O tear do Destino
46 Os nomes
Notas iniciais
Era o dia de baile e eu não queria ir a ele. Passei minha manhã na biblioteca pesquisando, os últimos dias foram de descobertas incríveis. Segundo os próprios registros, que Edward gentilmente me mostrou depois do nosso encontro na igreja, Cullen pegou fogo duas vezes. A primeira delas na baixa Idade Média, uma mulher chamada Tatiana, ela ficou louca depois que foi trancada no castelo durante uma tentativa de invasão. Tatiana era um Cullen e seu pai morreu com honras apesar de ser considerado um traidor. Eu descobri que nessa época houve uma visita real para averiguar possíveis bruxarias que ocorriam, não consegui entender todo o contexto, mas estava escrito que talvez Cullen tenha sido invadido por forças malignas. Quem escreveu esse relato? A língua era arcaica demais e eu não conseguiria em pouco tempo sem ajuda traduzir tudo.
– Você está sendo esperada em seu quarto. – Carlisle já estava com sua roupa mais formal. O dia no castelo estava agitado, eu ouvi passos e ordens o dia todo, alguns convidados dormiriam no próprio castelo e Tânia estava distribuindo alguns gritos com a equipe contratada. Eu pude ouvir alguns deles da biblioteca mesmo e revirei meus olhos lembrando que Jacob sempre me falava que um bom oficial não precisa gritar para que suas ordens sejam feitas, ele conquista a confiança e a lealdade e quando dá uma ordem todos os obedecem cegamente.
– Não quero participar disso... acho que nem tenho uma roupa para esse evento. Sair do castelo e ir à Londres seria uma perda de tempo e eu estou sem ele no momento.
Deixei meus óculos em cima do livro de nomes aberto, eu entraria em uma parte tão interessante se não fosse essa interrupção.
– Vou lhe conceder mais alguns minutos, o Duque está esperando a senhorita com muita ansiedade. – ele sorriu e eu bufei. Deus eu não precisava ouvir essa frase, controlar minhas reações e meus sentimentos já estava sendo difícil sem isso. Droga, eu sonhei com Edward nas duas últimas noites, eu sonhei que casávamos, sonhei que nos beijávamos e acordei chorando por não ser verdade. Ele era um Duque e casado.
Olhei o livro e fui até a página onde eu queria, mas ele já estava marcado. Olhei e vi que não tinha caneta daquela cor, eu não usava canetas pretas para escrever e estava tudo em azul como se quisessem mesmo me mostrar.
“Elisabete, forma medieval do nome Isabella, que significa pura e casta. Nome de origem hebraica variante de Isabel.”
Olhei para o quadro a minha frente assustada. Elisabete na verdade era Isabella, ela foi uma senhora deste castelo e uma corrente percorreu meu corpo como se agora eu entendesse a ligação que eu sentia. Eu queria sufocar todas essas emoções e deixar meu lado racional me dominar e me convencer que aquilo era loucura. Minhas mãos se moviam pelo livro de registro tentando achar o nome do senhor do castelo, o nome que na verdade já tinha me intrigado pela sua complexidade, mas eu queria ter certeza antes da pesquisa no livro de nomes. E eu tinha certeza que não esperava por aquilo.
“Hadaward, formado pela união dos termos ead que significa "riqueza, bens" e weard, ward que quer dizer "guarda, guardião" e significa "guardião rico, protetor das riquezas.Esta versão foi originada a partir da forma antiga Eadweard e foi um dos poucos nomes ingleses que foram mantidos pelos normandos após a conquista da Inglaterra, quando a maioria foram substituídos por nomes normandos. É a variante inglesa e polonesa de Edward.”
Eu deixei o livro cair como se ele estivesse pegando fogo e então levantei assustada. Andei um pouco pela sala e a porta se abriu de repente. Tânia surgiu com uma expressão impaciente enquanto eu tentava acalmar meu coração e minha mente.
– Estão te esperando no quarto, eu não me dei ao trabalho de encomendar um vestido às pressas para você fazer essa desfeita. Edward exigiu sua presença, não acho que queira desagradar o Duque que gentilmente aceitou você nesse castelo abrindo e fechando livros antigos que mais ninguém mexeu não é?
– Oh.. eu me distraí.
– Isso é mais uma das suas maravilhosas qualidades. – ela saiu e me deixou ainda sem entender o que tinha acontecido.
Subi as escadas encontrando vários empregados e dando graças a Deus que meu quarto era próximo as escadas, cinco pessoas sorriram para mim assim que entrei e se apresentaram em um inglês com sotaque fortíssimo. Jean era um cabeleireiro e fez diversos tratamentos enquanto uma menina cuidava de minhas unhas e a outra de minha pele. Eu recebi elogios de como minha pele era linda, meu cabelo deslumbrante e minhas mãos maravilhosas, acho que isso era parte do pacote na verdade, eles deveriam pensar que eu era alguém importante e não queriam me desagradar.
Me deixei relaxar em um banho preparado com flores e algumas outras coisas que não entendi, a banheira fez milagre aos meus nervos que só pensar em toda aquela coincidência me faziam voltar a querer desmoronar. A moça simpática que estava responsável pelo banho sorriu e me entregou a toalha. Eu recebi uma massagem e depois fui maquiada e devidamente penteada, foi só nessa hora que eu percebi que não tinha nem ao menos visto a roupa.
– O baile é formal não é mesmo? – perguntei ao cabeleireiro que fazia um penteado que eu achava extravagante demais.
– A fantasia, não leu o convite direito? – ele perguntou rindo e então ma das moças entrou com o vestido.
– Está tudo tão perfeito! Já chegaram a Duquesa de Stenbur, a Barão de York e suas filhas... eu soube que uma princesa árabe vem esse ano!
Onde eu estava me metendo? Baile a fantasia, duques, princesas e eu. Quando ela tirou a roupa eu fiquei abismada. Como... quem escolheu?
– Não é divino? O próprio estilista o desenhou e confeccionou que o entregador avisou. Você deve estar satisfeita!
Era lindo e talvez perfeito, a ironia não poderia ser maior, mas eu estava me sentindo uma princesa quando terminaram de me vestir e saíram todos avisando que queriam ver muitas fotos nas colunas e não deixando de mencionar aos convidados a equipe que fez o trabalho. Me olhei no espelho, o vestido amarelo, as luvas brancas e o cabelo. Eu era a personificação da Bela e Edward seria a minha fera? Ele seria o homem transformado por qual bruxa má? Quais seriam os seus pecados?
– Você está divina. – olhei assustada para trás vendo ele com uma roupa que me assustou. Ele estava vestido ou era uma roupa normal para ele?
– Qual sua fantasia?
– Czar Russo. Não reconheceu os símbolos?
Só naquela hora eu percebi que ele tinha além da faixa umas medalhas em seu ombro perfeitamente colocadas, ele estava lindo com os cabelos arrumados, o terno branco e a faixa azul e uma fita no final. Um príncipe. Meu príncipe.
– Eu espero não envergonhar você ou sua esposa. – falei cortando meus pensando e me trazendo a dura realidade do impossível. Ele sorriu e veio até mim e percebi a caixa grande preta que tinha nas mãos. Ele abriu e eu vi o conjunto de colar e brincos de diamantes. Deus eterno, nunca tinha visto algo tão lindo.
– Isso... eu...
– Foi de minha mãe. Ela usou em diversas ocasiões e achei que ficaria lindo com as roupa.
– Você sabia? – perguntei surpresa, não tinha sido Tânia?
– Claro que sim, Tânia só atendeu ao que achei uma verdadeira fantasia. Bela. Uma princesa que veio debaixo, adorava ler e era inteligente. Conquistou a fera com suas palavras e ações, não só com sua beleza.
O que aquilo queria dizer? Se eu pensasse nisso, eu deliraria com certeza.
– Não posso usar isso, é de sua mãe... é uma peça rara... cara...
Ele ignorou e pegou o colar e o pos com habilidade. Depois eu coloquei os brincos com cuidado percebendo que tinha mesmo combinado.
– Obrigada. – falei sorrindo e feliz. Nunca me senti tão bonita em toda minha vida.
– Seu sorriso vale mais que a jóia que usa. Deveria sorrir muito mais Isabella.
Ele se virou e eu senti todas aquelas emoções dentro de mim. Desci as escadas e Edward estava lá como um príncipe no final delas esperando sua princesa, me apresentou a vários de sua família, tios e tias muito inteligentes e com assuntos engraçados. Todos sabiam um pouco de Cullen e de sua história, mas nunca diziam como ela era metade pagã e metade cristã. Todos eles foram muito simpáticos e depois de um tempo Edward sempre vinha me buscar e me apresentar a mais algumas pessoas que ele dizia serem interessantes ao meu ver. Eu me deliciava com as conversas e mulheres que haviam no círculo em que estava.
–.. Cullen precisa de um rosto assim. – falou um jovem que era um primo distante de Edward e estava vestido de zorro. Sorri para ele e um garçom me serviu o que reconheci ser o suco de uva dos vinhedos de Edward, agradeci e ele seguiu servindo.
– Não ficarei muito tempo infelizmente. Meu prazo é de um mês.
Um homem vestido de domador sorriu para mim.
– Como conseguirá? Cullen tem uma história muito longa.
Dei os ombros sorrindo e vi Tânia passar, ela estava vestida de Czarina, mas a roupa dela não combinava perfeitamente com a de Edward e eles nunca estavam no mesmo circulo ou ao menos sorriam um para o outro. Olhei a procura dele e o vi conversando com uma mulher perfeitamente vestida de Audrey em Bonequinha de Luxo, a mulher estava de costas e ele sorriu quando me viu olhando para ele. Fiquei vermelha de vergonha por ter sido pega, mas eu tinha a impressão de que eu nunca estava fora do alcance dos olhos dele mesmo rodeada de pessoas.
O jantar transcorreu como um verdadeiro banquete digno de uma rainha, eu sentei do lado de um sobrinho do Duque de Cambridge que estava cursando História e nos demos muito bem, a bebida era sempre servida depois dos pratos e não foi difícil disfarçar que eu não tinha idéia de qual talher usar já que o rapaz falava animado de suas pesquisas e me dava tempo de ver o que estavam usando. Edward mais uma vez me pegou olhando para ele e falava orgulhoso de como eu era preparada para estudar Cullen, todos me olharam e eu corei, Tânia rapidamente mudou o assunto para as festa que viriam e eu olhei alheia para Edward, naquele momento éramos só nós dois na mesa e eu quis que todos desaparecessem.
A sobremesa foi servida e pôs fim a tudo me surpreendo como o salão de Cullen era grande. Uma sala imensa foi aberta e uma orquestra preparada começou a tocar assim que entramos. Era um baile e até aquele momento eu tinha esquecido completamente.
– Podemos? – Edward falou ignorado os olhares curiosos. Tânia não estava no meu campo de visão e eu temi passar vergonha.
– Nunca fiz isso. – falei baixo e ele sorriu confiante.
– Eu te ensino.
E me ensinou. Edward me guiou perfeitamente e sorridente, eu sorria sabendo que ele estava feliz. Eu o queria. Naquele momento eu o queria apenas por um segundo. Um beijo. Eu o queria mais que o ar e essa sensação estranha me tomou.
– Deixe a porta aberta. Por favor...
Ele disse e a música acabou. Logo os convidados começaram a dançar também a falsa e mais uma pessoa tomou o lugar de Edward que sumiu na multidão. Meu coração acelerado não deixava minha mente pensar direito. Eu abriria?

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