O uivo de uma paixão: Escolhas do coração
13 Don't Cry - Guns N' Roses
Notas iniciais
Roma 19:30hs
Ele estava inquieto, andava de um lado para o outro. Seus passos eram duros e pesados, chegava a fazer barulho no chão. O semblante pensativo deixava Tom intrigado com toda aquela cena.
— Pether por que você está tão inquieto? – ele perguntou preocupado.
— Eu acabei de receber uma ligação de Catarina. A Nicky acabou de entrar no avião. – Pether parou para responder o pai, e depois voltou a andar de um lado para o outro.
— Que ótima noticia! – Tom falou animado – E qual é a escala do vôo dela?
— Não tem pai. Ela pegou um vôo direto, o que significa que ela chegará amanhã no raiar do dia.
— E por que você está tão nervoso? – Tom perguntou confuso.
Pether parou de andar, respirou fundo e se jogou em uma poltrona que tinha na sala.
— No começo eu só estava pensando em mim. Em enganar a Dominicky para me tornar líder da alcatéia. Eu não sei como iria fazer isso, pois não sou tão importante assim. Mas era o meu objetivo.
— Você ia mesmo fazer isso?! – Tom falou incrédulo e continuou sua fala furioso – Eu não acredito que meu filho iria me envergonhar de tal maneira!
— Me deixa terminar de falar. – Pether abaixou a cabeça entristecido – Eu percebi que esse plano era estúpido e egoísta, quando eu a vi. Quando eu a pegava me olhando, ou quando nossos olhares se cruzavam por acaso, os olhos dela brilhavam e sorriam para mim. E depois que nós nos beijamos então... Ahh então tudo mudou. – Pether estava com um sorriso bobo na cara.
— Então você desistiu desse plano idiota? – Tom parecia confuso e não conseguia entender o filho.
— Eu desisti pai. Desisti de tudo. – o olhar de Pether voltara a se entristecer – Eu não teria mais coragem de fazer qualquer coisa para magoá-la, eu... Eu me apaixonei!
Tom olhou espantado para o filho ao ouvir tais palavras. Mas começou a sorrir com todo o drama que o filho fazia.
— Por que então você está nervoso meu filho? Pois eu acho que ela gosta muito de você!
— Ela é uma alfa, quando descobrir o que tem em mãos não vai querer saber de um ninguém igual a mim!
— Eu acho que você está se precipitando com esse pensamento...
— Mas é a verdade pai! – ele gritou – Quando eu for buscá-la amanhã... Argh eu estou tão confuso! – ele deu um soco na parede.
— Meu filho, só tome cuidado para não magoá-la. – Tom segurou forte o ombro do rapaz.
Pether olhou nos olhos do pai, buscando alguma saída. Mas a única coisa que conseguia era ficar mais confuso, e não conseguia entender o porquê daquela paranóia.
— Apenas me deixa em paz... Eu preciso pensar.
Tom balançou a cabeça e olhou com pena para o filho, mas saiu da sala sem falar nada.
Pether se esparramou na poltrona, os olhos estavam cheios de lágrimas. Ele não havia se esquecido dos momentos que tinha passado com ela no Brasil. Mas será que depois que ela conhecesse tudo aquilo ela continuaria a gostar dele? Mas ele estava prestes a escolher a pior decisão do mundo. Ele passou a mão nos olhos para secar as lágrimas e repetiu o que tinha acabado de falar para o pai.
— Ela nunca vai querer um ninguém como eu. – e então ele se afundou em seus pensamentos.
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Dominicky estava inquieta, não sabia que horas eram, e muito menos sabia dizer se aquela poltrona que estava sentada realmente era desconfortável, ou só aparentava ser desconfortável. Dominicky estava muito ansiosa e nervosa.
Suas costas doíam, seu pescoço doía, tudo doía. Fora a dor de cabeça terrível que ela estava sentindo. Ela virou a cabeça para o lado, na direção de Lucas e o pegou observando o céu pela janela do avião, ela desviou o olhar para a janela observando também o céu que já estava escuro e estrelado, e depois desviou o, olhar novamente para Lucas.
Lucas estava com as sobrancelhas arqueadas, a mão estava apoiada no queixo e pensativo. Não enganava ninguém que falasse que ele estava preocupado com alguma coisa. Dominicky notou que ele acariciava seus dedos que estavam entrelaçados nos dele. Lucas deu um grande suspiro e desviou o olhar da janela, virando a cabeça para olhar Dominicky.
— Pensei que você estivesse dormindo.
— Estou muito ansiosa para conseguir dormir. – ela falou e torceu o pescoço para o lado – O que você tem?
— Eu só estou pensando na minha mãe. Ela é um pouco desastrada, e nunca ficou sozinha.
— Não fique assim. – Dominicky apertou a mão dele – Tenho certeza de que minha tia vai ajudá-la no que precisar.
Lucas não falou nada, suspirou fundo e deu um sorriso amarelo. Mas Dominicky já tinha notado as lágrimas no canto dos olhos dele, antes mesmo de ele os fechar e encostar a cabeça na poltrona.
Dominicky não o incomodou mais, ela encostou a cabeça na poltrona e começou a encher a cabeça de pensamentos. Até que começou a ficar entediada, não agüentava mais ficar sentada, reclamava para si mesma em pensamento como era demorado e chato viajar.
Ela ainda segurava a mão de Lucas, e sinceramente ainda estava com um pouco de medo de soltá-la, mas sua consciência lhe dizia que ela precisava muito ir ao banheiro, senão iria fazer xixi nas calças.
Dominicky precisava criar coragem, pois sua bexiga estava quase estourando. Ela soltou a mão de Lucas devagar e cuidadosamente, pois ele tinha acabado de conseguir dormir e ela não queria acordá-lo.
O banheiro ficava perto da poltrona deles, e ela rezava baixinho para que conseguisse chegar até ele. Ela se levantou lentamente e se apoiou nas outras poltronas até chegar ao banheiro, e tudo foi bem fácil, mais do que ela imaginava.
Ao voltar para sua poltrona, ela se sentou aliviada e pegou na mão de Lucas novamente, pois ainda se sentia um pouco insegura.
Dominicky aproveitou para tentar dormir um pouco, por mais que se sentisse desconfortável, se sentia muito mais cansada.
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Lucas despertou com a aeromoça anunciando o pouso do avião. Ele olhou para o lado e observou Dominicky dormir, e resolveu acordá-la só depois que o avião já estivesse em terra, o que seria em apenas alguns minutos.
Lucas cutucou Dominicky para que ela pudesse acordar e sussurrou em seu ouvido.
— Nicky, nós chegamos!
Dominicky se espreguiçou e passou as mãos nos olhos, sentia como se um caminhão tivesse passado por cima de seu corpo.
— Até que enfim! – ela resmungou – Que horas são?
— O horário daqui tem diferença de quatro horas com o horário de Brasil, então agora são seis e cinqüenta da manhã.
— Pra mim ainda é madrugada! – ela bocejou – Não consegui descansar muito.
Lucas sorriu com o comentário dela e se levantou da sua poltrona.
— Você sabe se alguém vem nos buscar?
— Eu não sei quem, mas acho que alguém deve vir.
Eles desembarcaram e entraram no terminal para poderem pegar suas bagagens.
— Onde será que é o banheiro... – Dominicky comentou.
Lucas olhou de um lado para o outro, e quando encontrou a plaquinha apontou a direção para Dominicky.
— Não demore! – ele avisou.
— Tá bem! Eu só quero escovar meus dentes.
Dominicky pegou sua bagagem de mão e andou em direção ao banheiro. Ela colocou a pequena mala em cima da pia, e prendeu seu cabelo em um coque frouxo.
Ela lavou o rosto, pegou sua escova e sua pasta, escovou bem os dentes e a língua, enxaguou a boca, guardou suas coisas e saiu do banheiro. Procurou Lucas pelo terminal e quando o avistou foi até ele.
— Já encontrou alguém que veio nos buscar? – ela perguntou.
— Ainda não. – ele respondeu.
Dominicky olhou para todos os lados para ver se reconhecia alguém, até que avistou Pether, e quando ele a viu acenou sutilmente. Ela se controlava para não sair correndo, lhe abraçar e lhe beijar, e não tirou o sorriso do rosto enquanto caminhava em sua direção.
Dominicky não conseguiu evitar, ao chegar perto de Pether ela se jogou contra o corpo dele, o abraçando, e forçou sua boca na dele para um beijo. Mas nada aconteceu, os lábios de Pether permaneceram duros e retos, e seus braços permaneceram caídos ao lado do corpo, seu olhar demonstrava o quanto se sentia incomodado com aquela situação.
Pether levantou os braços colocando suas mãos nos de Dominicky, a esperança passou por seu rosto, mas logo demonstrou surpresa. Pether segurava seus braços com força e a afastou do corpo dele. Ele permaneceu sério como se nada tivesse acontecido e então falou:
— Sejam bem vindos!
Dominicky o observou guardar as malas sem entender nada do que tinha acabado de acontecer. Sem entender aquela atitude fria e estranha.
Dominicky cruzou os braços na frente do corpo, e fechou a cara, tirando o sorriso do rosto. Ela ficou esperando com Lucas ao lado do carro enquanto Pether terminava de guardar as malas.
Pether fechou o porta malas e foi até a porta de passageiro, abriu e fez uma reverência para que Dominicky entrasse. Dominicky olhou para a cara dele, e o olhou com desdém, ela se virou e abriu a porta de trás, e a bateu com força quando entrou no carro.
— Eu não sei o que está acontecendo cara. Mas ela ficou puta com você! – Lucas deu um tapinha no ombro de Pether, e entrou no carro pela porta que Pether ainda mantinha aberta.
Pether mordeu o lábio sem saber o que fazer, suspirou fundo deu a volta no carro e entrou para poder levá-los a colônia. Dominicky ficou o caminho inteiro sem falar, e às vezes notava que Pether a observava pelo retrovisor. Quando isso acontecia ela erguia a cabeça e desviava os olhos fingindo estar olhando para outro lugar.
O carro foi estacionado em frente a um casarão antigo, com muitas janelas e uma porta grande de entrada. Sua aparência estava em ótimo estado, e pela sua estrutura enorme Lucas calculava quantas pessoas poderiam morar ali.
Dominicky abriu a porta do lado direito do carro, para que Pether não fizesse isso. Ela estava boquiaberta, o casarão era lindo e a deixava encantada.
— Vamos entrar, mostrarei o quarto de vocês. – Pether avisou já com as malas nas mãos.
Ele ainda estava tentando manter aquela pose arrogante, mas seu olhar começara a ficar triste, fazendo Dominicky notar que ele não estava gostando de tratá-la daquela maneira.
Eles entraram no casarão e por dentro ele era maior ainda. Dominicky ficou bestificada, para onde olhava tinha um corredor e do outro lado uma escadaria enorme, de degraus compridos e largos, forrados com um tapete de camurça azul.
Pether fez sinal para que os dois o acompanhasse, e então eles começaram a subir as escadas. No andar de cima havia mais uns quatro corredores, e eles seguiram o que estava bem em frente deles, um corredor bem comprido.
Pether abriu uma das várias portas que tinha no corredor que escondia um quarto bem espaçoso, com duas camas, um guarda roupa enorme e um banheiro.
— Este é o quarto de vocês. – Pether colocou as malas em um canto do quarto.
— Uau, ele é enorme! – Lucas falou olhando para todos os cantos do quarto.
— Pelo menos vou ter onde dormir! – Dominicky falou alegre.
— Bom, se precisarem de alguma coisa é só gritar, gente pra ajudar aqui é o que não falta. – Pether falou sorrindo, mas ficou sério de novo quando seu olhar cruzou o de Dominicky – Com licença.
Ele saiu rápido do quarto, Dominicky revirou os olhos e saiu atrás dele. Ela o alcançou e segurou seu braço com força, fazendo-o virar e encará-la.
— O que está acontecendo?! – ela o encarou séria.
— Nada. – ele respondeu e se virou para sair andando.
Dominicky agarrou o braço dele com mais força e o jogou contra a parede.
— Você está com um comportamento totalmente estranho, e diz que não está acontecendo nada?! – ela falou brava.
— Você é a líder, tenho que te tratar como tal.
— Você não está falando com uma criança. Eu sou uma alfa.
— Não tem tanta diferença de um líder.
— Por que você está me tratando assim? – ela o olhou com tristeza.
— Eu já disse... – ele passou a mão no rosto já impaciente.
— Não! – Dominicky gritou – Você está me tratando diferente! O que eu te fiz?
Dominicky se aproximou de Pether e colocou a mão em seu rosto. Ele desviou o rosto fazendo a mão dela atravessar o ar.
— O que foi que eu te fiz? – ela perguntou novamente.
— Não podemos ficar juntos. Como você disse: é uma alfa. – ele suspirou – E eu sou apenas um ômega, um ninguém.
— Não para mim! – Dominicky se aproximou novamente de Pether – Pra mim você é tudo!
— Você devia procurar alguém do seu nível...
— Cala a boca! Deixa de ser cabeça dura! – as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.
— O Arthur é um alfa, uma hora você irá conhecê-lo...
— Você está sendo um idiota!
— Me desculpe. – Pether ia se aproximar dela, mas parou e se virou — Vai ser melhor pra você. – e então ele saiu andando.
— Pether! – Dominicky gritou.
Dominicky ficou encarando as costas de Pether, para ela tudo isso tinha sido confuso, Pether falava nada com nada, parecia estar louco.
Mas na verdade ele não queria acreditar que Dominicky fosse realmente querer ele. Na cabeça dele era assim, e não tinha outra explicação.
Dominicky fez uma careta e balançou a cabeça. Depois de enxugar as lágrimas voltou para o quarto cabisbaixa.
Ao entrar no quarto ela empurrou a porta que bateu com força fazendo um grande barulho atrás de si.
Lucas percebeu que ela não estava bem e falou animado para ela:
— Este lugar é maravilhoso! O que você acha? – ele perguntou com um sorriso.
— É sim. – ela deu um sorriso amarelo, um sorriso triste.
— Você está triste com o Pether não é?! – o sorriso dele havia sumido.
Todas as cenas de como Pether havia a tratado, e tudo o que ele tinha falado começou a passar como um flash na cabeça de Dominicky, seus olhos começaram a encher de lágrimas e ela se virou de costas para Lucas.
— Eu não quero falar sobre isso Lu. – ela passou as mãos pelos cabelos e o prendeu em um coque frouxo.
— Tudo bem.
Dominicky pegou sua mala e a colocou em cima da cama. Ela abriu a mala e começou a tirar suas roupas de dentro, quando escutou Lucas bater as mãos uma na outra.
— Oh! O que é isso na minha mala?! – ele falou surpreso.
— O que? – Dominicky se virou curiosa e foi para o lado dele.
— Tem um urso encardido aqui dentro. – ele o pegou – Não sei como veio parar aqui.
Dominicky sorriu e pegou o urso das mãos do amigo.
— Ah, obrigada Lucas! – ela o abraçou.
— Não quero mais te ver triste OK?! – ele acariciou o cabelo dela e beijou o topo de sua cabeça.
— Só por que você está pedindo! – ela sorriu novamente.
O sorriso dela ainda não estava cem por cento, mas Lucas ficou feliz em ver que a tristeza não a consumia tanto quanto antes.
Ela beijou o rosto dele, e antes que voltasse a arrumar suas coisas ouviram leves batidas na porta.
Dominicky olhou apreensiva para Lucas, e ele afagou seu braço dizendo para ela ficar tranqüila. Andando até a porta dando de cara com uma garota baixinha e magra.
Os olhos dos dois se encontraram e Lucas a encarava como se estivesse enfeitiçado. A garota começou a ficar envergonhada do modo como Lucas a olhava, suas bochechas começavam a ficar enrubescidas e ela sorriu.
— Oi, eu sou a Anna. – sua voz era delicada.
Anna era pequena e magra, deveria ter quase a mesma idade que Dominicky. Sua pele era branca igual leite, com os lábios bem rosados naturalmente. Seu cabelo era tingido de vermelho em um tom cereja, seus olhos eram grandes e da cor de um favo de mel. Ela parecia uma boneca de porcelana, de tão linda, e dava a impressão de que ia quebrar de tão delicada que era. Lucas pela primeira vez piscou os olhos e apressou-se em se apresentar.
— Eu sou Lucas. – ele sorriu – E aquela é a Dominicky. – apontou para a garota que estava parada no meio do quarto.
— Oh! Então você é a Dominicky?! – Anna falou encantada e foi até Dominicky.
— Oi. – Dominicky respondeu encabulada.
— Você é tão linda! – Anna falou maravilhada.
Dominicky sorriu sem entender nada, e ficou imaginando que a garota poderia ser louca.
— Ai que cabeça a minha! – ela bateu com a palma da mão na cabeça – Eu sou irmã do Pether. – ela disse sorridente.
— Não sabia que Pether tinha irmã. – Dominicky falou confusa.
— Ah, eles não falaram de mim? – ela disse decepcionada.
Dominicky balançou a cabeça em negativa, e a menina voltou a sorrir.
— É um prazer conhecê-la. – ela sorriu e se virou para Lucas – Você também Lucas.
Lucas corou e desviou os olhos. Era a primeira vez que Dominicky o via assim.
— Você é muito bonita. Qual sua idade? – Dominicky perguntou.
— Aaah, obrigada!!! Eu tenho dezoito anos. – Anna sorriu.
Dominicky sorriu e depois desviou os olhos, preferia ficar quieta, não queria passar vergonha dizendo que a menina parecia ter quinze anos de idade.
— Então, vim convidá-los para conhecer a mansão. – Anna olhou de um para o outro.
— Eu topo! – Lucas falou animado – Você vem Nicky?
— Eu vou ficar, estou um pouco cansada...
— Ah vamos Nicky, depois podemos ir conhecer a cidade, vai ser legal! – Anna insistiu.
— Desculpa, mas fica pra outro dia. – Dominicky respondeu.
— Amanhã você mostra pra ela. – Lucas falou para Anna.
— Tudo bem. – Anna falou desanimada.
Dominicky mordeu o lábio, não queria ter deixado Anna daquele jeito. Mas ela mesma estava pior, se sentia cansada, e muito magoada.
— Você vai ficar bem sozinha? – Lucas segurou o ombro dela, despertando-a de seus pensamentos.
— Vou sim. – ela deu um pequeno sorriso.
— Então se cuida. – ele beijou a testa da amiga e saiu sorridente do quarto.
Dominicky se sentou na ponta de uma das camas e abaixou a cabeça entre as mãos. Ela suspirou fundo e voltou a pensar em Pether, e no modo em que ele havia a tratado. Tantas coisas se passavam pela cabeça dela, chegando até a imaginar que Pether já tinha uma namorada em Roma.
Dominicky balançou a cabeça com força e voltou a arrumar suas coisas. Ela terminou de tirar as roupas de dentro das malas e as guardou dentro do guarda roupa. Peça por peça e devagar, arrumando tudo muito bem, para que sobrasse especo para as roupas de Lucas também.
Ela pegou sua mala de mão e foi até o banheiro. Arrumou suas coisas em cima da pia e guardou algumas dentro da gaveta. O banheiro não era tão grande, mas era limpo e aconchegante. O piso do chão era branco e os azulejos da parede eram cor creme com desenhos de pequenas flores os enfeitando.
Dominicky demorou quase a manhã inteira para arrumar suas coisas e então resolveu tomar um banho para relaxar. Pegou uma calça de moletom cinza, uma camiseta de manga comprida rosa com uma estampa bem grande do Mickey na frente, e colocou sua pantufa de coelhinho ao lado da cama.
Ela entrou no banheiro e a primeira coisa que fez foi abrir o chuveiro para a água ir esquentando, odiava água gelada. Ela se sentou no vaso e tirou os tênis, colocando-os debaixo da pia, se despiu e amarrou o cabelo em um coque bem apertado.
A água do chuveiro estava bem quente, e o banheiro estava coberto de vapor. Dominicky estava com as mãos apoiadas na parede, e a cabeça abaixada. A água caía em sua nuca e escorria pelas suas costas, fazendo com que os músculos relaxassem. Ela ficou assim por um bom tempo, até sentir que suas costas começavam a arder por causa da temperatura muito quente.
Ela desligou o chuveiro e pegou uma toalha branca que estava pendurada em um gancho da parede. A toalha era grossa e macia, mas mesmo assim teve que passá-la com cuidado nas partes das costas que estavam sensíveis. Colocou sua roupa e abriu a porta do banheiro, deixando com que aquela fumaça do vapor a seguisse enquanto ela ia para a cama.
Dominicky se jogou de barriga em cima da cama e assim ficou por um tempo. Ela se lembrou da expressão de Pether no aeroporto, dos seus olhos frios e sem sentimento. Do modo como ele a rejeitou e falou com ela. Seu coração partia cada vez que se lembrava disso. Ela afundou a cara no travesseiro para não chorar e então ouviu batidas leves na porta. Ela ficou quieta sem se mexer, esperando que a pessoa fosse embora.
Novamente bateram na porta, só que mais alto. Dominicky se encolheu e virou de costas para a porta. A porta fez barulho quando alguém a abriu, mas Dominicky continuou sem se mexer.
Pether entrou e avistou Dominicky encolhida na cama, se aproximou e se sentou na beira atrás dela e a observou por um tempo. Beijou o topo da cabeça da garota e ficou surpreso quando ela virou a cabeça, pois achava que ela estava dormindo.
Dominicky fingiu dormir quando a pessoa se sentou na cama, mas quando lhe beijaram a cabeça, ela não agüentou de curiosidade e virou o rosto. Ficou surpresa quando viu que era Pether, seu olhar fixou no dele, e então ele se jogou por cima dela e a abraçou forte. Dominicky ficou confusa e sem reação, não conseguindo abraçá-lo também.
— Me desculpe por tudo o que te fiz passar hoje! – ele falou no ouvido dela.
Dominicky não se moveu, e quando Pether notou que ela não iria falar nada a soltou e se endireitou para fitar seu rosto. Ela o encarou pensativa, as sobrancelhas estavam arqueadas.
— Você não vai falar nada? – Pether falou constrangido.
Dominicky se sentou na cama e tombou a cabeça para o lado.
— Eu não sei o que falar depois do modo que você me tratou. – ela disse fria e séria.
— Eu estou aqui para me desculpar. Sei que me portei como um idiota. – ele abaixou a cabeça.
— E por quê?
— Você é uma alfa Nicky, vamos se dizer que você é uma pessoa muito importante no nosso meio. Já eu sou um ômega, não sou importante, apenas obedeço a ordens. Pensei que você não fosse me querer.
— Nunca passou isso pela minha cabeça! Aliás, foi você quem me rejeitou quando eu tentei te beijar.
— Eu me senti envergonhado, pois muitos lobos trabalham no aeroporto, e também sabiam quem era você. Eles viram quando você me beijou, e eu me envergonhei por que não tenho o que te oferecer.
— Amor e carinho já são o suficiente! – ele olhou assustado para ela – Você não precisa me tratar como uma alfa, por que eu te amo e isso pra mim já é o suficiente. Não sou alfa por que quero, e eu só estou aqui por que tenho assuntos sérios a resolver, e só! – ela falou séria – De quem eu gosto ou deixo de gostar é problema meu. Nenhuma coisa idiota vai mudar quem sou e os meus sentimentos!
— Então você me perdoa?! – os olhos de Pether começaram a brilhar de esperança.
— Eu estou cansada e com dor de cabeça. Preciso pensar... – ela virou o rosto para o lado.
— Tudo bem. – ele falou desapontado – A gente conversa outra hora.
Dominicky assentiu e então Pether saiu do quarto. Dominicky encostou a cabeça na cabeceira da cama, e deixou com que as lágrimas que ela segurava, agora escorressem pelo seu rosto. Ela enxugou as lágrimas e se levantou indo em direção a porta, para procurar Pether.
Antes de ela colocar a mão na maçaneta, a porta abriu e Lucas entrou dando de cara com ela. Ele trazia nas mãos duas sacolas e sorriu quando viu a amiga.
— Eu trouxe algumas coisas pra gente comer. – ele estendeu as sacolas na direção dela.
— Hum, e o que você trouxe de bom? – ela disse um pouco mais animada. Só agora percebia que estava com fome.
— Eu trouxe lanche natural, refrigerante, e uma barra de chocolate. – ele olhou envergonhado para Dominicky – Eu não sabia o que trazer então escolhi coisas simples.
— Está ótimo! Já dá pra matar a fome. – Dominicky sorriu e se sentou na cama.
Lucas se sentou ao lado dela e lhe entregou o lanche e uma coca-cola lata. Os dois comeram em silêncio, e jogaram as sobras dentro da sacola. Lucas amarrou a boca da sacola e falou:
— Depois eu levo isso para o lixo.
Ele começou a escolher algumas roupas da sua mala, e cantarolava alegre. Dominicky o encarou curiosa e deu um sorriso malicioso.
— Você vai sair? – sua voz estava cheia de malícia.
— Anna me convidou para ir a uma boate. – ele falou sem perceber o tom de Dominicky.
— Você vai ter um encontro?! – Dominicky pulou na cama dele e seguiu seus movimentos.
Lucas a encarou e ficou envergonhado.
— Não! – ele falou surpreso – Alguns amigos dela também vão...
— Ahh – Dominicky fitou seus joelhos e perguntou – Pether também vai?
— Não sei. – Lucas encarou a amiga e foi para perto dela, segurou seu queixo e levantou sua cabeça – Eu não acho que ele iria sem você. Ele seria um completo idiota se fizesse isso.
Dominicky curvou os lábios e começou a enrolar uma mecha do cabelo no dedo.
— A Anna é muito bonita não é?! – ela perguntou.
— Admito que ela tenha uma beleza única. – ele falou pensativo.
— E você se interessou por ela? – Dominicky perguntava curiosa.
Lucas corou novamente e ficou todo atrapalhado, e mudou de assunto, fugindo da pergunta de Dominicky.
— Posso usar seu shampoo? Eu me esqueci de trazer o meu.
— Fique a vontade. – Dominicky riu do jeito dele.
Lucas entrou no banheiro de cabeça baixa e fechou a porta. Dominicky voltou para sua cama e ainda ria.
Por um momento ela até tinha se esquecido de Pether. Mas depois lembrou de novo. Se ele não tivesse se comportado daquela maneira idiota os dois também poderiam estar indo para a boate.
Ela ficou um bom tempo deitada pensando naquilo, até que seus olhos começaram a pesar, e ela começou a ficar cansada. Estava quase cochilando quando a porta do banheiro se abriu e o vapor quente saiu, se espalhando e deixando o quarto um pouco abafado.
— Acordei você? – Lucas perguntou falando baixo.
— Não, eu estava só cochilando. Ainda preciso usar o banheiro.
— Eu não tenho hora pra voltar. – ele disse terminando de se arrumar.
— Só tente não fazer muito barulho. – ela se levantou e foi para o banheiro.
Ela escovou os dentes e voltou para a cama, puxando o lençol grosso até o pescoço.
— Eu vou indo. Fique bem! – ele beijou a testa dela e sorriu.
Dominicky dormiu rápido, entrando em um sono profundo.
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Dominicky acordou com um forte pancada na porta, ela se sentou assustada na cama e desenrolou o lençol do seu corpo. Ela se levantou sonolenta, imaginando quem poderia estar fazendo todo aquele barulho tão tarde.
Ao se aproximar da porta, uma nova pancada soou e Dominicky pulou para trás despertando totalmente de seu sono. Ela cambaleou até a porta e a abriu se deparando com Lucas apoiando os braços no pescoço de dois moços.
— Oi Nicky! – ele falou mole e um tanto alegre.
Lucas não conseguia ficar parado em pé, e cada vez que ameaçava cair no chão ele se dependurava nos dois moços usando-os como suporte, e eles levantavam Lucas para que ele não caísse.
— O que aconteceu com ele? – Dominicky olhou para os dois moços e depois voltou a observar Lucas que ria igual a um idiota.
— A Anna deu um drink para ele, e ele bebeu tanto que ficou mais feliz do que o normal. – um dos moços falou. Ele era alto, bem magro, mas forte. Tinha os olhos castanho escuro e seu cabelo era loiro escuro.
— Nicky, você é tão sexy! – Lucas se aproximou.
Dominicky se afastou o que fez com que Lucas se inclinasse demais e caísse de cara no chão. Dominicky segurou o riso quando Lucas se virou de barriga para cima e começou a rir alto.
Os dois moços ajudaram Lucas a se levantar e o arrastaram até sua cama, onde ele se jogou e entrou num sono profundo no exato momento.
— Então você é a Dominicky. – um dos moços se virou afirmando o que já sabia e Dominicky assentiu com a cabeça.
Os olhos dela se encontraram com os olhos azuis escuro do rapaz, ela analisou cada parte do corpo dele, os ombros largos, os braços fortes, e as pernas bem torneadas. Ela olhou o corpo definido de cima a baixo, e corou quando percebeu que ele a analisava da mesma maneira e com um sorriso largo e bonito no rosto.
— Eu sou o Arthur. – ele passou a mão pelos cabelos molhados de suor – Ele é Júlio.
— Encantada... Quer dizer, prazer em conhecê-los. – Dominicky ficou envergonhada.
Arthur riu da expressão dela, e ela tinha que admitir que ele fosse muito bonito, talvez mais do que Pether. Ela balançou a cabeça tentando tirar o pensamento estúpido dela, pois ele com certeza era o alfa de quem Pether havia falado.
— Pether falou de você para mim. Você também é um alfa não é?!
— Não mais... – ele falou sério, mudando sua expressão divertida para pensativa.
— Um alfa nunca deixa de ser um alfa Arthur. – Júlio falou rindo.
— Eu sirvo a está colônia como qualquer um. – ele disse incomodado, e acrescentou – E ela já tem uma alfa.
Dominicky o encarou com os olhos arregalados, quando ele olhou friamente para Júlio. Ela desviou os olhos de canto, e Arthur a encarou com um sorriso nos lábios, mas não o sorriso largo que ele havia mostrado antes.
— Iremos deixá-la descansar agora. Tenha uma boa noite.
Os dois rapazes fizeram uma reverência a ela e seguiram em direção a porta saindo do quarto e a fechando.
Dominicky encostou-se à porta aliviada. Era muita coisa acontecendo em um único dia. Agora ela sabia que iria poder deitar em sua cama e dormir tranquilamente, sem nada para acordá-la ou então perturbá-la.
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A claridade entrava no quarto pela janela. Dominicky se virou de lado um pouco sonolenta e escutou o canto dos pássaros que ultrapassava a janela. Ela abriu um pouco os olhos e a claridade incomodou um pouco, depois de abri-los totalmente ela reparou que já era dia, e reparou também que Lucas não estava na cama ao lado.
Ela se sentou na cama e ergueu os braços a cima da cabeça para se espreguiçar. Ela se levantou, foi para o banheiro, escovou os dentes, penteou o cabelo e trocou de roupa.
Roma estava na época da primavera, as árvores carregavam grandes cachos de flores, e as ruas se enfeitavam com as pétalas coloridas que caíam. Dominicky parou na frente da janela recebendo o calor do sol em seus braços. Ela vestia uma blusinha preta de alça, um shorts jeans branco e o tênis all star no pé.
Dominicky saiu do quarto e seguiu o grande corredor até chegar à escadaria. Ela desceu a escada devagar, sentindo em sua mão a textura da maneira do corre mão. Ela chegou à base da escada e seguiu o lado esquerdo do lugar, e entrou na primeira porta aberta que encontrou.
A cozinha não era muito grande e cheirava a bolo, que deveria significar que algum tinha acabado de sair do forno. A barriga de Dominicky roncou, ela colocou a mão em cima do estômago e avistou o bolo em cima da mesa. Na verdade o bolo foi o foco dela, mas também tinha pães, frutas e suco.
Dominicky olhou para os lados e pegou um pedaço do bolo, fechando os olhos ela saboreou o bolo de fubá fofinho.
— Você é igualzinha ao seu pai, levantava tarde e depois vinha para a cozinha comer.
Dominicky se virou assustada e se deparou com uma mulher de cabelos grisalhos, os olhos eram pequenos, castanhos e brilhantes, os lábios finos se curvavam em um sorriso. O corpo era pequeno tanto quanto a altura, a mulher aparentava ter um cinqüenta anos.
— Me desculpe ir entrando assim na cozinha.
— Não tem que se desculpar. Afinal é uma cozinha, todos entram nela. – a mulher sorriu.
— Aqui não tem uma sala de refeições? Um lugar tão grande deveria...
— É claro que temos, mas cada um acorda em um horário, ou vai cada um para um lado. É mais fácil passarem por aqui, e comer aqui mesmo. – ela começou a arrumar as coisas em cima da mesa – A sala de jantar só é usada para ocasiões especiais.
— Ah sim. – Dominicky sorriu – A senhora também é um lobo?
— Oh não, apenas cuido da cozinha. Há tempos a minha família trabalha para a sua. Meu nome é Julieta.
— Prazer em conhecê-la, eu sou a Dominicky.
— Eu sei querida. – Julieta respondeu com um sorriso, e fez uma reverência para a garota – Preciso sair para fazer compras, foi bom te conhecer.
Dominicky curvou os lábios em um simples sorriso. Ela terminou de comer o bolo, e notou que o relógio da cozinha já marcava onze e quarenta. Ela resolveu não comer mais nada, esperaria até que ficasse com fome novamente para poder almoçar.
Ela saiu da cozinha e seguiu por um grande corredor, passou em frente a uma porta que estava aberta, e por uma rápida olhada avistou Tom sentado atrás de uma escrivaninha. Ele examinava alguns papéis e parecia estar concentrado no que fazia, mas Dominicky achou importante falar com ele, então andou até a mesa.
— Olá Tom. – ela falou com um sorriso estampado na cara.
Tom levantou os olhos do papel que segurava na mão, e fitou a garota que estava parada do outro lado da mesa. Ele se levantou da cadeira, fez uma reverência e ao se endireitar sorriu para Dominicky.
— Olá Dominicky. Como você está? Dormiu bem?
— Estou bem.
— Desculpe não ter ido falar com você ontem, mas eu estava cheio de coisas para resolver. Você chegou bem?
— Sim. – ela respondeu desconfortável e desviou os olhos para o canto.
— Não se preocupe, já estou sabendo do que aconteceu ontem.
Dominicky relaxou os ombros, passou as mãos pelo cabelo e o torceu.
— Ele estava chateado e veio conversar comigo. Sei das coisas que ele te falou, e pelo que conheço meu filho ele deve estar muito arrependido. Ele tem medo de não ser grandes coisas para você.
— Então ele é um idiota por pensar assim. – ela murmurou.
— E eu concordo. – ele riu – Por que você não vai falar com ele? Vocês são jovens, tenho certeza de que irão se entender.
— Você sabe onde ele está?
— Deve estar no quarto dele. É só você seguir o corredor, tem uma placa com o nome dele na porta.
Dominicky agradeceu e saiu do escritório. Seguiu até o final do corredor e parou em frente à porta que seria do quarto de Pether. Além da placa com o nome dele, havia outra em baixo com a inscrição “não perturbe”.
Ela levantou a mão fechada até a porta e hesitou por um momento, suspirou fundo e bateu d eleve na porta. Pether a abriu e arregalou os olhos ao se deparar com Dominicky parada na sua frente.
— Eu vim falar com você. – ela balançou o corpo para frente e para trás.
Pether a observou mordendo o lábio inferior e sorriu com aquele gesto. Segurou os ombros dela e a puxou contra o seu corpo, abraçando-a tão forte que quase a esmagava.
— Me desculpe por tudo que falei ontem. – ele falou na orelha dela – Eu fui um idiota.
Dominicky sorriu ao escutar aquilo, e do modo desesperado que ele a abraçava. Ela se soltou do abraço dele e colocou as mãos em seu peito.
— Você realmente foi um idiota! Mas está arrependido... – ela falou.
— E muito! Não consegui nem dormir a noite – ele baixou o olhar – Não devia ter colocado aquelas besteiras na minha cabeça. E sinceramente fiquei com medo de que você conhecesse o Arthur.
Dominicky se sentiu culpada por ter conseguido dormir, e muito mais por ele não saber que ela já tinha conhecido Arthur, e ainda mais por tê-lo achado lindo.
— Fiquei chateada por você ter falado tudo o que falou. Eu não te trocaria nem pelo cara mais famoso do mundo.
Pether sorriu, segurou o rosto dela e pousou um beijo delicado em seus lábios, depois a abraçou novamente.
Dominicky se sentiu feliz com tudo aquilo. Aconchegou a cabeça no peito dele, e ouviu o coração bater aceleradamente.
— Agora que nos acertamos, e eu espero que sim. – ela riu com o comentário dele – Gostaria de te levar para um passeio.
— Você não vai sentir vergonha por estar com uma alfa? – ela falou brincalhona.
— Se você não liga pra isso, eu também não ligo. – ele sorriu e beijou a pontinha do nariz dela – Vou pegar minhas coisas e nós já vamos.
Dominicky sorriu e o esperou encostada na parede ao lado da porta. Quando ele voltou segurou a mão dela, entrelaçou os dedos nos dela e a puxou para saírem dali.
O salão da entrada principal estava vazio, o sol entrava pelas janelas iluminando todo o local. Pether abriu a porta para ela passar primeiro e a fechou depois que ele mesmo passou.
Lucas estava sentado em um banco de pedra junto de Anna, e sorriu quando viu Dominicky e Pether de mãos dadas. Quando Dominicky o viu, ela também sorriu e foi para perto dele.
— Como você está se sentindo? – ela perguntou para ele.
— Ainda estou com um pouco de dor de cabeça, mas estou bem. – as bochechas dele estavam ruborizadas – A gente conversa outra hora.
— Tudo bem. – ela riu – Então até mais tarde. Até mais tarde Anna.
— Até Nicky. – Anna sorriu e puxou a atenção de Lucas para uma conversa.
— Aonde nós vamos? – Dominicky perguntou curiosa para Pether.
— Surpresa. – ele deu um sorrisinho travesso.
Dominicky franziu o cenho e olhou para ele, ela balançou a cabeça e sorriu, sabia que não iria conseguir arrancar nenhuma informação dele. Se ela conhecesse algo dali, poderia até sugerir um local, mas como não conhecia nada não tinha como escolher um lugar para ir, e isso Pether já tinha feito também.
Eles contornaram o casarão e atravessaram um grande portão de ferro. O local era coberto e sem luz, havia várias vagas de carro, das quais muitas já estavam ocupadas. Pether puxou Dominicky até um Audi A4 preto e abriu a porta do passageiro para ela.
Ela agradeceu e entrou no carro, colocando o cinto logo depois que se sentou no banco. Pether contornou o carro e se sentou no banco atrás do volante. Ele saiu do estacionamento e dirigiu por uma estrada com pouco movimento, e mais para frente entrou em uma avenida bem movimentada.
Pether seguiu por outra rua que estava deserta também. Ele estacionou o carro em frente a um casarão muito maior que o que a colônia era. Na verdade o casarão parecia um palácio. Ele pegava um grande comprimento da rua, e era enorme de altura também.
O carro estava estacionado uns dois metros longe do portão, mas bem de frente com o casarão. Do lado, na calçada tinha uma árvore bem grande, que ultrapassava a altura do muro.
— E agora esperamos.
Dominicky arqueou a sobrancelha e olhou para a cara de Pether que tinha uma expressão determinada no rosto.
— Vamos esperar quanto? – ela perguntou.
— Até escurecer. – ele falou naturalmente.
Dominicky fitou o rosto dele, e depois para o relógio.
— Você ta falando sério?! Agora é meio dia, você quer que eu morra de fome?
Pether revirou os olhos impaciente, segurou o volante com firmeza.
— Tudo bem, eu te levo pra comer alguma coisa. – ele bateu a mão no volante conforme falava – Você come, nós voltamos para cá, observamos o movimento do casarão até escurecer, e depois eu te mostro a surpresa OK?!
— Isso tudo é muito estranho. – ela falou calmamente – Mas melhorou.
Ele deu um sorriso maroto para ela e depois deu a partida no carro. Pether não dirigia nem devagar e nem rápido, ele dirigia normalmente, uma coisa que Dominicky não conhecia. A felicidade resplandecia no rosto dele. Uma felicidade que ela também não conhecia.
Dominicky o encarou por um momento, a sensação de estar ao lado dele era ótima, poder falar com ele e também saber que ele gostava dela.
Ela desviou o olhar quando ele estacionou o carro ao lado de uma lanchonete. Ele saiu do carro e abriu a porta do passageiro para ela. Pether estava sendo muito cavalheiro com ela, e era uma das coisas que ela mais gostava nele.
A rua estava um pouco movimentada e algumas pessoas começaram a encarar os dois. Pether começou a ficar constrangido, mas se surpreendeu quando Dominicky jogou os braços ao redor do pescoço dele, e ficando nas pontas dos pés beijou a boca dele.
Ela afastou a boca da dele e sorriu. Pether encarou o sorriso dela e também sorriu. Ele agarrou a cintura dela e a puxou para o seu lado dando um beijo no topo da cabeça dela.
— Você é terrível! – ele falou rindo.
— Você não viu nada ainda. – ela olhou para ele e deu um sorriso travesso.
Eles entraram abraçados na lanchonete, e se sentaram em uma mesa ao lado de uma janela.
A lanchonete era simples, mas aconchegante. As mesas eram de madeira envernizada, e as cadeiras que também eram de madeira tinha estofamentos bem fofos e vermelhos. As paredes eram pintadas com um amarelo bem claro, e tinha quadros pendurados por toda parte.
Uma garçonete simpática vestida com um uniforme rosa e amarelo atendeu a mesa deles. Dominicky pediu um lanche natural de frango, uma porção de batata frita e uma coca-cola lata. Pether pediu um hambúrguer e uma soda.
— A comida daqui tem um sabor diferente. – Dominicky falou com a boca cheia.
— Diferente como? – Pether arqueou uma sobrancelha e sorriu.
— O sabor. Não que seja ruim. O tempero só é diferente. – ela deu de ombros e mordeu mais um pedaço do lanche.
Pether sorriu e balançou a cabeça. Ele encarou a garota que estava sentada na sua frente, e seu coração acelerou. Ele a achava linda, gostava do jeito dela, e adorava seu sorriso. Ele se considerava um cara de sorte.
Pether terminou de comer primeiro, e ajudou Dominicky a comer a batata. Ao terminarem Pether se levantou e foi pagar a conta.
Ele voltou e parou do lado da mesa onde Dominicky estava sentada.
— Vamos? – ele estendeu a mão para ela.
Dominicky segurou a mão dele com força e se levantou da cadeira. Ela estava animada para saber o que ele iria mostrar para ela.
Eles voltaram para frente do casarão e ele estacionou o carro no mesmo lugar que havia estacionado antes. Pether se virou para Dominicky para falar com ela, mas ficou tenso no momento. Ele olhou em direção do portão do casarão e puxou o braço de Dominicky para baixo fazendo com que o corpo dela se inclinasse para o lado.
— Se abaixe. – ele pediu.
Dominicky se abaixou o máximo para se esconder e o mínimo para poder enxergar quem havia deixado Pether tão tenso. Ele fechou os vidros do carro que eram bem escuros e deslizou o corpo para a ponta do banco para também se esconder.
Dominicky levantou o pescoço e olhou pelo vidro. Seus olhos se arregalaram quando ela viu Louis. Seu corpo ficou todo tenso, os pêlos se arrepiaram, ela se ajeitou no banco e aproximou a cabeça no vidro.
Louis estava acompanhado de duas garotas. Uma era loira os cabelos eram bem lisos, e ia até a altura dos ombros, ela era alta e muito magra, sua pele era muito branca e tinha olheiras embaixo dos olhos, deixando os olhos castanhos com aparência de sonolentos. Sua aparência toda era de doente, segurava o braço de Louis e seu sorriso era largo.
A outra garota aparentava ser mais nova, os cabelos eram bem pretos e encaracolados, sua pele era rosada e bem cuidada. Seu rosto era pequeno e na ponta do nariz fino era equilibrado um óculos, que davam brilhos aos seus olhos castanho escuro. Era magra e baixinha. Era bonita, mas embora um leve sorriso estivesse esboçado em seu rosto, seu olhar era de desânimo.
Pether os encarava de olhos semicerrados, e depois que eles passaram pelo carro e sumiram pelo quarteirão, Pether fez sinal para que Dominicky se endireitasse no banco.
— Quem eram elas? – Dominicky perguntou curiosa.
— São filhas dele.
— Louis tem filhas?! – ela perguntou espantada.
— Sim. Maureen tem vinte e seis anos, a mãe dela morreu no parto, e como nasceu prematura é muito doente. Já a Sophie tem dezessete anos, ela não é filha dele de sangue, mas está com ele desde os dois anos de idade, ele a pegou para criar depois que os pais morreram em um acidente de carro.
— E ela o considera como pai? – Dominicky perguntou incrédula. Como alguém poderia considerá-lo como pai?
— Ela já me disse que ele tem um lado gentil, apesar de tudo o que faz.
— Disse? – Dominicky o encarou com os olhos semicerrados, tentando esconder a pontinha de ciúmes que sentia ao ouvir aquilo.
Pether não percebeu o olhar de Dominicky. Os olhos dele estavam focados em alguma coisa, os nós de seus dedos estavam brancos de tão forte que segurava o volante.
— Sophie se encontrava comigo e alguns amigos às escondidas. Ela sempre foi uma garota muito doce, e nunca aceitou as coisas que o pai fazia como exemplos. – ele desviou o olhar para baixo e franziu o cenho – Louis descobriu e fez com que ela se afastasse de nós, além de obrigá-la a dizer que éramos burros por confiar nela quando contamos sobre a sua existência.
— Mas ela realmente foi uma traidora? – Dominicky começou a sentir raiva da garota que para ela tinha um ar inocente e verdadeiro.
— Alguns acham que sim, outros acham que não. Mas foi ela quem nos avisou que Louis estava indo atrás de você para matá-la. Ela não deu muitas informações, mas acreditamos, por que algumas semanas antes Catarina veio até aqui nos contar sobre a sua existência, e contou também que já tinham descoberto sobre você.
Dominicky olhou para as mãos que estavam em cima das pernas.
— É por isso que eu não acreditei quando Sophie disse que não era de confiança.
Dominicky mordeu os lábios sem saber o que falar. Tinha pena de Sophie por ter um pai desses, e mais pena ainda por saber que mesmo ele sendo um monstro Sophie o amava. Só não entendia o porquê de Sophie estar traindo o pai, e não lutando ao lado dele.
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