Notas iniciais
Esse capítulo é para as leitoras maravilhosas que falaram: você demora demais para postar... meninas espero que gostem!

Eu acordei decidida a explorar mais a propriedade, tinha informações que eu queria averiguar. Muitas coisas que eu queria descobrir e como Edward sumiu por dois dias inteiros eu percebi como aquela aproximação estava me fazendo mal. Eu poderia estar gostando dele mais do que deveria. Me levantei, me arrumei de uma forma simples. Estava mais quente e um vestido azul com um casaco curto faria um ótimo trabalho já que eu pretendia olhar a igreja e verificar seus livros. Quando desci Carlisle estava com uma encomenda nas mãos.

– Pertence a senhora, entregaram agora de manhã.

Eu sorri e peguei a encomenda.

– É o livro que estava faltando para avaliar os nomes. – eu abri animada e mostrei a ele.

– Origem dos nomes e sua história... isso vai ser importantíssimo não?

– Eu acho que sim, Elisabete... tem algo nela que me atrai. Ela foi a mãe da rainha, a rainha da Inglaterra.

– Isso foi na Idade Média. – ele disse entendendo.

– Sim, acho que a rainha poderia estar naquela pintura do meu quarto. Se conseguimos identificar e avaliar, o quadro dobrara de valor. Vou tentar achar um amigo que é um grande especialista e mandar algumas fotos para ele.

– Isso seria ótimo.

– Carlisle, por que Cullen se fechou tanto para sua história? Eu não entendo... ninguém mais entrou nesse lugar depois de um tempo... eu não consigo saber porque informações tão raras e importantes estão guardadas a sete chaves e não compartilhadas.

Ele me sorriu carinhosamente.

– Quer que eu guarde o seu livro no quarto ou na biblioteca?

– Na biblioteca seria melhor... – respondi ainda decepcionada por ele não me responder. Entreguei o livro a ele. Enquanto eu o vi desaparecer pelo caminho que dava para a biblioteca ouvi uma risada. Do que ele ria?

Para não perder o tempo agradável eu não tomei café, fui direto para fora procurando a igreja. Cullen tinha uma igreja que datava de sua construção segundo Edward e tinha um templo celta original. Um lugar que aceitava as duas culturas amigavelmente ou um lugar que escondia certas crenças? Andei pela propriedade indo para a parte de trás, o sol estava realmente tornando Cullen cada hora mais linda, não havia aquelas nuvens cinzas ou uma neblina persistente. Em uma carta ao Rei, um dos Duque disse que Cullen era o reflexo de seu clima. Se o dia estava bom, Cullen estava alegre e feliz, mas os dias nublados eram sinais de tristeza e maus agouros. Era totalmente celta essa frase. Como a cultura irlandesa poderia influenciar um castelo tão inglês como esse? Ele nem ficava perto da fronteira para ter toda essa influência, eu ainda sentia que Elisabete me escondia alguma coisa. Sorri ao pensar nela e avistei a igreja. Tinha apenas as pessoas que trabalhavam andando e circulando, a porta estava aberta e quando estava na porta um vento sobrou balançando meus cabelos. Fechei meus olhos e sorri com a sensação agradável.

Entrar naquela igreja era como voltar no tempo. Apesar de estar claramente com as reformas em dia, ela era mesmo mais original do que muitas igrejas que eu já tinha visto. E eu estive em Roma para uma pesquisa rápida, nada do que vi se comparava. Não elegante, no entanto exalava uma história indescritível. Me aproximei do altar vendo as várias imagens e analisando sua antiguidade, todas elas pertenciam a Alta Idade Média com certeza pelas suas características, os vitrais retratando as várias noivas e batizados com homens e mulheres com roupas diferentes.

No fundo da Igreja havia uma porta e eu a abri com um pouco de dificuldade, ela era de uma madeira pesada e tinha ainda ao que parecia as fechaduras originais. Como Cullen conseguiu algo assim? E ali estava um livro sobre uma mesa e vários crucifixos e cruz de madeiras e ouro. Abri o livro vendo que ele tinha um número. Era um livro novo demais e eu procurava pelo menos o mais antigo, olhei ao redor não vendo mais livros. Saí da sala um pouco decepcionada.

– A encontrei... – era um padre que vinha em minha direção. – Carlisle me avisou que talvez necessitasse da minha ajuda.

– O senhor é...

– O padre de Cullen. Vivo em uma pequena casa atrás.

– Nunca vi o senhor. – eu estava aqui a algumas semanas e eu nunca o vi.

– Eu estava visitando algumas pessoas e me demorei, não há muito o que fazer aqui então ajudo os padres das vilas. Há pelo menos mais cinco vilas.

– Eu não sabia disso....

– Sim.. sim... há sim. O território de Cullen expandiu muito e apesar de hoje não sermos mais tão feudais todo Duque cuida bem de todos que vivem ao seu redor, essas vilas originalmente eram pertencentes aos servos do castelo, ou pequenos proprietários de terras que forneciam alimentos a Cullen. Apesar de termos nossa própria horta e animais.

– Táticas de guerra, eles tinham quem fornecesse e os próprios para caso precisassem se fechar aqui dentro do castelo.

– Exato! – o padre disse animado. – Cullen teve muitas guerras, muitos Duques morreram até mesmo na Primeira e Segunda Guerra Mundial. Em vez de guerreiros tínhamos soldados.

– Eles não eram colocados em cargos menos perigosos?- a curiosidade fluía dentro de mim.

– O orgulho Cullen das batalhas não os deixavam ficar atrás de uma mesa, todo Cullen luta suas próprias guerras e defende seu país com honra.

Edward lutava contra o quê? Quais eram suas próprias lutas? A imagem de Tânia me veio a mente e eu sabia, uma certeza firme, que ele não era feliz. Enquanto o padre falava dos casamentos que tinha feito e da história de Cullen eu percebia que ele sempre se referia aos casamentos feitos como algo lindo, ria contando histórias do antigo Duque e de sua esposa, dos avós de Edward e de como eles eram felizes. Eu sabia que tinha encontrado o único Cullen infeliz. Por que eu me importava com aquilo?

– Tem algo que você apreciará.

O padre simpático me levou para uma construção perto da igreja. Eu não consegui reconhecer.

– O que é? – perguntei analisando a porta e sua estrutura medieval.

– Não sei, não é aberto.

O encarei.

– Não é aberto?

– Sim... sim... o padre anterior me avisou que a chave havia se perdido há muitos anos e ninguém se interessou em abrir.

– Então há uma chave?

– Bom.. claro! Toda porta tem uma chave não? – ele estava rindo e eu me perguntava onde estaria aquela chave. Edward tinha dito que o pai dele e ele limpavam a biblioteca anualmente porque não queriam ninguém lendo nada, isso me levava a pensar que ele sabia onde estava essa chave. Era um cofre?

– Nunca foi aberto nem mesmo para avaliação da construção?

– Está perfeita, é o que todos falam. Se o exterior está conservado com certeza dentro não pode estar pior sem a interferência do clima, não há janelas.

Ele rodeou a construção comigo e eu notei características estranhas. Portas e janelas eram a base de qualquer construção então o que estava dentro não era feito para olhares curiosos. Eu já tinha visto algo assim...

– A neve... aqui fica muito difícil de chegar?

– Sim, quando neva em Cullen sim. Há uma camada de neve que dificulta tudo.

Toque a construção vendo algo que ainda não tinha percebido.

– Isso é.. esteatito...

– O que?

– O tipo de pedra que é feito. É diferente das pedras que vemos no castelo não percebe? – o padre pareceu só naquele momento perceber as diferenças.

– É mais claro sim...

– Não só isso. – disse animada pelas descobertas.

– Como assim?

– Essa pedra é praticamente impenetrável. Não é afetada por substâncias alcalinas ou ácidas. Uma das notáveis características dessa pedra é sua excelente capacidade de resistir a extremos de temperatura desde muito abaixo de zero até acima de cerca 1000 °C. É especialmente utilizada na construção de lareiras, também pela sua capacidade de absorver e distribuir de forma regular o calor. Retém quase todo o calor produzido pela fonte de energia como madeira, carvão mineral, carvão vegetal, gás, energia elétrica e o conduz rapidamente, através do chamado aquecimento de massa térmica. Isto significa que a própria pedra atua como uma eficiente fonte de calor e não a chama propriamente dita, como acontece com as tradicionais lareiras abertas.

Isso só poderia significar que o que fosse que estivesse dentro deveria ser aquecido, valioso e muito importante para Cullen. O padre ainda me encarava com olhos surpresos avaliando a construção as vezes como se fosse a primeira que a tinha visto. Eu ignorei me concentrando na fechadura, a chave deveria estar nas mãos seguras de alguém confiável como um servo na Idade Média, um Padre ou até mesmo com o Duque. Nessa hora o padre se ajeitou e eu olhei na direção em que ele olhava e vi Edward nos olhando, seus olhos estavam divertidos,

– Não sabia que gostava tanto de geologia senhorita Swan.

Sorri para ele sabendo quem tinha a chave, era uma certeza tão grande que eu chegava a me surpreender.

Notas finais
Eu pensei, juro que pensei, que postando esse mataria a curiosidade de vocês, mas quando reli o capítulo eu pensei: vou morrer e é AGORA! kkkkkkkkkk Juro meninas a intenção era boa.