O tear do Destino
14 Confiança
Notas iniciais
– Não precisa ficar nervosa. – ele disse fechando a porta.
– Não estou. – era de certa forma verdade – Eu só não sei o que fazer.
Confessei me sentindo uma tola nessa hora. Eu deveria não deveria? Ele se aproximou de mim sorrindo e pegou o terço que estava em minhas mãos.
– Não vai precisar disso.
Então ele guardou o terço em um algum lugar e voltou pegando minha mão. Eu senti um calor desconhecido, um formigamento e meu coração acelerou.
– Venha.
Eu fiquei assustada quando ele nos levou para a cama. Era ali agora que eu iria dormir, com ele. Essa última parte era tão nova para mim quanto qualquer outra coisa ligada ao casamento.
– Me conte um pouco de sua vida na Irlanda.
Aquilo me pegou totalmente de surpresa.
– Você... nós...
– Esqueça um pouco isso. Conte-me como era no Santuário. Havia homens?
– Havia cinco homens para a segurança da Sacerdotisa e outros que não víamos. Eles ficavam mais distantes e não tinham permissão de conversar com a gente, sempre fomos ensinadas a manter respeito e distancia.
– Já teve contato com homens então.
Eu sorri achando engraçado ele achar que eu nunca vi um homem.
– Eu já vi vários homens, éramos chamadas quando alguém próximo ficava doente e isso não quer dizer que só tratávamos de mulheres. Tínhamos que salvar a vida e não desprezávamos ninguém.
– Foi lá que aprendeu a habilidade de mexer com as ervas?
– Sim e com minha mãe, eu ia com ela quando ela tinha alguma coisa.
– Sua mãe largou tudo para ficar com seu pai?
Eu olhei para nossas mãos ainda juntas e senti mais uma vez o calor. E outro sentimento que não sabia descrever, aquecia meu coração, me deixava nervosa e segura ao mesmo tempo. Voltei a me concentrar na pergunta.
– Meu pai era um visitante, minha mãe conta que ele chegou de cavalo e que quando ela o viu o meu rosto apareceu em uma visão. Ela sabia que era aquele homem que ela deveria seguir e amar pelo resto da sua vida.
– Uma visão?
– Minha mãe amou meu pai mais do que a ela mesma, o seguiu sem saber que ele era conselheiro do Rei da Inglaterra e eles enfrentaram diversos desafios. Ela não sabia nada da corte inglesa, as mulheres a desprezavam por ela ser irlandesa e meu pai... Acho que ele passou anos querendo matar metade da corte.
– Você foi criada na corte? – ele perguntou surpreso.
– É claro que fui. – ri com a pergunta. – Sei me comportar como uma verdadeira inglesa quando quero milorde, mas eu amo a Irlanda. É meu lar e quando voltei para lá depois que eles foram mortos eu sabia que viveria ali os melhores anos de minha vida. E foram.
– Você escolheu servir a Deusa.
– Sim, eu já tinha certas habilidades... – olhei cautelosa para ele, mas ele tinha a mesma expressão de antes — mamãe estava me ensinando a desenvolver, mas lá foi algo mágico. A terra exala o poder da Deusa, é seu berço. – eu pensei em como aqui era tão diferente e meu coração se apertou dentro de mim. – Por que há uma sombra em Cullen Edward? Por que há algo que parece uma nuvem cinza e feia que não nos deixa ver o sol a benção maior que a Deusa já nos deu?
Edward pareceu nessa hora um pouco triste demais. Eu não gostei de ver ele assim, queria tirar isso dele.
– Meu pai não foi um bom homem, oprimiu todas essas pessoas que você conhece, nenhuma delas ficava bem. Ele era muito fanático, levou toda a loucura com suas palavras e sermões quase insano.
– Foi derramado sangue inocente. – disse vendo um rio de sangue.
– O que foi? – ele perguntou vendo talvez minha expressão de horror. Eu engoli vendo a visão se afastar de mim. – O que viu?
– Como sabe que vi?
– Você tem... eu... eu só observo. Já é a segunda vez que vejo essa mesma expressão. Você viu algo em nosso casamento... no primeiro eu digo...
– Oh.. – isso me surpreendeu demais. Edward me observava e eu fiquei feliz com isso. Ele me conhecia e eu quis conhecer ele também.
– O que viu? Agora.. o que viu...
– Um rio de sangue. Muito sangue derramado... sangue de inocentes.
–Meu pai matou muita gente acusando de todo tipo de coisa. Eu era muito novo para fazer alguma coisa, mamãe era e sempre será muito submissa as ordens do senhor do castelo. Ela é assim. Foi criada para ser assim. E quando ele morreu, acho que ninguém pranteou por muito tempo. Nos últimos anos ele estava quase a beira da loucura. Cullen nunca mais foi a mesma e talvez por isso Lauren foi tão amada, ela trouxe um ar fresco como a primavera. Mas do nada isso acabou. Ela se foi e com ela a esperança.
– Algo se move em Cullen Edward, algo ruim. Como uma sombra.
– Eu sei. – suspirou cansado. – Não temos como prever qual será seu próximo passo, mas sabemos que há alguém ou até mesmo mais pessoas que não gostam de nós. Que desejam ver a todos nós destruídos.
– Eu sinto muito por Lauren. – falei sincera. Ele me sorriu docemente.
– Eu amei Lauren e queria que entendesse isso. Ela foi uma mulher generosa com um homem imaturo, ela foi paciente com meus defeitos e eu não posso estar mais grato a tudo que se move de divino nesse mundo por tê-la mandado para mim. – ele me olhou fundo nos olhos – Ela me preparou para você. Eu estava te esperando, há anos te espero.
– Oh...
Eu não sabia o que dizer com aquilo, parecia irreal alguém como ele estar esperando alguém errada como eu. Uma irlandesa pagã.
– Estou cansado, vamos deitar.
Ele levantou e começou a tirar suas roupas e eu engoli seco sabendo que tinha chegado a hora de consumar o casamento. O meu casamento. Edward pareceu ver o nervoso em meus olhos e então voltou a sentar do meu lado.
– Não vamos fazer nada hoje.
– O quê? – eu estava mais que surpresa com isso. Homens queriam sempre ir logo para essa parte.
– Eu vou te falar uma coisa. Eu não tenho pressa, eu quero te conquistar e ter sua confiança para entregar seu corpo a mim, quando acontecer estaremos os dois na mesma vontade.
Eu corei um pouco envergonhada. Não iríamos então hoje consumar.
– Eu sei que é virgem e não quero que sua primeira vez seja desagradável...
– Vai doer muito? – perguntei em uma voz baixa e tímida.
– Eu prometo fazer você gostar. – ele deu um sorriso torto.
Eu corei um pouco mais fazendo o rir e comentando que nunca imaginou que eu poderia ter essa habilidade, ele foi trocando de roupa enquanto falava que eu era uma guerreira diante de tantas coisas, mas tímida em relação a ele. E terminou falando que gostava disso. Eu gostei quando ele deitou e disse que gostava mesmo disso. Eu demorei a dormir com ele do meu lado e tive a impressão que ele não estava dormindo quando eu finalmente fechei meus olhos, mas eu consegui dormir bem.
Acordei sozinha e feliz. Eu estava feliz e em alguma hora daquela noite eu podia ter certeza que Edward passou a mão pelos cabelos e esse gesto me fez sorrir feito boba. Levantei e me arrumei da melhor maneira possível, eu quis me arrumar e pus um vestido azul simples que encontrei pendurado. Tinha uma fita dourada que coloquei enquanto fazia minha trança e percebi que além das coisas que já tinham outras foram acrescentadas. Como colares, tiaras para o cabelo e várias fitas e arranjos de cabelos simples. Quando eu abri a porta percebi a movimentação incomum no andar de cima e desci a escada grata por não encontrar Jasper ou Tânia. No grande salão mulheres o arrumavam com afinco e me perguntei o que era aquilo ou para quê era aquilo. Fui até a cozinha procurando Tia Sue e quando entrei todas pararam o que estavam fazendo e recebi uma reverência de cada uma. Eu parei tentando entender o que estava acontecendo olhando para elas e para trás para ver se Lady Esme estava lá.
– Bom dia Lady Isabella. – a cozinheira fez mais uma reverencia.
– Não precisa fazer isso. – disse envergonhada.
– É nossa senhora.
Eu tinha esquecido completamente que a partir daquela festa eu era a senhora do castelo.
– Bom dia menina! Venha tomar café.
– Bom dia tia. – sorri abraçando ela.
– Vamos servir seu café no grande salão. – alguém falou atrás de nós.
– De maneira nenhuma, vou tomar café aqui. Já retiraram tudo, acordei tarde demais.
– Todos nós entendemos o motivo querida.
Eu corei e para não ficar tão constrangida andei até a grande mesa e sentei.
– Não se incomodem, podem continuar com seus afazeres. – falei e a cozinha tomou a vida que merecia, eu amava ver Cullen a todo favor. Mulheres entrando e saindo, conversando entre si e com um ar mais feliz.
– Seu café milady. – uma moça jovem me serviu um café completo e eu comi apenas um pouco.
– Onde está Mel?
– Com Ângela, está fazendo um lindo sol e ela queria que ela ficasse um pouco com as crianças. Mel parece ter gostado da idéia.
Sorri e fui até onde eu sabia que ela estaria eu estava com tantas saudades da minha menina. E vi Ângela rindo com Mel no colo batendo palmas e as crianças correndo ao redor dela. De alguma forma a vida estava retornando aos poucos para Cullen, sorri indo mais rápido para chegar à minha menina. Mel estendeu os braços para mim e quando a peguei senti seu cheiro e a apertei mais forte em mim.
– Bom dia Lady Isabella. – as crianças falaram juntas.
– Bom dia! Já tomaram café?
Elas riram e assentiram. Tinha umas cinco meninas e três meninos.
– Bom dia milady.
– Só Isabella, por favor, Ângela.
– Como está se sentindo?
– Bem. Com saudades dessa menina.
Mel estava passando as mãos pelo meu rosto, desarrumando meu cabelo e me fazendo rir com sua forma de bater palmas. As crianças começaram a correr em nossa volta e ríamos quando elas conseguiam pegar umas as outras, Ângela gritava para alguém correr mais rápido, mas elas sempre conseguiam pegar umas as outras.
– Bom dia Milady. – olhei para trás vendo Edward sorrir e as crianças pararam de correr no mesmo instante. – Não posso me juntar a vocês?
As crianças gritaram e saíram correndo com Edward tentando pegar os danadinhos, logo alguns de nossos moradores vieram ver o que o senhor do castelo estava fazendo e riram quando ele caiu em uma poça com alguns meninos, ele ria e jogava mais lama em cima deles e parecia que o sol naquela hora brilhava mais forte e meu coração batia mais acelerado por Edward de Cullen. Mel começou a bater palmas, soltar gritinhos e bater mais palmas fazendo todos rirem e Edward se levantar em sua direção com um ar brincalhão.
– Então a milady gosta que nos sujemos? – ele perguntou a Mel que ria da expressão dele. – Pronto Milady, venha brincar.
Eu estranhei, mas ele a pegou no colo e sujou a roupa dela fazendo Ângela suspirar de desgosto. Mel adorou estar envolvida na brincadeira, Edward correu um pouco com ela no colo e sorria quando ela sujava mais as mãos nas roupas dele e passava nos cabelos. Todos nós estávamos parados admirando a cena e rindo quando ele se fazia de ofendido por ela estar sujando mais ele.
– Ela precisa de banho, acho que já estava suja o suficiente. – falei.
– Verdade, vamos Mel.
Em vez de voltar para o castelo Edward a levou para longe fazendo Ângela correr para o outro lado e eu acompanhei Edward enquanto todos voltavam para seus afazeres, precisei correr para alcançar ele e só depois ver o lago que estava escondido por alguma vegetação.
– O que... Cuidado Edward...
Ele sorria e tirava as roupas de Mel com habilidade. Ela só sabia sorrir e esperar para ver o que ele iria fazer, eu queria gritar para ele soltar ela e me devolver para dar um banho em algum lugar dentro do castelo.
– Ela vai ficar bem... as crianças de Cullen tomam banho aqui há séculos e nunca lhes aconteceu nada.
– Eu...
– Venha, não tenha medo.
Ele entrou na água com roupa e tudo e ela batia suas mãos na água se divertindo com aquela nova descoberta. Edward tinha habilidade, ele segurou bem ela com uma mão junto a si, depois molhou sua cabeça gentilmente e ela fazia sons que o faziam rir e foi lavando ela todinha e brincando. Eu estava admirando aquilo quando Ângela chegou com algumas coisas na mão e as jogou no chão.
– Senhor, acho que Melanie já teve o seu banho. – ela sugeriu e Edward prontamente atendeu. Ele saiu todo molhado e ela pegou Mel e envolvendo em uma toalha grossa secando seus cabelos com uma grande habilidade.
– Obrigado Ângela. – agradeci e ela sorriu para mim. Eu nunca teria pensando nisso na rapidez que ela pensou.
– Tem mais toalhas senhor.
Edward pegou as toalhas que estavam no chão e se enxugou. Nessa hora olhei para trás vendo Ângela entrar no castelo com Mel e vi todos sorrindo para nós. Cullen estava feliz, estava muito feliz eu devo dizer.
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