O uivo de uma paixão: Escolhas do coração
7 Irene Cara - What A Felling
Notas iniciais
Eles saíram do apartamento. Dominicky estava apoiada em Lucas. Na portaria ela devolveu a chave do porteiro.
Pegaram o rumo para voltarem para casa. Dominicky queria muito ir para a sua e descansar.
– Desculpe não ter acreditado em você. – ele olhou de canto para ela.
– Não tem problema.
Depois de ter falado isso, Lucas passou os dedos pelo canto da boca dela limpando o sangue que devia ter escorrido na hora em que Louis havia lhe dado um soco.
– Aliás, a cor do seu pelo é muito bonita! – ele sorriu achando graça.
– Obrigada. – as maçãs do rosto dela coraram.
Eles chegaram em frente a casa dela, e pararam na frente do portão.
– Você quer ajuda para entrar?
– Acho que você já me ajudou muito por hoje. – ela sorriu e segurou as mãos dele – Obrigada por tudo.
– De nada. E se você precisar é só chamar. – ele sorriu – Eu vou indo então...
– Tudo bem. Amanhã eu devolvo as roupas da sua mãe.
– Não precisa ter pressa.
– Tome cuidado, por favor!
Ele sorriu novamente, e sem falar nada andou em direção de sua casa.
Dominicky abriu o portão e entrou na casa mancando e com um pouco de dor no estômago. Ela abriu a porta e pendurou as chaves no chaveiro. Estava a ponto de subir as escadas, quando escutou a tia gritar em tom alegre:
– Nicky tem visita pra você. Vem aqui na sala, por favor.
Dominicky revirou os olhos, e praguejou baixinho. A única coisa que ela queria no momento era relaxar um pouco na banheira, descansar e ir para a aula de dança.
Ela marchou até a porta da sala e parou. O sorriso que estava estampado na cara de Val sumiu, ela olhou Dominicky de cima a baixo, seu olhar resplandecendo terror.
– O que aconteceu?! – ela perguntou horrorizada.
Dominicky não respondeu e desviou o olhar para o lado. Ela reparou em dois homens sentados no sofá maior, seu olhar observando-os por um bom tempo.
Um dos homens era mais velho, forte, e parecia estar ali para algo sério. O outro era uma versão mais nova do mais velho. Ambos morenos, apenas com cor de olhos diferentes, a do moço mais novo era azul cor do mar, e ondas pareciam balançar neles. O do homem mais velho era castanho claro.
– Olá Dominicky! – o moço mais novo falou com um sorriso petulante para ela.
– Oi... – ela ergueu uma de suas sobrancelhas.
Quem são eles? Ela pensou semicerrando os olhos.
Seus olhos se demoraram no moço mais novo, a pele clara, mas bronzeada, os ombros largos, os braços fortes, e o corpo definido. Balançou a cabeça e desviou os olhos novamente para Val.
– Querida, estes são Tom, e o filho dele Pether.
– Prazer. Mas acho que não preciso me apresentar, pelo jeito já me conhecem não é?!
– Dominicky... – Val a repreendeu.
Dominicky não estava com muita paciência, o humor tinha mudado rapidamente. Ela revirou os olhos, e se sentou ao lado de Val.
Seus olhos pararam em Pether novamente, ele era lindo. Ele a pegou olhando-o, e então ela desviou os olhos rapidamente, ruborizando um pouco.
– Você já deve ter conhecido Louis não é?! – Tom analisou os ferimentos dela.
– Como você sabe?
– Você não iria apanhar a toa por aí, não pra conseguir esses tipos de ferimento. E você carrega o cheiro dele com você.
– Você também é um lobo? – ela perguntou.
– Sim, e o Pether também. Viemos aqui para te fazer uma proposta.
– Olha eu tive um dia difícil... – Val deu um beliscão na perna de Dominicky, e ela olhou feio para a tia – Qual seria ela? – Dominicky falou entre dentes.
– Não sei se você já sabe, mas seu pai era líder do nosso clã, e alguns meses antes de morrer deixou essa liderança em minhas mãos. Quando eu soube que ele havia tido uma filha, vim o mais rápido possível para o Brasil para poder conhecê-la.
Todos ficaram quietos por um momento, e vendo que Dominicky não ia se pronunciar Tom continuou:
– É aí que entra a minha proposta. Você é uma loba. Filha do líder do nosso clã. Por direito, essa liderança é sua, você carrega isso no sangue.
– Espera aí... – Dominicky riu e balançou a cabeça – Você está querendo que eu vá para Roma liderar o seu clã?!
– Dominicky, eu só cuido de tudo por que o seu pai me pediu, e eu não sabia da sua existência. Essa é a sua obrigação...
– Minha obrigação?! – Dominicky se exasperou e interrompeu Tom – Não é você quem o Louis quer matar! Se eu for para Roma liderar esse clã, aí sim eu vou morrer!
– Ele tentará te matar onde quer que você esteja. – Tom falou calmo.
– Então eu escolho morrer aqui, como alguém normal! – ela gritou com ele – Fique com a obrigação de ser líder pra você, eu não a quero!
Dominicky se levantou do sofá e saiu correndo até o hall de entrada. Parou diante a porta, com a cabeça baixa.
– Nicky! – Val gritou com ela.
– Não venham atrás de mim!
Ela abriu a porta e saiu batendo-a com força. Ela não conseguia andar direito com seus ferimentos, mas sabia que podia andar rápido o suficiente para que a tia não a seguisse.
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— Desculpem pela atitude dela. – Val se desculpou constrangida – Ela tem andado muito nervosa ultimamente.
– Não se preocupe Val, os jovens de hoje são assim mesmo. – Tom sorriu.
– Se quiserem posso ir atrás dela. – Pether falou.
– Vá meu filho. Quem sabe você consegue convencê-la de alguma coisa.
Pether assentiu sério e se levantou para ir atrás de Dominicky.
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Dominicky já estava perto do beco, praticamente arrastando sua perna junto de si. Sua cara estava fechada, a raiva estampada nela.
– Desse jeito você não vai conseguir fugir nunca.
Dominicky parou e se virou na direção da voz. Revirou os olhos quando notou o sorriso petulante de Pether.
– Como você me alcançou?
– Eu sou um lobo Nicky, posso correr muito mais rápido do que qualquer humano.
Ela o olhou de cima abaixo, odiava o jeito como ele tentava se mostrar.
– E eu pedi para ninguém vir atrás de mim.
Dominicky se virou de volta para o seu destino. Sua visão começou a ficar turva, até que ela tropeçou e se estatelou no chão.
Pether correu na direção dela e se abaixou para poder ajudá-la a se levantar.
– Você está bem?! – ele perguntou preocupado.
– Estou... – ela falou confusa – Nossa, minha visão escureceu de repente. O que aconteceu?
– Sei lá, você caiu do nada como se alguém a tivesse empurrado.
– Eu ainda devo estar com fome, só isso. – ela passou as mãos sujas de terra pelo vestido.
– Venha. – ele estendeu a mão para ela – Eu te levo para comer algo.
Eles foram até uma lanchonete ali perto. Pether abriu a porta para ela.
O garçom logo veio atendê-los, Dominicky pediu um misto quente e um suco de morango. Ela comeu tudo devagar, satisfazendo a fome aos poucos.
Quando ela terminou de comer, Pether foi até o caixa e pagou a conta. Ele voltou e ajudou Dominicky a se levantar da cadeira, e andou ao lado dela abraçando-a pela cintura, para que ela não caísse novamente.
– Nicky, por que você não aceitou a proposta do meu pai?
– Por que eu não quero.
– Por que você não quer, ou tem algo que a impeça?
– Os dois.
– E o que a impede?
Dominicky suspirou, se soltou de Pether e passou as mãos pelo cabelo.
– Meu lugar é aqui Pether. Ao lado da minha tia, meus amigos, a Catarina!
Ele abaixou a cabeça demonstrando tristeza.
Eles andaram até o parque sem falar nada. Dominicky andou na frente se sentando em um banco, que estava bem isolado da rua, ou de movimento.
– Aceite a proposta do meu pai. – ele insistiu.
– Entenda que eu não posso Pether!
– Por que não?!
Será que ele não desistia nunca? Dominicky começou a ficar irritada com ele.
– Pether... – ela suspirou fundo – Eu preciso proteger o Lucas, sei que Louis irá atrás dele! Preciso proteger a Jess, e a Maddy. E minha tia... – ela sussurrou.
– Se você ficar aí sim que ele irá atrás dos seus amigos. E a Catarina pode protegê-los.
– Mas ainda é dos meus amigos que estamos falando.
– Admiro essa sua coragem, e preocupação que tem por eles.
– Se acontecesse algo com eles por minha causa, eu jamais me perdoaria.
Pether estava sentado ao lado dela e a olhou impressionado pelo que tinha acabado de falar. Os olhos dele brilhavam bastante, e um sorriso nasceu em seu rosto.
Dominicky observou o rosto dele que ainda tinha o sorriso. Ela paralisou os olhos na boca dele, tinha um formato perfeito, o sorriso era maravilhoso, o sorriso mais bonito, malicioso e cativante que ela já tinha visto.
Seu corpo não obedecia a seus comandos, ela se aproximou do rosto dele e lhe beijou de leve nos lábios.
Quando ela encostou os lábios nos dele, um choque passou por eles e por seu corpo todo. Ela se afastou rapidamente colocando a mão sobre a boca. Isso que tinha acabado de fazer era loucura.
Pether a olhava paralisado, não conseguia mexer um músculo, apenas a observava com surpresa.
– Me... Me desculpe. – ela se levantou do banco e saiu correndo. Estava muito envergonhada.
Ela corria rápido, os ferimentos não a incomodavam mais. Ela só queria fugir para bem longe dali. Seu rosto queimava, o constrangimento era grande.
Ela parou em uma rua sem saída, se encostou sobre o muro e colocou a mão no peito, arfando. Seu coração estava acelerado, e não era por ela estar cansada.
– Como você é idiota Dominicky! – ela falou para si mesma.
Ela escorregou pela parede e se sentou no chão, batendo a cabeça na parede.
– Por que você fugiu? – Pether estava parado perto dela.
Dominicky levantou a cabeça olhando espantada para ele.
– Eu pensei que você fosse demorar mais um pouco para me achar.
Pether deu um sorriso torto.
– Eu segui o seu cheiro. Cheiro de chocolate. E seus lábios são tão macios, e saborosos quanto um.
Dominicky abaixou a cabeça, suas bochechas começaram a corar. O que ela faria? E o Juliano?
– Desculpa, eu não sei por que fiz aquilo.
– Tudo bem. Vamos fingir que nada aconteceu. – ele estendeu a mão para ela, ajudando-a a se levantar.
– Valeu. – ela pensou um pouco querendo mudar de assunto – Cada pessoa tem um cheiro?
– Olha, eu não sei, fui treinado a sentir só o cheiro de lobos. Mas meu pai consegue sentir cheiro de humanos.
– Eu também consigo! – ela falou empolgada – O Juliano, por exemplo, tem cheiro de menta. – de tão empolgada que estava não havia reparado no que tinha acabado de falar.
– Quem é Juliano? – ele perguntou curioso, seu olhar tomado por raiva.
– É... – ela tentou disfarçar – ... Um amigo.
Ele olhou desconfiado para ela, sua expressão se tornou um tanto rude. Balançou a cabeça e então pegou na mão dela para poderem andar.
– Então você tem namorado? – seu cenho estava franzido.
– Não! – ela deu um gritinho sem querer, não tinha mais como esconder – Quer dizer, não exatamente. Sei lá, não quero namorar com ele.
– Você fala demais quando está nervosa!
Dominicky soltou a mão da dele, e empacou igual a um burro.Olhou para a cara dele e o desafiou com o olhar.
– Eu não estou nervosa!
Os movimentos de Pether foram rápidos e ele já estava a centímetros do rosto dela, tentando impressioná-la. Ela ficou parada sabendo o tipo de jogo que ele ia fazer. Ele colocou uma mão em seu rosto acariciando-o e a outra na cintura dela. Ela olhou para as mãos dele e as empurrou.
– Se você acha que vai me surpreender com tudo isso está muito enganado.
– E se eu... – ele deu um sorriso malicioso e a jogou entre a parede segurando seus braços. Ele olhou profundamente em seus olhos e depois começou a beijar seu pescoço.
– Pether a brincadeira já está ficando séria! – ela tentava se contorcer sob os beijos dele – Pether para! – ela gritou.
Ele se afastou ainda com o sorriso malicioso.
– Eu sabia que você ia ficar nervosa!
– Só que a sua brincadeira já tinha passado dos limites!
Ela saiu dando passos duros, pois tinha ficado triste com ele. Seu coração estava disparado novamente.
– Nicky me desculpe. Foi apenas uma brincadeira.
– Eu só quero ir para casa.
Ela cruzou os braços e encolheu os ombros como se estivesse sentindo frio, abaixou a cabeça e continuou a andar.
Pether ficou calado o caminho inteiro, pensava em como havia deixado Dominicky triste. As mãos estavam dentro do bolso da calça, e sempre olhava de canto em direção a ela.
– Chegamos. Será que seu pai ainda está aí.
– Está sim. Vamos ficar na sua casa enquanto estivermos no Brasil.
– E vão dormir aonde?
– Sua tia comentou que vou dormir em um quarto, meu pai irá dormir na sala.
– Em um quarto? – ela perguntou confusa.
– Foi sua tia quem disse. Ela queria que meu pai dormisse no quarto também, mas ele disse que ficaria bem na sala.
– Isso é muito tenso!
– Por quê?
– Por que aqui só tem dois quartos... – seus olhos se arregalaram e Pether deu um sorriso malicioso – Nem pensar!
Dominicky abriu a porta de casa e deu de cara com suas amigas no hall.
– Até que enfim você apareceu! Viemos ver você, mas já precisamos ir embora. – Maddy foi até ela e a abraçou.
– Viemos devolver suas coisas, encontramos Lucas no meio do caminho e ele pediu para devolver seu all star também.
Jess também a abraçou, ao se afastar observou os ferimentos dela tentando imaginar o que tinha acontecido.
– O Marcelo te mandou um beijo e falou que da próxima vez você também vai à festa. Tchau, se cuida. – ela beijou o rosto de Dominicky, e então passou por Pether e sem olhar para ele disse secamente – Cuide bem dela!
– Tchau, adoro vocês! – Dominicky gritou da porta.
Depois disso ela fechou a porta e foi para a sala. Tom ainda conversava com Val.
– Pether – ela disse com uma voz suave – Já preparei sua cama no quarto da Nicky, levei travesseiro e um edredom.
– Hãm?! Por que no meu quarto?! – Dominicky falou nervosa – Jamais, nunquinha!
– Ele vai ficar no seu quarto sim Dominicky! – Val a repreendeu – E não adianta reclamar.
– Obrigada Val. – ele a agradeceu, e depois se virou com um sorriso petulante para Dominicky.
Pether subiu as escadas indo para o quarto, e Dominicky o fuzilou pelas costas.
– Querida, se você quiser pode dormir comigo.
– Não tia, obrigada. É o meu quarto e é lá que vou dormi.
– Você não vai pra academia de dança hoje não é?!
– Claro que vou! – ela começou brigando com Val.
– Calma, eu só queria saber por que vou ao mercado e não vou poder te levar.
– Tudo bem, é aqui perto, eu posso me virar. – Dominicky sorriu – Obrigada por não me proibir.
Val apenas sorriu para ela. Dominicky subiu as escadas, e foi para o quarto pegar uma roupa para poder tomar banho. O quarto estava vazio, ela imaginou que a praga do Pether estivesse no banheiro, então resolveu esperar.
Logo depois de ter arrumado suas coisas, Pether entrou no quarto sem se incomodar em bater na porta.
– Não sabe bater na porta? – Dominicky perguntou.
– Eu pensei que você estivesse na sala de estar, escutei alguns barulhos lá.
– Olha, eu vou tomar um banho, relaxar um pouco, por que tenho aula de Jazz hoje. – Dominicky pegou suas coisas – Agradeço se você ficar quietinho aqui e não me encher o saco.
– Como queira! – ele se jogou na cama e pegou um livro que estava em cima do armário e começou a folheá-lo.
Dominicky revirou os olhos e saiu batendo a porta do quarto atrás de si. Entrou no banheiro, colocou suas coisas em cima da pia e colocou a banheira para encher. Se depilou com seu barbeador elétrico, lavou os cabelos e os prendeu em um coque.
Despejou na banheira um pouco de sais para relaxamento e banho de espuma de baunilha e afundou o corpo na água. Colocou os fones de ouvido, e apoiou a cabeça na borda da banheira.
A água quente relaxava seu corpo, os músculos que antes estavam tensos começaram a se soltar e a formigar um pouco de tão relaxado que estavam. De tão tranquila que estava Dominicky acabou cochilando um pouco.
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A maçaneta da porta girou e ela abriu devagar. Uma sombra apareceu atrás dela e depois Louis entrou sem fazer barulho nenhum.
Ele observou Dominicky na banheira, a espuma cobrindo suas partes íntimas. A cabeça tombada para o lado e a boca semi-aberta a deixava com um ar cheio de paz, totalmente inocente.
Louis se aproximou cautelosamente da banheira, envolveu o pescoço de Dominicky com carinho e depois começou a apertá-lo com força. Ela acordou, e no momento em que abriu os olhos Louis afundou sua cabeça na água tentando afogá-la. Ela se debatia na água, espirrando-a para todo lado, estava ficando sem ar nos pulmões. E então...
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Dominicky acordou assustada, e colocou as mãos no próprio pescoço. Não tinha ninguém ali, tinha sido apenas um sonho. Ela estava arfando, o coração estava a mil por hora.
Ela saiu da banheira e se enrolou na toalha, precisava se arrumar o mais rápido possível, e então a maçaneta da porta começou a girar, Dominicky ficou desesperada, pegou a primeira coisa que achou na sua frente.
Ela ergueu o secador de cabelo, em modo de ataque se precisasse jogar na pessoa. E então a porta se abriu.
Mãos grandes seguraram seu pulso e ela foi empurrada até a parede atrás da porta. Dominicky tentou gritar, mas uma das mãos foi parar na boca dela.
– Shhh... – a pessoa sussurrou no ouvido dela, e então apagou a luz que tinha no espelho.
Dominicky olhou para cima, e seus olhos se encontraram com os de Pether. Mesmo no escuro ela sabia que era ele.
Ele tirou a mão de sua boca. Ela arfava, seus corpos estavam muito próximos, suas respirações se igualando, e então ela pôde sentir o cheiro dele.
Passos vieram do corredor e pararam ao lado da porta do banheiro. Depois continuou até as escadas, descendo-as e depois abrindo e fechando a porta da frente.
Os dois ficaram parados ali por mais um tempo, para ter certeza se a pessoa realmente tinha ido embora.
Pether encostou a testa na de Dominicky, seus olhos estavam fechados de alivio. Ela o observava sem saber o que fazer, estava inebriada com o perfume dele.
Ele abriu os olhos e segurou o rosto dela entre as mãos, colocou uma mecha do cabelo que estava solto atrás da orelha. Dominicky achou que ele iria beijá-la naquele exato momento, seu coração começou a martelar em seu peito. E apenas uma pergunta se formou nos lábios dele.
– Você está bem? – seus olhos a olhavam preocupados.
– Uhum. – foi a única coisa que ela conseguiu soltar no momento.
– Que bom. – ele deu um meio sorriso – Termine de se arrumar. Se não se importar eu a acompanho até a sua academia de dança.
Dominicky apenas assentiu. Ele acariciou o rosto dela e depois saiu fechando a porta atrás de si.
– Uau... O que foi isso? – ela se abanou.
Dominicky secou o cabelo com o secador, e ficou se olhando no espelho por um minuto. Ela passou a mão pela bochecha, onde a poucos minutos Pether tinha tocado. Por que esse cara mexia tanto com ela? Por que ela se sentia tão distraída quando estava perto dele?
Ela sorriu diante ao espelho e depois balançou a cabeça, precisava terminar de se arrumar e rápido. Colocou uma calça jeans preta justa, um top vermelho, uma camiseta larga e saiu do banheiro. Ela entrou no quarto e deu de cara com Pether.
– Está pronta?
– Só vou colocar meu coturno, e pegar minha bolsa.
Dominicky se sentou na cama e colocou os coturnos, pegou a bolsa da escrivaninha e deu uma ultima olhada no espelho.
– Vamos? – ela perguntou para Pether.
Ele indicou a escada para que ela descesse primeiro e então ela sorriu. Dominicky desceu as escadas com rapidez e Pether foi atrás observando suas costas, e não pode deixar de notar o bumbum arrebitado. Para ele tudo nela era perfeito.
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Eles já estavam perto do shopping, a academia de dança ficava em um prédio antigo doado pelo prefeito. O prédio iria ser destruído para poder construir um novo shopping no local.
Com muito esforço a diretora de dança conseguiu falar com a secretaria de cultura, para que o prédio fosse transformado em uma academia de dança. As aulas eram gratuitas e todo ano era aberto inscrições para novas crianças ou até mesmo adultos que quisessem fazer qualquer outro tipo de dança.
Dominicky explicou tudo isso para Pether com um grande sorriso no rosto.
– Então você começou no jazz com quatro anos? – ele perguntou.
– Sim, e eu amo dançar. – ela sorriu – Eu fazia em uma academia particular, mas aí minha melhor professora resolveu abrir uma aqui e eu vim com ela.
– Como ela consegue manter?
– O prefeito nos ajuda com tudo que pode. E com o salário que a professora ganha dando outras aulas ela também ajuda.
– Mas tudo isso ajuda? – Pether estava muito interessado.
– Vou te contar um segredo – ela olhou para ele – Com o salário que ganho na Catarina posso fazer o que quiser. Então, todo mês eu faço uma doação anônima. Só a professora e o prefeito sabem, mas quando eu vejo os olhos dos meus colegas brilhando e até mesmo das crianças, eu me sinto viva e feliz.
Pether não falou nada, olhava para Dominicky com um sorriso bobo.
– Posso ficar? – ele perguntou.
– Aonde? – ela perguntou confusa mas mesmo assim estava sorrindo.
– Aqui com você. Para ver o ensaio.
– Eu não sei Pether... – o sorriso dela sumiu.
– Por favor! – ele suplicou.
Dominicky riu quando ele fez beicinho, ela apertou as bochechas dele.
– Se você me prometer não causar nenhum problema, eu o deixo ficar.
– Palavra de escoteiro! – ele levantou a mão direita.
– Então vamos. É esse prédio aqui.
Ela pegou-o pela mão e o conduzio até uma grande prédio azul e branco.
A tinta se descascava toda por fora do prédio. Por dentro não era muito pior, mas por causa da ajuda do prefeito muitas coisas haviam melhorado.
Dominicky o puxou para a parte térrea do prédio, descendo uns três lances de escada.
Vozes se aproximavam cada vez que eles avançavam pelo corredor. Uma porta dupla apareceu na frente deles.
Dominicky abriu a porta com tudo e revelou o mundo mágico dela.
As dançarinas estavam todas de shorts de lycra e blusinha de malha, e meninos usavam legging e camisetas normais.
– Eu pensei que você não fosse vir mais Nicky. – uma voz falou atrás deles dois.
– Oi Luana! – Dominicky se virou e a comprimentou.
– Quem é o seu amigo?! – Luana perguntou.
– Esse é o Pether, ele queria ver um dos meus ensaios e eu o trouxe.
– Muito prazer. – Luana estendeu a mão para Pether.
– O prazer é todo meu! – Pether apertou a mão dela com força.
– Essa é a nossa professora. – Dominicky sorriu.
– Preciso que você vá se trocar,já iremos começar com os alongamentos.
Dominicky assentiu e puxou Pether para um canto da sala, onde tinha várias cadeiras espalhadas.
– Você pode ficar aqui, se quiser alguma coisa a cozinha é por aquela porta. – ela apontou para uma porta vermelha do outro lado do salão.
Dominicky foi para trás de uma cortina, entrou em uma sala improvisada e trocou de roupa. Ela colocou um shorts preto de lycra, e ficou com o top.
Ela voltou para o salão e se juntou aos colegas e à Luana. Pether focou o olhar apenas em Dominicky, o modo como ela se alongava, ou como ela ajudava os colegas em algum alongamento.
Dominicky correu sorridente para Pether fazendo alguns passinhos.
– Você pode me fazer um favor?
– Se estiver ao meu alcance! – ele sorriu.
– Claro que está! Lá atrás da cortina tem um notbook conectado à um aparelho de som, você pode colocar esse CD pra tocar na música da faixa quatro?
– Claro!
– Obrigada!
Pether se levantou e foi para trás da cortina . Ele colocou o CD dentro do notbook e colocou para rodar. O som tomou o salão inteiro e de início ele não reconheceu a música.
Depois ele descobriu que era a música "What a Felling". Ele puxou a cortina para o lado e se deparou com um grupo de garotas dançando, e Dominicky estava no meio.
A música então explodiu no refrão e Dominicky começou a fazer um tipo de solo e as garotas a rodeavam e rodopiavam à sua volta.
What a felling
Bein's believin
Ela dava diversos saltos e depois rodopiava.
I can have it all
Now I'm dancing for my life
A música embalava Dominicky e as outras garotas a uma coreografia magnífica.
Segundos antes da música terminar, Dominicky rodopiou mais uma vez e terminou fazendo um espacate se inclinando para trás de um modo gracioso.
Ela se levantou do chão abraçou as colegas e depois Luana.
Pether não conseguiu se segurara, foi até ela e a abraçou erguendo-a do chão. Dominicky ficou surpresa com o abraço, mas mesmo assim abraçou o pescoço dele.
– Você é ótima! Parabéns! – Pether girava ela no ar.
– Obrigada! – ela deu um sorriso largo.
Pether parou de rodá-la e começou a observar seu rosto. Ele estava sorrindo feito um bobo, e Dominicky riu.
– Que foi? – ela perguntou rindo.
Pether passou a língua pelos lábios e depois puxou a cabeça de Dominicky para um beijo. A língua dele invadiu a boca dela com uma grande urgência. Dominicky retribuiu o beijo tornando-o algo com vontade e paixão.
O beijo foi cessando com o tempo, Pether encostou a testa na dela ofegante.
– Prometa. – ela disse ofegante – Que nunca mais irá fazer isso.
– A não ser que você queira?
– A não ser que eu queira! – ela sorriu – Eu vou ir me trocar.
Dominicky correu para trás da cortina, e entrou na sala, sorrindo para si mesma.
– Hoje foi um dia produtivo. Obrigada por tudo Nicky. — Luana entrou na sala atrás dela.
– Eu é que tenho que agradecer, se não fosse você Luana nada disso estaria acontecendo.
– E tem mais uma coisa. Não deixa aquele bofe escapar não. Ele parece gostar muito de você!
Dominicky sorriu e terminou de se vestir, pendurou a bolsa no ombro e deu um sorriso maroto.
– Eu vou pensar nisso.
Ela saiu da sala e foi atrás de Pether. Ela chamou-o para ir embora e os dois saíram do prédio constrangidos e sem reação e atitude sobre o que tinha acontecido antes.
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