O tear do Destino
15 Doenças da alma
Notas iniciais
Eu queria algo impossível, mas estava com alguma esperança de conseguir aquilo. Eu tinha visto uma parte escura no castelo, mas não lembrava exatamente onde ela ficava. Precisei ir um pouco depois do lugar onde eu e Edward tivemos nossa primeira conversa, mas não tinha muito além de uma outra porta. A parte de trás do castelo estava bem agitada e os cavaleiros iam e vinham a todo instante. Eu voltei suspirando e pensando onde eu faria aquilo. Todos que passavam por mim faziam uma pequena reverência e depois continuavam seu caminho, eu estava quase me acostumando com isso.
– O que tanto procura?
Eu me assustei com a voz de Edward no corredor do castelo. Olhei para trás ainda sentindo meu coração se agitar, não sabia se ainda era o susto ou sua presença.
– Como sabe que procuro algo meu senhor? – ele sorriu quando eu disse a última parte como se aquilo o deixasse de bom humor.
– Bom minha Lady. – eu gostei disso e sorri para ele em troca – Eu estou desde que saí do rio indo atrás de você, mas precisei ir ao campo de treinamento e Jacob me disse que estava andando sem rumo, abrindo e fechando portas, não entendi e quando me avisaram que não viria para o almoço, nosso almoço devo dizer, eu resolvi voltar a ir atrás de você.
– Oh... desculpa pelo almoço. Não estou com fome.
– O que te perturba? – Edward se aproximou e me abraçou e eu senti o que sentia toda vez que estávamos mais próximos, a segurança e com certeza algo mais. Tinha mais.
– Eu queria um lugar para cultivar sabe... e precisa ser um lugar calmo e escuro, só um pouco e fechado. Precisa ser fechado para acumular calor.
– Então é isso?
– Sim.
– Venha.
Edward pegou na minha mão e passamos de mãos dadas pelo grande salão. Todos estavam nos olhando, era hora do almoço e tínhamos um salão cheio de homens e mulheres servindo. Lady Esme estava sentada ao lado de Lady Tânia e as duas conversavam tranquilamente. Edward não falou com ninguém, apenas me levou para fora pela porta principal e quando passamos pelo pátio todos sorriam ao nos ver, eu corava a cada olhar direcionado para nós, mas ele estava empenhado em me levar a algum lugar. Quando chegamos a capela em que nos casamos eu estranhei.
– O que viemos fazer aqui?
Edward apenas sorriu. Só que em vez de entrarmos fomos para a parte de trás da capela e ali tinha uma construção que eu não consegui reconhecer. Eu pensei que haveria um cemitério e estava quase gritando para Edward me tirar dali, mas a construção parecia uma pequena casa de pedra. Edward então tirou uma chave que eu nunca tinha visto, ela estava em um cordão escondida por suas roupas. Ele retirou e me entregou.
– O que é isso?
– Abra, por favor.
Eu peguei a chave e abri a grande porta de madeira que estava na nossa frente e então ele fez um gesto me encorajando a abri ela. A porta apesar de grande era fácil de abrir e assim que abri eu senti o cheiro de ervas. Muitas ervas. Edward se apressou em ascender uma pequena tocha que havia logo no início e foi ascendendo umas outras duas me dando a visão maravilhosa. Duas fileiras de ervas prontas para serem usadas, muitas e muitas.
– Edward...
– Está diferente... – ele disse olhando para tudo e antes que eu pudesse perguntar alguma coisa ele continuou- Você precisa deixar a porta aberta enquanto estiver aqui manipulando, vou deixar Jacob encarregado de cuidar da porta.
– Eu ... nossa...
Eu o sentia atrás de mim enquanto andava para dentro da construção.
– Para que serve isso? – ele perguntou apontando para uma pequena flor.
– Alfazema, ótima para banhos e o chá acalma. Só que ele precisa ser forte. Muito bom para alguns problemas típicos de mulheres.
– E essa?
– Armica, ótima para machucados. Fazemos um estrato e depois uma pasta, serve para muitos machucados.
Eu passei algum tempo explicando a Edward o que era cada um e como usar, ele sempre parecia interessado e me perguntava como eu tinha aprendido. Eu ajudei minha mãe muitas vezes e contava que ela ajudou a mãe dela e assim uma geração passava para a outra como as ervas eram usadas, depois que aprendíamos não esquecíamos jamais. Passar esse tempo com ele me deixou muito feliz e quando fechamos a porta ele me entregou o cordão e beijou suavemente meus dedos antes de ir. Ele é claro voltou para seus afazeres e eu fui ajudar no jantar, estavam preparando um guisado e várias mulheres estavam agitadas com a refeição farta.
– Milady! – uma das damas de Lady Rose entrou branca na cozinha. Por alguns instantes eu pensei que algo tinha acontecido com ela ou o bebê.
– O que aconteceu?
– Nós estávamos costurando... estava tudo normal...
A mulher chorava e não conseguia me contar o que estava acontecendo. Ângela prontamente tirou Mel daquela agitação e eu agradeci com um olhar.
– O que aconteceu? O bebê está bem?
– É Lady Alice... ela desmaiou, está com uma febre...
– Por tudo que é mais sagrado! – alguém gritou.
– Onde ela está?
– No quarto.... ela... ela..
Eu não esperei, fui correndo até onde ela estava e quando entrei no quarto ela estava deitada na cama com uma outra dama ao seu lado chorosa. Me aproximei e quando toquei em sua testa ela estava muito quente.
– Pare de chorar e traga um pouco de água gelada.
Eu não conseguia entender como Alice tinha ficado doente.
– Jasper... por favor...
– Alice... consegue abrir os olhos?
– Jasper... por favor...
E ela começou a chorar e implorar por perdão. Aquela cena me deixou ainda mais impressionada. Como Jasper não conseguia ver a inocência nas palavras de Alice?
– O que precisa que eu faça? – Sue entrou com a bacia e eu agradeci a Deusa por tê-la do meu lado.
– Precisamos fazer essa febre ir embora.
– Molhar, vamos molhar ela. A água foi um soldado que trouxe do lago a pouco tempo, ainda está boa para usar.
Eu e Sue ficamos um tempo molhando Alice, mas isso não estava dando resultado algum. Ela delirava falando o nome de Jasper, gritava por ele e eu sabia que isso era culpa só dele e o odiei. Odiei como ele era manipulado e como era tolo.
– O que aconteceu? O que está acontecendo?
Jasper entrou e eu fui em sua direção com toda fúria deixando Sue banhando a testa de Alice.
– Seu maldito! – gritei – Se queria matar Alice está fazendo um ótimo trabalho! Olha como essa menina está, veja o que fez com ela!
Nessa hora Sue tentava segurar ela que se debatia em delírio e chorava gritando por ele. Quando olhei em seus olhos ele estava transtornado por algum tipo de dor e eu desejei que sua dor multiplicasse por dez para que ele aprendesse a amar essa criatura delicada e amorosa que se debatia na cama e não merecia ser tratada como ele a tratava.
– Deus os gritos estão pelo castelo.
Rosalie estava na porta com mais duas mulheres e Esme que olhava com olhos cheios de lágrimas para Alice.
– Rose, isso pode fazer mal a você e o bebê. Não fique aqui. – expliquei e ela saiu olhando para Alice com compaixão.
– O que podemos fazer? – Jasper perguntou sem tirar os olhos de Alice. – Como... o que...
– Bella precisamos fazer alguma coisa! – Sue gritou em desespero.
– A febre precisa baixar, ela vai morrer. – sussurrei. Jasper me olhou assustado. Meus olhos tinham lágrimas de dor, ela estava partindo.
– Não... não...
Jasper correu para cama pegando Alice e seu corpo agitado.
– Não faça isso... não...
– Sue, peça água, muita água. Traga uma banheira, vamos fazer um banho em Alice.
– Isso vai causar um choque nela. A menina está pegando fogo.
– Vou mandar meus homens trazerem.
Eu ouvi a voz de Edward atrás de mim e Emmett abraçava Esme que agora chorava muito. Alice pedia perdão, falava que nunca havia feito nada contra Jasper e se debatia gritando para ele parar. Eu fiz sinal para Sue não ajudar ele, ela estava querendo segurar Alice, mas eu queria que ele sofresse, visse o que ele fez com ela. Alguns homens entraram em seguida com Edward comandando o que eles deveriam fazer e logo a banheira estava pronta. Eu subi as magas de meu vestido e mandei todos saírem.
– Não vou sair. – Jasper falou olhando para mim.
– Fique. Vai ser bom ver o que vai acontecer.
Eu tinha pena de Alice e não dele.
– Sue, traga um chá de Valetariana. Tem quantidade suficiente na cesta que me deu naquele dia.
– Deus isso é forte.
– Faça!
Ela saiu me deixando com Jasper.
– Você... você..
– Tire rápido a roupa dela. – ele e eu tiramos a roupa com Alice chorando e quase a beira de um ataque.
– Ela está tremendo....
– E vai tremer mais. Esteja preparado. Ela vai despertar e gritar para que a tire, mas eu aviso que ela vai ter que ficar onde está.
– Isso vai mata-la! – ele gritou.
– Você fez um ótimo trabalho antes disso, a água vai baixar a temperatura e deixar ela mais acordada para o chá. A leve.
Ele colocou seu corpo pequeno em seus braços e ela tremia. Eu nunca, nem que viva cem anos esquecerei do grito de Alice quando foi mergulhada naquela banheira, eu deixei Jasper segurar ela e implorar para ela colaborar que isso iria baixar sua febre. Eu deixei ele segurar seu corpo enquanto ele tremia e se debatia chorando e implorando para sair dali. Nunca vou me esquecer dessa cena.
– O que... já está bom?
– Tire ela e vamos enxugar o máximo que pudermos.
Eu e ele enxugamos o corpo fraco de Alice, ela estava um pouco mais presente, mas eu duvidaria que lembrasse de algo. Quando acabei de colocar uma roupa leve nela Sue entrou com o chá. O cheiro forte alertou Jasper que estava passando a mão nos cabelos de Alice.
– O que é isso? – ele perguntou chegando seu corpo mais para o dele.
– Ela precisa beber.
– O que é isso?
– Ela vai dormir, muito. Não vou mentir, isso vai deixar ela em um sono profundo.
– Mas se a febre voltar?
– Não vai, o que vimos aqui milordy foi uma pessoa colocando para fora tudo que guardou dentro de si durante meses. Alice não está doente de corpo e sim de alma. Ela precisa dormir.
Ele fez questão de dar o chá, ela tomou menos do que eu queria, mas tomou o suficiente para dormir em seus braços.
– O que fazemos agora?
– Vamos esperar, ela precisa dormir. Sue, avise a todos que Lady Alice está melhorando. Eu vou ficar aqui e ajudar Lorde Jasper caso aja algum imprevisto.
Eu sentei na cadeira que provavelmente Alice estava quando desmaiou e peguei a costura caída no chão.
– Está na hora de me contar uma história Lorde Jasper.
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