O tear do Destino
2 O senhor do castelo
Notas iniciais
– Querida vamos ficar na parte dos servos.
Minha tia me despertou, a visão daqueles olhos me fez sair de mim por alguns instantes. Ela estava com Mel nos braços que dormia tranquilamente. Minha menina estava cada dia mais esperta e atenta.
– Deixaram uma pequena trouxa, vamos, meu quarto é um pouco grande, cabe todas nós.
Eu me levantei, peguei minha capa e fui andando com ela pelos corredores que davam para uma parte de trás do castelo, tinham tochas acessas que iluminavam o caminho, não era tão quente, mas não tinha um frio insuportável. Jacob estava na porta com algo nas mãos. Ele ficou sem graça quando nos viu.
– Boa noite Jacob, o que trás a essa parte. – Tia Sue o questionou com um sorriso amigável.
– Eu achei que iam precisar de algo... – ele mostrou o pequeno berço de madeira simples. – Uma das damas de lady Rosalie perdeu o bebê e... ela jogou fora... eu peguei... está limpo.
– Obrigada Jacob, você é um homem de muita honra e coragem.
Eu percebi seu peito se encher de orgulho quando disse aquilo, entramos no quarto e ele colocou o berço pequeno do lado de uma cama e então saiu pedindo que o chamassem caso acontecesse alguma coisa inesperada. Não iria, mas ele foi muito gentil de qualquer forma. Minha tia mexeu em algumas coisas no fundo, e voltou com um vestido muito simples e um pouco velho.
– Aqui nós usamos cinza ou preto. Eles usam a cor do brasão. – ela me entregou o vestido e se voltou para Mel.
– Azul e dourado sempre?
– Na maioria das vezes, o seu vestido vermelho não ajudou muito. – olhei para meu vestido, era o único que eu tinha. Minha tia instalava Mel no berço. – Vermelho é a cor dos Volturi e os Cullen não se dão muito bem com eles apesar de diante do Rei não ser bem assim.
– Volturi, eles são os próximos ao trono Inglês não?
– Caso não acha nenhum herdeiro, o rei se casou há dois anos e ela... nossa rainha vive sobre muita pressão. Isso complica.
O ventre dela decidiria o destino de um grande reino, isso era o suficiente para fechar qualquer caminho. Olhei Mel acomodada no berço por vários tecidos grossos que vieram junto com o pequeno berço e sorri, ela estava linda e tranquila. O sono me tomou e eu deitei pensando nos olhos verdes.
Acordei assustada, olhei para o berço e Mel não estava. Lavei meu rosto e me banhei o máximo que pude com uma porção de água que tinha em uma pequena bacia e troquei minha roupa rapidamente refazendo o caminho até a cozinha mentalmente para chegar o mais rápido possível. Fiz uma trança simples e quando abri a porta não me pareceu tão fácil assim, mas fui andando com cautela até ouvir as vozes e vi uma mulher sentada amamentando Mel. Isso me deixou realmente assustada.
– Se aquiete, Ângela acabou de perder um bebê e está aqui oferecendo leite para sua menina. – Tia Sue entrava na cozinha com uma bandeja nas mãos. Os senhores estavam sendo servidos.
– Oh... obrigada...
– Ela é linda. – Ângela passou a mão pelos cabelos de Mel, ela abriu os olhos quando ouviu minha voz e ergueu as mãos.
– Mame pequena e fique tranquila, eu estou aqui. – ela sorriu ainda com o bico do peito de Ângela na boca e voltou a mamar.
– Tome seu café que vamos ter um dia cheio, hoje faz sol... ela pode tomar um pouco de sol e depois...
Sentei numa grande mesa de madeira e as vi as mulheres trabalhando enquanto minha tia me servia um pouco de leite e pão. Tomei meu café com calma, Ângela ninava Mel que estava quase adormecendo. Foi então que eu senti algo, parei de tomar café e olhei para os lados. Algo estava acontecendo.
– Querida, pegue o berço dela e coloque aqui na cozinha, é mais quente.
Eu levantei com essa desculpa e passei por Ângela sussurrando para ela cuidar de Mel. Ela era uma boa mulher, teria muitos filhos ainda eu tinha certeza, mas fui levada a andar para o lado oposto. O corredor estava ficando cada vez mais largo e eu ouvi vozes vindo do grande salão. Não era ali ainda, eu precisava evitar aquele Jasper de qualquer forma. Passei rapidamente pela parte mais escondida do grande salão e então me deparei com a escada. Subi ela receosa de ser vista e mulheres desciam com expressões preocupadas, eu continuei até chegar ao andar de cima. Ali era a parte destinada ao senhores do castelo, eu era uma intrusa intrometida. Ouvi um gemido e então corri até a porta abrindo ela sem cuidado.
A mulher loira estava deitada suando um pouco. Me aproximei dela e vi o ventre.
– O que está se sentindo? – ela se assustou quando me viu.
– Quem é você?
– O que está sentindo...
– Não é a hora... não...
– Calma. Posso me aproximar?
– Não tenho como sair correndo daqui se o fizer. – ela estava preocupada.
– Preciso...posso ver o que está acontecendo?
Ela começou a sentir mais dores e eu me aproximei, levantei o vestido azul dela e então a toquei sentindo que estava tudo ainda remediável.
– Falta ainda...
– Algumas luas, só algumas luas. Mas vou fazer o possível. Não faça força, seu corpo quer que faça, mas isso não fará bem agora.
Ela assentiu e eu sorri. Sue entrou rapidamente e me entregou uma cesta e um corpo de água muito quente.
– Precisa ser rápida, já chamaram o marido dela.
– Oh...
Sue saiu rápido e eu olhei as ervas que tinham ali. Eu usaria calêndula e espelina, teriam um efeito mais rápido e ela poderia segurar o bebê por mais tempo.
– Por favor, quer ter essa criança?
– Claro... eu já perdi um... oh Deus eu não vou suportar mais isso...
Ela começou a chorar.
– Não agite a criança.
Eu tentei ser o mais rápida possível com o chá. Eu queria ir embora antes que a comitiva chegasse para ver como ela estava.
– Tome...
– Tem um cheiro horrível...
– Eu sei, mas vai ajudar a manter o bebê.
– Vai mesmo?
– Claro querida, tome tudo.
Ela tomou fazendo uma cara feia e eu precisei me segurar para não sorrir. Quando acabou ela me entregou respirando com dificuldade.
– Isso ... meu Deus nem sei quem você é....
– Calma...deixa o chá fazer efeito.
Eu a olhei e ela tinha os cabelos ainda soltos, a camisola estava um pouco suja de suor.
– Quer que eu ajude com os cabelos? Seu marido...
– Oh.. isso seria ótimo.
Olhei ao redor vendo os tapetes e os baús. A cortina grossa na janela. Levantei e fui até o baú, peguei uma escova e voltei. Ela estava tentando se ajeitar para me dar espaço. Fiz um lindo penteado, seus cabelos loiros eram feitos de seda e não demorei muito para deixa-la apresentável e ela sorriu.
– A dor passou...
– Isso mesmo.
Quando levantei para guardar a escova a porta abriu me assustando. Um homem grande e forte entrou. Ele olhou para a mulher e depois para mim. Jasper Cullen entrou com mais alguém e eu percebi como estava enrolada.
– O que faz aqui sua bruxa? – ele gritou para todo o castelo ouvir. Ele viu o copo nas mãos da mulher. – O QUE DEU A ELA?
– Rose... querida... – o grande homem foi até sua mulher. Ela era Lady Rose.
– Eu não...
– O QUE DEU A ELA?
O homem atrás de Jasper nada dizia.
– Um chá, evita que a criança...
– Você tomou o que essa bruxa lhe deu sem ao menos esperar..
– Não grite com minha mulher Jasper.
Eu queria sair correndo. Fechei meus olhos sentindo toda a vontade de desaparecer.
– Então você é Isabella Swan. – a voz do homem nos tirou desse momento ruim. Quando o encarei melhor eu vi os olhos verdes. E temi. Temi como nunca alguma coisa em minha vida.
– Sim... desculpa... ela estava sentindo dor. Ia perder a criança!
– Meu filho... não... – Olhei para trás vendo Rosalie tocar o ventre com proteção.
– Não praticamos feitiçaria aqui Isabella. – ele disse isso, mas não senti nenhuma reprovação vinda de suas palavras.
– Deixam morrer os inocentes ao invés disso.
– Bruxa! – gritou Jasper.
– Como queria ser para te jogar uma praga!
Eu gritei para Jasper e ele deu dois passos para trás. Quase gargalhei de sua covardia.
– Preciso que saiam, Rose não pode mais ter tantos sobressaltos e essa gritaria toda não faz bem a ela e ao bebê.
Olhei para trás e a vi com medo.
– O bebê vai nascer na lua certa, ele só é apressado.
Ela sorriu tímida e eu me virei.
– Venha Isabella. Eu sou Lorde Edward, senhor de Cullen e esse é meu castelo. Por isso acho bom vir comigo.
Quando saí do quarto com Jasper e Edward eu vi Jacob e mais dois homens esperando na porta. Edward os olhou firme.
– Voltem aos treinos. Mande Billy comandar um grupo de caça, precisamos de alimentos.
Os homens obedeceram rapidamente o que Edward falou e então olhei para uma outra porta que havia perto daquele quarto. Uma porta que me chamou atenção, mas eu não entendia o motivo. Tinha algo ali eu só não sabia o que era.
– Vamos sua bruxa!
Jasper pegou no meu braço e eu gemi de dor.
– Acho que ela anda sozinha Jasper. – Edward disse firme.
– Ela pode fugir.
– Solte ela agora, está machucando. – Jasper me soltou na mesma hora e eu olhei agradecida — Eu soube que ela veio com um bebê, não acho que ela sairia daqui sem ele.
Ele me olhou firme e eu pensei em Mel, eu precisava vê-la. Eu acompanhei eles pelas escadas, todos nos olharam no grande salão e então nos voltamos para uma outra parte, oposta a da cozinha. Ele abriu uma grande porta de madeira.
– Conversarei com Isabella a sós Jasper, supervisione os treinos.
Isso não era bom. Não era mesmo.
– Tem certeza? Não acho...
– Saia Jasper.
Edward fez um gesto indicando o caminho e eu senti um grande medo. Por que ele me dava tanto medo?
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