O tear do Destino
1 Capítulo 1 Uma Swan
Notas iniciais
Bom meus amores, eu espero que gostem!
Olhei o cesto pela milésima vez desde que comecei a jornada. Eu podia perceber como os cavalos estavam cansados e como o padre James fazia um esforço para continuarmos, segundo ele estávamos perto demais para parar. E quando saímos da estrada para floresta eu vi o castelo ao longe. O castelo Cullen era conhecido por toda Inglaterra, suas terras férteis e seus cavaleiros legendários com suas histórias que embalavam os sonhos infantis de pequenos garotos que sonhavam com armaduras, guerras e proteger o reino das garras dos bárbaros.
- Olhe querida, sua tia deve ter avisado alguém. O castelo ainda está a todo vapor.
Padre James era um senhor bondoso que passando pela cidade onde eu morava aceitou me levar para o castelo, na verdade esse era o caminho dele, segundo ele tinha missas para fazer, batizados a realizar e confissões a ouvir nessas terras. Olhei novamente o cesto e conferi novamente se ela estava bem coberta, padre James olhou juntamente comigo sorrindo.
- Precisamos batizar essa pequena. Ela é forte e determinada. – sorri para minha pequena sabendo que sim. Ela era uma guerreira celta.
- Assim que chegarmos pode fazer isso.
- Isabella, não vai mesmo me contar quem é o pai? Sabe, eu sou um padre...
- Não tinha percebido. – ele soltou uma gargalhada alta e ela mexeu no cesto, mas não acordou. Queria falar algumas coisas para ele, só que ele era um homem de Deus afinal de contas.
- Você tem um gênio muito bom, vai se dar bem com a castelã.
- Espero que ela não me expulse. – mordi os lábios nervosa. Minha tia só tinha falado que as portas estavam abertas na sua última visita, isso foi antes dela casar e começar a trabalhar no castelo. Eu não a via há uns cinco anos e ela não sabia nem de metade do que havia acontecido conosco nesses últimos anos.
- Lady Esme nunca faria isso. Ela é um anjo em forma de mulher.
Fomos interrompidos por um grupo de cavaleiros que se aproximaram a cavalo com tochas. Temi por nossa segurança e segurei mais firme o cesto. Padre James parou a carroça em que estávamos e sorriu.
- Jacob Black quando vamos ter aquela conversinha.
Eu abaixei a cabeça puxando a capa preta deixei que isso escondesse meu rosto. O homem riu e depois deu ordens para que eles nos acompanhassem com segurança até o castelo.
- O senhor não acha muito ruim viajar ao entardecer? O sol se pôs há um par de horas.
- Deus viaja comigo Jacob e espero mesmo que sua fé esteja maior do que está me mostrando, se não teremos uma longa conversa.
- O senhor...
- ABRAM OS PORTÕES.
O grito acordou minha menina. Ela chorou buscando conforto.
- Estou aqui... shi...
Ela abriu seus olhos lindos e fez o bico lindo.
- Eu sei que está com sono pequena... mas estamos chegando... – tentei soar o mais baixo possível, mas fui ouvida.
- Não disse que traria tanta companhia. – outra voz. Eu não ousei levantar meu rosto. Peguei uma pequena boneca e entreguei a minha menina e ela pareceu se distrair.
- Estou viajando muito bem acompanhado. Sue ainda está aqui não?
- Claro! Quem nos alimentaria? – Eu reconheci a voz de Jacob, mas a outra voz me pareceu estranha. Desconfiada demais.
Entramos pelos portões e eu pude ver a grandeza do castelo muito bem cuidado. Os brasões dos Cullen bordados e as tochas iluminaram tudo deixando-os ainda mais vivos aos olhos. O padre parou os cavalos com apenas um puxão e eu respirei aliviada. Tínhamos chegado. Me deu vontade de chorar de tanta emoção. Acabou. Acabou. Os homens desceram do cavalo e o padre assim que desceu veio me ajudar, ele se ofereceu a pegar o cesto, mas ela era minha responsabilidade e com muito cuidado eu desci deixando ela bem confortável.
- Quem é a senhora que o acompanha? – a voz desconfiada.
- Se acalme Jasper Cullen, essa é Isabella Swan, filha de Charlie Swame Renné Swan.
- Swan? que faz aqui na Inglaterra?
- Ela está vindo ver sua tia Sue.
- Sue não é uma Swan – ele disse aquilo com muita convicção.
- Não, ela é uma Cullen porque casou com um primo distante seu e por isso trabalha aqui. Todos conhecemos a história. Estamos cansados demais para ficar respondendo interrogatórios.
- Esse criança é uma Swan – ele se dirigiu a mim. E eu tive raiva pela forma como ele pronunciava meu sobrenome com nojo e desprezo levantei a cabeça e o olhei.
- Essa criança é minha, é uma Swan não temos do que nos envergonhar milorde.
Ele cuspiu no chão e eu fechei meus olhando lembrando de onde estava agora.
- Seu pai morreu por traição a coroa. Sua mãe era uma bruxa!
- Guardiã da Deusa! – gritei.
- Bruxa! E você deve ser igual! Não a quero aqui Isabella! Não suje minhas terras com seu sangue imundo.
Aquilo doeu. O passado sempre estaria ali. Nos acusando. Eu tinha apenas dez anos quando isso aconteceu e ainda pagava pelos pecados deles. Eu segurei o choro sabendo que isso não solucionaria nada. Agarrei o cesto com minhas forças e olhei para o padre James.
- Obrigada por tudo padre, sigo sozinha daqui.
Eu sabia que ele esperava que eu tomasse a benção, mas eu não faria isso e ele sabia muito bem os motivos. E me virei para os portões que tinha acabado de entrar. Não dei dois passos, um homem forte se colocou na minha frente.
- Muito cristão da sua parte cavaleiro Jasper de Cullen, é noite e ela esta com uma criança. Bruxa ou não é nosso senhor e lorde quem deve decidir fazer com ela. Não temos autoridade para expulsar ou aceitar ninguém em Cullen.
- Belas palavras Jacob Black. – Padre James bateu palmas e isso ecoou pelo pátio. -pregarei um bom sermão sobre amor cristão amanhã na missa que celebrarei e espero que o senhor esteja presente Jasper Cullen.
Eu vi o ar contrariado do guerreiro. Ele segurou a espada com força e foi embora. Eu não respirei aliviada, se o senhor do castelo fosse tão ruim quanto Jasper eu estaria fora do castelo assim que ele ouvisse meu nome.
- Vamos criança, sua tia deve estar esperando notícias e essa menina precisa comer alguma coisa. A cozinha é sempre quente e o fogo dela nunca se apaga.
Ele pegou em meu braço e foi me guiando pelo pátio grande para uma porta que estava aberta e saía uma luz forte. Eu ainda era e sempre seria filha de um traidor e de uma bruxa. Bruxa era algo questionável demais, o que era bruxaria para esses cristões? O que não era? Perguntas que ficaram para depois quando encontrei minha tia mexendo uma grande panela. Ela parou imediatamente e veio ao meu encontro, todos pararam seus afazeres para nos olhar.
- Deus seja louvado! Você chegou! – minha tia veio correndo até mim.
- Como sabe que viria?
Ela me abraçou e disse baixo em meu ouvido.
- Eu sabia querida. Quando ela morreu, eu soube que viria.
- Você viu?
- Claro como o dia.
Era algo bom e ruim nossas ligações. Era uma benção quando estávamos bem, mas ruim quando algo não ia como o esperado. O coração apertava, as lágrima desciam e nem sempre sabíamos os motivos na mesma hora. Era algo que as mulheres Swan tinham que se acostumar. Eu nunca me acostumaria com isso, nunca, de forma alguma.
- Deixe-me conhecer...
Ela pegou o cesto e levou a grande mesa. Eu tirei minha capa grossa sabendo que aquilo seria longo.
- Uma menina... uma linda menina Isabella.
Sorri e vi as outras mulheres ficarem agitadas.
- Tem seus olhos querida! – Sue se deixou chorar. Os olhos eram na verdade de meu avô. Eu tinha herdado e ela também. – Isso é simplesmente vida querida. Qual o nome? Diga Isabella que essa menina tem um nome.
- Mel.
- Só isso? – ela me olhou sabendo que viria mais.
- Melanie. Mas é Mel tia. Só Mel.
- Oh... que nome precioso. – ela pegou Mel e levantou. – Que sua vida seja doce como é o mel. Fértil e forte como as abelhas que os produzem.
Eu sabia que para as outras mulheres aquelas eram apenas palavras, mas Sue era a mulher mais velha de nossa família. Ela estava abençoando Melanie segundo as crenças que tínhamos guardado a sete chaves. Mel sorriu e Sue entendeu que tinha que parar, levou minha menina para mais perto do fogo e eu sentei em um banco sentindo a calma. Olhei para o fogo que esquentava a panela e vi. Tinham mudanças vinham na minha vida e de Mel. Quando o fogo diminuiu a sensação continuou e eu não sabia o que fazer. Mudanças traziam guerras, obstáculos e muitas lutas pequenas. No meio do fogo eu vi olhos verdes me encarando. Eles me sondavam como se procurassem algo mais em mim e um vento frio entrou pela cozinha. Eu sabia que naqueles olhos vinham muitas mudanças e lutas.
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