Eu não via a hora de ir embora.Eu queria sair dali e ir pro cemitério visitar minha avó.

Até hoje eu não sei onde o exército enterrou o meu avô.

Durante a aula de biologia que havia começado eu fiquei encarando Diana.Não sei porque mas ela parecia intimidadora.

-Diana-chamei baixo.

Ela olhou para mim e eu apontei para cadeira ao meu lado chamando ela para sentar ali.Eu devo ter fumado maconha pra chamar uma menina super irritante para sentar ao meu lado.

-Nossa,que milagre você ter me chamado.

-Não acredito em milagres...

-Como assim você não acredita em deus?

-Eu acredito em Deus,mas não em milagres.

-Ata.-Ela disse.-Mas...por que me chamou aqui?

-Pode parecer estranho,mas eu desconfio de você?-Eu falei levantando uma sombrancelha.

-Como assim?Você me acha estranha.

-N-não é isso...é que...eu não sei explicar...mas tem alguma coisa errada com você.

-E se tivesse por que me diria?Não ficaria com medo dos resultados.

-Não tenho medo do perigo.Os que mais morrem cedo são aqueles que trazem a felicidade com medo de morrer.

-Ou seja,você quer morrer?

-Não quero morrer e nem viver.Não tenho medo da morte,claro que não quero morrer em uma tragédia mas não faço muita questão de respirar não.

-Você tem amor a vida?-Ela perguntou me encarando.

-Isso está fugindo do assunto!Diga logo o que você esconde.

-Eu não escondo nada,se tenho algo a esconder deus é que irá me julgar se eu fui ou não do mau.

-Não é um deus que julga as pessoas, mas é a própria pessoa que faz o julgamento de si mesmo.

-Você e suas frases filósofas...-ela disse virando-me as costas.

-Você não acredita?

-Não é que eu não acredito,apenas não confio.-Ela deu um sorriso sarcástico.

Enquanto a aula passava eu encarava Diana.Ela não viu que eu a encarava.

Aulas e aulas se passaram e o sinal da saída tocou...

Diana saiu junto comigo.

-Vamos na lanchonete?

-Tenho cara de que to com fome?

-Sim.

-Pois é,mas eu tenho comida em casa.Lanchonetes são perda de tempo.Você espera pra comprar coisas que já tem em casa.

-Vocêtem pizza,hamburguers,salgados,doces,refrigerantes,pães de queijo na sua casa?

-Não.

-Então pronto.

-Mas eu posso encomendar.

-Mesmo assim você não teria que esperar?

-Para de me pertubar.

-Só paro quando for na lanchonete.

-Só vou se você pagar.

-Tá bom.

Fomos na lanchonete que era na esquina da rua que ficava nossa casa.

-Até que aqui é legal.-Eu disse enquanto comia o hamburguer e falava com a boca cheia.

-Tsc tsc,que falta de educação Diana e...qual o seu nome mesmo?

-Não te interessa.-Respondi com a boca ainda na frente.

A amiga dela entrou na frente e apontando para o tablet falou...

-O nome dela é Taýla.

-Ah!Que preciosa.Você é a...-Ela disse enquanto checava uma lista no tablet.-Hummm,entendi...você é a bolsista.

Diana me segurou.

-Deixa a gente em paz Tifanny.

-"Deixa a gente em paz Tifanny"-Ela retrucou fazendo voz de deboche e rindo para as amigas dela.

-Fala sério-eu disse limpando a boca.

-Ui,a filha de mamãe resolveu falar.

-Para a sua informação,eu não tenho mãe.

-Não me admira que você seja uma primata.Você é irmã do tarzan é?

-Isso era pra ser um fora?

-Entenda como quiser.

-"Entenda como quiser."-Eu a imitei.

-Unf,que criancice da sua parte.

-"Unf,que criancice da sua parte".

-Para de me imitar.-Tifanny disse batendo o pé.

-"Para de me imitar"-Eu imitei ela batendo o pé.

Ela se aproximou e apontou o dedo pra minha cara.

-Você toma cuidado hein Taýla,porque amanhã você pode ser expulsa.

-Isso foi uma ameaça.

-Talvez.

-Talvez não é resposta.Se você é corajosa o suficiente pra fazer uma ameaça,seja corajosa o suficiente para assumir.

Tifanny virou as costas e saiu rebolando junto de suas "amiga"(mais do que falsas(claro)).

-Eu acho que já vou indo Diana.

-Por que?Vai se deixar levar por essas patricinhas?

-Nunca,mas levei advertência lembra.

-Vai ficar de castigo?

-Magina.Minha mãe não liga pro fato d'eu me automutilar.Por que me deixaria de castigo por causa de advertência?

-Então por que está com presa.

-Tenho que fazer uma coisa.

Sai correndo.Virei a rua.Peguei um ônibus,30 minutos depois já estava no meu ponto,desci,entrei na rodoviária e comprei um passaporte,desci as escadas e passei na roleta do trem.Fiquei esperando o trem chegar.

Tinha uma pessoa sentada no banco atrás no meu.Claro que eu não ia me virar pra ver quem era.

O trem chegou,eu entrei e a pessoa entrou junto.Na mesma estação que eu desci,ela desceu também.Começei a andar rapidamente para onde eu estava indo que era pro cemitério.Eu ia visitar a minha avó.

A pessoa entrou no cemitério comigo.

O caixão da minha vó ficava láááá no fundo,enquanto eu andava a pessoa parou,bem la na frente.

Sei que ela estava me seguindo.O pilastre dela podia estar depois do meu mas claro que a pessoa não ia arriscar a passar por mim pra eu ver o rosto dela.