O tear do Destino

33 Orgulho de ser pagã


Notas iniciais
Capítulo surpresa... muitas emoções meninas! Segurem-se!

Como eu esperava Edward e seus irmãos se reuniram com o Rei depois de todos comerem e eu fui deitar no quarto com Lady Esme porque ele tinha mandado Jacob nos avisar que seria mais seguro caso eu não me sentisse bem a noite. O discurso de Lady Tânia fez é claro todos nós ficarmos receosos quanto ao que aconteceria, nem mesmo Lady Esme sabia como me consolar depois de tudo.

– Pediram para te chamar para a confissão. – Sue entrou no quarto depois que tinha acabado de me arrumar. – Eles disseram para fazer isso em jejum.

Isso tudo era uma tortura sem fim. O que eu falaria a um padre?

– Lady Esme já fez junto com as outras senhoras.

– O que eu falarei para um padre?

– Pela Deusa eu não sei! Sabe que eu não faço essas coisas. Nunca fiz na verdade.

– E seu marido não a obrigava ou algo assim?

– Claro que não. Ele sabia que eu era irlandesa.

Sue deu um sorriso e eu pela primeira vez vi minha tia divertida com uma lembrança dela e do marido.

– Não tenho escolha, tenho que fazer isso. O que Edward está fazendo?

– Ele e os lordes saíram para uma caçada, o Rei se interessou pelas terras ainda no caminho.

– As florestas estão protegidas?

– Sim, há arqueiros por todo caminho.

– Vou enfrentar o padre e que a Deusa me guarde Sue.

Eu desci as escadas e sorri para todos no caminho, Jacob e Sam me acompanhavam e eu fui em direção a capela passando pelas crianças e cumprimentando, Ângela estava no sol com Mel e fui até minha pequena beijando sua testa e sussurrando palavras em nossa língua.

– Acho lindo quando usa sua língua. – Ângela comentou – É como se ela soubesse cada palavra, ela sempre fica quieta e ouve com atenção.

– É instintivo, ela sabe que é a língua da Deusa.

– Que Deus a ajude contra as investidas de Lady Tânia minha senhora.

– Cuide de minha pequena.

Ângela só confirmou aquilo que eu já sabia, essa confissão seria mais uma tentativa de Lady Tânia para me derrubar. A Igreja estava movimentada como eu poucas vezes vi.

– Os aldeões querem as benções dos padres. – Sam explicou.

– É claro... já realizaram alguma missa?

– Nosso senhor pediu para eles realizarem uma missa essa tarde assim todos teriam tempo de se organizarem, nosso Rei já teve sua missa particular pela manhã antes de irem caçar.

O Rei não participa de missas junto com o povo, eu lembro de uma vez que papai foi convidado para ir a uma dessas missas. Papai sempre falava como isso estranho se segundo eles Deus amava a todos igual. Quando vi padre James conversando com os outros padres eu queria saber quando ele tinha chegado a Cullen.

– Minha senhora. – Padre James sorriu e veio até mim. – Vamos nos confessar, eu avisei aos meus queridos amigos de Roma que não pode ficar tanto tempo sem comer. Isso seria uma injustiça com o nosso herdeiro não é mesmo?

Eu o olhei sem entender, mas o acompanhei até onde faziam confissões. Aquela caixa de madeira escura e estranha não era nem ao menos confortável. Eu me ajoelhei como Padre James tinha dito rapidamente e ele entrou por outro lugar.

– Edward me pediu que viesse há dois dias, ele imaginou que uma situação dessas fosse acontecer.

– Padre James... o que está acontecendo? – Edward não tinha falado nada comigo.

– Lady Tânia afirmou que é pagã e estamos tentando reverter isso.

– Eu sou pagã.

– Ninguém precisa saber disso querida. E para todos você já fez isso antes. Eu mesmo tomei sua confissão antes de se casarem.

– O senhor não pode mentir.

– Você quer ir para a fogueira? – ele perguntou divertido.

– Claro que não!

– Você se confessou querida.

– Acabou?

– Não precisamos ficar mais tempo.

Eu e Padre James conversamos um pouco sobre o tempo e ele me instruiu a quando terminássemos eu me joelhasse e fechasse meus olhos em um banco. Foi o que eu fiz assim que saí e Padre James se juntou com os outros padres e ficaram conversando enquanto pessoas entravam e saiam buscando as benções do padre.

O dia passou rápido devido a agitação que nossos convidados causavam. Sempre tínhamos que nos virar em fazer suas vontades e deixar todos confortáveis. Jacob e Sam me acompanhavam em todos os lugares e o Rei pediu uma pequena demonstração da força dos nossos soldados e um tornei foi promovido para diversão.

– Por que acha que o Rei ainda não se pronunciou? – perguntei para Lady Esme fazendo Mel dormir em meus braços.

Lady Esme estava costurando perto do fogo e nos olhamos uns instantes.

– Ele ouviu Lady Tânia em particular hoje, talvez não queira ainda falar sem ouvir o seu lado. Ele e Edward são amigos desde pequenos, essa é uma situação delicada para Cullen e o Rei.

Coloquei Mel no berço e fui até a janela vendo Cullen desperta, as tochas e a movimentação e rezei. Rezei para que tudo acontecesse pelo bem desse povo que eu aprendi a amar. Eu sentia falta do calor de Edward e de nossas noites nos amando sem preocupação e quase chorei pensando que tudo isso poderia desaparecer. O vento balançou meus cabelos e eu fechei os olhos sentindo um sono, assim que deitei na cama eu adormeci profundamente.

– Minha senhora... minha senhora...

Abri os olhos e vi Ângela, me sentei ainda despertando e toquei meu ventre. Ele estava crescendo.

– O Rei deseja falar com a senhora depois que tomar seu café. Ele e seu marido estão acompanhando alguns soldados nos treinamentos, uma comitiva chegou e acho que hoje é o dia.

Eu vi as lágrimas de medo nos olhos de Ângela. Por alguns instantes a imagem de minha mãe indo para seu próprio destino me pegou de surpresa.

“ – Não vá! Mamãe não vá! – Bree chorava e eu a segurava vendo minha mãe calma. Ela estava tão serena e segura.

– Eu quero que sempre lembre de tudo que ensinei a vocês, lembre-se que a Deusa as ama e que são irlandesas e se é para morrer, que seja como boas pagãs que somos. Nunca se envergonhem de quem são ou seus dons. São presentes, não bruxaria. Não permitam que digam ao contrário disso. Ame. Eu amei meu povo e seu pai a cada respiração.

Os guardas estavam ficando impacientes e chamavam mamãe.

– Eu as amo tanto... a grandeza está no seu caminho. – ela disse para Bree – Mas você é que realizará isso querida. – Ela disse para mim. Bree chorava e ela se foi. Minha mãe se foi.”

– Isabella!

A voz de Edward soou pelo quarto e ele me abraçou e percebi que estava chorando. Chorando como chorei segurando Bree em meus braços.

– Pelo amor de tudo que é mais sagrado... não chore... tudo ficará bem...

– Eu vi minha mãe e Bree...no dia em que mamãe morreu...- eu chorava entre algumas palavras que conseguia falar. – Eu não lembrava mais disso... oh... ela morreu Edward da mesma forma que querem que eu morra e tudo que mamãe fez foi amar meu pai e seu povo. Ela não era uma bruxa!

Edward fazia carinho nas minhas costas e dizia que tudo ficara bem, que íamos conseguir. Meu cavaleiro.

– Ninguém fará nada com você. Eu não permitiria.

– E nosso filho Edward? Eles teriam coragem de matar um inocente?

Ele sorriu e passou a mão pelo meu rosto.

– É um menino? – ele perguntou esperançoso.

– E se for uma menina?

– Com sua beleza e graça.

– Com sua força e determinação. – completei o fazendo rir.

– Precisarei pedir ajuda para Deusa para não matar todos os pretendentes quando chegar a hora.

Edward ria me fazendo sorrir e limpar minhas lágrimas. A gravidez me fazia ficar tão sensível e eu me desesperava com mais facilidade, mas Edward e seus braços eram um ótimo calmamente.

– Vamos meu amor, precisa se arrumar. Felipe não pode esperar e quando Ângela chegou branca no salão avisando que não estava bem... eu subi deixando todos preocupados.

– Onde está Mel?

– Com minha mãe e Sue, Emmett as quer perto.

– Para fugirem. – concluí e ele apenas me olhou e eu entendi.

– Jasper estava com alguns homens agora pouco conversando e eu entendi que estão preparando a sua fuga.

– Você não sabe?

Ele sorriu arteiro.

– Bom, eu sou fiel ao Rei.

Edward me ajudou a colocar um vestido branco de sua preferência e colocou uma tiara que Lady Rose mandou junto com um cordão.

– Você está linda. Não se preocupe.

Nós descemos e todos de Cullen sorriram quando me viram. Edward fez questão de me sentar ao seu lado e me servir. O Rei conversava com ele, mas não dirigia a sua palavra a mim. Eu lembrei das palavras de minha mãe e olhei para o meu povo. Eu não tinha vergonha de quem eu era e muito menos do que eu acreditava, se morresse hoje, morreria pagã.

– Vamos milady, acho que seu marido preparou tudo para nossa audiência.

Eu levantei com a ajuda de Edward e sorri para ele e para Cullen que nos olhava atentamente.

– Sim meu Rei.

E fiz uma reverência aceitando sua mão estendida e fomos para a sala privada de Edward. O meu destino estava nas mãos de Filipe.

Notas finais
No próximo será a audiência meninas até terça??????? Beijos!