O tear do Destino
35 O cristão e a pagã. O improvável.
Notas iniciais
Até tudo acontecer eu não tinha idéia de como Cullen era preparada para a guerra realmente.Além doss homens treinavam todos os dias, haviam guardas por todas as terras e alguns disfarçados, o que descobri depois que os Volturi resolveram nos atacar. Todos pegaram suas espadas e foram lutar contra a invasão. Tinha tropas do Rei na costa esperando os navios franceses e tinham vários soldados de Cullen junto, até mesmo os mais velhos foram defender tanto Cullen como a Inglaterra.
O vento soprava em meus cabelos trazendo a sensação que eu não estava sozinha como eu imaginei e senti a presença da Deusa mesmo antes de fechar meus olhos e tentar me concentrar. O som de um cântico antigo começou a soar e eu o cantei sentindo que a luta havia começado, eu cantava e as árvores na floresta respondiam com muito balanço, o vento brincava com elas e eu continuava cantando e imaginando Edward em uma batalha com sua armadura e espada. O vento se tornou uma brisa e a brisa também se foi. Uma calmaria repentina me alertou que algo não estava bom.
– Precisamos ir senhora.
Jacob estava atrás de mim e me olhava assustado.
– O que aconteceu?
– Não podemos ficar vulneráveis desse jeito, precisa voltar para o abrigo.
Quando Cullen foi construída o primeiro Duque achou em uma de suas caminhas uma caverna na floresta que era escondida por uma cascata, o cenário era tão convidativo que ele achou que um dragão antigo dormia ao som das águas, mas ali havia apenas uma caverna úmida que ele guardou o tesouro adquirido de uma viagem as terras altas. O segundo Duque, seu filho, construiu ali um abrigo para a esposa e seus filhos quando a guerra com os povos bárbaros começou e então o abrigo ficou conhecido pelos outros Duques como o lugar que escondia Cullen de seus inimigos. Jacob e Sam nos levaram para lá assim que eu saí da sala privada. Todas as mulheres Cullen com alguns suprimentos e mais guardas para nos proteger e nos guiar.
– Eu vim andar um pouco. – falei vendo como ele estava alerta. – Viu como tudo ficou em silêncio?
Ele olhou ao redor percebendo como eu que nem os pássaros cantavam mais.
– O que isso significa?
– Que algo aconteceu Jacob. Algo aconteceu.
– Eu espero que todos os senhores voltem, Lady Alice não pára de chorar desde que saímos, o pai dela foi avisado e se preparou para ajudar. Ele e seus homens devem estar chegando com reforços.
– Algo mudou e eu não consigo saber o que é.... isso me assusta.
Ele sorriu para mim achando algo engraçado.
– Por isso dizem que a senhora é uma bruxa. Com todo respeito minha senhora, mas isso é algo comum nas suas terras... aqui...
– Jacob eu sei muito bem como lhe soa estranho, mas eu tenho isso desde pequena. Minha mãe me ensinou a controlar e não comentar isso com estranhos.
– Eu não acho que nada do que aconteceu seja sua culpa ou do diabo. Eu era pequeno, mas lembro do exagero do nosso antigo senhor, aquilo quase levou todos a loucura. Quando acordávamos, tínhamos medo de quem seria acusado ou do que poderia acontecer, era um medo que desapareceu quando ele morreu. Lorde Edward trouxe uma esperança de dias melhores para todo mundo.
– Eu só quero ele volte bem. – sussurrei mais para mim do que para ele.
Jacob me levou de volta para caverna e lá junto com as outras senhoras Cullen ficamos, Mel estava inquieta e às vezes chorava muito só sossegando no meu colo com muitos cânticos. O tempo se arrastava e ouvíamos passos na floresta nos deixando apreensivos, Jacob e seus homens revezavam, mas estávamos todos cansados no terceiro dia.
– Como acha estão todos da vila? – perguntei a Lady Esme. Eu estava preocupada com eles.
– Todos são levados para abrigos, nossos homens encaminham eles, protegem os animais. Não se preocupe, não é a primeira vez que enfrentamos isso e não será a última.
Eu queria acreditar em cada palavra de Lady Esme, mas eu acordei agitada no quarto dia. Tudo parecia fora do lugar e eu senti a necessidade de rezar.
– Sue... preciso sair desse lugar...
Ela me olhou e depois verificou Mel. Ela dormia tranquilamente com Ângela. Arrumei meus cabelos sem saber exatamente por que, mas o fiz e quando Jacob e Sam nos viram fora do abrigo Sue explicou algo a eles, mas eu olhava fixamente para um lugar e sabia que tinha que ir até ele. Algo me chamava.
– Isso não é seguro. – Sam falou e Jacob dava ordens e mais ordens ao grupo de homens que nos acompanhavam.
Eu ignorei e fui andando com pressa sentindo a agitação dentro de mim. Parei em um lugar dentro da floresta que tinha um espaço entre as árvores. Sue avisou para não se aproximarem de mim, eu me sentei e então ouvi alguém gritar fogo. Cullen estava pegando fogo e eu queria chorar porque isso doía em mim.
O cântico começou em minha mente e fui entoando ele, as folhas se movimentaram e eu continuava cantando ignorando o desespero de Jacob falando que a floresta poderia ser invadida também. Não iria, eu podia sentir algo nos protegendo, eu podia sentir as folhas mexendo e o cântico sendo entoado e trazendo o que eu queria, mais vento e mais vento e com isso o tempo fechou.
– Como... precisamos ir! – Jacob gritou e Sue falou mais alguma coisa que eu não conseguia ouvir. Os meus sentidos já não estavam mais exatamente ali.
“... pelas terras altas eu andei, os montes escalei e nunca vi... nunca vi... beleza igual ao que aqui encontrei... – a deusa entoava a canção comigo – Os ventos tragam a paz... a paz...eu e meu amor queremos dormir e sonhar.
Ela parou de cantar, mas a canção continuou como se as árvores ao nosso redor as entoassem para nós. Ela fechou os olhos e movimentou suas mãos.
– Venha minha querida, nos brinde com sua presença.
E a chuva começou. Uma chuva forte demais. Uma chuva determinada a apagar o fogo de Cullen como se não houvesse mais ao redor.
– Você precisa voltar. – ela disse me olhando.
– Obrigada por vir.... muito obrigada...
– Minha querida... – ela se aproximou de mim passando a mão pelos meus cabelos. – Eu sempre estarei aqui, quando mais precisarem. Para todos em Cullen. Para sempre.
– Você sabia da minha mãe... que ela ajudou a rainha....
– Sua mãe cumpriu sua missão com tanto amor, ela tinha um dom raro e precioso. – ela tocou em meu ventre e sorriu – Eu mesma abençoei os bebês com ele.
– Meu filho...
– Seus filhos minha querida.”
– Pelo amor de Deus! – Jacob gritou e eu despertei. Estava toda molhada e a chuva com o vento pareciam estar ainda mais fortes. – Minha senhora meu senhor vai me matar se souber que a deixei aqui!
– Vamos... vamos...
Sue me ajudou a caminhar e Jacob ia nos guiando e falando sobre ser morto, pela primeira vez em dias acendemos um fogueira. O medo de sermos descobertos fazia com que Sam e Jacob nos proibissem de fazer fogueiras que alertassem qualquer um de nossa posição, mas hoje com o vento e a chuva do lado de fora ele ascendeu e logo que chegamos Ângela me ajudou com as roupas. Lady Esme ficou assustada com meu estado, mas eu comi uma sopa e apenas dormi sabendo que tudo ficaria bem. Tudo ficaria bem.
–... eu não sei o que aconteceu... – ouvi a voz de Jacob e de repente o fogo, estava mais quente do que quando eu fui dormir.
– Ela ficou naquela chuva, foi isso que aconteceu! – a voz de Edward me fez abrir os olhos. Ele estava sujo e com uma aparência cansada. Tinha sangue em algumas partes de seu traje e eu me preocupei, mas quando sentei percebi que estava tudo vazio. Vazio demais.
– Edward....- Ele imediatamente se virou e veio até mim.
– Onde estão todos?
– Sam e meus homens estão voltando para Cullen com eles... como você está? Isabella eu mandei você se abrigar e não ficar na chuva.
– Eu...o castelo! – gritei pensando em Cullen em chamas.
– Estão todos bem, Lady Tânia foi trancada na torre e antes que todos pudessem perceber ela colocou fogo na cela em que os guardas a colocaram, o fogo se alastrou rápido demais e parte do castelo foi incendiada.
– Ela morreu? – perguntei horrorizada.
– Queimada... o corpo dela estava desfigurado quando encontraram... as damas dela depois confessaram que ela fez aquilo tudo para incriminar você...Nós deixamos ela com alguns guardas no castelo sabendo que se conseguissem entrar ela não seria morta já que estava com eles, mas ela enlouqueceu, meus guardas contaram que ela gritava e se debatia como se estivesse possuída. O fogo foi descuido deles, nunca imaginaram que ela faria algo assim. Estavam dando comida quando ela saiu correndo e colocando fogo no que conseguia.
– A quanto tempo estou dormindo?
– Sue avisou que só acordaria mais tarde e pediu que a deixássemos descansado. O seu sono estava pesado demais e mamãe me contou que saiu e começou a chover... – ele me olhou procurando respostas – A chuva foi algo seu não foi? Ela foi a única coisa que parou o fogo, os que estavam no castelo eram poucos, os guardas temiam pela segurança achando que isso era uma tática de invasão... me contaram que quando começou a chover, o vento e a chuva como mágica entraram pelas janelas e apagaram o fogo... Jacob acabou de me contar que estava na floresta quando você cantou e tudo começou.... eu não sei como isso funciona, mas eu espero que a Deusa entenda que você está grávida e te proteja.
Toquei meu ventre lembrando das palavras dela e sorri.
– São dois...
Edward arregalou os olhos e tocou o ventre por cima das minhas mãos.
– Dois? – ele perguntou.
– Sim...Sue sempre falava que achava que a barriga crescia rápido demais, eu não achava... mas eu tive uma.... – como eu iria explicar isso a ele? – Eu sei, ela me contou... são dois...
– Você precisa voltar e descansar.... o parto Isabella por favor... me diga que correrá tudo bem... eu não poderia te perder...
– Oh... – eu vi o desespero em seus olhos e sorri tocando seu rosto — claro que sim... iremos ficar bem meu amor, vai ficar tudo bem. Cullen ficará bem...
Abracei Edward sentindo seu calor e queria saber da luta contra os franceses e os Volturi, queria saber como estavam todos em Cullen, mas naquele momento a coisa mais importante para mim era ter Edward em meus braços e estar no dele. Eu o amava e amava cada parte que fazia eu e ele sermos quem éramos. Um cristão e uma pagã. Marido e mulher. Um Cullen e uma Swan. O improvável. A profecia. Pais de três bebês lindos.
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