O uivo de uma paixão: Escolhas do coração
6 Iron Maiden - Phantom Of The Opera
Notas iniciais
Já tinha se passado duas horas que Dominicky estava ali deitada na rua do beco. Parecia um defunto de tão gelada que estava. Sua respiração falhava e estava fraca, ela já não conseguia mexer um único músculo de seu corpo.
Ela ouviu passos vindo em sua direção, e puxou todo o fôlego que tinha para tentar falar alguma coisa.
— A-alguém, me aju... – sua voz saiu rouca e fraca — ... Me ajude.
Ela não sabia se foi o que tinha acabado de falar, ou se alguém tinha a avistado antes disso. Os passos ficaram mais rápidos e iam em sua direção, e isso já era um ótimo sinal. Ou não.
— Nicky?! – a voz de Lucas ecoou pelo beco.
Dominicky virou os olhos para cima e viu Lucas parado ao seu lado horrorizado ao vê-la naquele estado. Ele se abaixou ao lado dela e tirou alguns fios de cabelo de seu rosto.
— Nicky o que te aconteceu?! – a mão dele passou pelos cortes do rosto dela.
Dominicky se contraiu um pouco por causa do dor. Lucas se ajoelhou no chão, tirou a jaqueta e colocou-a por cima do corpo dela. Carregou-a em seu colo, e resolveu levá-la para a casa dele.
— Es-está muito fri-frio... – os dentes dela batiam uns nos outros – E estou com so-sono.
— Não durma Nicky. Fique acordada!
Lucas repetiu as palavras o caminho inteiro para que pudesse mantê-la acordada. Mas de nada adiantou, Dominicky estava muito fraca, fechou os olhos e então tudo escureceu.
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Dominicky despertou com Lucas a deitando em uma cama macia. Ela virou o rosto para um lado e paro o outro observando o quarto, que não era o seu. Lucas colocou a mão em sua testa, e depois colocou dois cobertores em cima dela.
— Ainda estou com frio. Me sinto tão fraca...
— Shh... Descanse um pouco!
Lucas saiu do quarto e voltou com uma bacia cheia de água e um pano. Ele afundou o pano na bacia, o torceu, e passou-o pelo rosto dela, limpando o sangue seco de onde conseguia. Ele acariciou o cabelo dela, se sentindo mal e triste.
Ele se deitou do lado dela na cama e puxou mais um edredom por cima dela, se cobrindo com o mesmo. Ele passou um braço pelos ombros de Dominicky, fazendo-a aconchegar a cabeça em seu bíceps.
Ele passou a mão pelo cabelo dela, até que ele mesmo pegasse no sono.
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Dominicky acordou de manhãzinha, e percebeu que Lucas não estava mais do seu lado. Ela empurrou os cobertores para o lado e se levantou da cama.
Andou até o espelho do quarto, e seu corpo nu se refletiu nele, ela voltou a se sentar na cama e enrolou um dos cobertores no corpo. Observou todos os cantos do quarto, procurando algo que pudesse vestir, mas não tinha nada pendurado em nenhum lugar. Seu olhar demorou um pouco no guarda-roupa, e então ela se levantou da cama.
Ela abriu a primeira gaveta que era de camisetas, puxou uma e vestiu. Depois abriu outra, e era a gaveta de cuecas, achou uma samba canção no meio delas e também pegou para vesti-la.
Dominicky percebeu que estava toda dolorida, e ao vestir a samba canção notou o machucado na perna. A ferida fazia ela se lembrar da mordida que tinha levado de Louis.
— Droga! – ela exclamou por causa da dor.
Ela voltou para frente do espelho, e levantou a camiseta. Tinha um enorme hematoma em sua barriga, e nas costelas. Seu pescoço estava todo arranhado, e a boca também estava machucada como se tivesse levado um soco.
— O que você está fazendo?
Dominicky abaixou a camiseta que ainda estava levantada, e se virou assustada, batendo a perna em uma cadeira.
— Puta que pariu! – ela exclamou com raiva e de dor.
— Sente-se aqui. – Lucas pegou na mão dela guiando-a até sua cama – Deixe-me ver seu machucado.
Dominicky se sentou devagar na cama, por conta do ferimento que doía. Lucas pegou na perna dela com cuidado e analisou por um momento.
Ele se levantou do chão e foi até o banheiro de seu quarto, voltando com uma garrafa de álcool, algodão e uma faixa nas mãos.
Ele molhou um pedaço de algodão no álcool e passou com delicadeza em cima do ferimento.
— Ai, ai... – ela reclamou e fez um biquinho de dor, o que fez com que Lucas sorrisse – Vai com calma!
Ele terminava de enfaixar a perna dela, quando distraída olhou para o braço, onde deveria ter outra faixa, mas a ferida já tinha cicatrizado.
— Como você está se sentindo? – ele perguntou despertando-a de seus pensamentos.
— Eu só estou com um pouco de dor de cabeça. Como você me encontrou?
— Sempre pego o atalho do beco para vir para casa, e no caminho achei você. – ele se sentou ao lado dela na cama – Você estava jogada no chão, nua e toda machucada.
— Obrigada por ter me ajudado, e me desculpe pelo incomodo.
— Você não me incomodou em nada. Eu fiquei muito preocupado, não saí do seu lado nem por um minuto sequer, você se debateu a noite inteira. Ainda está com febre?
— Estou com um pouco de frio, mas acho que não é febre.
Dominicky não sabia por que Lucas estava se preocupando tanto com ela. Eles nem se conheciam direito.
— O que realmente aconteceu com você? – ele soltou a pergunta que ela mais temia.
Ela não queria falar sobre o ocorrido da noite anterior, ela não podia deixar que algo acontecesse com ele, então ela resolveu mentir.
— Não me lembro muito bem. A única coisa de que me recordo, era de um cachorro muito grande me atacando.
— Você não se lembra mesmo? – ele insistiu.
Ela balançou a cabeça em negativa. E ele ficou pensativo por um momento, depois colocou sua mão sobre a dela.
— Está com fome? – ele deu um sorriso confortante para ela.
— Muita! – ela sorriu também.
Ele se levantou da cama e ela se levantou junto. Quando ela foi tentar andar sua perna travou de tanta dor que sentia. Lucas abraçou sua cintura para poder ajudá-la.
Ele a guiou até a cozinha, e ajudou-a a se sentar em uma cadeira. Ele arrumava a mesa, com pratos e talhares, enquanto ela observava a cozinha e os movimentos dele.
— O que tem de bom para comer? – ela perguntou de um jeito atrevido, e então sorriu.
Lucas sorriu ao ver que Dominicky demonstrava não estar nem um pouco abalada com o que havia acontecido. Passou pela cabeça de Lucas que ela até sabia fingir bem.
Ele colocou um prato na frente dela, com arroz, feijão, carne de panela e salada. Ao lado do prato colocou um enorme copo de suco de laranja.
— Espero que você goste.
— Obrigada.
Dominicky atacou a comida igual a um leão faminto. Chegando a repetir o prato.
— Nossa... Você realmente estava com fome! – ele sorriu e entregou-lhe um guardanapo de papel.
Dominicky olhou para o relógio pendurado na parede da cozinha, e já eram duas horas da tarde. Imaginou que sua tia já tivesse colocado um batalhão do exército atrás dela. Ela olhou espantada para Lucas.
— Eu preciso ir, minha tia já deve estar querendo me matar!
— Ela sabe que você está aqui. – ele falou tranquilamente.
— Como? – ela falou confusa.
— Eu liguei para ela ontem, falando que você e as meninas iam ficar aqui. Falei que ia ter a noite da pipoca.
Dominicky deu risada.
— Mas onde é que estão as meninas?
— Falaram que iam ficar na casa de um tal de Marcelo, parece que ia ter uma festa lá, e não acho que seria uma noite da pipoca.
— E como você sabe de tudo isso?
— Você estava inconsciente Nicky, e seu celular estava jogado perto de você quando a encontrei. Eu o usei para ligar para uma de suas amigas. Combinei a história da pipoca com elas, mas não falei nada do que havia acontecido com você.
— Obrigada, por tudo!
Dominicky o ajudou a arrumar a cozinha, ela se sentou em uma cadeira, estava um pouco cansada e também por que sua perna doía bastante.
— Quer ir tomar sorvete? – ele perguntou.
Dominicky o olhou, e depois olhou para as roupas que havia pegado do guarda-roupa dele.
— Havia me esquecido deste detalhe. – ele estendeu a mão para ela – Vem comigo.
Dominicky aceitou a mão de Lucas, e se levantou da cadeira com um pouco de dificuldade. Ele a conduziu até um outro quarto, o que poderia ser de sua mãe. Ele abriu algumas gavetas, e depois colocou algumas roupas na mão dela.
— Você pode tomar banho no meu quarto.
Ele falou conduzindo-a para o quarto dele novamente, abriu a porta para ela, e disse saindo:
— Te espero lá na cozinha.
Ela assentiu, e fechou a porta do banheiro, tirou as roupas que estavam em seu corpo e entrou debaixo do chuveiro.
Para ela a água estava tão gostosa que ela poderia ficar ali até o dia seguinte. Ela desligou o chuveiro e se enxugou com uma toalha que estava pendurada ali.
Ela pegou a roupa que estava em cima da pia e a colocou. Um vestido amarelo de malha caiu perfeitamente em seu corpo, e a sapatilha preta coube bem em seu pé.
Ela saiu do quarto ainda mancando e foi até a cozinha. Lucas estava sentado, escrevendo em um caderno e ela parou na porta.
Quando ele percebeu que Dominicky estava ali, ele olhou para ela, e seus olhos brilharam mais que diamantes expostos ao sol.
— Você está bonita!
—Ah claro, com todas essas manchas espalhadas pelo meu corpo. – ela sorriu brincalhona.
— Você está bonita sim, deixa de ser boba!
— Então obrigada! – ela sorriu acanhada.
— Vamos? O sorvete deve estar derretendo!
— Estou sem dinheiro Lucas.
Ele revirou os olhos.
— Eu te convidei. Eu pago!
— Não acho isso certo.
— Para de ser chata. – ele fez cara feia para ela e ela retribuiu a cara feia – Tudo bem. Eu pago dessa vez e você fica me devendo uma.
Lucas pegou na mão dela e sem esperar por uma resposta dela puxou-a para fora da casa. Ela revirou os olhos e seguiu ele até o portão.
Quando colocaram o pé para fora, todos começaram a olhar para Dominicky. Algumas pessoas tentavam disfarçar, outras paravam para observar e ficavam comentando. Dominicky começou a se sentir mal e parou no meio da calçada.
— Lucas... Não estou me sentindo bem com todos me olhando dessa maneira. – Ela observou todos ao seu redor.
Lucas se virou para ela e segurou seu rosto entre as mãos. O que a fez ficar mais constrangida ainda.
— Nicky não tem nenhum problema com você. Você é linda, e está linda!
— Mas... – ela fechou os olhos com força – Estou com uma perna enfaixada, hematomas pelo meu rosto, pescoço todo arranhado, fora que tem um hematoma enorme entre a minha barriga até a costela, sorte que ninguém consegue ver!
Ela abriu os olhos, e sentia-os começarem a arder e as lagrimas rolarem pela face de seu rosto. Lucas a abraçou, e a embalou em seu abraço.
— Calma... Vou te levar a um lugar que ninguém vai ficar olhando pra você, tudo bem?
Ela assentiu e ficou abraçada com ele, andando sempre de cabeça baixa. Seus cabelos estavam caídos na frente do rosto, fazendo com que ela não enxergasse muito bem por onde andava.
— Hey... – ele parou na frente dela, e segurou seu queixo erguendo sua cabeça – Você está bem?
— É só que... As pessoas podem ser cruéis com apenas um olhar.
Ele segurou firme o rosto dela, fazendo seus olhos pararem nos dele, suas sobrancelhas estavam quase juntas de tanto que ele as franzia.
— Tudo seria mais fácil se você me contasse o que aconteceu!
— Eu já disse tudo o que eu lembro. – ela soltou o rosto das mãos dele e o virou para o lado.
— Pare de mentir Dominicky! Suas pupilas dilatam toda vez que você fica nervosa ou mente. Você não consegue mentir nem um pouquinho.
Ela abaixou a cabeça, e colocou a mão sobre o rosto escondendo-o.
— Você não sabe o que está falando.
— Por favor, Nicky eu só quero te ajudar. – ele puxou a mão dela – Deixa eu te ajudar.
— Não tem como! – ela se virou de costas puxando sua mão da dele.
— Conte para mim, por favor!
Dominicky suspirou fundo e se virou para olhar para Lucas. Não tinha como resistir ao olhar que ele fazia.
— Venha...
Ela pegou na mão dele e andaram até chegar no apartamento onde antes ela morava. Depois de falar com o porteiro, ela pegou a chave que ele estendia para ela.
Era bom que o apartamento ainda estivesse desocupado, no ponto de vista de Dominicky. Ninguém poderia atrapalhar a conversa dela com Lucas ali.
Ela destrancou a porta e abriu devagar, depois de entrarem, trancou-a novamente. Conduziu Lucas até seu antigo quarto
— Onde estamos? – ele perguntou curioso.
— Eu morava aqui. – ela andou até o meio do quarto – Tem algo de diferente aqui.
Dominicky saiu cheirando os cantos da casa, mas seu olfato não captava nada.
— O que está acontecendo?
— Você não vai desistir até eu te contar não é?!
— Não, não vou. – ele deu um sorriso irritante.
— Tá. – ela juntou as mãos, entrelaçando os nós dos dedos – Por onde eu começo...
— Pelo começo, por favor! – ele tentou soar engraçado.
— Seu besta! – ela revirou os olhos – Vamos dizer que eu tenho um extinto animal.
Ele olhou para ela e colocou a mão na boca, depois a abriu para falar, mas fechou-a não chegando a nenhuma conclusão.
— Poderia explicar, por favor?
— Eu... – ela suspirou fundo e abaixou a cabeça — ... Sou um lobo.
— É o que? – a voz dele saiu em um escárnio, como se quisesse rir.
— Eu não deveria nem estar falando isso pra você! Você pode estar correndo perigo!
— Perigo eu posso correr em qualquer lugar.
— Você não acredita, não é? – ela olhou decepcionada para ele.
— É difícil de acreditar em algo que nunca vi. – ele sorriu com ar de deboche.
Seu sorriso sumiu de repente, seus olhos se arregalaram e ele deu um passo para trás.
Dominicky sentiu um ar quente na sua orelha, uma mão pousou em seu ombro, e então uma voz grave sussurrou em seu ouvido:
— Mostre a ele Nicky, mostre a ele o que você tem de diferente.
O corpo dela paralisou, ela conhecia essa voz. Só tinha a escutado uma vez, mas ela sabia muito bem de quem era.
Dominicky arriscou se virar e deu de cara com Louis.
— O que você está fazendo aqui? – ela deu dois passos para trás.
— Vou te contar uma história. – ele sorriu – Uma linda moça tinha uma amizade muito bonita. E então essa moça contou o que não devia para o rapaz.
— Quem é ele Nicky? – Lucas veio para o lado dela, tentando entrar em sua frente.
Ela esticou o braço na frente de Lucas, impedindo-o de passar.
— Vai proteger ele Nicky?! Da ultima vez não conseguiu proteger nem a si mesma.
Louis olhou para os ferimentos dela com um sorriso cínico. Tentou se aproximar, mas Dominicky se afastou, afastando Lucas também.
— Fique naquele canto. Se eu mandar você correr, corra! – ela falou nervosa e Lucas se afastou rapidamente.
— Você não vai conseguir protegê-lo! – ele sorriu maldoso.
Um único passo que ele deu foi o suficiente para chegar bem na frente dela. Ele deu um soco no estômago dela, e a derrubou no chão, passando reto por ela.
— Lucas corra! – ela conseguiu gritar, mesmo com um pouco de falta de ar.
Lucas não se movia, seu corpo parecia ter paralisado. Seus olhos estavam hipnotizados em Louis, que cada vez se aproximava mais.
— Não se aproxime dele Louis!
A cabeça de Dominicky estava levantada na direção de Louis, as mãos pressionando o estômago com força. Na hora que ela tinha levado o soco, o gosto de sangue subiu pela sua garganta, chegando na sua língua, fazendo-a ficar “animada”.
— Ele tem que morrer Dominicky. E você tem que aceitar isso! – ele falava de uma maneira dura e séria.
Louis deu mais um passo na direção de Lucas, o que fez com que Dominicky levantasse rapidamente. Ela correu na direção deles, e conseguiu se transformar em um lobo bem no meio dos dois.
Dominicky se virou para Lucas, seu olhar era de pura surpresa. Então ela se virou para Louis, e começou a rosnar, seus grandes dentes afiados se mostrando para ele.
Louis olhou com raiva para ela, e depois saiu correndo como se aquilo o tivesse espantado.
Dominicky se transformou de volta em uma humana, ela caiu de joelhos no chão e se espantou por dessa vez ter continuado vestida.
Lucas correu até ela, e segurou um de seus braços para ajudá-la a se levantar.
— Você está bem? – ele a segurou com mais força quando ela se apoiou no peso dele.
— Eu só estou me sentindo um pouco fraca! — ela abaixou a cabeça tentando recuperar o fôlego.
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