Notas iniciais
Vamos ler e conversar depois!

Eu e Filipe entramos na sala privada e eu não sabia como agir. Ele foi até a janela admirando a vista.

– Sempre achei Cullen a terra mais linda de toda Inglaterra. – ele disse divertido. – Não conte isso para mais ninguém, por favor, o Duque de Fulk ficaria decepcionado com minhas palavras, eu acabei de vir de uma viagem à sua região e disse que suas plantações eram admiráveis e os jardins de sua esposa os mais bem cuidados do reino.

– Não, Vossa Majestade.

Rei Felipe se virou me olhando e eu abaixei a cabeça.

– Não seremos mais que bons velhos amigos nessa sala milady, sente-se. Eu posso ver a sua barriga e não quero que se canse demais.

– Obrigada.

Meu coração batia tão acelerado que quando sentei e juntei minhas mãos em uma posição mais informal, mas mesmo assim mantendo a postura. Eu não queria dar a impressão que não tinha modos.

– Você tem algo que me lembra Lauren. – eu não disse nada a esse comentário – Quando a vi, me lembrei da primeira vez que meus olhos encontraram com os dela. Eu não sei o que me deu, mas eu arranjei o casamento dela com Edward no mesmo dia. Mandei um mensageiro à Cullen chamando ele para formalizar um acordo lucrativo e acho que quase o matei quando avisei do que se tratava mesmo. – ele riu e eu apenas estava encantada em saber mais de Edward – Não acho que fiz errado, foi uma fatalidade o que aconteceu, mas eu os vi em uma visita breve e tive certeza que essas terras nunca estiveram tão bem. A não ser agora.

Ele me olhou intensamente como se sondasse a minha alma.

– Eu estou com algo em minhas mãos que vai decepcionar alguém. — Arregalei meus olhos – De um lado eu tenho um grande amigo fiel que sempre fez tudo por mim e meu reino. Esteve comigo em todas as batalhas, meu melhor amigo. Do outro lado, eu tenho uma corte que se lembra do nome Swam por traição e bruxaria. Eu fico impressionado como as pessoas tendem a esquecer o bem e guardar o mal com tanta intensidade. Isso não te surpreende?

– Sim... – minha voz saiu baixa e incerta.

– Eu ouvi as reclamações de Lady Tânia e fiquei realmente impressionado com sua língua. Uma mulher cheia de palavras não acha?

– Eu acho que ela só é muito amarga.

– Ela não é casada, eu acho que se não são freiras as mulheres devem se ocupar com marido e filhos. Muitos filhos. Edward é um homem de sorte, já terá um filho.

Nessa hora eu lembrei de Sue falando que o Rei e a Rainha ainda não tinham sido abençoados com filhos e fiquei triste por eles.

– Lauren também engravidou rápido. Eu ainda tenho a carta que avisava de sua gravidez e de como Edward se gabava que seu menino aprontaria na corte. O que aconteceu de errado? – eu sabia que essa pergunta era mais para ele do que para mim – Ela era tão saudável e jovem, achei que um parto não seria capaz de tirá-la de nós tão cedo.

– Acontece. – minha irmã. Eu lembrei com tristeza de Bree e de como morreu jovem e desiludida.

– Melanie lembra muito você. Os olhos.

– Ela é um bebê maravilhoso. – sorri ao pensar minha menina.

– E já percebi características importantes nela. Observadora e atenta, quando Edward me apresentou ela a primeira vez eu poderia sentir que ela me analisava. Isso não a deixará se enganar no futuro, não acha?

– Certamente.

– Não vou mais prolongar isso milady. Eu sou um homem muito observador e no tempo em que passei aqui eu já vi tudo que precisava. E seu marido é muito astuto, chamar Padre James e fazer ele conversar com os meus padres me deu argumentos para muitas coisas. Eles ficaram encantados com a organização do castelo e a devoção de todos a senhora deles.

– Lady Tânia acredita que tudo de ruim que acontece nessas terras e bruxaria... Padre Frederick falou outras coisas Vossa Majestade...

O Rei riu um pouco.

– Edward e eu caçamos algumas raposas, suas terras são fartas delas. Parece que precisam mesmo de minhas visitas para caçarem mais, ele disse que você é um pouco chegada a esses bichos e que não lhe agradaria que caçassem muito. São tão populares na Irlanda assim?

Eu o olhava assustada com essas palavras. Eu era admiradora de raposas?

– Vossa Majestade...

– Eu sei que caçamos um pouco delas, mas acredito que elas não incomodarão Cullen por algum tempo. – ele realmente tinha acreditado naquilo? – Vão fazer uma sopa com a carne e alimentaremos também as pessoas das vilas vizinhas.

– Isso é maravilhoso. – falei pensando nas famílias beneficiadas e o Rei finalmente sorriu alegre como se quisesse me agradar.

– Fico feliz que não tenha lhe aborrecido.

Alguém bateu na porta nos interrompendo. Um dos lordes que tinha vindo com ele entrou e fez uma reverência.

– Confirmamos a informação Vossa Majestade, estaremos prontos. Duque Edward e seus homens estão apenas esperando suas ordens.

A informação o deixou abalado, mas ele permaneceu olhando seu servo.

– Peça para o Duque vir até mim, sua esposa e ele precisam conversar.

Pela Deusa o que estava acontecendo? Eu passava a sentir uma agitação dentro mim como se pudesse ouvir passos de pessoas correndo e uma movimentação por todo o castelo. Olhei para o Rei e ele respirou fundo.

– Tem horas que isso é apenas pesado demais para qualquer ser humano... Os Volturi estão marchando contra Cullen, aproveitando que estou aqui e que navios franceses estão vindo.

– Guerra...

– Vamos evitar uma guerra milady, não posso enfrentar a França e não quero mais uma desavença com o seu Rei, que por acaso é meu primo.

– Cullen está em perigo... – sussurrei.

Edward entrou sem ao menos bater, ele estava diferente. Sua expressão estava séria e determinada. Pronto para a batalha.

– Desculpe... eu achei que ela passava mal...

Ele sorriu para Edward.

– Sua esposa está bem. Pedi que ela sentasse para que pudéssemos conversar melhor.

Parecendo entender a necessidade de Edward de estar mais próximo a mim ele fez um gesto e Edward correu para mim se ajoelhando do meu lado. Passei as mãos por seu cabelo vendo a aflição nos seus olhos.

– Seremos atacados, Cullen precisa defender o Rei e sua soberania.

– Os Volturi...a França..

– Descobrimos por que o pai de Lady Tânia a mantinha aqui, ele queria que ela revelasse a movimentação e observasse nossas estratégias, ela mandava um mensageiro aos Volturi que por sua vez ia para França avisar a Guilherme.

– Rei Guilherme...

Ele era o Rei da França. Primo de Filipe.

– Quando o pai de Lady Tânia morreu, os soldados recolheram várias cartas que ligavam ela e o pai aos vários traidores. Ela queria acabar com Cullen... assim a maior defesa da Inglaterra estaria abalada, os Volturi tomariam o reino e fariam uma aliança com a França. Para Guilherme isso seria mais lucrativo que os impostos que pagam ao nosso rei para negociar nossos produtos. Os Volturi prometeram livre comércio, isso os colocaria dentro de nossos domínios sem nenhum compromissos, em poucos anos acreditamos que seríamos invadidos.

– Isso é horrível! Como Lady Tânia poderia compactuar com isso? Traição...Por que a mantivemos aqui?

– Eu ordenei que ela não fosse alertada – Felipe falou com sua voz firme. – Edward não sabia quem era o informante ou o mensageiro, seria arriscado depois da morte dele prendermos ela. Por isso, continuamos com a farsa toda.

– E conseguiram descobrir?

– Era um dos meus cavaleiros, Billy estava a espreita e avistou quando ele partiu a noite na direção dos Volturi, estávamos esperando a invasão.

– Vai haver guerra?

– Lutaremos. – Edward falou olhando para Filipe. – Lutaremos por Cullen e pela Inglaterra.

– Leve sua esposa para o abrigo. Todas as mulheres já foram?

– Edward as famílias das vilas? – perguntei enquanto levantava.

– Todos desde as primeiras horas foram deslocados para um abrigo na floresta, os Volturi estão vindo pela estrada, os arqueiros avisaram que viram do alto a movimentação. Precisamos ir... vai ficar segura...

– E você? Edward.... – eu queria me agarrar a ele e não deixá-lo ir.

– Eu o devolverei para você. – a voz de Filipe me fez virar e olhá-lo com atenção. – Há muitos anos atrás minha mãe ficou doente, o que ela tinha era considerado contagioso e nem eu ou meu pai poderíamos entrar no quarto. Ela ficou sozinha naquele quarto escuro por dias até que meu pai chorando comigo na porta implorou para os médicos para curarem ela. Os médicos da corte não queriam mais entrar com medo de pegarem a doença.

– Que horror... – Edward me abraçou sentindo meu desespero.

– Foi então que eu vi seu pai pela primeira vez. Ele se abaixou e olhou meu pai dentro dos olhos e disse: o quanto vossa majestade ama sua esposa? E meu pai disse: com minha própria vida. – Filipe em meio a história sorriu – Ele era louco por minha mãe mesmo, tudo que ela pediu ele fazia imediatamente. Se as flores estavam murchas, ele mandava plantar mais e mais, se a comida desagradava ele mandava matar o cozinheiro e chamar outro de algum lugar. Ela foi a mulher que ele amou até o dia em que Deus o levou. E eu um garoto vi sua mãe entrar com um cesta de ervas no quarto sem medo algum, ela sorriu para mim e disse: não tema.. ela só precisa se alimentar melhor. – um silêncio na sala. Nem eu ou Edward conseguíamos dizer nada ouvindo aquela história. Filipe então me olhou profundamente com os olhos brilhando de lágrimas que não desciam – Sua mãe ficou dias com minha mãe naquele quarto, seu pai entregava os alimentos e saía quase na mesma hora. E quando a porta do quarto se abriu dias mais tarde ela estava vestida como uma rainha gloriosa, seus cabelos brilhavam e seu rosto estava corado novamente. Ela usava as jóias que meu pai deu a ela no dia em que eu nasci. Tanto eu quanto todos da corte não acreditavam no que estávamos vendo. Ela estava mais jovem e bonita...

– Minha mãe...

Ele sorriu para mim e veio na minha direção.

– Eu fiquei anos depois que soube que Charlie e Renée tinham tido duas filhas procurando por vocês, mas quando cheguei no castelo que em que soube que havia uma Swam casada o marido disse que ela morreu de uma doença estranha e a irmã morava na Irlanda como uma pagã. Eu não poderia ir até a Irlanda e procurar por você sem que meu reino fosse prejudicado. Por isso, eu pedi a Deus que te ajudasse e guardasse de todo mal.

Eu não tinha palavras para o que estava ouvindo.

– Você sabia de Isabella quando recebeu minha primeira carta. – Edward falou tão surpreso quanto eu.

– Eu vi os registros de batismos na Igreja e sabia apenas o nome dela. Mas eu garanto a vocês que foi uma surpresa saber que estava aqui e que Edward a guardava, eu quis vir aqui e lhe agradecer pessoalmente, mas... minha Rainha estava para retornar e eu queria estar com ela. Eu precisei ter paciência e mesmo que Edward não tivesse casado com você eu mesmo ordenaria para que ele o fizesse.

Eu sorri olhando para ele. Nosso destino era estar junto.

– Mas veja, eu vim lhe agradecer por minha mãe e acabei tendo mais motivos. – ele sorriu largamente – Minha esposa sempre será grata pelo que fez a ela na floresta Isabella.

– Oh... – a mulher grávida. Era a Rainha?

– Como? – Edward perguntou nos olhando.

– Sua esposa evitou que meu filho nascesse na floresta sem mim ou qualquer conselheiro perto. Isso invalidaria seu direito ao trono, sabe que é preciso estar testemunhas presentes para o nascimento real. Assim há garantias que aquele e não outro é o herdeiro.

– Era sua esposa que vinha do convento? – Edward perguntou espantado. – Por que não nos avisou, a teríamos escoltado...

– Eu e ela decidimos manter a gravidez em segredo. Só alguns lordes responsáveis e de confiança sabiam a fim de testemunhar, eu mandei para o convento porque lá era teria a tranqüilidade para manter a criança no ventre. A corte havia pressionado ela demais, já tínhamos perdido dois bebês e ela estava muito receosa, não precisava daquela agitação e fofocas. Quando ela voltou passando por suas terras ela me contou do encontro que ela e sua esposa tiveram.

Eu o olhei assustada.

– Eu sempre serei grato por não deixar que aquilo acontecesse. Nosso filho nasceu como deveria e será o futuro Rei. Isso é a realização de um sonho.

– Não soubemos do nascimento do herdeiro. – Edward falou um pouco estranho.

– É claro que não, com os Volturi nos ameaçando eu não precisava de mais isso para me preocupar. Ela e meu filho seriam alvos de qualquer um infiltrado na corte para nos fazer mal, eu não queria arriscar. Quando o pai de Lady Tânia morreu eu consegui ver um fim nessa conspiração.

– Haverá fim hoje! – Edward falou determinado trocando olhares com nosso rei.

– Eu o devolverei para você como sua mãe um dia devolveu o bem mais precioso que tínhamos.

A porta abriu e soldados estavam na porta e eu me agarrei a Edward antes que ele partisse.

– Cuide de nosso filho, eu voltarei.

Dando um beijo em minha testa ele e Filipe saíram. Sam e Jacob apareceram na porta e eu entendi que a guerra estava começando.

Notas finais
Vamos lá amores, primeiro de tudo: gostaram do capítulo? Ficou grandinho né? Segundo: não me matem pelo final... a guerra vai passar como uma chuva de verão...isso é uma dica! Terceiro: não tem mais postagens essa semana porque eu vou viajar a trabalho e não terei como escrever o 36, o que me deixaria sem capítulos para semana que vem. Se quando eu chegar eu escrever posto no domingo, mas ão sei o meu estado então tenham paciência por favor. Combinado na terça então meninas.... comentem e podem abrir o coração de vocês, morro de rir com as ameaças a Tânia e aderi a campanha #morteatânia Aliás, eu já escrevi o final dela!