O tear do Destino
43 A história
Notas iniciais
Eu não iria me arrumar mais para uma visita a propriedade, isso não fazia nenhum sentido. Me olhei no espelho pela milésima vez e respirei fundo saindo do quarto. Uma calça jeans, uma blusa de mangas e um casaco grosso já que hoje ventava. Perfeito.
– Bom dia senhorita Swam.
Sorri para Carlisle que me encontrou no final da escada, os empregados se movimentavam rapidamente e eu associei ao fato do Duque estar no castelo essa agitação incomum.
– Bom dia Carlisle. Estou muito atrasada? Hoje acho que perdi um pouco a hora.
– O Duque e sua esposa estão tomando café ainda.
Eu agradeci indo até a enorme sala, Edward e sua esposa tomavam café lendo o jornal e em silêncio. Eu sentei na frente de Tânia cumprimentando ela e Edward.
– Bom dia senhorita Swan, espero que tenha dormido bem. – Tânia não me olhou, mas Edward abaixou o jornal e colocou ele de lado se servindo de mais café enquanto eu pegava um suco e tentava não fazer careta para a voz de Tânia que hoje parecia ainda mais irritante.
– Dormi muito bem. Obrigada.
– Tenho que ir a Londres hoje resolver alguns problemas. – ela fez uma cara muito feia para Edward. – Desista dessa idéia querido, por favor.
Eu tomei o suco olhando ele ignorar ela completamente.
– Já disse o que eu quero.
– Já enviamos metade dos convites, isso teria que ser revisto. – ela estava só um pouco mais exaltada agora e então o olhar gélido de Edward a fez calar.
– O baile será aqui. E na próxima semana.
Eu ainda estaria aqui. Olhei um pouco receosa para Edward.
– Está convidada senhorita Swam, falaremos de suas descobertas e acho que meus tios ficarão interessados em seu trabalho.
Perdi a fome de repente. Coloquei o copo de suco na mesa.
– Eu... não precisa... eu posso ficar...
– Escondida em seu quarto? – Tânia falou achando aquilo divertido. – Não terá outra oportunidade de estar entre a alta sociedade novamente senhorita Swan.
– Isso realmente não é um convite atrativo. – falei sincera.
– Somente suas pesquisas. Meu pai costumava dizer que mulheres não deveriam...
– Se já terminou podemos ir senhorita Swan.
Edward se levantou altivo e eu levantei com ele.
– Tenha um bom dia Tânia.
Falando isso ele apenas saiu e eu o acompanhei até a garagem. Entramos no jipe que já tinha andado com Carlisle e eu vi a manta e uma cesta grande no banco de trás.
– Eu não acho que eu deva participar disso.
Eu falei enquanto Edward ligava o carro e saía da garagem. Até aquele momento eu não tinha reparado nos outros carros, de todas as épocas e estilos. Ele ignorou minha fala até estarmos em movimento em uma estrada.
– Eu a convidei, seria um pouco rude rejeitar não acha?
Esfreguei minhas mãos nervosa uma na outra.
– Nunca fui a um evento desse. Não acho que saberia o que fazer...
– É um baile que arrecada dinheiro para a fundação Cullen, nós ajudamos em pesquisas em doenças como AIDS. Nós também promovemos vários eventos de conscientização a sexo seguro e tudo mais, uma boa causa.
– Que eu não posso ajudar. – falei sincera.
– Sua presença ajudará. – ele disse sorrindo.
– Quanto eles pagaram para estar no baile?
– Olhe.
Edward apontou para uma vila que tinha a nossa frente. Ela era linda, enquanto o jipe percorria a vila eu observava as construções, antigas, muito antigas. Todos cumprimentavam Edward de maneira formal.
– Venha, tem uma igreja linda aqui.
E então ele parou o jipe na entrada e entramos. A construção era claramente medieval e enquanto entrávamos eu me perguntava como Cullen cristã tinha tantos elementos pagões? O padre veio nos cumprimentar e mostrou para Edward a nova reforma que aparentemente ele tinha financiado.
– Vocês guardam registros aqui de nascimento, casamento e batismo? – perguntei interrompendo a conversa.
– Sim, mas os Cullen tem sua própria Igreja. – Edward respondeu e voltou sua atenção para o padre. Continuei andando e olhando, apesar da reforma e das muitas outras que imaginei os elementos básicos dela me encaminhavam para uma época medieval. – Linda não é mesmo?
– Nunca vi a Igreja de Cullen.
Ele sorriu e acompanhei ele para fora entrando no carro com sua ajuda.
– Carlisle disse que você não sai da biblioteca, o máximo que fez foi até ir o Templo.
– Templo? Você sabe quem o construiu?
Ele sorriu.
– Um Duque para sua esposa. É o que meu pai e meu avô diziam. A história de amor entre um cristão e uma pagã. É como uma história contada para dormir, eu e meu irmão ouvíamos ela sempre. Um Duque aceita uma pagã como esposa e ela o transforma.
Ele disse aquilo com um distanciamento e uma frieza muito grande, mas tinha algo nos seus olhos que o traiam. Cullen em algum momento foi mais pagã do cristã e eu poderia quase afirmar isso.
– Você acha mesmo que isso é uma história sem nenhum compromisso com a verdade? Uma das rainhas era uma Cullen!
– Lady Melaine, a bondosa. Ela foi uma Cullen, depois adotou o nome da dinastia governante.
– Por que nunca deixaram ninguém estudar sua história? Ela está totalmente ligada a história da Inglaterra.
Nunca ninguém estudou Cullen além deles mesmo. A Rainha Vitória e o Príncipe Albert tentaram, pelo bem da história inglesa e o máximo que conseguiram foram alguns dados acrescentados à livros de história. Cullen como sua história era um mistério, pelo menos para o mundo exterior. Edward dirigia agora para uma área mais afastada, claramente mais deserta.
– Cullen tem registros de tudo que aconteceu, coisas importantes demais que mudaram o rumo das coisas como todos a conhecem. Não se pode simplesmente dizer que Lauren, a primeira esposa de um Duque, era uma pagã e seu casamento permitiu uma flexibilidade nas crenças de Cullen.
– Deus isso é verdade? – o olhei assustada.
Ele apenas me olhou e senti aquela sensação excitante da descoberta.
– Por que Roma nunca nos dominou completamente? Por que aqui diferente de outros países não abaixamos a cabeça para tudo que eles queriam?
– Porque seu Rei é também o Sacerdote. – falei e ele gargalhou dirigindo. Nunca vi ele rir tão abertamente.
– Entenda que nenhum rabo de saia faria alguém tão determinado abandonar e se declarar comandante da Igreja. Tudo sempre foi uma luta por poder. Mas quando uma visita de um Duque o faz ver que seria melhor uma Igreja nova do que depender de Roma eternamente determinando quem é santo e quem não é poderíamos ter uma nova versão de uma das grandes histórias de amor que a Inglaterra viveu não?
– Você está me dizendo que... isso mudaria tudo que conhecemos por história.
–Isso mudaria tudo que você conhece de história medieval. – Edward falava tranquilamente – Lady Melaine deu abertura para uma flexibilidade na corte que não existia, dizem que ela tinha o dom da paz. Até onde isso influenciou uma Inglaterra tolerante? A guerra entre pagões e cristões teve um fim não é mesmo?
Eu estava revendo todo meu conhecimento e percebendo que por anos não se falou nisso.
– Mas parou por que a Inglaterra era cristã. Completamente eu quero dizer.
– Nunca existiu só cristões Isabella.
Ele parou e eu vi a linda área de morros e um castelo ao fundo.
– Venha, não comeu direito. Acho que se pararmos aqui o Duque não se importará.
Sorri e desci do carro olhando as ruínas ao longe.
– Aquela é Grocs?
– Sim, ela foi parcialmente destruída em uma das tentativas da França de nos dominar.
Eu e Edward comemos um lanche que ele tirou da cesta que havia trago. Não podia negar que a presença dele causava em mim grandes emoções e tive certeza de que aquilo era errado, um errado estranho. Um vento soprou em meus cabelos me fazendo fechar os olhos e sentir a paz que aquilo trazia. Era tão errado gostar de estar com ele e tão errado pensar nele, mas eu pensava e de olhos fechados sentindo o vento era como se fosse tão certo e perfeito.Como poderíamos ser tão diferentes e ao mesmo tempo nos entender tão bem?
Eu reconhecia o seu ar de tédio perto da esposa, entendia o vazio dos olhos e até mesmo percebia um suspiro pesado quando passava pela porta da casa ou na garagem. Eram muitas lembranças e recordações. Mas nossos mundos eram completamente diferentes e aquela voz baixa e insistente dentro de mim dizia: ele é casado. Proibidamente casado.

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