O tear do Destino
40 A historiadora
Notas iniciais
Quando eu estacionei meu carro eu ainda não podia acreditar que estava ali. Cullen não tinha nada haver com as fotos que os livros mostravam, ela era maior e mias imponente. Eu não poderia dar muito crédito aos livros com imagens de 1840,mas foi quando o último historiador entrou com a permissão do Duque Eleazer Cullen e foi mais uma imposição da Rainha Vitória que o fez entrar do que boa vontade do então Duque de Cullen. Um empregado veio me receber e ele usava roupas menos formais do que eu esperava.
– Bom dia senhorita Swam. Meu nome é Carlisle Masen, eu sou o mordomo .
– Bom dia senhor Masen.
– Estávamos preocupados com sua chegada, vem vindo uma chuva e as estradas não são muito boas.
Olhei para meu carro. Isso seria um problema não tinha me preparado para isso. Olhei o tempo e contemplei as nuvens cinzas, o cenário ficava tão gótico, mas ao meu tempo tão bom.
– Desde que cheguei a Inglaterra ainda não vi outro tempo, como sabe que vem chuva?
Ele riu e deu os ombros.
– O inverno está chegando ao fim senhorita Swam e acho que gostará daqui em um dia mais claro. Quanto a chuva... é fácil depois de anos. Sua bagagem, posso ajudá-la?
– Claro...
Eu tinha trago duas malas apenas, seria apenas um mês e eu não pretendia sair muito. Para o caso de algum jantar mais formal eu trouxe dois vestidos e se precisasse iria a Londres, ficava apenas a uma hora de Cullen. Carlisle gentilmente carregou as duas e eu me concentrei na entrada maravilhosa cheia de móveis, quadros de todas as épocas que se poderiam imaginar e várias lembranças de uma época em que esse foi o castelo mais importante da história da Inglaterra. Subimos uma escada em que tinha nas paredes fotos dos antigos Duques de Cullen, tinham de guerreiros a Embaixadores.
– Acomodei a senhora no quarto mais perto das escadas, assim não irá se perder. – Olhei para o corredor a minha frente e depois para a escada no final e o corredor antes dele. O castelo tinha sido ampliado mais vezes do que se pode estudar e em todas elas o trabalho tinha sido feito da mesma forma para não se alterar a estrutura antiga.
– Obrigada pela consideração.
Entramos no quarto obviamente feminino. Ele tinha vários tons de rosa e branco nas paredes e nos objetos. A cama tinha um dossel com cortinas um pouco abertas, as janelas eram de um tecido mais grosso, mas sua estampa florida quebrava isso perfeitamente. Mais quadros de Cullen em uma época distante e eu me aproximei do quadro com curiosidade.
– A senhora Cullen, achou esse quadro perdido no depósito.
Era uma mulher sentada em uma área gramada e tinha crianças ao redor dela. Várias. Olhei ao redor da mulher e das crianças.
– Parece... que... tem um lago no fundo...
– Sim, é o lago da parte de trás. Mas veja. – ele apontou para o castelo — Cullen ainda não tinha o tamanho que tem.
– Poderia ser Cullen em um tempo renascentista?
– Não acredito. Foi um pouco antes.
– Por que antes?
Ele apontou para a falta da torre.
– O quinto senhor mandou construir a torre para a esposa, mas isso nunca chegou a acontecer, ele morreu antes e seu filho assumiu deixando ela para prisioneiros. Estamos falando da época em que Cullen tinha senhores e guerreiros, medieval.
– Quem era essa mulher? Quadros eram caros na época, Cullen deveria ficar a cinco dias do Castelo Real se o Rei viesse em sua comitiva e há mais ou menos três se não....
– Isso é com a senhora.
Ele riu e eu vi as malas em cima da cama.
– O jantar é servido as sete horas, nos recolhemos as nove todas as noites. Temos todo o conforto que possa querer e sinta-se a vontade para usar nossas dependências, o senhor Cullen não impôs restrições.
– Vou conhecer o atual Duque?
– Ele não vive aqui, ele e sua esposa moram em Paris agora.
– E o pai e a mãe dele viveram aqui?
– Anthony e Elizabeth Cullen morreram há cinco anos em um acidente de avião como deve saber. Eles viveram aqui até seu último dia.
– Obrigada.
Carlisle foi embora e eu fiquei olhando para a vista do meu quarto. Dava para um jardim claramente construído no século XVII. Apesar de ser lindo não combinava com a estrutura medieval e sim com os grandes castelos franceses.
Arrumei minhas roupas no grande guarda-roupa e tomei um banho na banheira na sala de banho. A estrutura não tinha mudado tanto afinal. Peguei meus livros e minhas anotações e comecei a olhar o quadro.
A mulher rodeada de crianças sorria e elas pareciam correr ou brincar. Me aproximei e olhei melhor o quadro tocando nele e sentindo uma emoção percorrer meu corpo. Seria por que eu estava mexendo em algo proibido ou por que aquela mulher seria alguém importante? Corajosamente eu tirei o quadro da parede e o virei. Sua moldura era, como imaginei ,a original e atrás tinha escrito uma frase.
Peguei vários livros e passei horas naquela pequena frase em inglês antigo. A estrutura não mudou, mas as palavras sim e algumas eu fui mais por intuição do que certeza. Fazia todo sentido afinal de contas.
“ A mulher e suas crianças. Era da prosperidade.”
Tinha uma data e eu poderia comparar ela aos registros que eu sabia que Cullen guardava em sua biblioteca, mas tinha mais coisa no final um pouco mais desbotada. Deixei o quadro de lado e fui pegar a lupa que tinha em minhas coisas e sentei olhando aquilo com mais calma.
“ Minha Elisabete”
Inglês arcaico. Estava escrito em inglês arcaico e eu precisaria de algum livro para entender melhor aquilo. Minha estada em Cullen prometia tantas coisas que mesmo cansada eu não conseguia dormir.
Fale com o autor