seu braço.

— Não sei. Bateu um cansaço repentino, só estou um pouco zonza.

— Você comeu algo antes de sair da sua casa?

— Comi uma torrada e tomei um copo de suco.

— Ninguém é feito de ferro né Nicky, isso não sustenta nem criança.

— Eu não pensei que fosse ficar tanto tempo fora de casa. – ela fechou os olhos e respirou devagar.

— Se apóia em mim que eu te ajudo a andar. – Lucas ofereceu apoio para ela.

— Só tem um problema, não estou nem conseguindo mover minhas pernas.

— Que legal, vou poder retribuir o favor que você fez por mim. Consegue subir nas minhas costas?

— Acho que sim.

Lucas se abaixou de costas na frente de Dominicky, e ela segurou firme em seus ombros dando um pequeno impulso. Lucas agarrou as dobras das pernas dela e a puxou mais para cima. Ela cruzou as pernas em volta da cintura dele e encostou a cabeça em seu ombro.

Ele andava normalmente e a cada meio metro perguntava se ela estava bem.

— Você vai ficar cansado. – ela falou baixinho com a voz sonolenta.

— Não tem problema, nós já estamos chegando.

Dominicky sorriu com os lábios, e fechou os olhos. Ela cochilou até chegar à sua casa, e se assustou com o barulho do portão se abrindo. Val não estava em casa, então Lucas levou Dominicky para dentro e foi para a cozinha preparar algo para ela comer.

Os dois comeram sanduíche e tomaram suco de abacaxi.

— Quer subir um pouco? – Dominicky perguntou antes de tomar seu último gole do suco.

— Mas não vou demorar muito.

— Tudo bem. – ela sorriu.

Eles subiram para o quarto dela e Lucas se deitou na cama, e começou a mexer em algumas pelúcias que estavam espalhadas por ela.

— Você está animada para ir para Roma?

— Muito! – Dominicky falou empolgada – Eu sei que Catarina disse que eu não estou indo a passeio nem nada, mas não vejo a hora de poder abraçar o Pether!

— Me poupe dos detalhes! – Lucas revirou os olhos e depois sorriu – Posso te contar uma coisa?

— Claro que pode Lu. – Dominicky olhou curiosa para ele.

— Eu gostaria de ser um lobo, igual a você. – um sorriso distraído estava estampado no rosto dele.

— Não diga isso nem de brincadeira!

— Por quê? – ele perguntou na inocência.

— É loucura você pensar em ser isso. Pois está vendo pelo que estou passando, amanhã ou depois eu posso estar morta.

— Uma hora isso tudo vai acabar. E você não vai morrer! – ele falou sério – Sei lá, eu só gostaria de saber, nem que fosse só por um minuto.

Dominicky ficou olhando incrédula para a cara de Lucas, ela não sabia o que dizer. Ele querer ir junto para Roma já era um erro, e ela iria se dedicar plenamente para poder protegê-lo, ainda mais depois desse pensamento louco que ele estava tendo. E então ela desviou o olhar e ficou um pouco em silêncio.

Ela suspirou fundo e resolveu mudar de assunto, para não discutir e acabar ficando estressada.

— Lucas, você acha que vou conseguir derrotar o Louis? – ela ficou esperando por uma resposta, mas não obteve a mesma – Lucas?!

Ela olhou para sua cama e Lucas dormia tranquilamente, feito um bebê. Ela resolveu deixá-lo descansar, ele deveria estar cansado depois de ajudá-la, coitadinho dele.

Dominicky ligou para a mãe de Lucas, e pediu para que ela levasse as malas dele para sua casa.

Dominicky não queria acordá-lo e depois ele poderia tomar banho e se arrumar ali mesmo. Ela saiu do quarto em silêncio, fechou a porta do quarto e desceu as escadas até a sala.

Não deu nem tempo de Dominicky se sentar no sofá, pois a campainha tocou, e ela teve que sair de casa para ver quem era. Ao sair ela viu a mãe de Lucas parada no portão, Dominicky achou que ela fosse demorar um pouco.

— Eu trouxe as malas do Lucas. – ela falou sorrindo quando viu Dominicky indo a sua direção.

— Pode deixar que eu as pego. – Dominicky retribuiu o sorriso.

— Mas estão pesadas... – ela arregalou os olhos – Você agüenta levar?

— Agüento sim!

Dominicky tirou as malas de dentro do carro fingindo um pouco de dificuldade para carregá-las, para depois não ser bombardeada de perguntas. Ela colocou as malas no chão e esfregou as mãos na calça.

— E Lucas está bem? – a mãe dele esfregava uma mão na outra, parecia estar preocupada.

— Ele está bem. Neste mesmo momento está descansando um pouco. – Dominicky sorriu na intenção de acalmá-la.

De repente a mãe de Lucas abraçou Dominicky com força, o que fez a garota ficar surpreendida. Fez com que ela imaginasse como seria se estivesse sendo abraçada por sua mãe.

— Por favor, cuide bem dele. Ele é muito importante para a minha vida! – ela encostou a cabeça no ombro de Dominicky.

— Pode deixar D. Kátia, eu cuidarei muito bem dele. E isso é uma promessa!

— Obrigada! – ela se afastou e acariciou o rosto de Dominicky – Bom, é melhor eu ir, diga a ele que eu o amo muito!

— Eu direi! – Dominicky sorriu.

— Tchau então.

Kátia soltou o rosto de Dominicky que estava entre suas mãos. A boca da mulher tremia em um leve sorriso, e seus olhos se enchiam de lágrimas. Ela se afastou acanhada, entrou no carro e foi para o lado oposto de sua casa, talvez tivesse algo importante para fazer.

Dominicky pegou as malas do chão sem nenhum esforço, e dessa vez sem mudar a expressão de seu rosto para fingir alguma coisa. Ela entrou em casa e colocou as malas em um canto na sala.

Subiu as escadas para o seu quarto, para ver se Lucas já tinha acordado. Ela entrou no quarto e o observou todo encolhido na cama, parecendo uma criança desprotegida e com medo.

Dominicky se encostou ao batente da porta e cruzou os braços em frente ao corpo. Desviou os olhos para a janela e sorriu, ela não sabia por que, mas mesmo assim sorriu. Aliás, quem nunca sorriu sem motivo?

Bom, ela até tinha motivo, mas eram tantas lembranças boas que ela já não sabia qual escolher para poder sorrir, o jeito era sorrir por todas, todas que a fizeram feliz até agora.

Dominicky desviou os olhos para Lucas novamente, ele continuava encolhido, as franjas do cabelo loiro estavam grudadas na testa, seu cenho estava franzido como se estivesse preocupado. Ela se aproximou dele e puxou o lençol por cima do corpo dele, cobrindo-o até a metade.

Segundos depois o celular de Dominicky começou a tocar, ela o tirou do bolso da calça e tentou abafar o som com as mãos. Saiu do quarto e fechou a porta. Ela atendeu o celular e mal teve tempo de falar alguma coisa e já escutou do outro lado da linha:

— Nicky onde você está?! – a voz de Jess estava um pouco alta.

— Estou em casa ainda. – Dominicky respondeu confusa.

— Eu e a Maddy estaremos aí daqui cinco minutos.

— Tá bom.

Dominicky desligou o celular, guardou-o no bolso da calça e desceu as escadas até o hall de entrada. Foi até a cozinha e pegou um copo com água.

A campainha tocou, Dominicky largou o copo em cima da bancada e caminhou tranquilamente até a porta de entrada, pegou a chave que estava no chaveiro e saiu para abrir o portão.

Jess e Maddy entraram na casa e foram para a sala. Dominicky as seguiu e se jogou no sofá, encostando a cabeça no encosto fofo.

As duas amigas ficaram olhando para ela, de cima a baixo, esperando que ela falasse algo. Dominicky percebeu o silêncio e suspirou fundo.

— Me desculpem por não passar muito tempo com vocês esses dias. – ela passou a mão pelo rosto – É que foi tanta coisa para arrumar...

— Tudo bem Nicky, a gente entende. – Maddy sorriu e foi para o lado da amiga.

Jess chegou perto de Maddy e Dominicky e se jogou no colo das duas que estavam sentadas no sofá. Elas ficaram surpresas com a atitude de Jess, mas depois começaram a rir fazendo cócegas na garota de cabelos pretos e mechas azuis.

— Para, para! – ela gritou entre as gargalhadas.

— Shh... – Dominicky tampou a boca dela, pedindo para ela ficar em silêncio, e tentando segurar seu próprio riso – O Lucas está dormindo.

Uma olhou para a cara da outra, e tiveram outro ataque de risos. Cada uma tampou sua própria boca para não fazer barulho, enquanto tentavam se controlar. Maddy perguntou ainda entre risos:

— Que horas é o seu vôo?

— Às três e meia da tarde. – Dominicky parou de rir agora se preocupando com o horário – Que horas são, por favor?

— Ainda é meio dia e meio. – Maddy respondeu.

— Você promete que vai se cuida? – Jess segurou o rosto de Dominicky entre as mãos e o puxou para bem perto do dela.

— Claro que vou! – Dominicky olhava nos olhos da amiga, sorrindo para a mesma.

— Quero só ver! – Jess semicerrou os olhos e empurrou o rosto de Dominicky para longe.

Dominicky riu e empurrou Jess de seu colo, até ela cair no chão. Jess olhou para as duas davam risada dela e mostrou a língua.

— Eu amo tanto vocês! – Dominicky disse quase chorando – Obrigada por tudo!

Jesse se levantou e se sentou do outro lado de Dominicky. Ela e Maddy abraçaram Dominicky uma de cada lado. Ficaram um tempo abraçadas, e depois de enxugarem as lágrimas elas sorriram, jurando que uma jamais abandonaria a outra.

— Preciso ir embora. – Jess falou olhando o relógio – Você vem Maddy?

— Sim. – Maddy respondeu – Tenha uma ótima viagem minha amiga! – ela segurou nas mãos de Dominicky e depois deu um beijo em seu rosto.

— Obrigada! – os olhos de Dominicky começaram a encher de lágrimas novamente.

— E volta logo! – Jess ordenou para Dominicky.

— Vou fazer o possível. – ela respondeu sorrindo.

Elas se despediram mais uma vez, e depois que Maddy e Jess foram embora, Dominicky subiu para o quarto pegar suas coisas para se arrumar.

Ela abriu a porta do quarto devagar, e começou a pensar em que roupa usar. Por sim escolheu um top preto, uma regata branca mais soltinha, uma legging preta e levou tudo para o banheiro.

Ela tirou a roupa e a jogou em um canto do banheiro, entrou debaixo do chuveiro, lavou o cabelo, ensaboou o corpo e depois de tirar toda a espuma desligou o chuveiro. Se enxugou e colocou a roupa limpa. Ela deixou o cabelo molhado cair pelas costas e não se preocupou em secá-lo ou penteá-lo.

Ela voltou para o quarto, já estava na hora de acordar Lucas. Ela o cutucou umas duas vezes e ele acordou assustado, dando um pulo ficando sentado na cama.

— Estamos atrasados?! Por que você não me acordou antes?! – ele perguntou assustado e desesperado ao mesmo tempo.

— Relaxa... – ela passou a mão pelo rosto dele até chegar no queixo – Já pedi para sua mãe trazer suas malas aqui, ela mandou dizer que te ama, mas se eu fosse você ligaria para ela.

— Obrigado. Então posso me arrumar aqui? – ele se acalmou e se levantou da cama.

— Pode sim. Suas coisas estão lá embaixo. Vem que eu te mostro onde fica o banheiro. – ela o acompanhou até a porta do banheiro – Se precisar de algo é só chamar.

— Obrigado! – depois de ter ido até onde estavam suas malas, e escolher o que vestir, ele entrou no banheiro e fechou a porta.

Dominicky desceu as escadas até a cozinha, pegou uma fatia de melão que estava dentro da geladeira e começou a mordiscá-la. Ela estava indo para a sala quando deu de cara com Val e Catarina que estavam fechando a porta de entrada.

— Oi! – Val falou surpresa e olhou Dominicky de cima a baixo – Já está pronta?

— Já sim, só falta colocar um sapato.

— E não vai secar o cabelo? – Val perguntou, suas sobrancelhas estavam franzidas.

— Ah não, estou com preguiça! – Dominicky respondeu reclamando.

— Eu não acredito que acabei de escutar isso! – Val revirou os olhos.

Catarina olhava toda aquela cena, e dava risada de tudo aquilo.

— Querida acho melhor você ir colocar um sapato, por que vamos sair daqui a pouco, e ainda temos que passar na casa do Lucas para pegar ele. – Catarina falou.

— Ele já está aqui. – Dominicky respondeu distraída.

— Que bom. Menos uma coisa para me preocupar. Ele já veio pronto?

— Não, eu falei pra ele se arrumar aqui. Vou ver se ele já está pronto.

Dominicky terminou de comer sua fatia de melão, subiu as escadas parando na frente da porta do banheiro, ela bateu de leve na porta, mas ninguém respondeu. Ela abriu a porta e não tinha ninguém ali.

Ela foi para o seu quarto e a porta também estava fechada, ela bateu algumas vezes e como ninguém respondeu resolveu entrar. Lucas também não estava ali, mas seu cheiro estava espalhado por todo o quarto.

Ela caminhou até a janela, e olhou pelos vidros o lado de fora. Quando se virou seu coração quase saiu pela boca, Lucas estava parado atrás dela pronto para lhe assustar, e mesmo sem falar nada ele tinha conseguido.

— Você quase me matou do coração! – ela gritou com ele, dando um soco em seu braço – Você já está pronto?

— Estou sim. – ele falou entre risos.

Dominicky olhou zangada para ele, ele sorriu e foi para perto dela a abraçando.

— Não fique brava comigo, foi apenas uma brincadeira. – ele beijou o topo da cabeça dela – Quer ajuda para levar suas malas lá pra baixo?

— Depois do susto que você me deu é o mínimo que pode fazer!

Ele riu do jeito que ela o estava tratando e pegou as duas malas que estavam ao lado da cama. Dominicky pegou sua bagagem de mão e seguiu Lucas até o andar de baixo na sala.

Dominicky voltou para o quarto, colocou seu all star preto de cano médio, e quando voltou para a sala Val e Catarina carregaram uma mala cada uma, que deviam ser as de Lucas.

— Vamos então? – Catarina falou sorridente para os dois.

— Vamos! – Dominicky falou animada. Ela olhou para Lucas e ele assentiu.

A casa já estava toda trancada, e as malas também já estavam dentro do carro. Ao entrar no carro Dominicky colocou os fones no ouvido, pois já sabia que iam demorar um pouco para chegar ao aeroporto.

Ao chegarem lá, Val conseguiu uma vaga no estacionamento. Dentro do aeroporto não tinha muita gente para embarque, e Dominicky estava nervosa. Ela só tinha viajado de avião uma única vez quando tinha três anos de idade, e não se lembrava de nada, nem de como tinha sido.

Ela suspirou fundo tentando se acalmar e colocar na cabeça que não deveria ser tão ruim assim. Alguns minutos depois seu vôo foi anunciado, e ela entrou em choque.

— Querida está na hora de você ir. Se cuida e tome muito cuidado está bem?

— Pode deixar tia! – Dominicky a abraçou bem forte, e lágrimas já escorriam por seu rosto.

— Tchau Nicky, nos vemos em breve. – Catarina disse.

— Tchau Cat. – Dominicky a abraçou forte também.

Dominicky se afastou de Val e de Catarina, olhou para Lucas e suspirou fundo novamente. Lucas deu um sorriso amarelo e segurou a mão dela, e então eles começaram a andar em direção do portão de embarque.

O estômago de Dominicky começou a revirar, e ela começou a soar frio, sua mão estava úmida e gelada. Ela apertou a mão de Lucas quando passaram pelo portão de embarque, e quase a esmagou quando chegaram ao avião.

— Uau, você está bem nervosa. Nunca viajou de avião?

— Uma vez quando eu tinha três anos, mas eu não me lembro de nada. – ela falou chorosa.

— Relaxa, o vôo é tranqüilo.

Lucas soltou a mão dela para poder entrar no avião, mas Dominicky a agarrou novamente fazendo-o parar e olhá-la confuso e pensativo.

— OK. Já entendi o recado, não vou soltar sua mão. – ele sorriu.

Dominicky sorriu agradecida e subiu as escadas do avião de mãos dadas com Lucas. Uma aeromoça os recebeu no interior dele, e lhes indicou as poltronas em que deveriam se sentar.

Eles se sentaram em uma fileira no fundo do avião. O estômago de Dominicky continuava enjoado, e sentia que a qualquer momento iria vomitar tudo que tinha comido e o medo que sentia também.

— Nicky. – Lucas a cutucou.

Ela apenas olhou para o lado e acenou com a cabeça para ele.

— Se você for vomitar me avisa que eu pego um saco pra vômitos para você ta?!

Dominicky apenas assentiu, e Lucas passou a mão no rosto dela, tirando o cabelo que grudava em sua testa e tampava seus olhos. Dominicky segurou a mão dele em seu rosto, a pressionou em sua bochecha e fechou os olhos no momento em que as turbinas do avião ligaram. O avião começou há tremer um pouco, e começou a decolar.

Depois de um tempo ela não sentia mais nada, apenas o barulho das pessoas conversando ao redor. Dominicky abriu os olhos e Lucas a observava com um sorriso no rosto.

— Viu, não é um bicho de sete cabeças!

— É, e eu estou... Voando! – ela se sentia impressionada com tudo aquilo.

Lucas riu, e beijou a mão dela.

— Você está mais tranqüila agora?!

— Estou sim. – ela sorriu.

Lucas assentiu e começou a afrouxar seus dedos que estavam entrelaçados nos dela. Ela apertou a mão dele novamente e o olhou intrigada.

— Mas por via das dúvidas, prefiro continuar assim. – ela ainda estava com o olhar um pouco assustado.

Lucas sorriu e balançou a cabeça e encostou-se à poltrona fechando os olhos. Dominicky também fechou os olhos e começou a cantarolar uma música qualquer bem baixinho. Ela começou a ficar inquieta, parou de cantarolar e olhou na direção de Lucas.

— Lucas. – ela o cutucou – Obrigada pela sua companhia.

— Que isso Nicky, companheirismo é o que não falta em mim.

— Obrigada!

Lucas sorriu e bateu com o dedo na ponta do nariz dela, ela se encolheu sorrindo e voltou a fechar os olhos, viajando e voando com seus pensamentos.

Notas finais
Espero que tenham gostado!