O tear do Destino
19 Profecias
Notas iniciais
– Não seja ruim Edward e me deixe falar com ela. – a voz de Jasper soou pelo quarto e eu estava sonolenta demais, que horas eram?
– Minha senhora está dormindo e não vou perturbá-la, Sue já não está lá?
– Ela... eu preciso...
– De uma bruxa? Quer mesmo que sua mulher seja tratada por uma bruxa?
– Minha mulher acordou e....
– E você quer a bruxa.
Eu estava vestida e fiquei grata por estar vestida. Abri os olhos e me mexi na cama incerta se Edward deixaria ou não ver Alice. Edward percebeu quando me sentei e foi até mim, Jasper estava tão inseguro que fiquei até com pena.
– Não precisa levantar, Jasper só estava inseguro se Alice podia ou não comer, ela acordou.
– Vou preparar um caldo para ela, precisa ter algumas coisas para ela conseguir se fortalecer.
– Oh... ela está um pouco tonta...reclamou disso...
Ele estava tão desesperado quanto eu imaginei. Olhei e vi que o dia estava amanhecendo.
– Minha senhora vai se arrumar Jasper, saia do quarto.
Jasper foi expulso por Edward que bateu a porta com força. Sorri para ele quando se virou para mim.
– Não precisa ir, Sue me disse que ela está bem.
– Eu sei que ela está bem, Alice precisa de muita comida e descanso.
– Alguma coisa em especial que possamos conseguir?
– Maças sempre ajudam ou qualquer outra fruta que tenha no castelo.
– Vou mandar providenciar. – ele falou firme.
Nos arrumamos para o dia, eu gemi pensando que Lady Tânia e seu pai ainda estavam no castelo. Precisaria tomar cuidado, acariciei a chave que Edward me deu e ele me olhou como se soubesse que estava com medo.
– Lauren matinha a chave com Sue quando tínhamos visita. – ele disse e eu mordi os lábios cheia de dúvidas sobre ele e Lauren. – Você é a senhora do castelo, caso Tânia descubra isso será um pouco complicado de explicar.
– Vou dar para Sue então. – houve um silêncio e várias perguntas estavam em minha mente. – Como Lauren sabia das ervas? O que usar e como usar? Era dela não era aquele lugar em que... tem as ervas?
Edward suspirou cansado e nos sentamos na cama. Era a hora da verdade? Era o momento que eu conheceria Lauren?
– Foi um casamento arranjado. Eu só conheci Lauren no dia do nosso casamento. Ela estava linda em um vestido branco. Meu pai era tão fanático que por anos Cullen se tornou um lugar sombrio como as trevas, mesmo no verão não sabíamos a diferença das estações. Era nublado e sombrio. Eu e meus irmãos vivíamos esperando a próxima loucura dele e quando ele morreu não houve realmente um luto. Ela chegou como uma brisa. Sorrindo, consolando...mudando as coisas. Minha mãe deu logo espaço para ela se tornar a senhora do castelo e não fez nada pra mudar suas ordens. No primeiro mês que ela chegou houve uma grande caçada, fez sol e todos em Cullen pareciam ter saído de um mar de tristeza.
– Ela era muito boa, trouxe luz. -Disse satisfeita.
– Ela carregava consigo um cordão. Tinha um símbolo desconhecido. Eu nunca tinha visto. Ele era trabalhado ao redor com pequenos cordões e no meu uma árvore.
Eu arregalei os olhos.
– Você conhece o símbolo?
– É um cordão que indica que ela era uma... uma...
Edward sorriu triste. Mas eu sabia que a árvore era mais que isso, muito mais.
– Lauren servia a deusa. Nos primeiros dias eu não me importei muito em como ela era apegada aquilo, mas depois eu percebi que era como se o cordão fosse uma extensão dela.
– Ela não poderia tirar...
– Não, tivemos nossa primeira briga por ele. Eu pensei que fosse de um antigo amante ou algo parecido, mas ela chorou quando eu tirei e eu quase... quase a matei quando não devolvi... ela me implorou para devolver, mas eu não fiz isso.
Eu olhava assustada para ele.
– O cordão era o símbolo do que ela representava para a Deusa, ela trazia a fertilidade e a prosperidade. Era o seu dom. Pela deusa Edward! Ela deve ter ficado quase louca..quebrou o juramento...
Edward parecia triste agora, arrependido.
– Foi, eu não a vi chorar em nenhum momento depois disso, mas ela mudou. Por dias não saiu do quarto, depois quando o fez não conseguia mais sorrir e eu jurei para mim mesmo que nunca iria mais fazê-la triste. E então eu devolvi o cordão. – ele respirou fundo – Lauren me contou que quando nasceu sua mãe foi levada para Irlanda para ficar com ela lá até uma guerra acabar e que foi criada por uma tia porque sua mãe adoeceu, essa tia era serva da deusa e ensinou tudo a ela. Ela fez o juramento quando tinha doze anos, mas precisou voltar e casar... comigo... tudo que eu sei foi o que eu vi e observei. Ela me contou muitas coisas dos ritos e crenças e protegi ela de todos que poderiam interpretar mal suas ações, eu tomei a responsabilidade de nunca vê-la triste novamente.
A pergunta estava na minha garganta... me corroendo...
– Você a amou? – eu realmente não queria ouvir que ele amava, mas eu precisava saber.
Ele e sorriu e aquilo me aqueceu por dentro.
– Eu a amei como um grande companheiro, mas nós dois sempre soubemos que nunca seríamos mais que isso. No fundo quando ela engravidou foi um alívio, não precisávamos mais tentar provar nada...
– Ela tinha visões?
– Só quando engravidou. No início ela ficou triste, mas depois... foi como se ela soubesse Bella... soubesse que iria partir e estava bem com isso. Sue afirma que houve mais que um simples parto que acabou mal, mas ela estava serena...
– Me contaram que..que você falou com ela...
– Quando eu entrei a criança estava respirando mal e ela pediu para todos saírem. – a lembrança era tão dolorosa que ele tinha muita dor em suas expressões. – Eu peguei meu filho das mãos da mulher que fez o parto e levei até ela. Ficamos um tempo só os três... ela disse que ele cumpriu sua missão e que ela estava partindo, mas que alguém chegaria e cuidaria de mim e de Cullen. Ela falou que a lua traria a escolhida da Deusa e que ela seria a verdadeira senhora do castelo....eu chorei vendo nosso filho fechar os olhos em meus braços. Ele era tão pequeno e inocente... eu odiei você naquela hora, odiei a Deusa que ela servia e Deus por ter me tirado o conforto que Lauren me deu. Eu jurei que nunca mais passaria por isso de novo, perder eles doeu mais que perder meu pai... Lauren acariciou nosso filho e suspirou cansada, ela disse que eu seria feliz e Cullen seria um grande castelo, próspero e feliz. Na hora e depois eu pensei que ela só estava me consoando... me dizendo que tudo ia ficar bem...
– E quando foi que tudo mudou?
– Quando eu vi você. – meu coração acelerou na mesma hora – Eu vi quando Padre James entrou com você, eu assisti de longe sua atitude de ir embora e olhei para a lua e lembrei de Lauren e suas palavras... eu soube ali que você Isabela Swan era o meu destino e que eu tinha que te proteger... proteger de tudo que estava ali... mas eu ainda resisti... tentei fugir, mas quando cheguei e vi o que Tânia havia feito eu soube que não poderia mais esperar... meus sentimentos cresciam a cada passo que dava, a cada palavra que saía da sua boca...
Eu ataquei sua boca naquela hora satisfeita com suas palavras. Edward acompanhou meu beijo e fomos interrompidos por uma batida insistente na porta que nos fez rir ainda grudados um no outro.
– Precisamos ver o que querem antes que derrubem a maldita porta.
Depois disso eu não vi mais Edward durante o dia, ajudei Jasper com Alice, ela estava um pouco mais corada e passou algumas horas conversando comigo antes dele nos interromper e dizer que achava que ela já tinha se desgastado demais. Eu sabia pelos olhos de Alice como ela estava surpresa com a mudança dele, ela estava feliz, mas surpresa demais para entender como isso poderia ter acontecido tão rápido. Entreguei a chave para Sue determinada a não ser queimada na fogueira porque Lady Tânia descobriu o meu pequeno segredo e depois fui ver como estavam as coisas na cozinha e vi Lady Tânia saindo sorridente.
– O que aconteceu aqui? – perguntei para uma moça ainda olhando para a porta que ela acabou de sair.
– Ela disse que o pai não comeria qualquer coisa e...
– Jogue tudo fora! – Jacob entrou com Ângela e Mel no colo. Eu sorri indo pegar minha menina, ela se jogou em meus braços e eu sorri sentindo seu carinho e seu cheiro. Jacob corria pelas panelas e mandava todas jogarem tudo fora e eu sorria.
– Deixe isso comigo Jacob por favor...
Eu olhei para todas e fiz um gesto para saírem. Ângela e Jacob permaneceram e fiquei grata por não precisar explicar a eles que não precisavam sair. Quando todos estavam fora eu fechei meus olhos me concentrando, senti Mel se mexer e pegar meus cabelos. Não havia nada.
– Não há nada aqui que possa nos fazer mal.
Sorri e brinquei com Mel.
– O que te faz saber isso? – Jacob perguntou ainda desconfiado.
– Veneno trás morte e eu não consigo sentir isso aqui, ela não fez nada.
– Mas ela pode ter feito outra coisa...
–Não o fez. Jacob chame todos de volta e deixe isso de lado. Dê isso a Sue e diga para ela guardar com sua vida o que lhe entrega. – Jacob prontamente pegou a chave e saiu da cozinha. Todos retornaram em seguida conversando e voltando aos seus trabalhos.
Determinada a brincar com Mel eu fui até o lado de fora e vi as crianças correndo. Mel adora isso soltando risadas altas e batendo palmas, eu pensava em meus próprios filhos e em Mel ajudando-me com eles, senti uma paz com esse pensando e esperança. Eu vi um menino, me vi grávida e não sabia exatamente se era apenas uma gravidez ou duas, eu sonhei com um menino, mas também via os olhos de uma menina linda... às vezes eu sonhava com ela e outras com o menino...
– Com certeza o Rei a quer na fogueira. – Ângela estava tão surpresa quanto eu com a voz de Lady Tânia atrás de nós. Ela olhava para Mel com um desprezo e eu me segurei para não piorar mais as coisas. Com a proteção de seu pai é claro que ela seria mais aberta em seus ataques. – O Rei mandou a carta e eu espero vê-la queimada ainda hoje por todos seus crimes.
Ângela soltou um pequeno grito de horror e medo, eu continuei encarando Lady Tânia com firmeza.
– Meus filhos encherão essa terra antes que eu seja queimada. Eles ainda lutarão valentes ao lado de seu pai antes que nós dois deixemos essa terra. Juntos Lady Tânia.
Fale com o autor