Notas iniciais
Não sei se isso pode ser considerado com spoiler, mas preciso fazer um comentário e não tem como deixar para as notas finais u.u Em uma parte do meu capítulo Dominicky passa mal e tem sede por sangue (mas tia que eu saiba quem bebe sangue são os vampiros), não, não foi isso que eu quis insinuar nessa parte. Por causa da transformação, Nicky muda de humores e personalidades diferentes, esse negócio de "sede" seria algo para mostrar um lado mais selvagem e instinto, resumindo: sua vontade de matar alguém Espero que eu tenha esclarecido, se não, podem me deixa um MP ou comentários que estarei respondendo. Boa leitura! (:

Dominicky andava de cabeça baixa, e chutava cada pedrinha que aparecia na sua frente.

— Você dança muito bem! – Pether comentou, acabando com o silêncio.

— Obrigada. – ela sorriu.

— Sobre o que aconteceu...

— Esquece o que aconteceu! – Dominicky o cortou – Só esquece OK?!

Pether apenas assentiu. Eles voltaram a andar em silêncio. Um silêncio que chegava a ser irritante e perturbador.

Depois de alguns minutos eles chegaram na casa de Dominicky. Ela abriu o portão e foi deixando tudo para Pether fechar.

Ela escutou barulho vindo da sala, gritou para Val, para que ela soubesse que Dominicky tinha chegado, e não ficasse preocupada.

Ela subiu as escadas e foi para o quarto. Jogou a bolsa em um canto, e foi tirando a roupa com tanta rapidez que até se enrolava em si mesma. Ela pegou a camisola azul de flanela e jogou-a pela cabeça fazendo-a escorregar pelo seu corpo.

Saiu do quarto e foi até o banheiro, escovou os dentes, enxugou o rosto e se olhou um pouco no espelho. As feridas estavam mais claras, chegavam até a passarem despercebidas. Ela passou as mãos pelos cabelos, suspirou fundo e voltou para o quarto.

O quarto ainda estava vazio, ela se deitou na parte de baixo da beliche, e cobriu até o meio da cintura com o edredom. Se inclinou para o lado e pegou o livro que começara a ler a pouco tempo.

Batidinhas suaves vieram de trás da porta, e então a abriram devagar e depois a fecharam. Dominicky espiou por cima do livro e sorriu com os olhos.

— Você se importa se eu dormir de cueca?

— Não, fique a vontade.

Pether começou a tirar a roupa na frente dela, sem se importar se ela estava olhando ou não. E como Dominicky não era nada boba, espiou mais uma vez por cima do livro, ela não conseguia se controlar.

Por cima da calça dele ela já conseguia observar um belo par de pernas fortes e grossas, imaginava como poderia ser sem a calça. Dominicky balançou a cabeça tentando mandar para longe o pensamento, voltando sua concentração para o livro.

Ele foi para a cama que estava preparada para ele. Ele cruzou os braços atrás da cabeça, e fitou o teto.

— Pether? – Dominicky chamou a atenção dele.

— Pode falar.

— Obrigada pelo beijo de hoje.

— E por que você está me agradecendo?! – ele perguntou curioso.

— Eu não sei. – ela sorriu.

Pether começou a dar risada.

— De nada. – ele disse.

— Bom, boa noite Pether.

— Boa noite.

—--------------x---------------

Dominicky virava de um lado para o outro, o vento batia forte na janela fazendo barulho. Parecia que a tanca estava aberta e alguém tentava abrir a janela. Ela acordou assustada, acordou a tempo, antes de ter mais um pesadelo.

Ela se levantou da cama e andou nas pontas dos pés até a porta para não acordar Pether. Desceu as escadas devagar para não fazer barulho. Chegando na beira da escada ela notou a luz da cozinha acesa.

— Também está sem sono? – a voz de Tom veio de dentro.

Dominicky se aproximou e o avistou sentado em uma cadeira lendo um livro, e bebendo algo quente em uma xícara.

— Sonhos ruins não me deixam dormir.

— Sua tia me contou que isso está acontecendo desde que você começou a se transformar. Que tipo de sonho você costuma ter?

— Ou é com lobos, ou comigo sendo morta por Louis ou por caçadores.

Ele se levantou da cadeira e encheu uma xícara com o mesmo líquido que tinha na dele e entregou para ela.

— Beba. – ele disse se sentando na cadeira novamente.

Ela bebeu um pouco, e até achou gostoso.

— O que é? – ela perguntou.

— Leite, mel e avelã. – ele disse sorrindo, e depois ficou sério – Posso te fazer uma pergunta?

— Claro que pode.

— Qual é a cor do seu pelo?

— Preto e branco. Um preto que se camufla no breu, um preto brilhante. A única coisa que diferencia é o focinho e as patas que são manchadas de branco.

Tom a olhou preocupado.

— Isso é impossível!

— Por que?

— Normalmente um lobo tem as cores misturadas umas as outras, levando a um outro tom.

— E qual a sua preocupação nisso tudo?

Tom suspirou fundo, colocou as mãos sobre a mesa.

— Há uns quarenta anos atrás existiu um lobo igual a você, as cores do pelo dele não se misturavam. Ele era o lobo mais forte daquela época. – ele deu uma pausa – Ele não soube controlar sua força, e uma segunda personalidade muito ruim acabou dominando-o. O poder subiu tanto à sua cabeça que ele acabou matando muitos inocentes. E então ele foi morto pelos outros lobos.

— Só que o que eu tenho haver com isso? Minha mãe era humana, eu não posso ter nascido tão forte assim.

— Ele também era um mestiço. – Tom sorriu – Não é por que você tem sangue mestiço, que vai definir se você é forte ou não. Sua força está dentro de você, e você vai saber controlá-la.

— Espero que sim, eu vou fazer de tudo para que a minha segunda personalidade fique bem longe de mim.

— Você é esperta, e o amor é mais forte do que qualquer coisa ruim.

Dominicky levantou os olhos para ele. Ele não tinha como saber que ela estava se apaixonando por Pether. Ela bebeu o resto do leite em uma golada e se levantou da cadeira.

— Bom, estou ficando com sono, eu vou ir me deitar. Boa noite.

— Boa noite Nicky.

Dominicky subiu as escadas correndo, e ao chegar no quarto abriu a porta devagar para não acordar Pether. Ela se deitou na cama e ficou pensando um pouco no que Tom havia falado. O amor dela por sua tia também valeria como um incentivo para que não deixasse nada de ruim acontecer não é?!

Ela se virou de lado na cama e tentou deixar de lado tudo o que tinha acontecido. Quando sua mente foi ficando mais tranquila e limpa, ela foi adormecendo aos poucos, até apagar de vez.

—--------------x---------------

Dominicky acordou de manhã com alguém abrindo as cortinas da janela, deixando a luz do sol invadir o quarto e queimar seus olhos.

— Fecha essa cortina, droga!

— Você não tem aula hoje? – a voz grossa de Pether invadiu o quarto.

— Aula?! – ela se levantou rapidamente correndo para se arrumar.

Pether saiu do quarto rindo e Dominicky o fuzilou. Ela tirou o pijama, colocou uma calça jeans azul, um coturno preto de cano médio e a camiseta da escola.

Ela desceu as escadas pulando de dois em dois degraus. Pegou a bolsa do gancho atrás da porta e a pendurou no ombro. Ela abriu a porta e Val veio atrás dela.

— Você não vai tomar café?

— Desculpa tia, mas eu estou atrasada. – Dominicky deu um beijo na testa da tia – Até mais tarde.

Ela saiu pelo portão e andou o mais rápido que pôde, sua perna não doía mais, o que facilitava bastante.

Um carro foi parando atrás dela, e então Dominicky escutou a buzina. Ela se virou curiosa, e se deparou com o carro de sua tia.

— Pether?! – ela o reconheceu atrás do volante.

— Entra! – ele abriu a porta para ela.

Dominicky se sentou no banco de carona e colocou o cinto.

Pether dirigiu em uma velocidade acima da permitida. As imagens passavam rápido demais por ela.

Ele parou na frente do colégio cinco minutos antes do sinal bater.

— Obrigada. – Dominicky sorriu e saiu do carro.

Ela correu para a sala de aula, se sentou em seu lugar. Maddy cutucou as costas dela assim que a viu.

— Você ainda está com algumas manchas pelo rosto.

— Eu sei. – Dominicky colocou as mãos na bochecha.

— Como aconteceu?

— Eu estava indo embora para casa, e Louis conseguiu me encontrar. Nós lutamos, e como pode ver eu apanhei feio. – ela resumiu o assunto, não queira entrar muito em detalhes.

Maddy acariciou a mão de Dominicky.

— Vamos mudar de assunto. – ela sorriu – Como foi com Juliano?

— Foi bom...

— E o que mais? Quero detalhes! – Maddy falou empolgada.

Dominicky suspirou fundo e revirou os olhos.

— Foi bom, foi legal. Mas quando eu cheguei em casa, tinha visita pra mim.

— Eu vi! Quem eram?

— Eles são lobos. Conheciam meu pai e vieram propor algumas propostas para mim. – ela baixou a cabeça – O mais novo é o Pether, e ele é muito bonito, e eu roubei um selinho dele. – ela corou, Maddy não precisava saber do beijo que ele tinha dado nela.

— Uau... – o queixo de Maddy caiu – E o Juliano?

— Eu não senti nada em comparação do que eu senti pelo Pether. O Pether me deixa feliz e irritada ao mesmo tempo, ele me deixa louca, e sinceramente tem horas que meu desejo é matá-lo.

— Isso é muito tenso. E o que você vai fazer em relação a isso tudo?

— Eu não tenho nada com o Juliano e preciso deixar isso claro para ele.

— É o melhor que você faz.

Dominicky assentiu.

— Onde está Jess?

— Ela precisou i ao médico. A professora chegou, melhor você se virar.

Dominicky assistiu atentamente a primeira aula. A única coisa que a incomodava era o suor das suas mãos.

Sua boca estava terrivelmente seca, sua cabeça estava rodando. Ela pediu licença para a professora e saiu da sala de aula.

Ela foi até o banheiro e lavou o rosto, bebeu água da torneira mesmo, até não aguentar mais. Ela saiu do banheiro e se sentou no banco perto da secretária. Sua visão começou a ficar turva, e ela estava super zonza.

— Nicky você está bem? – Maddy se abaixou ao lado dela e pegou em suas mãos.

— Só estou um pouco zonza.

— Já faz um tempo que você está aqui. A professora quer que você volte para a sala.

— Tá. – ela deu um meio sorriso.

Ela tentou se levantar do banco e sua visão escureceu completamente. Ela não conseguia enxergar nada e então voltou a se sentar no banco.

— Eu vou chamar alguém para te ajudar!

— Não precisa Maddy, eu só quero um copo de água.

— Fique aí e me espere!

Os passos de Maddy foram ficando cada vez mais distantes. E quando voltou conversava com alguém.

— Quem está com você Maddy?! – Dominicky teve que perguntar, pois não enxergava nada.

— Eu trouxe a diretora e o Pether para te ajudar.

— Eu disse que não queria ajuda Maddy! – Dominicky gritou com Maddy e se levantou do banco.

— Nicky se controle, ela só quer te ajudar! – Pether apertou os braços dela e a chacoalhou.

— Se você quiser levá-la para casa tem toda permissão Pether.

— Obrigada diretora Georgia. – ele se virou para Maddy – Maddy pode levar as coisas da Nicky para a casa dela depois?

— Claro, pode deixar.

— Vamos Nicky! – ele a puxou forçando-a a ir embora.

— Eu estou bem, não preciso ir! Me solta! — ela tentava se soltar das mãos dele.

— Tudo bem, então volte para a sua sala.

Pether a soltou e se afastou ficando em silêncio. Dominicky não enxergava nada, e tudo estava silencioso como se Pether tivesse ido embora. Dominicky começou a entrar em pânico, ficando desesperada sem saber o que fazer.

Ela arriscou a dar o primeiro passo e continuou devagar, até que ela bateu contra a parede e caiu no chão. As lágrimas começaram a escorrer dos seus olhos, e então ela se encostou na parede e abraçou os joelhos.

Pether andou na direção dela e se abaixou na sua frente.

— Posso te levar embora agora? – ele passou a mão pelo rosto dela.

Dominicky assentiu, e ele a carregou levando-a para fora do colégio. Ele a colocou cuidadosamente dentro do carro e começou a dirigir.

— O que você tem? – ele perguntou um pouco rude.

— Eu não estou enxergando, estou zonza, e estou com muita sede...

— Sede? Sede de quê?

De repente a visão dela voltou ao normal, seus olhos estavam arregalados. Ela virou o rosto lentamente pare ele, e disse bem baixo:

— Eu tenho sede por sangue...

Pether olhou para ela espantado. Ele mudou a marcha e acelerou o carro. O carro devia estar a mais de 100km/h, suas curvas faaziam os pneus derraparem e cantarem no asfalto.

As mãos dela tremiam, e Pether sabia disso e do que poderia acontecer, e acelerou mais ainda. Ao chegar na frente da casa dela, Pether freou com força, e saiu rápido do carro.

— Espere aqui dentro! – ele ordenou para ela.

Dominicky assentiu e encostou a cabeça no encosto do banco. Em segundos Pether voltou com Tom.

Tom foi direto para o volante, e Pether se sentou atrás ao lado de Dominicky.

— Nicky você está bem? – Tom perguntou para ela.

— Eu estou me sentindo fraca. – Doinicky fechou os olhos e encostou a cabeça no ombro de Pether.

Tom dirigia rápido, com um pouco mais de cuidado do que Pether, mas bem rápido.

— Pether segure-a com força, ela está ficando pálida, e pode perder o controle a qualquer momento.

Pether envolveu seus braços ao redor do corpo de Dominicky, segurando-a o mais forte que podia.

— O que pode acontecer se eu perder o controle? – a voz dela saiu sussurrada.

Tom a olhou pelo retrovisor e suspirou bem fundo. Olhou sério para a estrada e falou:

— Você pode nos matar. Mas já vamos resolver isso. Aguenta só mais um pouquinho.

Dominicky fechou os olhos com força tentando se controlar. Mas parecia que essa força era mais forte do que ela, e então ela começou a se contorcer toda para poder se livrar dos braços de Pether.

— Pether não solte ela! – Tom falou por cima dos gritos de Dominicky.

Ela ainda se contorcia toda, e cada vez que estava quase escapando dos braços de Pether, ele conseguia voltar a apertar ela, cada vez mais forte.

Dominicky se controle, você não quer matar ninguém, muito menos o Pether. Você o ama! Quando ela percebeu o que tinha pensado seus olhos se abriram e ela soltou um grito horrendo, que por mais que tentasse parar de gritar não conseguia.

Ela ficou fraca de repente, e simplesmente desmaiou. Desmaiar foi uma coisa boa, pelo menos para ela. Desmaiando ela não iria machucar ninguém, nem a si mesma.

Quando ela acordou estava deitada no chão, em cima de uma grama bem verde. Tom e Pether discutiam por alguma coisa.

— Um coelho?! – Pether urrava – E você acha que isso vai matar a "sede" dela?

— Um coelho é o suficiente Pether! Não é por que você se alimentou de um cavalo é que ela também tem que se alimentar! Deixa de ser cabeçudo Pether, e não se esqueça de que ela é uma garota.

Dominicky se sentou na grama e passou as mãos pelo rosto.

— O que aconteceu? Estou com sede.

— Nicky! – Tom falou surpreso – Eu tenho um presente pra você e está fresquinho.

— O quê? – ela perguntou curiosa.

Tom mostrou o coelho vivo para ela, e em um único movimento arrancou a cabeça dele fazendo com que o sangue espirrasse para todo lado.

— Você quer? – ele balançou o coelho.

Dominicky passou a língua pelos lábios e o cheiro do sangue invadiu suas narinas. Seus olhos mudaram de cor, suas garras saltaram para fora. Ela se levantou do chão, e pulou na mão de Tom atacando o coelho.

O sangue do coelho ainda estava quente e escorria pelos cantos da boca a cada mordida que ela dava.

— Ela vai se lembrar disso? – Pether perguntou para Tom.

— Creio que sim.

Pether estalou a língua, enfiou as mãos no bolso da calça e chutou a grama debaixo de seus pés.

Dominicky terminou de comer o coelho, e se levantou satisfeita. A boca estava toda ensanguentada, e o sorriso mostrava os dentes manchados de vermelho. Ela passou a língua em volta da boca, sentindo o gosto prazeroso do sangue.

— E aí Nicky! – Pether gritou chamando sua atenção.

— Obrigada por me ajudar! – ela gritou de volta.

— Você não está com nojo? – ele perguntou indignado.

— Não. Era para eu estar? – ela sorriu maliciosa.

Pether não gostou da resposta dela, fechou a cara e foi para o carro. Ela riu e foi até onde Tom estava. Ele lhe entregou um pano molhado para que ela pudesse limpar a boca.

— Onde nós estamos? – ela perguntou.

— No terreno de um sítio na saída da cidade. Você está bem?

— Estou muito melhor!

— Podemos ir então?

— Sim, claro. – ela sorriu.

Pether já estava no carro, sentado na frente no banco de carona. Dominicky se sentou atrás e logo depois de fechar a porta Tom ligou o carro e deu a partida.

Eles chegaram em casa depois de quarenta minutos. Dominicky entrou correndo, precisava de um banho urgente.

Subiu as escadas e foi para o seu quarto pegar sua roupa. Ela separou a roupa íntima, um shorts jeans escuro, e uma blusinha branca de alça. Juntou tudo e foi para o banheiro.

Ela abriu o chuveiro e entrou debaixo da água morna. Ela lavou os cabelos longos, e esfregou a esponja com bastante espuma pelo corpo. Quando terminou seu banho, se vestiu de desceu para a sala, procurando por sua tia.

Quando chegou na sala encontrou Maddy sentada no sofá esperando-a.

— E aí Maddy, beleza?

— Hey! Como você está? Eu fiquei muito preocupada com você!

— Eu estou bem! Só passei mal, saí de casa sem comer nada.

— E eu estou morrendo de fome, saí do colégio e vim direto pra cá. – ela colocou a mão na barriga e fez careta – Vamos dar uma volta, ou até mesmo almoçar em algum lugar?

— Pode ser. – Dominicky sorriu – Espera só um minuto que eu vou ir pegar a minha bolsa.

Ela subiu as escadas, foi até o quarto e pegou a bolsa que estava em cima da cadeira da escrivaninha. Abriu uma caixinha e tirou um pouco de dinheiro que tinha guardado.

Ela desceu até a sala novamente, e cutucou o braço de Maddy.

— Vamos? – ela falou.

— Ah, eu comentei com o Pether que a gente vai sair, e ele disse que leva a gente em um algum lugar. Não tem problema né?!

— Não, tudo bem.

Dominicky sorriu para a amiga e achou um tanto suspeito Pether querer sair com elas.

Depois de um tempo os três saíram da casa. Pether levou elas em um restaurante que ficava bem no centro da cidade.

Ele deixou o carro no estacionamento, e entrou no restaurante atrás das meninas. O local não estava muito cheio e Dominicky escolheu uma mesa perto da janela. Ela nunca tinha entrado nesse restaurante, e ao olhar a sua volta avistou Juliano sentado em uma mesa do canto oposto, e ele estava acompanhado com uma garota.

Juliano acariciava o rosto dela e algo brilhou em um de seus dedos. Dominicky semicerrou os olhos e enxergou a aliança grossa. Dominicky desviou os olhos e colocou a mão no braço de Maddy.

— Maddy, aquele e o Juliano não é?! – ela apontou com a cabeça.

— É, é ele mesmo! – mas Maddy não ligou, pegou o cardápio e começou à escolher algo.

Dominicky olhou dela para Pether e os dois olhavam o cardápio com certo interesse. Ela baixou os olhos e começou a escolher o que iria comer.

Não era ciúmes o que estava sentindo, ela sabia muito bem disso. Mas ele tinha falado tantas coisas para ela que nunca imaginou que ele fosse tão cachorro e cara de pau. Ela sabia que era isso o que a deixava irritada.

Seu coração só disparava quando estava perto de Pether, sabia que estava se apaixonando por ele. Ela sabia que não tinha motivo para ficar com raiva de Juliano, pois também gostava de outra pessoa. Mas agora ela sabia o quão mentiroso ele era.

— O que desejam comer? – o garçom perguntou despertando Dominicky de seus pensamentos.

— Eu quero dois pedaços de bife mal passado, com uma porção de batata frita, e um suco de maçã com laranja.

Dominicky fez o seu pedido primeiro, e depois voltou a olhar o cardápio distraída.

Pether e Maddy se entreolharam e deram de ombros ao comportamento dela. Fizeram seus pedidos, e começaram a conversar animadamente.

Os pratos deles chegaram depois de meia hora. Dominicky atacou sua comida com ansiedade. Ela deu uma breve olhada para a mesa que Juliano estava, e ele e a garota se beijavam com grande intensidade.

Dominicky os olhou com nojo, e afastou o prato um pouco para longe. A fome sumiu no instante em que viu aquilo.

— O que foi Nicky? – Maddy perguntou.

— Nada. – ela deu um sorriso e tentou disfarçar.

Pether olhava para onde Dominicky estava encarando alguns minutos atrás. Ele balançou a cabeça e voltou a olhar para ela, sua cara estava fechada e séria. Por fim ele disse:

— Já terminaram?

— Eu já! – Maddy respondeu e empurrou seu prato vazio para frente.

— Eu também. – Dominicky se levantou da cadeira.

— Nicky você nem tocou direito na sua comida! – Pether apontava para o prato que ainda tinha um grande pedaço de carne e batatas fritas espalhadas por ele.

— Eu perdi a fome. Espero vocês lá fora.

Dominicky saiu do restaurante e se encostou no carro. Ela cruzou os braços na frente do peito, apoiou o corpo no capô e cruzou as pernas na frente de si.

O sol batia bem na cara de Dominicky, os olhos estavam semicerrados, e Maddy com Pether estavam demorando para sair do restaurante. Ela virou o rosto quando a porta se abriu, e para o azar dela era Juliano quem havia saído, abraçado com sua companheira.

— Nicky?! – ele falou surpreso quando a viu.

— Oi. – ela sorriu um pouco sínica para ele – Preciso falar com você, amanhã às três no parque!

— Amanhã?!

Ela assentiu severa.

— tudo bem, estarei lá. Tchau.

Juliano realmente tinha ficado surpreso, e para Dominicky ele era o cara mais mentiroso que ela já tinha conhecido em sua vida. A raiva ferveu em seu sangue, suas mãos tremiam, e ela cravou as unhas na palma para tentar se acalmar.

— Nicky você está bem? – Maddy se juntou ao lado dela.

— É, acho que sim. Podemos ir?

— Podemos sim. – Pether apareceu ao lado dela respondendo a sua pergunta.

Dominicky entrou no carro. Pether levou Maddy para a casa dela primeiro. Dominicky não ligou, pensava em outras coisas. Em coisas que nunca imaginou que fosse pensar.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado! Até o próximo capítulo :*