O tear do Destino
3 Uma carta para o Rei
Notas iniciais
– Quer se sentar? – ele ofereceu e eu sabia que estava paralisada em meu lugar.
– Não obrigada.
– Eu me sento então. — disse firme e se sentou na grande cadeira de madeira que tinha atrás de uma mesa muito grande, continha papel e tinta, outros pergaminhos e mapas. Lorde Edward parecia um rei sentado em seu trono.
– Não costumo parar meus afazeres para atender casos como o seu a essa hora. Eu pretendia fazer isso mais tarde. – ele ficou pensativo por alguns longos minutos e eu em pé em silêncio. – Você gritou para todo mundo ouvir que sua mãe era Guardiã da Deusa não?
– Sim.
– Isso me faz crer que quando ela morreu você se tornou uma guardiã não foi?
O olhei intrigada, como ele sabia desse detalhe? Não eram muitos ingleses que sabiam dos costumes pagãos da Irlanda. Na verdade, tudo se tornou lenda depois da grande invasão britânica e seu exercício cristão. Tudo se tornou bruxaria e tudo que não era da santa Igreja de Roma era queimado na fogueira santa que eles faziam.
– Como eu sei? – ele sorriu um pouco — Isso Isabella lhe rendará algumas noites de sono caso realmente queira saber, não contarei como sei, só preciso de uma coisa sobre você. Ainda mantém o seu juramento de fidelidade à Deusa?
– Sim.
– Eu mandei uma carta ao Rei perguntando o que fazer com você em minhas terras, não posso simplesmente liberar a filha de Charlie Swan sem o consentimento de nosso Rei. – eu ia acabar na fogueira como minha mãe. O que eu queria vindo a Cullen? Eles eram fiéis ao Rei e eu era a filha do traidor. Não era para encontrar Padre James e chegar como cheguei. Era para ficar escondida com minha tia. Nada disso aconteceu. – Padre James me pediu para realizar o batismo de sua filha. É isso que realmente quer?
O encarei.
– Sabe que não tenho escolha, ela precisa ser batizada segundo os seus costumes se não ela...
– Eu conheço o Padre James há longos anos e sei o que ele acha desses batismos Isabella. Melhor do que você. Me conte uma coisa, caso não fosse batizada segundo os meus costumes, como diz, como ela seria... apresentada?
Eu sorri pensando na cerimônia linda que ela teria.
– Ela seria apresentada à Deusa, uma menina é apresentada na primavera. A estação fértil, colocaríamos um vestido branco representando a pureza e faríamos um arranjo pequeno de flores simbolizando a fertilidade, no alto de uma montanha com vista para o mar faríamos os cânticos e depois as orações. Tudo isso a levaria a ser a próxima guardiã caso ela aos doze anos assim quisesse.
– Doze anos?
– Sim, é uma idade boa para servir ou casar.
– Você escolheu servir.
– Eu não vou lhe contar sobre minhas escolhas. – eu percebi que ele se irritou com a resposta brusca.
– Mas eu vou contar algo sobre as minhas Isabella. – Edward tomou um ar completamente sério e decidido. — não a quero longe de minhas vistas ou de meus homens, não gostamos de traidores e muito menos seus descendentes. Não faça nada que a coloque em uma fogueira antes do Rei assim o decidir. Agora vá.
Eu tinha que ir embora antes que queimasse na fogueira e deixasse Mel sozinha. Não era para acontecer nada disso, nada disso. O que estava acontecendo que tudo que pensei simplesmente não podia acontecer? Fiz uma pequena reverência e saí antes que o chamasse de porco e acabasse na fogueira antes mesmo da carta do Rei. Eu ouvi alguma agitação no grande salão quando estava indo para a cozinha e vi duas mulheres entrando pela porta. Uma delas era loira, mas não tão bonita como Lady Rosalie, a outra tinha os cabelos pretos. As duas usavam vestidos azuis e dourados e presumi que elas seriam mais mulheres Cullen. Ótimo, pensei ao sair correndo.
– O que aconteceu? – minha tia perguntou quando entrei e procurei por Mel com apenas uma olhada na cozinha. – Está um dia bonito, Ângela a levou para fora ela ficou inquieta demais.
Eu não esperei, fui até a porta que entrei ontem a noite e assim que coloquei meus pés para fora ouvi o choro de Mel e corri na direção delas. Ângela tentava acalmar, mas ela estava daquele jeito impossível. Assim que seus olhos me viram ela fez um grande bico e fungou, Ângela se virou quando percebeu que ela parou.
– Oh..ela estava ficando desolada....
– Desculpa o trabalho.
– Nada disso, eu amo crianças.
Peguei Mel do colo dela agradecendo mais uma vez. Mel apoiou sua cabeça em meus ombros e então eu comecei a andar e cantar um pouco, ela estava exausta de mamar e chorar. Eu me senti observada, mas não conseguia entender o que estava acontecendo, ignorei meus instintos e continuei me concentrando em Mel.
EDWARD
Jasper entrou irritado com Emmett. Eu continuava sentado olhando onde Isabella tinha ficado em pé há pouco tempo. Essa mulher era um mistério para mim e isso me deixava nervoso. Quem era o pai daquela criança? Qual homem ela largou ou foi louco de a largar? O que tinha acontecido na Irlanda para ela fugir para Inglaterra onde sabia ser odiada.
– Irmão,precisamos matar a bruxa. – Olhei para Emmett, ele tinha um ar tranquilo e realmente desgostoso da situação.
– Como está Rosalie? – ignorei Jasper.
– Alegre,muito calma. Ela disse que estava acontecendo de novo. O bebê querendo nascer, foi exatamente como perdemos o primeiro. Só que parou. Ela disse o que chá a acalmou e as dores foram embora como vieram.
– Mande-a ficar na cama e nada de visitas. Lady Tanya só agita sua esposa com suas conversas.
– Sim... claro, não gosto mesmo dela perto de Rose.
– Vamos matar a bruxa? -Jasper estava impaciente.
– Me digam quanto tempo demora uma carta para chegar ao Rei.
– Duas semanas se o tempo colaborar.
– E se o tempo não colaborar?
– Três semanas, indo o cavaleiro sozinho e por estradas bem conservadas. Pela florestas...
– E se o tempo não colaborar, a estrada estiver ruim e...
– Um mês Edward... onde quer chegar? –Jasper estava ainda mais impaciente.
– Mande uma carta ao Rei, dizendo que temos uma Swan conosco e pedindo orientações. Explique que se trata de Isabella, filha de Charlie e Renné e que ela está com uma criança.
– Ele vai perguntar por que não a matou antes com certeza.
– Jasper você não está na mente de nosso Rei, então vamos pedir orientações.
– Um mês para saber o que fazer com uma bruxa?
Levantei bruscamente.
– Ela praticou feitiçaria? Ela alguma vez desde que entrou fez algo de que foi suspeito? Não acuse ninguém até ter provas! – bati na mesa e ele saiu. Emmett ainda ficou mais algum tempo.
– Eu vou escrever a carta e mandar alguém digamos daqui a dois dias. Quem acho perfeito para isso está na caçada, então... – sorri para Emmett e ele me deu um largo sorriso em resposta. – Eu serei sempre grato a ela pelo que fez a Rose hoje, mesmo ela sendo bruxa, pagã ou algo assim.
– Jasper resolveu descontar nela suas frustações e você sabe disso melhor do que eu – suspirei pesado repensando no que havia acontecido nos últimos meses.
– Ele precisa parar de fugir disso!
– Ele vai fugir enquanto puder. Vá ajudar ele a se acalmar.
Quando Emmett saiu eu fiquei olhando Isabella pela janela, ela estava no pátio com sua criança. Elas eram parecidas. Sorri quando a menina soltou uma gargalhada e pegou os cabelos de Isabella deixando os longos cabelos mais a mostra. Ela era a mulher mais bonita que já tinha conhecido. Eu tinha certeza como o dia que ela ajudou com Rose porque era essa a natureza dela. Então lembrei de Lauren e suas últimas palavras, meu coração apertou e eu quis tanto voltar no tempo e protegê-la de tudo que nos cercava, mas eu falhei. Uma necessidade de proteger Isabella me tomou e eu sabia que as últimas palavras de Lauren estavam se concretizando como uma velha profecia.
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