O uivo de uma paixão: Escolhas do coração

3 Zé Ramalho - Mistérios Da Meia-Noite


Notas iniciais
Boa leitura! (:

Depois do intervalo vieram as aulas chatas de sempre, que deixavam Dominicky entediada.

Dominicky rabiscava a capa do caderno distraída quando finalmente o sinal da hora da saída bateu e ela se assustou. Guardou suas coisas e ficou esperando as meninas na porta da sala.

Ao saírem do colégio Maddy começou a tagarelar como sempre.

— E aí Jéssica, pronta para se entupir de chocolate?! – Maddy fez uma careta e Jéssica começou a rir.

— Não exagera Maddy! – Dominicky revirou os olhos.

— Do jeito que você é, sim, nós vamos no entupir de chocolate.

Dominicky sorriu e deu um empurrão em Maddy. No meio do caminho todas estavam em silêncio. Dominicky pensava no que estava acontecendo com ela, até que Jéssica interrompeu o silêncio lhe perguntando.

— Nicky, o que está acontecendo com você?! – ela segurava a bolsa de ombro com força, olhando para Dominicky.

Dominicky suspirou fundo, não sabia o que dizer, nem ela mesma sabia o que estava acontecendo. Olhou para Jéssica e disse.

— Coisas estranhas Jéssica, que não sei como te explicar. Quando chegarmos na loja, Maddy te conta o que viu até agora. E você pode ajudá-la a pesquisar sobre o assunto.

Jéssica assentiu e ficou calada de repente. Faltava um quarteirão para chegarem na loja, e começou a falar novamente.

— Olha, vocês não precisam ficar me chamando de Jéssica, é estranho. Prefiro que me chamem de Jess.

— Tudo bem. – Dominicky disse – Combina mais com você! – uma sorriu para a outra.

Chegaram à frente da loja. Dominicky entrou na frente, e as meninas foram entrando atrás. Val tentava terminar de atender um cliente, um pouco atrapalhada.

— Oi tia! – Dominicky falou quando o cliente saiu.

— Oi! – ela falou afobada – Me saí bem com esse cliente?!

— É... Ainda precisa de alguns treinos. Mas não está nada mal.

Dominicky sorriu para a tia, e ela atribuiu o sorriso, colocando uma mecha do cabelo que se soltava do coque atrás da orelha. Então ela notou as duas meninas sorridentes paradas atrás de Dominicky.

— Olá meninas, o que as trazem aqui?!

— Então tia... A professora passou um trabalho para fazermos, e eu esqueci meu notebook aqui. Será que elas podem ficar para irem adiantando o trabalho?

— Eu acho que sim Nicky, contanto que não atrapalhem o seutrabalho!

— Ah, obrigada tia! – Dominicky a abraçou – Vamos meninas, vou mostrar o notebook lá no fundo pra vocês.

Elas foram para a dispensa, e Dominicky explicou tudo que Jess deveria saber para ajudar na pesquisa. Depois de tudo explicado Dominicky ligou o notebook para as duas poderem pesquisar e tentar achar algo.

— Qualquer coisa me chame.

Elas assentiram. Dominicky colocou o avental, amarrou o cabelo em um coque perfeito e foi para o balcão da loja. Enquanto Val limpava a frente da loja, e Dominicky atendia os clientes. Catarina havia deixado chocolates prontos, o suficiente até a hora que ela chegasse.

Quando Val terminou o que fazia, foi para o balcão para ajudar Dominicky, a loja estava muito cheia e Dominicky não conseguia dar conta de tudo sozinha.

— Querida já terminei de limpar as mesas!

Dominicky assustou quando a tia falou contigo. Ela chegou perto de Dominicky, e perguntou com um sorriso malicioso – Aquele seu paquera já passou por aqui?

— Ainda não. – ela falou desanimada – Normalmente ele passa aqui às três horas, e acho que ainda faltam uns quinze minutos para dar esse horário.

— Acho que hoje ele resolveu vir mais cedo! – Val acenou com a cabeça para a vitrine.

Dominicky olhou para trás, e pelo vidro conseguiu ver seu paquera, como Val dizia.

— Tia, você poderia ir para a cozinha?!

Val sorriu e deu uma piscadinha para Dominicky. Dominicky arrumou o avental em seu corpo e deu uma ajeitada no coque que estava se desfazendo. Começou a fingir que estava fazendo algo, e em segundos ouviu o sino da porta balançar e ele entrar. Sua cabeça estava abaixada, se sentia estranha, enjoada. O nervosismo tomava conta de si e embrulhava seu estômago.

— Olá... – ele falou, chamando sua atenção para poder olhá-lo.

Dominicky ergueu a cabeça e seus olhos esverdeados se encontraram com pequenos olhos castanhos claro.

— Boa tarde, posso ajudar? – ela falou envergonhada.

O olhar dele não saía de seu rosto, e sempre que ela olhava em sua direção, ele lhe retribuía um sorriso um tanto malicioso.

— Aquele chocolate é do que?

Ele apontou para uma prateleira onde havia vários cubinhos de chocolate com decoração.

— Chocolate ao leite trufado.

— Ótimo, quero duzentos gramas, por favor.

Dominicky assentiu e foi pesar o chocolate. Enquanto ela pesava, ele observava tudo o que ela fazia.

Quando terminou de embrulhar o chocolate, esticou seu braço para lhe entregar o pacote. Ele pegou em sua mão e ficou segurando-a por um momento. Até que ela soltou o pacote e sua mão escorregou pela dele, seu rosto começou a ferver e ela ruborizou, e abaixou a cabeça.

— É... – ele gaguejou também envergonhado – Aqueles bolinhos estão à venda?

Dominicky olhou para os bolinhos se distraindo, e os analisou por um momento.

— Oi? Estão à venda ou não?! – ele estalou os dedos na frente dela.

Dominicky balançou a cabeça saindo de seu transe.

— Ah, me desculpe... Eles estão à venda sim.

— Então, você aceita comer um comigo?

Dominicky olhou para o rosto dele, tentando processar o que ele havia acabado de falar. Balançou a cabeça novamente, e olhou para o avental.

— É claro... Se não for te atrapalhar.

Dominicky olhou a porta da cozinha e Val apareceu fazendo um sinal positivo. Dominicky a olhou feio por estar escutando sua conversa. Sua primeira conversa de verdade com ele.

— Tudo bem. – ela falou sem mostrar muita empolgação.

Dominicky tirou o avental e pegou dois bolinhos, foi em direção ao rapaz e lhe acompanhou até uma mesa. Ele se sentou de frente para ela em um ângulo que pudesse observar seu rosto o máximo possível.

O rapaz era muito bonito, moreno, com o corpo bem definido, e bem mais alto de que ela. Seu sorriso realçava a cor de seus olhos, o castanho claro, se tornava um castanho escuro.

— Então, como você se chama? – ele perguntou.

— Dominicky, e você?

— Que nome diferente... – ele ficou surpreso e depois deu um pequeno sorriso –... Mas bonito! Meu nome é Juliano. Você tem que idade?

Dominicky deu risada, e fez uma careta sarcástica para ele.

— O que falei de errado?

— Só acho que não é uma pergunta que se faça para uma mulher. – ele baixou os olhos desapontados – Quantos anos acha que tenho?

Ele começou a analisar o rosto dela, colocou a mão na boca, arqueou as sobrancelhas, por fim falou.

— Você tem 17 anos. – Dominicky o olhou espantada – Está com medo de mim?

A expressão no rosto de Dominicky suavizou, e ela sorriu.

— A minha idade você acertou, mas sobre eu estar com medo, passou longe!

— Sei lá, é a primeira vez que nos falamos, e você fica fazendo caras e bocas a cada palavra que digo.

— Não é medo Juliano... Eu estou um pouco envergonhada.

— Eu também estou envergonhado... – ele sorriu – Quantos anos acha que tenho?

— Você tem 18 anos, e sempre que entra aqui deixa um cheiro de menta no ar.

Menta?! Está ficando louca Dominicky?!Ela pensou, e olhou para o bolinho, ruborizando por ter falado aquilo.

— Cheiro, menta?! – Juliano a olhou sem entender nada.

— Quer dizer... É menta não é?! – ah cale a boca Dominicky!Seu subconsciente falou para si.

Juliano deu risada do modo como ela tentava explicar o que queria dizer.

— Droga. Você deve estar achando que sou uma estranha pirada.

— Não, claro que não! Achei interessante, você tem um ótimo olfato! – ele lhe deu um sorriso de orelha a orelha.

— Está debochando de mim?! – Dominicky perguntou um pouco ofendida.

— Não, desculpe. Me desculpe mesmo! – seus olhos se apertaram quando se desculpava. Olhou para o relógio para tentar acalmar a tensão. – Nossa, eu preciso ir, ficamos mais de meia hora conversando, e você precisa trabalhar.

— Pois é... – ela baixou os olhos para o bolinho.

Juliano se levantou, e parou na frente de Dominicky.

— Amanhã não te vejo, é sábado e você não trabalha...

— Eu vou estar no shopping às sete e meia da noite, se quiser ir me ver...

— Eu vou estar lá! – ele falou sem esperar que Dominicky terminasse – E eu gostei do seu jeito observador Dominicky! – ele sorriu, deu um beijo no rosto dela e saiu.

Ele me deu um beijo no rosto!Ela pensou e colocou a mão no lugar onde ele havia beijado, e estava quente. Ruborizando. Fervendo!

Logo que ele saiu, Val veio da cozinha com um sorriso malicioso. Dominicky revirou os olhos e deu um empurrão na tia.

— Nicky, achamos! – Maddy a chamou.

Dominicky não tinha escutado, estava distraída demais com o que tinha acabado de acontecer. Ela escutou vozes a chamar mas estavam muito baixas de tão longe que seu pensamento estava. Então ela foi desperta por um grito:

— Dominicky!!! Nós achamos uma coisa!!! — era Maddy quem gritava da dispensa. Dominicky saiu correndo toda atrapalhada para ver o que a amiga tinha encontrado.

— O que vocês acharam de interessante?

— Então... Depois de vocês me explicarem o que estava acontecendo, e com a ajuda da sua tia, tentei pesquisar algo em base disso. – Jess fez uma pausa.

Dominicky olhou de uma ara a outra, só não entendia no que sua tia poderia ajudar.

— E aí... O que vocês descobriram?! – ela perguntou aflita.

Maddy e Jess se entreolharam, até que suspiraram fundo.

— Tudo consta que você está se transformando em um lobo Nicky.

Dominicky ficou olhando para elas, não podia ser verdade, ela não conseguia acreditar naquilo.

— Nicky conversa com sua tia e com Catarina sobre isso. – Maddy a aconselhou.

— Eu não posso. Não quero falar sobre isso. Com ninguém! – ela estava em choque.

— É de uma coisa que não pode fugir querida... – Dominicky se virou para a porta e Catarina estava parada ali.

— Mas... Como?!

— Cheguei de manhã da minha viagem. E preciso te contar uma coisa, uma coisa muito importante.

— Eu não quero saber Cat! – Dominicky virou de costas para ela.

— Você não entende, não é?! Eu também sou um lobo, querida!

— Por que vocês nunca me contaram?

— Por que eu não tinha certeza se você também seria um lobo.

— Por que pensou isso?! – os olhos de Dominicky a arder, as lágrimas querendo sair.

— Eu vou te contar a história, sente-se ali. – Dominicky se sentou ao lado de Jess, e Catarina começou a falar – Quando sua mãe conheceu seu pai, ela ainda não era um lobo, não havia nascido com esse dom.

“Seu pai gostou dela e começaram a sair juntos, ele havia se apaixonado completamente por ela. Depois de um tempo, ele contou para ela que era um lobo, revelando seu maior segredo, colocando a vida de quem ele mais amava em um grande risco. Quando nosso clã descobriu o que seu pai havia feito, ele fugiu com sua mãe para a Alemanha, achando que seria o melhor jeito de protegê-la, sem saber que era isso que o clã queria; oferecer proteção. Aliás, seu pai era o nosso líder.”

— Então, meu pai fugiu, pelo amor e salvação da minha mãe?!

Catarina assentiu e continuou a falar.

— Eu vim junto com ele, para certificar-me de que sua mãe ficaria segura. Mas eu e seu pai não percebemos que Louis havia nos seguido.

— Quem é Louis? – Dominicky a interrompeu.

— Foi o lobo que matou seus pais. Não sei o por que. Só sei que ele e Lilian eram amigos antes dela conhecer seu pai.

— Eles nunca namoraram? – Maddy perguntou intrigada na história.

— Ah não! Louis sempre foi contra humanos se misturarem com lobos. Nós evitamos nos apaixonar por humanos querida. – Catarina sorriu para Maddy.

— Então como fazem para se procriarem, não sei se é o jeito certo de se falar. – Dominicky também estava intrigada.

— Como toda pessoa. Existem milhares de nós espalhados pelo mundo Nicky. Posso terminar de contar a história?

As três meninas assentiram e vidraram os olhos em Catarina.

— Em certa noite, ele conseguiu entrar em nossa casa, seu pai não havia chegado do trabalho, e eu não consegui proteger sua mãe... – Catarina olhava fixo para uma parede como se todas as imagens da cena passassem na sua frente – Ele acabou pegando-a e mordendo-a.

“No mesmo instante seu pai chegou, e tirou-o de cima dela. Me pediu para que cuidasse de sua mãe, enquanto ele levava Louis para Roma, para ser preso.”

— Onde é que euentro nessa história Catarina?! – Dominicky já não conseguia mais conter as lágrimas.

— Depois de uma semana, seu pai voltou de Roma, sua mãe já havia melhorado e passado por todas as transformações. Seus pais resolveram que tinham que esquecer essa história e tocar suas vidas para frente. Se casaram, tiveram a lua de mel e resolveram não esperar, depois de nove meses veio você. – Ela sorriu e Dominicky sorriu junto.

— E aí pessoal tudo bem por aqui? – Val entrou na dispensa e olhou assustada para Catarina – Cat?! Mas, você não ia voltar só daqui uma semana?

— Eu não podia deixar Dominicky sozinha. E nem você minha amiga!

— E o que vocês estão fazendo aqui? – Val olhou para Dominicky, que enxugava as lágrimas com rapidez.

— Estou contando tudo o que ela tem direito de saber. Sobre ela e sobre os pais.

— É eu sei. Ajudei as meninas um pouco nisso. Vieram aqui dizendo que iam fazer trabalho. Mas quando vim espionar, estavam pesquisando várias coisas, então resolvi contar sobre o que estava acontecendo com a Nicky.

— Você já sabia o que eu estava passando?

— Sim. – Val baixou a cabeça e suspirou fundo.

— Por que você não me contou tia Val?! – Dominicky gritou.

— Eu não podia Nicky. Resolvi contar quando você disse que estava acontecendo coisas estranhas. – Val olhou para baixo – Mas eu não sabia como...

— Eu estou tão confusa... – Dominicky olhou para as mãos, as lágrimas ainda escorrendo.

— Nicky eu sou sua única família, a única pessoa que você tem...

— Isso eu entendo, queria entender por que não me contaram nada disso antes.

— Por que você não iria acreditar, e estaríamos te colocando em perigo. Félix sempre quis sua proteção, não queria que você se machucasse. – Catarina disse.

— E se Louis descobrir onde estou? – os olhos desesperados de Dominicky procuraram os de Catarina.

Catarina não sabia o que falar, não tinha como saber o que Louis faria se encontrasse Dominicky. Val foi para o lado de Dominicky e a abraçou bem forte, Dominicky encostou a cabeça no ombro dela e começou a chorar tudo o que tinha para chorar.

— Então né Jess... Acho que já está na hora de irmos embora.

Maddy começou a pegar suas coisas e Jess assentiu. As duas estavam prontas para se despedirem.

— Me desculpem meninas, havia até me esquecido de vocês. – Dominicky deu um sorriso amarelo.

— Não tem problema Nicky...

— Já está tarde! – Val interrompeu – Não quero que vocês andem por aí hoje à noite. Podem dormir em casa, a hora que chegarmos eu mesma aviso a mãe de vocês.

— Hum... Tudo bem, mas estamos com fome Val.

— Eu levo vocês para comerem algo.

— Ah, obrigada. – Maddy disse envergonhada.

— O que querem comer?

— Podemos ir a uma lanchonete... – Dominicky sugeriu.

— Vai ficar tudo bem, viu querida?! – Catarina deu um beijo no rosto de Dominicky.

— Eu espero que sim. Ela sorriu.

As quatro foram para o carro, Val as levou para comerem em uma lanchonete no centro da cidade. Cada uma pediu um lanche diferente.

Dominicky pediu um lanche vegetariano, e um suco de maçã, não estava com muita fome. O estômago estava embrulhado, e o pensamento a mil.

Depois de comerem, Val as levou embora para o apartamento. Ela guardou o carro no estacionamento e entraram no elevador. Quando Dominicky abriu a porta entrou em estado de choque. Todos os móveis do cômodo haviam sumido.

— Tia fomos roubadas! – Dominicky gritou, e Val começou a rir – Por que está rindo?! Nossas coisas desapareceram!

— Nós vamos mudar de casa querida!

Meu Deus é tanta coisa para assimilar!Dominicky pensou.

— Lembra que eu comentei que ia comprar uma casa... Eu consegui!

— Sério?! – Dominicky perguntou confusa.

Val assentiu sorridente, e finalmente um sorriso foi brotando do rosto de Dominicky.

— Vou ter um quarto maior? – Val assentiu – E um banheiro?!

— O quarto eu posso te garantir... Mas o banheiro... Vai ter que ficar para a próxima.

— Não tem problema! – Dominicky pulou de alegria, e avançou com um abraço pra cima da tia, o que fez com que as duas caíssem no chão.

— Desculpa, acho que me empolguei um pouquinho. Quando iremos nos mudar?

— Amanhã de manhã, nossas coisas já estão encaixotadas. Alguns amigos do trabalho vieram aqui para me ajudar.

— Ai que legal! – Dominicky deu um gritinho.

— Preciso que vocês vão dormir cedo.

— Tudo bem. – as três falaram juntas – Boa noite.

Elas correram para o quarto para poderem se acomodar.

Notas finais
Bom, aí está o por quê das coisas estranhas... Essa história ainda tem muitas revelações, espero que gostem, e continuem lendo! :D