O tear do Destino
48 O lugar
Notas iniciais
– Você foi magnífica! – eu sorri com o elogio do reitor de Harvard. – Esse ciclo de palestras está te fazendo muito bem. Eu nunca a vi tão bonita.
– Obrigada senhor Walter, vindo do senhor é um grande elogio.
Outras pessoas vieram me cumprimentar e fazer perguntas. Eu estava rodeada de estudiosos e admiradores. Eu voltei para os EUA e fui convidada para um mês de palestras em universidades com projetos medievais, o fato de ter ido a Cullen mesmo por um tempo curto foi um fator importante para a escolha do meu nome em muitas palestras e debates.
– Isabella Swam! – uma voz feminina soou e eu sorri mesmo não reconhecendo. O senhor Walter sorriu amplamente para ela. – Finalmente nos encontramos, eu estava me perguntando quando nos reencontraríamos.
– Já nos conhecemos?
– Não diretamente, eu estava no baile de Cullen, Edward é um grande amigo e é claro...
– Edward? Você...
– Sou uma Cullen. Sou tia avó dele querida.
– E é claro a maior entendedora de história irlandesa do país. – o senhor Walter falou orgulhoso e ela sorriu.
Falar de Edward e Cullen era muito doloroso. Eu não tinha conseguido superar isso como pensei que superaria depois que saí. Eu sonhava com Edward e com Cullen. Pensava e achava que estava até louca. Nunca mais ouvi falar de Edward e Tânia, isso nem era surpreendente se contássemos com a distância social que nos separava.
– Querida eu estava pensando se não queria passar um tempo em Sfondi.
– Isso é um pedido surpreendente. – o reitor não disfarçou sua surpresa. Mas eu estava tentada, ali era o berço celta e talvez eu conseguisse desvendar mistérios que alguns livros e a visita a Cullen despertaram em mim.
– É um lugar magnífico, eu ficaria honrada em receber você. Sou viúva e Albert gostaria tanto que alguém com seus conhecimentos apreciasse um pouco nosso lar.
Eu estava tentada. Algo me chamava, minhas emoções sem nenhum controle novamente e isso me deixava tão confusa.
– Claro que ela aceita, Oxford a quer de volta de qualquer forma. A universidade da Califórnia estava querendo roubá-la e eu ontem falei com o chefe dela e ele claramente me disse que não deixasse isso acontecer.
Eu sabia que o próximo artigo que eu publicasse teria uma nota com as considerações finais que o senhor Walter esperava. Meu próprio chefe as colocaria para mim caso não o fizesse, eles eram amigos de longas datas.
– Vamos amanhã então minha querida! O berço da humanidade nos espera.
E depois de seis horas eu estava indo impulsionada por minha curiosidade e por algo que não entendia para Sfondi com Carmem, ela me garantiu mesmo eu não perguntando ou falando o nome de Edward que ele não estaria ali e eu quase respirei aliviada, se eu o visse com a saudade e a dor talvez que estava eu talvez me jogasse em seus braços ou desse um tapa em sua cara falando alguns desaforos. Ou os dois.
– Veja! Não é linda? – Carmem apontou para um castelo ao longe, no alto da montanha. O carro em que estávamos percorria a estrada com facilidade e eu admirava o mar ao longe.- Antigamente havia um templo aqui antes da construção do castelo, ainda temos algumas coisas, vou mostrar a você querida.
Nada se comparava a Cullen, o castelo era lindo, mas novo quase duzentos anos que Cullen e eu passava horas nas ruínas antigas dos templos. Era quase mágico se pensarmos que naquela região ha quase quinhentos anos atrás ou muito mais havia druidas e sacerdotisas que andavam e cultuavam livremente tanto a Deusa como os Deuses celtas. O vento soprava me levando de alguma forma a Cullen, era como se eu estivesse lá mesmo sabendo que fisicamente eu não estava.
– Carmem comentou que estaria aqui.
Me virei vendo Alice Cullen. Sua presença sorridente e esbelta entrou nas ruínas.
– Lindo não é? Eu amo esse templo. – ela disse tocando nas paredes.
– Perfeito, as pedras são as mesmas que encontrei em um templo que havia nas terras de Cullen.
Ela sorriu.
– Lindo não é? A forma como tudo se encaixa perfeitamente. A luz do sol, a chuva... o vento... passei em Cullen no outro dia, mas você não estava. Carlisle me avisou que teve uma emergência familiar, está tudo bem agora?
– Claro... claro...
Carlisle foi muito delicado ao inventar essa pequena mentira.
Andamos pelo tempo e descobri que Alice era bióloga e Jasper médico, o que explicava um pouco da conversa sobre herdeiros e Tânia. Fiquei enojada só de pensar naquilo tudo e desviei meus pensamentos para Alice que falava alegremente. Ela tinha um colar com um formato que conhecia bem. Era um símbolo comum celta e eu olhei Alice com um pouco de surpresa.
– Espirais. – falei e ela tocou o pingente de bronze. – Espirais são um símbolo que representam o ciclo da vida. As espirais da vida são belas representações da eternidade da alma, há vários aqui.
Olhamos ao redor e ela não pareceu nem um pouco surpresa.
– Para os que acreditavam na Deusa simbolizava o futuro, sacerdotisas davam as mulheres que achavam que tinham o poder de alguma forma ver o futuro. Nas pedras elas eram colocadas para representar o ciclo, mas como você está usando representa um dom.
– Foi um presente de minha mãe. – ela disse sorrindo.
– Você recebeu isso de sua mãe?
Um vento percorreu e eu olhei ao redor.
– Precisamos voltar, vai chover.
Estava sol ainda, mas ela parecia de repente confiante que iria chover. Voltamos conversando sobre outras coisas, mas eu ainda estava pensando no colar de Alice e se isso tinha algo com a árvore que havia nas cartas antigas ou no símbolo do quarto de Edward. Ela me contou também que ela e Jasper eram primos de terceiro grau de Edward e que como a família é muito grande isso acontece, às vezes, mas que ela sempre soube que se casaria com Jasper desde a primeira vez que o viu.
A noite estava tranqüila e eu em meu quarto como sempre eu pensava onde Edward poderia estar, era fácil tentar pensar que ele sentia minha falta como eu sentia a dele e eu me culpava por não ter confrontado ele, mas ele depois daquela conversa com Tânia tinha ido para Londres e eu não o esperei. Ou ele não foi atrás de mim? E naquele lugar rodeado de tantas coisas que me pareciam tão normais agora e até amigáveis eu pedi a Deusa que me mostrasse algum caminho ou alguma luz, que retirasse de mim esse amor ou que Edward nunca mais cruzasse realmente o meu caminho caso ele fosse esse homem horrível que eu temia.
–... você está bem? – olhei para Alice que segurava uma xícara de chá e enxuguei minhas lágrimas rapidamente. – Achei que estivesse precisando de um pouco de chá, aceita ou quer ficar sozinha?
– Muito atencioso de sua parte... desculpa não ter descido para o jantar, não estava me sentindo disposta...
– Isso é normal, esse lugar mexe conosco não é mesmo? Lindo e tão espiritual, acho que podemos culpar ele por suas lágrimas não é mesmo?
Alice deixou a xícara em uma mesa e eu olhei ela sair. Poderíamos não é mesmo? Culpar o lugar, a família, as descobertas... os mistérios. Eu tomei o chá e respirei fundo levantando e indo até meu celular. Disquei os números.
– Mãe...eu preciso de você...
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