Notas iniciais
Meninas lindas eu ia postar na sexta, mas não consegui mesmo. Amei os comentários, eu sinto mesmo por que não gostou e respeito as opiniões até contrárias a uma segunda fase. Repito o que eu disse anteriormente, quando eu terminei a fase medieval me veio na cabeça essa história e só então eu senti que acabou. Explicando algumas coisas básicas: 1- Eu não acredito em reencarnação, mas acho que dou margem para se entender isso e se você acredita veja que sim, ela é a reencarnação. Para mim, ela é apenas a pessoa destinada ao Duque desse tempo e as histórias do Duque do passado se cruzam com a do Duque desse tempo formando um ciclo. 2- Gente é uma segunda fase, eu sei que para primeiro capítulo ficou confuso, mas conforme vocês forem lendo vão compreendendo melhor. Os nomes são os mesmos sim, e vocês vão descobrir o por que disso. E espero ter esclarecido algumas dúvidas que eu li nos comentários, eu não tenho tempo de responder a todos, já escrevi o capítulo 11 ontem a noite então eu acredito que terça e quinta tem mais meninas! Obrigada por tudo meus amores!

– Ainda aqui? – Carlisle entrou na biblioteca e eu estava organizando os livros para achar melhor enquanto for usando. A biblioteca era enorme e eu queria estar com tudo nas mãos quando precisasse.

– Organizando os livros apenas. Ainda não comecei ao menos a ler e descrever.

– Você usa óculos. – ele disse divertido. – Não sabia.

– Só quando eu estou trabalhando, muitas letras pequenas e meu médico recomendou para não forçar.

Ele se aproximou e sentou na cadeira a minha frente.

– Esse é um trabalho interessante, já entrei aqui diversas vezes e me perguntei o que havia, mas eu não tenho a formação para não estragar tudo.

Eu olhei para as luvas brancas que estava usando e dei os ombros.

– Alguns livros são muito antigos, podem ser prejudicados e nos prejudicar com algum fungo ou outra coisa. Não é só para proteger ele.

– Já achou o mais antigo?

– Bom, existem aqui vários documentos – apontei para a pilha – cartas, permissões, orientações aos lordes e também algumas cartas pessoais. Creio que isso seja os mais antigos. Depois passamos para o livro em si com as datas de nascimento e morte de cada um do castelo, isso veio depois da alta idade média. Ou seja, perdemos quase 50 anos de Cullen ou mais. As cartas e manuscritos são importantes. Os livros que vem a seguir são livros de todos os tipos só com valor históricos e comercial. Não ditam a história de Cullen.

– Você parece saber muito bem o que faz. – Carlisle levantou e eu sorri. – Vou preparar seu chá. Com mel e limão não?

– Sim. – sorri satisfeita. – encomendei algumas coisas para arquivar melhor essas cartas e pergaminhos. Acho que isso os manterá mais alguns anos em nosso meio. Deve chegar nos próximos dias.

– Vou avisar ao senhor Cullen que fez isso e repasse as despesas por favor.

– Não precisa.

– Fazemos questão senhorita Swam, você está aqui como nossa convidada.

Ele saiu e eu sentei olhando o pergaminho a minha frente. Era uma carta ao Rei, avisava de um casamento. Não conseguia entender todo contexto, mas ao que parece o nome Elisabete era citado novamente e tinha uma nota de desculpa.

Então a moça do quadro era a mesma citada da carta e ela estava casando aqui. Continuei investigando os pergaminhos até descobrir a visita do Rei. Cullen era famosa por suas recepções reais. Sempre foram fiéis ao Rei, sua história foi marcada por isso. Peguei o dicionário de inglês arcaico e não vi a hora passar estava totalmente envolvida com as cartas e pergaminhos.

Carlisle veio recolher a bandeja com chá depois de algumas horas e olhou curioso para minhas anotações que agora eram muitas.

– O que é isso? – ele apontou para um símbolo.

– Uma árvore. Cullen adotou ela nas cartas depois de algum tempo, mas essa árvore é um símbolo pagão celta. Significa fertilidade, haviam guardiãs da Deusa em templos irlandeses, conta-se que cada uma tinha um papel na vida e quem ganhasse esse símbolo era possuidora da fertilidade. Vê como ela aparece no final das cartas discretamente?

– Mas isso era pagão. Como o Rei não notou isso? Ou até mesmo os mensageiros?

Eu sorri para Carlisle.

– Simples, os irlandeses ou celtas eram considerados bruxos e sua história ou símbolos não eram estudados pelos ingleses cristãos. A maioria os queimava sem entender nada. Muitos anos depois os Templos Irlandeses e suas bibliotecas foram descobertos e sua história revelada. Nessa época era queimar e dominar apenas. Quem o fez sabia que ninguém entenderia o símbolo.

– Venha comigo. – Carlisle disse animado.

Eu levantei deixando meus óculos.

– Traga eles, acho que vai precisar. – ele sorriu. Eu o acompanhei até a garagem e entramos em um jipe.

– Tem uma manta, se cubra por favor.

Peguei a manta de bom grado e enquanto o jipe ia percorrendo a propriedade a beleza e grandeza de Cullen iam sendo reveladas. Tinha um ar moderno, mas mesmo assim era como se os cavaleiros fossem nos abordar a qualquer momento. Carlisle nos levou para a costa.

– Vamos.

Me envolvi mais na manta e fomos andando pelo penhasco.

– O que tem aqui?

– Olhe.

Ele apontou para uma pequena construção de pedra que foi ganhando um formato mais nítido conforme fomos chegando perto. Era feito de pedras irlandesas. Elas tinham um formato quase único, como isso chegou aqui?

– Isso é celta. – falei surpresa para Carlisle.

– Está aqui desde que me entendo por gente. Quando crianças nós vínhamos aqui e brincávamos.

Olhei mais de perto a construção de pedra.

– É um altar. Vê a pedra deitada apoiada pelas outras? É celta.

– O que isso quer dizer?

– Que Cullen já foi pagã. – sorri.

– Não, temos uma igreja que data do início da construção do castelo. Parece que ela ficou pronta antes mesmo do castelo.

– Cullen tem uma história interessante. – afirmei. – Eram cristões, mas há nela coisas pagãs. Como se alguém ou um grupo fosse. Por que o senhor do castelo adotaria um símbolo desses?

Olhei melhor o pequeno templo procurando alguma escrita ou indicação. Mas só havia as pedras. Um vento soprou me fazendo apertar mais a manta e me fazendo olhar para mar.

– Olha a posição. – Carlisle pareceu não entender, mas apenas sorri surpresa. – Estamos rodeados dos elementos. Água, terra, vento... para os celtas isso significava vida. Isso é um lugar de batismo ou renascimento.

– Não entendi.

– Cultos a Deusa deveriam ser feitos em lugares assim, invocando os elementos que ela domina. Algum batismo, casamento....

– Deusa? Por que não Deus?

– Os celtas eram comunidades que adoravam a feminilidade, a mulher dá a vida, para eles ela era mais importante que o homem. Por isso a Deusa, ainda temos um pouco disso nos dias de hoje se chama Mãe natureza...

– Mas isso não era algo proibido pela Igreja?

– Completamente. O cristianismo sempre foi machista apesar de Jesus não declarar nada disso, ele mesmo conversava com mulheres o tempo todo e até mesmo salvou uma adúltera. A Igreja católica que apagou o papel da mulher, transformou ela em um ser inferior, prostitura e até mesmo queimou muitas com medo de seu poder e influencia. – sorri para Carlisle — Por que não poderia haver bruxos ou feiticeiros?

– Mas homens foram queimados.

– Bom se quiser comprar os 100 aos milhares. – dei os ombros e Carlisle entendeu que muitas mulheres foram queimadas se compráramos ao número pequeno de homens que foram condenados.

– Vamos voltar, vai chover.

– Aqui sempre chove. – disse um pouco irritada por ter que ir embora fazendo Carlisle rir.

Na volta Carlisle e eu voltamos conversando sobre coisas amenas e banais e jantamos juntos ainda tentando entender a história de Cullen como um todo. Eu gostava da companhia dele, parecia realmente interessado no meu trabalho e valorizava ele.E ás vezes parecia saber mais do que falava, como no Templo, eu sempre tinha a sensação de que eu perdia uma informação que ele sabia ou mentia que não sabia.

– Por que o senhor Cullen não mora aqui? – perguntei na sobremesa.

– Sendo sincero? Eu acho que dói demais, os pais dele tiveram seus momentos mais bonitos aqui. Estar aqui é lembrar que eles nunca mais entrarão pela porta principal e receber ele com abraços e presentes como faziam quando ele era criança.

– Ele não tem irmãos?

– Morreu no mesmo acidente. Ele perdeu os pais e o irmão, se tornou o Duque e o responsável pela próxima geração. É muita coisa.

Eu levantei. Poderia entender perfeitamente isso.

– Obrigada pela companhia Carlisle. Muito gentil da sua parte.

Fui para meu quarto sentindo a ferida aberta e sem entender completamente sentindo uma simpatia pelo Duque, ele deveria sofrer e disso eu entendia.

Notas finais
E então meninas... o que acharam?