O uivo de uma paixão: Escolhas do coração
11 Abshyntho - Ursinho Blau Blau
Notas iniciais
Dominicky despertou de seu cochilo com o soar da campainha. Ela confiscou o horário no celular e ficou impressionada por ter fechado os olhos por apenas quinze minutos. Seu corpo estava cansado e sonolento, ela se levantou um pouco grogue e saiu da casa.
Lucas estava parado no portão, com um sorriso largo no rosto. Dominicky abriu o portão e ele entrou.
— E aí, tudo bem com você?
— Estou um pouco grogue de sono, mas estou bem.
— Eu te acordei?! Posso voltar mais tarde se você quiser.
— Não, eu estava mesmo querendo falar com você.
— Vamos entrar então? – ele perguntou.
Ela assentiu e pegou na mão dele puxando-o para dentro de casa. Ele se sentou no sofá e Dominicky se esparramou ao seu lado colocando suas pernas no colo dele. Ele tirou o tênis dela e começou a massagear seus pés.
— Louis veio atrás de você? – ele perguntou com curiosidade.
— Não. Mas ele destruiu a loja da Catarina. As paredes estavam todas pichadas, com mensagens me ameaçando de morte. Estava tudodestruído!
— Nossa, que horror! Se a policia pudesse fazer alguma coisa...
— É, mas não pode. – Dominicky puxou os pés do colo de Lucas – Louis foi atrás de você?
— Não.
Dominicky balançou a cabeça e o silêncio tomou a sala. Lucas abaixou a cabeça e respirou fundo, ela se levantou e foi até a cozinha.
Ela abriu a geladeira, pegou uma maçã e deu uma mordida.
— O que você tem hein?! – Lucas apareceu na cozinha.
Dominicky se sentou na bancada e deu outra mordida na maçã. O suco da maçã escorreu pelo canto de sua boca, e ela limpou com a costa da mão.
— Eu preciso te contar uma coisa, mas não sei como. Você sabe que é um dos meus melhores amigos...
— Eu sou?! – Lucas estampou sua felicidade no rosto, seu sorriso idiota e sua cara de bobo a fizeram – Mas e aí, o que você tem para me contar?
Dominicky parou de rir, estava na hora de contar para ele.
— Eu vou para Roma.
— Fazer o que lá? – as sobrancelhas dele estavam franzidas.
— Resolver uma vez por toda essa história de ser um lobo. Enfrentar Louis cara a cara.
— Eu vou com você! – ele falou firme.
— Você está louco, ou quer morrer mesmo?!
— Não me importo, estou me convidando para ir com você. Se fosse eu no seu lugar, você iria fazer o mesmo.
— Não, você estará correndo grande perigo!
— É para isso que servem os amigos Nicky, para nos ajudar até na hora da morte.
— Não, não, não! – Dominicky balançou a cabeça em negativa.
— Ah Nicky, por favor! – ele implorou – Aliás, eu conheço Roma, já fui para lá três vezes.
Dominicky estreitou os olhos, sabia que seria bom ir com alguém que conhecesse um pouco o lugar.
— Está bem, você pode ir junto. Mas tem que me prometer que vai tomar todo cuidado possível!
— Eu prometo! – ele ergueu a mão direita e a colocou em cima do coração.
Dominicky pulou da bancada e foi para perto de Lucas, pegou em sua mão e olhou nos seus olhos.
— Você está sendo um amigão.
— Estou precisando de um pouco de aventura também. – ele sorriu e Dominicky retribuiu o sorriso.
O telefone começou a tocar e não deixou Dominicky responder o tipo de aventura que ele iria ter. Ela foi até a sala e atendeu ao telefone, Catarina pedia que ela fosse até a loja novamente. Dominicky ficou preocupada. O que será que teria acontecido dessa vez?
Eles saíram de casa e foram para a loja onde Catarina a esperava. Ao ponto que se aproximava da loja morria de medo que tivesse acontecido mais alguma coisa.
De longe ela viu o carro da tia estacionado em frente à loja. Dominicky achou estranho a tia não estar trabalhando, sua preocupação aumentou.
Dominicky abriu a porta da loja, a luz ainda não estava acendendo, e uma luz brilhante vinha da cozinha.
— Venha aqui na cozinha Nicky. – Catarina a chamou.
Dominicky segurou a mão de Lucas por impulso e a apertou forte. Seu corpo todo tremia.
— Você está bem? – Lucas perguntou preocupado.
Dominicky balançou a cabeça positivamente, cruzaram a cozinha e Val estava sentada junto a Catarina em cadeiras encostadas na parede.
— Aconteceu alguma coisa? – Dominicky perguntou apreensiva.
— Não, eu só quero conversar com você. – Val falou e se levantou da cadeira.
— Se for sobre a viagem eu já estou decidida tia, eu vou!
— Eu sei que não vou conseguir fazê-la mudar de idéia. – ela suspirou fundo – Você pode ir para Roma.
— Jura tia?! – Dominicky correu para abraçá-la – Obrigada, obrigada!
Catarina se levantou e colocou a mão no ombro de Dominicky. Ela sorriu e lhe deu uma piscadinha.
— E eu tenho uma coisa para você. – Catarina olhou de Dominicky para Lucas – Para vocês dois na verdade.
— E o que é? – eles perguntaram em uníssono.
— Aqui estão seus passaportes. – Catarina estendeu duas carteiras nas mãos e entregou para eles.
— Como você conseguiu tão rápido?! – Dominicky perguntou admirada, mas ao mesmo tempo confusa.
— Eu já namorei um cara que resolve esses tipos de coisa, e ele me deu uma pequena ajudinha. – ela deu um sorrisinho tímido.
Dominicky lançou um olhar malicioso para ela e sorriu.
— E como vocês sabiam que Lucas vai comigo?
— Primeiramente eu não iria deixar uma garota de dezessete anos ir sozinha para Roma. Catarina ligou para mim e me contou que você queria ir, e como eu não posso ir junto, comecei a pensar em alguém que poderia ir com você. Então me lembrei do Lucas, liguei para a casa dele e pedi que ele fosse conversar com você, e pelo que estou vendo ele conseguiu convencê-la em poder ir junto. – Val falou tudo sem ao menos dar uma pausa.
Dominicky se virou para Lucas e lhe lançou um olhar acusador.
— Você sabia disso? Pensei que você havia pedido pra ir por que realmente queria! – ela deu um tapa no braço dele.
Lucas segurou a mão dela com força, e olhou profundamente em seus olhos.
— Tudo que lhe falei lá na sua casa foi verdade! – ele soltou a mão dela – Pois mesmo sabendo do perigo que estou correndo, em nenhum momento me recusei a ir.
Ele abriu um largo sorriso para ela, e ela não conseguia ficar séria, ela retribuiu o sorriso e lhe deu um abraço que quase fez com que os dois caíssem no chão. Ela pediu desculpa e se endireitou, ajudando-o a se equilibrar.
Dominicky estava maravilhada, ainda não acreditava que ia para Roma.
— Eu vou para Roma! – ela segurou o rosto de Juliano e deu um sorriso de orelha a orelha.
— Me senti excluído agora. – ele fez cara de triste.
— Nósvamos para Roma! – ela corrigiu a frase e soltou o rosto dele.
Dominicky só pensava em sair dali, viajaria talvez em uma ou duas semanas, não sabia nem a data. Mas sua vontade de arrumar suas coisas era imensa, pois ele iria ver Pether, e isso a deixava empolgadíssima.
— Mas eu quero que você preste muita atenção Dominicky! – Catarina falou sério para ela – Você não está indo para lá a passeio, e nem para namorar. Você está indo resolver um assunto que pode virar uma guerra!
— Eu sei Catarina. – a vontade de Dominicky era de revirar os olhos, mas não se arriscou fazer isso – Se tiver uma guerra, pode ter certeza que vou sair vitoriosa dela.
Dominicky falava com bravura e coragem. Mas no fundo o medo e a preocupação se apossavam dela. Tudo poderia acontecer nessa viagem até mesmo a sua morte.
Tudo isso começou a passar pela sua cabeça, e seu olhar ficou vago e sem expressão por um momento. Ela foi despertada do transe pela voz de Lucas.
— Quando é que nós vamos viajar?
— Vocês irão na quarta-feira, depois de amanhã. Se eu não me engano as três e meia da tarde.
Dominicky arregalou os olhos, pois tinha apenas um dia e meio para arrumar suas coisas, e para poder se despedir de suas amigas. Ela deu um beijo no rosto da tia e falou:
— Eu vou pra casa então, quero começar a arrumar minhas coisas cedo pra não se esquecer de nada e acabar ficando tudo de última hora.
— Tudo bem querida, eu vou ficar mais um pouco aqui com a Catarina.
Dominicky assentiu e saiu da loja com Lucas. Ela estava empolgada para chegar à sua casa.
— Eu ainda não estou acreditando que vou para Roma! – ela vibrou de felicidade – Parece até que eu estou sonhando.
— Se você quiser, eu posso te beliscar... – Lucas levantou a mão em direção ao braço dela.
— Nem pense nisso engraçadinho! – ela bateu na mão dele.
Lucas começou a rir e jogou seu braço em volta do pescoço dela. Ele deu um beijo amigável no rosto dela, e ela sorriu.
— Você quer que eu fique com os passaportes? – ele perguntou ao pé do ouvido dela.
— Claro você terá mais cuidado que eu. Sou totalmente desastrada com as coisas, e sempre acabo perdendo-as.
— Eu sou um cara totalmente responsável! – ele disse convencido e empinou o nariz.
— Idiota! – ela revirou os olhos.
Ao chegarem à frente da casa, Lucas parou e chamou atenção de Dominicky.
— Vou pra casa, vou começar a arrumar algumas coisas também.
— É eu também vou começar a arrumar algumas coisas.
— A gente se vê na quarta então?!
— Acho que sim.
— Até quarta então. – Lucas deu um beijo no rosto dela e saiu andando em direção de sua casa.
Dominicky entrou em sua casa e correu para o quarto de sua tia. Ela pegou a maior mala que tinha e a levou para o seu quarto.
Ela pegou todas as roupas que achava necessário e foi dobrando bem, para poder caber na mala. Ela pegou dois pares de tênis, o coturno, uma bota, e uma pantufa de coelhinhos. Pegou também seu travesseiro e um ursinho com o qual dormia junto.
Era muito óbvio que ela iria precisar de outra mala. Ela colocou as fotos dos pais no fundo dessa e cobriu com algumas roupas íntimas. Ela não podia se esquecer das fotos era um modo de estar e se sentir perto deles.
— Oi Nicky.
Dominicky deu um pulo e se virou assustada em modo de ataque. Lucas deu um passo para trás para não ser acertado pela mão dela.
— Que susto Lucas! Quer me matar do coração?!
— Me desculpe. – ele se aproximou – O que você está levando para a viagem?
— Só o necessário. – ela se virou para continuar arrumando suas coisas.
— Então esse urso encardido e rasgado é muito necessário para estar na sua mala...
Dominicky arregalou os olhos e se virou rapidamente. Lucas ria e segurava o urso apenas por um braço.
— Ele é muito necessário viu! – ela arrancou-o da mão dele – Tenho ele desde pequena e não vou deixá-lo para trás.
Dominicky mostrou a língua para Lucas, e enfiou o ursinho de volta na mala. Lucas riu da atitude infantil dela, e observou ela fechar a mala com raiva e colocá-la em um canto.
— Ah Nicky, não fique brava!
— Então não me zoe mais por causa do meu ursinho!
— Tá. – ele começou a rir novamente, e Dominicky lhe lançou um olhar frio – Tudo bem, não vou mais rir!
Lucas continuou segurando o riso, e Dominicky tentava não ligar para ele. Quando ela terminou de arrumar suas roupas, colocou a segunda mala ao lado da outra e se deitou exausta na cama.
— Metade das coisas pelo menos já estão arrumadas. O resto eu termino amanhã... – ela falou baixinho para si mesma.
Ela escutou a porta da sala batendo e Lucas anunciou:
— Acho que sua tia chegou.
— Nicky, já arrumou suas coisas?! – Val gritou do pé da escada.
— Arrumei só metade tia! – Dominicky gritou de volta.
Val entrou no quarto e se sentou na ponta da cama ao lado de Dominicky.
— O que falta? – ela perguntou pensativa.
— Apenas objetos pessoais...
Dominicky estava deitada com os olhos fechados e Val analisava sua sobrinha, com os olhos semicerrados.
— Você não está levando aquele seu urso encardido né?!
Dominicky se sentou na cama e olhou de canto para as malas. Lucas começou a rir novamente e não parava mais. Dominicky desviou seu olhar para ele e se tivesse o poder para estrangulá-lo com o pensamento ela iria fazê-lo.
— Não, ele está guardado.
— Guardado dentro da sua mala né Nicky?! – Lucas falou entre risos.
— Lucas você não tem mais o que fazer?! – Dominicky falou séria para ele.
— Não, minha mãe já me ajudou a fazer minhas malas. – ele continuou rindo.
— Eu te dou um minuto para tirar esse treco da sua mala Dominicky, ou eu mesma farei isso e irei jogá-lo no lixo!
Val saiu do quarto sem dizer mais nada. Dominicky olhou para Lucas querendo matá-lo, ela arrastou os pés até as malas, abriu a que guardava o urso e o tirou de dentro dela.
— Nicky me desculpe! Eu não pensei que isso fosse acontecer, eu nem imaginava que esse treco... – Dominicky levantou os olhos para ele, e eles estavam cheios de fúria – Desculpe, eu não imaginava que esse ursinho fosse tão importante assim.
— Mas aconteceu! Eu concordo com a minha tia, vou jogá-lo no lixo.
— Por favor, não faça isso, ele é importante pra você.
— Mas não poderei levá-lo para Roma. E por culpa sua!
Lucas sentiu as palavras atingirem seu peito como uma facada. Ele abaixou a cabeça envergonhado e se sentou ao lado dela. Ele respirou fundo e soltou a pior besteira que podia, antes de se arrepender.
— Eu o levo pra você. – ele sabia que iria se arrepender disso, mas era por uma boa causa.
Dominicky lançou um olhar surpreso para ele, e notou sua mão estendida para que ela colocasse o urso na mão dele.
— Você está falando sério?!
— Me dê logo esse urso antes que eu me arrependa disso tudo!
Dominicky deu um sorriso largo e abraçou Lucas com toda a sua força. Ela entregou o urso para ele e achou fofo o que ele estava fazendo, e ele ficou feliz por deixá-la feliz.
Lucas se levantou da cama, pegou uma sacola que estava jogada no chão do quarto e colocou o ursinho dentro dela. Foi ao lado de Dominicky e beijou seu rosto.
— Eu vou indo embora, não dormi quase nada essa noite e estou um pouco cansado.
— Tá, tudo bem. – ela sorriu – Tchau e até quarta.
— Tchau.
Dominicky acompanhou Lucas só até a porta de seu quarto, estava com preguiça de descer a escada.
Ela voltou para o quarto pegou o pijama e foi tomar banho. Dominicky tomou uma ducha rápida, apenas para tirar o suor do corpo. Depois do banho ela desceu até a cozinha, pois estava morrendo de fome.
Dominicky reparou que o sol ainda estava intacto no céu azulado, e idéias começavam a funcionar dentro da sua cabeça.
Ela comeu um lanche natural e tomou um suco de framboesa. Depois de comer ela subiu correndo para o quarto, agora o céu já estava alaranjado e o pôr do sol era maravilhoso.
Dominicky abriu a porta da janela e se debruçou na sacada, os olhos de Dominicky mudaram de cor, suas orelhas ficaram pontudas, suas mãos e unhas cresceram até formar garras, e seus dentes ficaram afiados formando presas.
Dominicky erguer a cabeça para o alto, um rosnado passou por sua garganta, saindo por sua boca como um forte e sonoro uivo. Por ser seu primeiro uivo, ela até que tinha se saído bem, e acreditava do fundo de seu coração que Pether iria ouvi-los de onde quer que estivesse.
Quando ela parou de uivar já estava transformada em uma humana novamente. Ela entrou no quarto, fechou a janela e se deitou em sua cama esperando ouvir aquele uivo distante que da ultima vez lhe causou arrepios.
Logo que ela começou a pegar no sono, pode ouvir um uivo aconchegante trazido pelo vento em direção à sua janela. Só aquele uivo já tinha a deixado satisfeita e toda arrepiada. Ela adormeceu de vez, apenas com o ritmo daquele uivo maravilhoso em sua mente.
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