O tear do Destino
47 O canto da partida
Notas iniciais
– Você sabia que algumas histórias contam que o primeiro batismo católico da forma que conhecemos hoje com a cabeça molhada somente foi feito em Cullen? – parei de olhar Tânia e Edward na pista de dança e olhei para o homem vestido de marajá. Ele pareceu simpático e estava sorrindo.
– Como...
Ele sorriu e estendeu as mãos. Foi então que percebi a indiana que estava do lado de sorridente também.
– Jasper Cullen.
– Você é um Cullen? – perguntei surpresa e a mulher ao seu lado sorriu.
– Sim, sou um primo de Duque.
– Ah... eu não imaginava...
– Essa é minha esposa Alice Cullen. Estávamos querendo conhecer a historiadora que Edward comenta.
Ele comenta de mim? Alice pareceu entender meus pensamentos e respondeu.
– Claro que sim, é um prazer finalmente conhecer você.
– Obrigada.. eu acho... o que dizia sobre os batismos? – perguntei a Jasper muito interessada na continuação da história.
– Há uns anos atrás acharam na Igreja em Glaucestershine uns manuscritos de um Padre que residiu em Cullen.
Eu olhei para Jasper e ele sorriu.
– Essa cidade não fica perto de Cullen.
– Não fica, ela é mais do interior, só que esse padre afirmava tinha achado manuscritos que afirmavam que uma das senhoras do castelo tinha exigido que sua criança não entrasse nas banheiras do batismo porque estava de noite e ela se preocupava com a saúde dela.
– Padre James Hazentol. – falei lembrando de algo que li em algum livro.
– Esse mesmo! – ele disse animado.
– Ele foi o primeiro a fazer isso, foi julgado e quase excomungado. Ele dizia que as crianças se resfriavam depois dos banhos e acabavam morrendo. A mortalidade infantil nessa época era quase astronômica, isso poderia ser somente um dos motivos.
– Mas isso poderia ajudar sim não acha doutora?
– Há uma outra versão para isso, historicamente falando. – falei pensando, mas era interessante como a história de Cullen poderia ter influenciado tanto a história.
– Você está divina. – Alice falou e eu corei.
Eu percebi que eu e Jasper tínhamos entrado em uma conversa que não a incluía e isso era muito rude. Continuamos conversando e quando os primeiros convidados começaram a se recolher eu me despedi de Alice e Jasper e fui até meu quarto, achei complicado tirar o vestido e depois que coloquei uma camisola azul e guardei as jóias na caixa eu pensei no que Edward me disse e vi que deixei a porta aberta. Penteei meus cabelos e tentei não pensar na loucura que iria fazer, eu deitei na cama sentindo cansaço e fechei meus olhos. Não sei quanto tempo se passou até que senti a porta se abrir e o movimento no quarto, meu coração acelerado e continuei covardemente com os olhos fechados, eu senti quando ele deitou na cama e começou a cheirar meu pescoço.
– Você deixou a porta aberta... – sua voz tinha um alívio e admiti que eu queria Edward nem que fosse por uma noite. Então me virei e apenas o beijei. O beijei com desejo e muita paixão, era maravilhoso o gosto dele e seu corpo.
Suas mãos percorriam meu corpo me enlouquecendo, eu tirei a sua blusa e senti os cabelos dele ainda úmidos de um banho e respirei sentindo o seu cheiro maravilhoso.
– Eu sonhei tanto com isso...
Ele sussurrou e distribuiu beijos pelo meu corpo afastando minha camisola, beijando meus seios e me fazendo gemer e apertar seus cabelos deixando-o ainda mais próximo de mim. Passei a mão por seu corpo, aproveitando cada parte dele que era oferecida. Nós nos amamos de diversas maneiras, eu tive Edward calmo e apaixonado, eu o tive com paixão e desespero. E percebi que até aquele momento eu nunca me vi tão intensa e entregue. Era diferente de tudo que tinha vivido e tristemente pela manhã quando acordei sozinha no meu quarto eu percebi que o amava e não conseguiria mais viver acordando sozinha, sem ele.
Quando me olhei no espelho eu vi as marcas dos beijos, das mãos e sorri tristemente. Eu só tinha isso para provar que foi real e não um sonho. Tomei um banho pensando em quantas aventuras ele deve ter todo fora do casamento, me senti tola como nunca havia me sentindo um pouco mais estúpida também. Respirei fundo e esperei que todos estivessem dormindo ainda e fui me enfiar na biblioteca, olhei para todas as anotações e progressos que tinha feito. Eu sabia o que eu queria fazer, mas deixar tantas coisas ainda inacabadas cortava meu coração. Eu saí de tarde sentindo meu estômago doer de fome, eu iria evitar Tânia e Edward de qualquer forma e passei por uma sala em que haviam vozes alteradas. Eu não queria parar, mas ouvir Edward alterado daquela forma me fez pensar o que estava acontecendo.
– ... Você não está cumprindo a sua parte. – Tânia falava.
– Eu estou fazendo sim, você que ainda não cumpriu a sua não é mesmo?
– Isso é golpe baixo Edward! Jasper está analisando ainda os resultados e eu estou realmente acreditando que conseguiremos dessa vez.
– Dois anos de resultados! Dois anos!
O quer estava acontecendo com eles dois? A minha parte sensata dizia que a noite passada era só um escape de uma crise no casamento deles, ele estava vulnerável e eu também. Eu estava mentindo para mim mesmo agora.
– Jasper disse para mim que seria impossível Tânia. – a frase veio seguida de um suspiro grande da parte dela.
– Eu ia contar.
– Quando? – sua voz estava cansada e impaciente.
– Existem outros métodos. – ela deveria estar chorando, não combinava com a imagem que eu formei dela. – Não faça isso. Por favor...
– Eu não quero outros métodos! Não quero nada disso! Eu queria...
– Você casou comigo pensando só no herdeiro que agora não está disposto a fazer do jeito que Jasper acha melhor.
– Você casou comigo porque queria dinheiro, motivo muito nobre o seu!
Aquilo me deixou atordoada demais. Esse não era meu mundo e muito menos algo com que eu queria me contaminar, seja lá o que significou para ele a noite passada com certeza não foi o mesmo que foi para mim. Eu corri até as escadas subindo e me trancando no quarto pensando em Elisabete e querendo ser feliz como ela, querendo meus sonhos e um amor impossível. Escolher Cullen como pesquisa foi a pior coisa que eu fiz e arrumei minhas coisas, eu via o vestido pendurado no closet e suspirei chorosa e cansada. Eu fui princesa por um dia. Só por um dia.
Alguém bateu na porta um tempo depois e eu temia ser Edward e hesitei.
– Sra. Swam, você não comeu nada o dia todo. Estou preocupado.
Senti um alívio e abri a porta para Carlisle. Ele entrou com uma bandeja e colocou em cima da minha cama sorridente, mas mudou a expressão quando viu as malas.
– Já vai? Ainda falta uma semana. Conseguiu tudo que queria?
– Oh... recebi uma ligação, preciso voltar.
Ele percebeu que isso era uma mentira, mas não disse nada. Eu comi rapidamente algumas coisas e ele ficou me olhando.
– Eu tenho uma coisa ainda para lhe mostrar. Pensei que hoje fosse descansar, mas como já vai acho que quero lhe mostrar agora. Podemos?
– Eu... não sei...
– O Duque avisou que só volta amanhã, ele foi para Londres resolver algumas coisas.
Como ele poderia saber disso? Levantei querendo saber o que ele tinha que me mostrar e então fomos andando pelo castelo, pela parte que eu não tinha explorado com medo de me perder. Subimos outra escada e então paramos em um corredor que me pareceu ainda mais antigo. Toquei as paredes e Carlisle abriu uma porta que estava mais a frente. Era um quarto bonito, pequeno, como se fosse quase infantil.
– O que há aqui?
Ele foi para trás da cama e a movimentou. Tinha algo na parede, uma inscrição.
– Acho que isso está neste lugar há muitos anos, sabe o que significa?
Toquei um símbolo sentindo algo dentro de mim se remexer. Eu conhecia esse símbolo.
– O que é isso? – Carlisle perguntou quando me viu tocar o símbolo.
– Essa parte foi construída depois não é mesmo?
– Sim, pelo sexto Duque.
– Alta Idade Média talvez...um pouco depois? – perguntei mais para mim do que para ele.
– O que significa?
–Há uma lenda de um jovem ourives apaixonado chamado Richard Joyce que foi raptado por piratas. Pensando na sua donzela, ele desenhou um anel para expressar o que ele sentia. Consistia num coração, como expressão do amor, uma coroa como sua lealdade e em mãos como amizade. Ao retornar após cinco anos, ficou extasiado ao saber que ela não havia se casado, e a presenteou com o anel. O Claddagh tem sido considerado um presente de casamento desde então. Outras lendas dizem que o desenho foi trazido das Cruzadas por um rapaz capturado pelos Sarracenos. Qualquer que seja a história, se tornou um forte símbolo de afeição. O coração no centro do desenho representa o amor, as mãos que o circundam representam a amizade, e a coroa em cima simboliza fidelidade.
– Alguém aqui acreditava nessa lenda e colocou isso neste lugar não? – Carlisle perguntou e levantei olhando o símbolo mais de longe e a direção em que ele apontava. Estava na direção da porta e na parede embaixo da janela.
– Isso não seria um problema caso essa lenda fosse celta e o símbolo irlandês.
Carlisle me olhou assustado e eu sorri.
– A direção para que ele aponta é a porta, ou seja, para os celtas a direção era algo importante. O amor deveria estar vindo... ou entraria... e está perto da janela. Facilmente poderíamos nos inclinar e ver o por do sol com o símbolo para nos lembrar que alguém chegaria.
– Esse quarto foi o quarto do sexto Duque de Cullen.
O olhei e então senti alguma emoção desconhecida. Lembrei de Elisabete e suas crianças, havia uma relação que eu não conseguia entender.
– Você realmente precisa ir?
– Não há lugar para mim em Cullen. – falei triste – Eu.. é estranho, é como se aqui muitas coisas em mim fizesse sentido e ao mesmo tempo eu não fizesse parte do mundo que a rodeia. Faz sentido?
– Mais do que pode imaginar. – ele disse e saíamos do quarto.
Enquanto movia meu carro para longe de tudo aquilo eu senti o vazio imenso. Dessa vez não era o vazio da perda, era o vazio da falta de esperança e meu corpo protestava com emoções. Um vento passou pelo meu cabelo como se pedisse que não fosse, mas eu sabia que precisava ir.

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