Notas iniciais
Boa leitura! (:

Dominicky não tinha trocado uma única palavra com Pether. Ela estava ficando nervosa com isso.

— Você pode parar ali na frente, por favor? – ela apontou com o dedo.

— Você está passando bem? – ele perguntou preocupado.

— Eu estou bem. – ela sorriu – Quero conversar.

— Tudo bem. – ele estacionou em uma rua sem saída.

Dominicky se virou afobada para ele, ela segurou o rosto dele e o puxou, se inclinando e o beijando. De inicio Pether ficou surpreso, mas quando a boca dela se entreabriu na dele, ele colocou a mão atrás da cabeça dela e a segurou com força.

Como da última vez o beijo foi cessando em meio a selinhos. Suas testas se juntaram e Dominicky sorriu.

— Desculpa, mas se eu quisesse, eu podia...

— Shh... – ele a interrompeu colocando o dedo indicador de leve sobre a boca dela – Está falando demais!

— Desculpa. – ela sorriu.

Pether sorriu e deu um beijo de leve na boca dela.

— Venha embora comigo, por favor! – ele segurou o rosto dela entre as mãos.

— Eu não posso! – ela tirou as mãos dele de seu rosto – Já conversamos sobre isso.

— Você podia fazer uma pequena exceção. Eu vou embora hoje.

— Como assim?! – as sobrancelhas dela estavam franzidas.

— Meu pai recebeu uma mensagem, e precisamos voltar com urgência. Nosso vôo sai às oito horas.

— E eu posso te acompanhar até o aeroporto? – ela olhava de canto, escondendo os olhos já marejados.

— Claro que pode!

— Que bom, pois não quero perder a chance de me livrar logo de você! – ela deu um sorriso malicioso.

Pether a puxou contra o seu corpo, e a abraçou forte. Dominicky encostou a cabeça no peito dele e inspirou seu cheiro doce.

— Sentirei a sua falta sua boba.

— E eu vou sentir a sua seu chato.

— Sabe um dia uma pessoa contou para mim que o nosso uivo serve para nós nos comunicarmos, principalmente com pessoas que estão longe de nós, para elas poderem saber que não estão sozinhas.

— E aonde você quer chegar com isso? – a pergunta de Dominicky saiu um pouco abafada.

Pether se ajeitou no banco do carro, o que fez com que Dominicky se desfizesse do abraço. Ele segurou o queixo dela e ergueu sua cabeça, e olhando profundamente em seus olhos ele disse:

— Que não importa o quão longe eu esteja, e o quanto você esteja se sentindo sozinha, quando ouvires um uivo bem distante saberá que sou eu. E ele sempre significará que eu sempre estarei ao seu lado, e você nunca, jamais estará sozinha!

— Uau – ela desviou os olhos dos dele – Isso foi profundo.

— É... – de repente o olhar dele ficou distante.

— Desculpe a pergunta, mas quem foi que lhe disse isso?

— Minha mãe. – ele deu um meio sorriso.

— Ela deve estar com saudades já. – Dominicky sorriu.

— Muito pelo contrário. ­– Seus olhos se voltaram para baixo com ar de tristeza – Já faz dois anos que ela faleceu.

— Meus sentimentos. – ela colocou a mão sobre a mão dele.

Pether deu um sorriso fraco e abraçou novamente, enterrando o rosto no pescoço dela.

Eles ficaram um bom tempo abraçados, até ele a soltar e abrir o porta luvas do carro.

De dentro do porta luvas ele tirou uma caixinha de veludo preto e a girou nas mãos.

— Isso é pra você.

A atenção de Dominicky foi capturada para a caixinha. Pether a abriu e tirou de dentro uma correntinha de ouro, com um pingente de uma bailarina.

— Que linda! – Dominicky deu um sorriso largo, se virou e ergueu o cabelo.

Pether sorriu e passou a correntinha pelo pescoço dela e a prendeu no ganchinho do outro lado. Dominicky soltou o cabelo e passou a mão pela corrente agora pendurada no seu pescoço.

— Você gostou?

— Adorei, obrigada!

— Eu a comprei antes de ir te buscar no colégio. Sei que a sua especialidade não é balé, mas foi a mais bonita que encontrei.

— Obrigada mesmo!

Pether sorriu para ela e puxou o rosto dela para mais um beijo. Os dois se beijaram calmamente e profundamente.

— Precisamos ir. Ainda tenho que arrumar minhas coisas.

— Tudo bem. – ela disse um pouco desanimada.

Pether ligou o carro e foram para casa, ele estacionou o carro na frente do portão da garagem. Dominicky o acompanhou até o quarto, e lhe beijou na bochecha.

Ele puxou uma grande mala debaixo da cama e a abriu. Ele pegou alguns objetos que estavam em cima do criado-mudo e colocou na mala.

— Eu ajudo você.

Ela segurou a mão dele e sorriu, Pether retribuiu o sorriso e acariciou sua mão na dele.

Os olhos de Pether começaram a ficar vermelhos, e os de Dominicky já transbordavam de tantas lágrimas.

Ela o ajudou a arrumar todas as suas coisas e depois foram para a sala de estar, eles se sentaram no sofá de couro, e Dominicky encostou a cabeça no ombro dele.

— Você irá manter contato comigo, não é?!

— Claro! Por uivos, cartas, telefone, e-mail...

Dominicky sorriu e levantou a cabeça para olhar para ele.

— Acho que quando estou ao seu lado meu coração dispara, e eu fico morrendo de vontade de te agarrar, e te beijar... – ele passou os braços pelo ombro dela e a apertou com força.

— O meu fica acelerado, mas não sei por que. Ou sei?! – ela olhou para ele e sorriu, ele retribuiu o olhar dela, mas não sorriu.

— Você tem namorado não é?!

Dominicky corou, não era hora e nem momento para falar sobre esse assunto, mas Pether a olhava de uma maneira que não iria desistir até obter uma resposta.

— Não. – ela abaixou a cabeça e riu – Que eu saiba não!

— Sei lá, o modo como você olhou para aquele cara no restaurante.

— Ah, o Juliano... Ele mentiu para mim. Um canalha qualquer.

— Se você quiser eu posso conversar com ele.

— Não, eu mesma resolvo isso. – ela disse determinada.

— Tudo bem então! – ele passou a mão pelo rosto dela.

Pether se endireitou no sofá fazendo com que Dominicky se endireitasse também. Ela se sentou de frente para ele.

— Posso fazer uma brincadeira com você.

— Pode sim.

— Então feche os olhos.

Dominicky fechou os olhos e Pether começou a passar os dedos bem de leve no braço dela, causando arrepios por todo seu corpo.

— Pense em tudo o que te faz feliz. – ele passou as mãos pelo pescoço e os cabelos dela – Pensa no que ainda pode te fazer feliz.

— Você poderia me fazer feliz. – ela abriu os olhos e Pether sorriu para ela.

Ele apertou os cabelos dela em suas mãos e puxou a cabeça dela para o lado. Dominicky fechou os olhos novamente e se deixou levar. Ele se aproximou do pescoço dela e passou o nariz por ele, depois começou a distribuir beijos pelo pescoço, maxilar, até chegar a sua boca.

Pether começou a se inclinar sobre o corpo dela e ela se jogou para trás batendo as costas no assento do sofá. Pether pressionava o corpo no dela, e a beijou com intensidade.

Dominicky jogou os braços nas costas dele passando as mãos por toda a extensão dos ombros, da costela e atrás de sua cintura. Pether massageou as laterais da cintura dela e a apertou carinhosamente, e com a sensação de prazer Dominicky cravou as unhas nas costas dele.

Pether arqueou a coluna e pressionou a pelves com força na dela. Uma de suas mãos foi para baixo da blusa dela, e ele passou a mão por sua barriga lisinha.

No momento em que ele subiu a mão mais um pouco, Dominicky abriu os olhos e o empurrou para o lado, puxando seu corpo para o outro. Ela caiu do sofá batendo a cabeça com força no chão.

— Nicky! – ele disse assustado – Você está bem?!

— Não, minha cabeça bateu com força no chão. – ela passou a mão na parte dolorida de sua cabeça.

Pether segurou os braços dela e a puxou de volta para o sofá, massageando sua nuca. Ele beijou sua testa com um sorrisinho nos lábios.

— Desculpe ter quase passado dos limites. – ele disse.

— Você precisa se controlar mocinho! – ela fez cara de brava e biquinho.

— Eu vou tentar. Mas é tão difícil. – ele sorriu e a agarrou, beijando-lhe forte na boca.

Dominicky riu entre o beijo, e ele segurou seu rosto entre as mãos.

— Você não vai embora mesmo comigo?

— Não, preciso resolver algumas coisas. Mas, quem sabe eu vá daqui algumas semanas.

— Iria ser legal. – Pether passou a mão pelo rosto dela.

Dominicky sorriu e se aproximou de Pether para beijá-lo. O beijo dele a viciava, a deixava sem fôlego e com um alto excesso de felicidade.

— Quem dera que esses dois estariam assim não é Tom?

Dominicky se afastou de Pether no exato momento. Ela olhou para trás e sua tia estava encostada no batente da porta toda despreocupada com um sorriso malicioso estampado no rosto.

— Pether preciso falar com você antes de irmos. – Tom o chamou e se virou novamente para Val – Nos dê um minuto Val.

Quando eles saíram da sala Val se virou para Dominicky e lançou-lhe uma olhar daqueles do tipo “fale agora ou arrancarei isso de você”.

— O que foi? – Dominicky deu uma de desentendida.

— Vocês estavam se beijando, ou foi total impressão minha?

— Foi impressão sua tia! Nós estávamos abraçados nos despedindo.

— Uhum... – ela revirou os olhos – Você vai junto para o aeroporto?

— Claro que vou.

— Então vamos para o carro, eles nos encontram lá.

Dominicky seguiu a tia até o lado de fora de casa.

— Gostei da sua correntinha. – Val olhou de canto para o pescoço de Dominicky.

— Obrigada, ganhei do Pether.

Dominicky entrou no carro e se sentou atrás no banco de passageiro. Alguns segundos depois Pether entrou no carro ao lado dela e Tom tomou o lugar de motorista.

Pether passou o braço sobre o ombro de Dominicky e ela encostou a cabeça no ombro dele.

— Desculpe perguntar, mas o que seu pai queria falar com você? – ela sussurrou no ouvido dele para que só ele escutasse.

— Ele queria saber se você iria ou não embora com a gente.

— E o que você disse?

— O mesmo que você disse, quem sabe daqui algumas semanas.

— Uhum. – Dominicky sorriu

Dominicky roia o cantinho da unha, a paisagem do lado de fora a encantava, o balanço do carro a deixava cansada e sonolenta.

O apito de um trem soava por baixo da ponte que o carro passava, o barulho que ele fazia nos trilhos incomodava os ouvidos.

Depois de muitas árvores, vacas e fazendas eles chegaram no aeroporto, que como dava para perceber não era nada perto da cidade, e tinha uma estrada que parecia não ter fim.

— Chegamos. – Tom anunciou e estacionou o carro em uma das muitas vagas livres.

Dominicky saiu do carro abraçada com Pether. Eles andaram até a porta do aeroporto, os coturnos de Dominicky faziam barulhos no chão.

Eles entraram no aeroporto, lágrimas escorriam pelo rosto dela. Pether olhou de canto e percebeu que ela estava chorando.

— Nicky, não chore. – ele tomou o rosto dela em suas mãos – Lembre-se do que eu te disse, sempre estarei do seu lado.

— Não vou esquecer. E prometo que logo estarei em Roma contigo.

Ela o abraçou forte, e aconchegou seu rosto no tórax dele.

— Eu te adoro. – ele disse no ouvido dela, a apertando forte e levantando-a do chão.

— Eu também te adoro.

O vôo deles tinha sido anunciado, Pether a soltou e beijou sua testa.

— Tchau, e por favor não chore. – ele passou os dedos pelo rosto dela enxugando as lágrimas que escorriam.

Dominicky aconchegou o rosto na mão de Pether. Depois virou o rosto e foi até Tom.

— Tchau Tom. – ela o abraçou, um abraço acanhado e rápido – Vou sentir falta de vocês.

— Também vamos sentir a sua falta Nicky! Até mais.

O vôo foi anunciado novamente, Pether e Tom já estavam atrasados. Eles correram até o portão de embarque e Dominicky acenou para eles, mandando um beijo discreto para Pether.

Val passou os braços pelos ombros de Dominicky, e a induziu até o carro novamente.

— Você realmente estava beijando ele não é?! – Val insistiu.

— Tia me deixa em paz! Por favor, me deixa em paz!

Dominicky entrou no carro e encostou a cabeça no vidro. Sorriu ao se lembrar do primeiro beijo que eles deram. Ela ainda sentia o arrepio que teve naquele momento.

Dominicky dormiu a viagem inteira, e só acordou quando o carro entrou na garagem da casa. Ela não queria fazer mais nada, apenas tomar um banho, e simplesmente ir para a cama. Ela desejava de coração que tudo aquilo fosse um sonho.

Ela subiu as escadas e entrou direto no banheiro, tirou os sapatos e a roupa jogando-os tudo em um canto. Amarrou o cabelo em um coque firme e entrou debaixo do chuveiro deixando a água morna cair por seu corpo, relaxando todos os seus músculos.

Ao desligar o chuveiro ela se deparou com uma toalha azul pendurada no gancho. Ela pegou a toalha e a apertou contra o rosto, a toalha era macia e cheirava a sabonete, e tinha outro cheiro doce que ela sabia que era de Pether.

Depois de se enxugar, ela se enrolou na toalha e foi para o quarto. Ao entrar desejou encontrar Pether dormindo, e pelo menos ter mais um dia com ele. Ela já sentia saudades de seus abraços, do seu sorriso maroto e malicioso.

Não fazia nem duas horas que ele tinha ido embora, e ela já estava se sentindo estranha, sem fome, sem vontade de fazer nada. Apenas sentindo a falta dele e orando para que um dia voltasse a vê-lo.

O coração dela estava tomado pelo vazio, seus olhos estavam marejados, e ela estava prestes a chorar. Como fazer pra isso parar? Parecia não ter fim, e que esse aperto em seu coração iria ser para sempre.

Ela passou os olhos por todo quarto, e alguma coisa faltava ali dentro, e ela sabia muito bem que era ele. Ela podia sentir seu cheiro por toda parte.

Dominicky largou a toalha no chão e colocou a camisola de flanela por cima da cabeça. Ela subiu na cama, e fechou os olhos com força, tentando se forçar a dormir. Ela sabia que não podia, que não conseguia. Virava de um lado para o outro e o sono não chegava.

Dominicky saiu de sua cama e subiu na cama de cima do beliche onde Pether havia dormido. O cheiro dele no travesseiro era mais forte, e quando pensou que iria conseguir dormir, ela começou a chorar.

Ela se enrolou no edredom até formar uma bola em cima da cama. Depois de um tempo ela parou de chorar, e tudo ficou em silêncio, a luz do luar invadia pela janela, e então ela escutou o uivo de um lobo.

Dominicky se sentou na cama, o cenho estava franzido, e então ela escutou o uivo novamente. E ela soube que não estava ficando louca, que era ele, e que ele não tinha se esquecido dela.

Ela sorriu com lágrimas nos olhos, se deitou novamente e se aconchegou na cama.

— Boa noite, meu lobo! – ela falou baixo, fechou os olhos e finalmente conseguiu dormir.

Notas finais
Até a próxima!