O tear do Destino
6 Uma curta conversa
Notas iniciais
Alice tinha agora pelo menos alguma expressão e eu precisava me aproveitar dela e fazê-la comer alguma coisa.
– Vamos comer, sim?
Ela olhou o prato pela primeira vez e então fez um cara ruim.
– A comida... Eu não gosto.
– Eu posso fazer alguma coisa que goste, o que costumava comer? É isso? Não é a mesma comida?
– Não... Ela é ruim entende?
Não, eu não entendia. Eu estava na cozinha quando preparavam e eu sabia que a comida era boa.
– Prove a minha, eu que fiz. – sorri e me aproximei dela. Ela tentou sentar, mas eu sabia que estava fraca demais para isso. Afastei o prato, a ajudei e então me sentei ao seu lado para dar um pouco do caldo que eu sabia já não estar tão quente. – Amanhã trago ele mais quente, o sabor muda um pouco por conta da raiz.
– Você é o que?
– Coma e eu conto.
Pus uma colher perto de sua boca e ela me olhou na expectativa de uma história.
– Meu nome é Isabella Swan. – Alice arregalou os olhos. Sim ela conhecia meu sobrenome — Depois que meus pais foram mortos eu fui enviada para o Santuário da Deusa no norte da Irlanda. Eu fui criada pela sacerdotisa desde os meus dez anos com minha irmã Bree Swan.
– Eu nunca soube que eles tinham tido filhos...
– Na verdade ninguém sabe de nada. – Sorri e ofereci mais uma colher que ela tomou. – Continuando, eu e Bree fomos criadas no mesmo lugar, mas ela não tinha as mesmas habilidades que eu. Alguns tem o chamado outros não, é assim que funciona. Não acredita que sou bruxa não é mesmo? – perguntei e Alice revirou seus lindos olhos me fazendo rir.
– Tudo nesse castelo é simplesmente bruxaria simples e perversa, eles têm uma mente fechada alimentada por Carlisle e depois Lady Tânia, alguns dos que trabalham aqui também... Eu acho que havia outro padre que disse até que o diabo já visitou Cullen.
Eu revirei os olhos para aquilo, era simplesmente absurdo demais.
– É verdade que ensinam as mulheres nos santuários a ler e escrever? – Alice tinha agora uma expressão curiosa.
– Sim, eu sei ler, escrever, cantar, tocar um ou dois instrumentos e sei todos os ensinamentos da deusa. Fui criada dentro de um ambiente em que nós éramos superior e não eles.
– Eles... – Alice tinha ali algo. – Como são tolos não?
– Demais!
Ela tomou mais duas colheradas antes da porta abrir e Tânia aparecer com Jasper. Alice se encolheu na cama e eu vi o ódio dele quando entrou no quarto.
– O que está fazendo aqui sua bruxa?
Eu não iria discutir com ele, simplesmente levantei e deixei o prato de Alice no chão. Ela tinha comido alguma coisa pelo menos, por hoje isso iria restaurar suas forças.
– Lady Alice não estava bem.
Eu vi por apenas dois segundos a preocupação percorrer seus olhos até Alice, mas algo o fez mudar. Uma raiva tomou seu corpo.
– Não sei o que pretendia prima aceitando a visita dela, tem ordens para não receber ninguém e eu estou cuidando das coisas. Jasper me encarregou disso.
Isso explicava muita coisa.
– Lady Alice tinha dores de cabeça muito forte, eu apenas ajudei com isso.
– Deve ser sua consciência não é mesmo? – ele gritou com ela. – Depois de tudo que aconteceu você deve estar finalmente se arrependendo de tudo que me fez passar.
– Jasper... – ela começou a se encolher e contorcer na cama. Ele era um monstro que não via o sofrimento daquela mulher.
– Pare com isso, ela não merece isso!
– Cale a boca sua bruxa, volte para seu lugar e não entre mais aqui. Se entrar de novo eu mesmo lhe trato como deve ser.
– Me queime Jasper, isso vai fazer sua dor desaparecer? As coisas ficarem melhor ou sua vida ser como deveria ser?
Ele avançou em mim e pegou meus braços e doeu demais, Alice gritou em uma hora quando ele me levou para fora e Tânia fechou a porta. Jasper me jogou na parede mais próxima e minhas costas doeram em contato direto com as pedras.
– Você não sabe de nada sua bruxa dos infernos!
– Eu sei que é um tolo e fraco! Se deixa levar por...
Eu não terminei, ele me deu um tapa no rosto e eu só consegui naquele momento sentir o sangue da minha boca. Tânia estava eufórica quando Jacob o afastou.
– Está bem Isabella?
– Não... – minha boca doía, meu rosto estava com certeza vermelho e isso ia ficar um pouco mais feio amanhã. – Vou descer...
– Me largue seu bastardo! — Jasper se debatia e Jacob o segurava.
– Largue ele Jacob, eu irei contar tudo ao Edward assim que ele chegar e essa bruxa vai ser trancada.
Tânia pegou meus braços e me levou para algum outro lugar, eu sabia que não tinha forças para resistir. Jacob segurava Jasper e não tinha como deter Tânia, havia no final do corredor uma escada e nós subimos com ela me arrastando pelos degraus e no fim havia é claro o lugar destinado as pessoas que deveriam ser presas e afastadas por seus crimes. Tânia me jogou em um quarto escuro e sujo, trancou e foi embora falando que Edward me queimaria pela manhã depois de tudo que fiz.
Doeu-me pensar que Edward poderia me queimar na fogueira, eu me preocupei com Mel e fiz orações porque eu realmente queria entender o que estava acontecendo na minha vida naquele momento. Eu era destinada a ser a próxima guia, a mulher que iria ajudar outras meninas a servir bem a Deusa e do nada as coisas acabaram aqui. O escuro, a falta de água e comida, a solidão. Eu adormeci e senti meu corpo ser levado em algum momento, estava tudo rodando e eu pensei em Mel. Se eu fosse ser queimada, eu queria ver Mel antes... Conversar com Sue.
– Mel... Eu.
– Ela está com minha mãe e Ângela.
– Edward... Por favor... Me deixe ver Mel antes...
Ele soltou algumas palavras bem pesadas e feias, eu senti que tinham várias pessoas em algum lugar mais iluminado e eu fui deitada em uma cama macia. O meu corpo relaxou imediatamente. A voz de Sue e de Edward soavam ao fundo.
– Ela precisa comer.
– Ela precisa tomar um banho. – era Edward. – Vou providenciar isso e roupas, acho que minha mãe pode...
– Vá, ela está bem.
– Ela esteve três dias presa dentro daquele... Eu vou matar quem entrar! Jacob não deixe a sombra de Tânia aparecer por aqui.
– Sim senhor.
– Mande Jasper para uma caça, eu quero um servo bem grande para comer.
– Estamos no inverno...
– Por isso, passe bons dias lá fora para aprender a não maltratar alguém. Não quero vê-lo antes disso! Ninguém toca em Isabella!
E eu queria sorrir, Edward estava ali. Não sei como se foi, vinha a luz e às vezes o escuro. Eu sonhava com Mel e com mais alguns bebês lindos. Eu sonhei que estava no santuário com minhas vestes para as cerimônias e que tinham muitas meninas ao meu redor, uma mulher se aproximou de nós. Ela era a Deusa, seu corpo belo e seus cabelos presos enfeitados por flores a deixavam ainda mais maternal.
– Venha filha. – Ela estendeu a mãe e eu peguei sem hesitar.
Eu sabia que estava sonhando quando nos vi andando pela floresta das terras Cullen. O castelo estava ao longe e tinha um cervo andando na neve.
– Jasper precisa dele... – comentei e ela sorriu indicando ao servo para onde ir. – Obrigada. – a olhei dentro de sues olhos- Eu não quero estar aqui.
– Mas sabe por que veio não?
– Eu não quero estar aqui, Mel e eu iríamos viver bem no santuário.
– Não querida, ela foi destinada a grandeza e precisa estar com você aqui em Cullen. – ela olhou com tristeza para o castelo.
– Eles não gostam de nós nesse lugar.
– Eles não gostam de si mesmo aqui minha querida. – ela passou a mão em meu rosto e eu sabia que teria que voltar.
– Eu amava nossa terra. Me deixe voltar.
– Não querida, aqui agora é sua terra e aqui você ensinará eles que eles são muito importantes também. – Fiz uma careta lembrando de Edward e ela riu. – Não querida, o conheça melhor que isso.
– Não quero.
– O amor não é traiçoeiro como lhe contaram sabe, ele só tem formas que desconhecemos e realmente tememos. O amor que sente por Mel é concreto e real, mas o que sente por ele é incerto e até... errado? É algo como o escuro, você não lida bem com ele não é mesmo?
– Não, eu fiquei em quartos escuros quando meus pais foram presos. Era horrível. Eu deveria te servir virgem. Me deixe servir você assim, como estou.
Ela riu.
– Eu aprovo sua união querida, eu que a fiz muito antes de vocês nascerem. – ela olhou para o castelo. – Precisa voltar, está ficando tarde e eles estão preocupados. Sue precisa de mim agora querida.
E então eu senti o calor de um fogo e respirei fundo testando meus sentidos. Meu corpo queria voltar ao sono, mas a voz de Edward chamou minha atenção.
– Viu? Eu disse para se acalmar pequena, ela está bem. Dormindo, a febre foi embora e podemos esperar que ela consiga acordar pela manhã, não precisa chorar mais, nos entendemos? – Mel fez alguns barulhos – Você prometeu dormir depois que a visse, foi o nosso acordo e desde já precisa aprender a cumprir eles.
A voz dele foi diminuindo e sumiu por completo.
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