O tear do Destino
32 O Rei I
Notas iniciais
– Nosso Rei está chegando. – todos os nossos servos me olhavam na expectativa das minhas palavras. Eu não tinha muito o que falar, mas Lady Esme insistiu que um pronunciamento fosse dado para que todos entendessem suas funções. Reunimos todos então no grande salão agora modificado para recebermos o Rei. Os tapetes com o símbolo de Cullen, as mesas com toalhas grandes bordadas para a ocasião e os copos, os melhores copos e prata do castelo. – Não se dirijam a ele diretamente, não andem pelas áreas reservadas para sua acomodação e não falem mais que o necessário com seus conselheiros ou lordes. É essencial que eles sejam atendidos quase imediatamente para mostrar nosso prazer em tê-los. – eu sentia minhas forças sendo sugadas para algum lugar longe de mim. – Eu sei que foram dois dias cansativos demais, eu agradeço a cada um por seus esforços. Nosso senhor está feliz e sabe que seremos bons anfitriões.
– Vida longa ao Rei!- alguém gritou e todos repetiram. Eu respirei fundo me apoiando na mesa a minha frente.
– Podem voltar ao serviço.
Todos na mesma hora foram para seus postos.
– Venha, acho que dá tempo de deitar antes que o Rei chegue.
Lady Esme estava do meu lado com Lady Rose e Lady Alice. Eu conseguia enxergar o medo nos olhos dela.
– Preciso ir na cozinha...
– Eu vou verificar as bebidas e o banquete. Vá deitar, está muito branca. – Lady Alice logo sumiu de meu lado e Lady Rose me ajudou a subir com Lady Esme.
Sam e Jacob estavam atrás de nós e vi Seth parado na porta de Lady Tânia, hoje ela teria permissão para sentar conosco a mesa e eu não poderia imaginar o que aconteceria quando ela saísse daquele quarto com sua fúria desmedida. Jasper comentou com Lady Alice que ela estava tendo o que merecia trancada naquele quarto, mas eu achava que ela estava apenas reunindo forças para nos atacar. Sentei na cadeira perto da lareira cansada.
– Beba um pouco de água. – Lady Rose pegou um pouco de água e me entregou.
– Como está Michael? – perguntei e ela sorriu.
– Ele está dormindo um pouco com Mel. Ângela e mais uma dama minha os estão acalmando para a noite, o Rei com certeza vai querer conhecer os herdeiros de Cullen.
– O Rei sempre que nos visitava trazia algo para os meninos. – Lady Esme falava sorrindo também. – Uma vez deu uma espada a Edward que eu precisei esconder, ele queria treinar com ela, mas não conseguia levantar a de madeira ainda!
Imaginar Edward menino me fez sorrir também. Toquei minha barriga imaginando nosso menino de olhos verdes ou nossa menina de cabelos loiros e olhos castanhos.
– Você se lembra do protocolo não?
– Sim Lady Rose, eu não vou me sentar com Edward porque o Rei e seus lordes estarão com ele. Também não devo me levantar da reverência antes dele permitir, só começamos a comer depois que ele comer e... eu realmente me sinto cansada.
Bebi a água e deitei um pouco com Lady Esme velando meu descanso, a gravidez e todos os acontecimentos estavam me deixando um pouco mais lenta. As horas passaram e eu me arrumei para receber o Rei, meus cabelos bem arrumados e as jóias Cullen sendo usadas pelas senhoras. Até mesmo Lady Esme tinha hoje um brilho celestial no azul e doirado, todas nós usávamos as cores Cullen em seus melhores tons. Lady Rose tinha uma tiara linda adornando seus cabelos e Lady Alice usava pequenas jóias que iluminavam seus cabelos.
– Todos estão prontos. – Sue me avisou. Estávamos no salão aguardando a entrada do Rei com Edward e seus irmãos. Ele foi mais cedo receber o Rei na entrada das terras e estava além de nervoso com medo da fogueira, haveria uma fogueira?
A porta abriu e toda a comitiva do Rei entrou trazendo a elegância e a riqueza da corte as nossas terras. Imediatamente todos nós nos abaixamos em uma reverência.
– Que lindas mulheres Cullen reuniu. – a voz do Rei soou firme e alta.
– Agradecemos o elogio meu Rei. – a voz orgulhosa de Edward fez meu coração saltar.
– Traga sua senhora aqui, quero conhecê-la. Ouvi dizer que sua beleza só está abaixo de minha Rainha.
Eu ouvi os passos de Edward até mim e peguei a mão que ele ofereceu para que eu levantasse. Nos olhamos e eu sorri para ele. Fomos andando lado a lado até o Rei e fiz uma reverência quando cheguei perto.
– Não consigo entender como temem uma mulher com tanta graça.
Eu sorri para o Rei. Filipe era jovem, mas claramente mais velho que Edward. Ele tinha os cabelos pretos e olhos também. Sua barba preta já mostrava os sinais da idade com alguns fios brancos, mas ele ainda era jovem.
– Obrigada majestade. Cullen está muito feliz por poder receber sua ilustre visita.
Ele sorriu amplamente.
– Eu que estou encantando em visitar a única terra que o inverno não marcou, preciso saber qual a receita para espalhar pela Inglaterra!
– Temos muito tempo para lhe contar, venha majestade você está cansado e temos comida e bebida para todos.
– Sim claro... claro...
Edward foi com o Rei até a mesa e todos faziam reverências mostrando o respeito e devoção ao Rei. Eu e Lady Esme cuidamos do serviço, ao todo ele tinha trago cinco conselheiros, dez cavaleiros e dez lordes de sua confiança. Jasper e Emmett conheciam todos eles assim como Edward, as damas eram poucas porque segundo o próprio Rei a viagem era cansativa e demorada demais para trazer todas. Haviam dois padres junto que abençoaram a comida e Cullen, eu não os conhecia, mas Lady Esme avisou que eram padres de Roma.
– O que tem eles serem de Roma? – perguntei enquanto comíamos.
– São enviados papais. Isso dá a eles o poder de julgar quem é santo ou não. – Lady Esme falou e eu imaginei que aqueles eram meus maiores inimigos.
Não havia música, mas todos estavam bem e contentes. O Rei tinha dores de cabeça e por isso suspendemos os músicos. Lady Tânia descia as escadas de preto com suas damas e fez uma reverência exagerada na frente do Rei. Todos nós ficamos atentos aos seus movimentos.
– Eu sinto muito pelo seu pai. – O Rei disse em uma voz alta e clara.
– Meu pai foi um homem honrado e tenho certeza que Vossa majestade está querendo vingança.
– Um Rei não busca vingança e sim justiça Lady Tânia. Não seria digno de minha posição se buscasse a vingança que pertence a nosso Senhor.
– Muito bem dito Vossa Majestade. – um dos padres falou com a boca cheia.
– Aproveite seu jantar Lady Tânia, nem todos estão desfrutando dessa fartura de Cullen. Não conseguiria pensar em um lugar melhor para você se abrigar.
– Nessa terra? – ela disse sarcástica. – Vossa Majestade ignora o que tem acontecido. Aqui se pratica magia e bruxaria!
Eu gelei por dentro e todos do castelo ficaram em silêncio. Eu podia sentir a tensão que Edward estava junto com seus irmãos. O Rei a olhou e limpou as mãos no guardanapo olhando depois para Lady Tânia.
– Não estou tendo esse conhecimento. Me diga então o que tem visto e não tem chegado aos meus ouvidos.
– A irlandesa enfeitiçou a todos, ela usa magia para curar e colocar uns contra os outros. Animais são usados em rituais, minha própria dama apareceu morta em um claro sacrifício humano!
A corte de Filipe ficou agitada falando e apontando para todos os lados.
– O Diabo tem feito a festa nesse lugar e eu estou com medo de minha própria vida.
Ela chorou e então eu senti o enjôo vindo com força.
– Aqui tem um dos senhores mais dignos que já conheci, lutou e se machucou por mim nas batalhas e estou ainda para conhecer homem mais fiel e determinado do que meu Duque de Cullen. Não entendo suas palavras, mas vou me reunir agora mesmo com ele para saber o que está acontecendo nesse castelo. Nenhuma acusação feita aqui será desconsiderada. Inclusive a da senhora desse castelo.
E então todos me olharam. O que aconteceria agora?

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