O sorriso da Morte
4 Capítulo 4
Eu não via a hora de ir embora.Eu queria sair dali e ir pro cemitério visitar minha avó.
Até hoje eu não sei onde o exército enterrou o meu avô.
Durante a aula de biologia que havia começado eu fiquei encarando Diana.Não sei porque mas ela parecia intimidadora.
-Diana-chamei baixo.
Ela olhou para mim e eu apontei para cadeira ao meu lado chamando ela para sentar ali.Eu devo ter fumado maconha pra chamar uma menina super irritante para sentar ao meu lado.
-Nossa,que milagre você ter me chamado.
-Não acredito em milagres...
-Como assim você não acredita em deus?
-Eu acredito em Deus,mas não em milagres.
-Ata.-Ela disse.-Mas...por que me chamou aqui?
-Pode parecer estranho,mas eu desconfio de você?-Eu falei levantando uma sombrancelha.
-Como assim?Você me acha estranha.
-N-não é isso...é que...eu não sei explicar...mas tem alguma coisa errada com você.
-E se tivesse por que me diria?Não ficaria com medo dos resultados.
-Não tenho medo do perigo.Os que mais morrem cedo são aqueles que trazem a felicidade com medo de morrer.
-Ou seja,você quer morrer?
-Não quero morrer e nem viver.Não tenho medo da morte,claro que não quero morrer em uma tragédia mas não faço muita questão de respirar não.
-Você tem amor a vida?-Ela perguntou me encarando.
-Isso está fugindo do assunto!Diga logo o que você esconde.
-Eu não escondo nada,se tenho algo a esconder deus é que irá me julgar se eu fui ou não do mau.
-Não é um deus que julga as pessoas, mas é a própria pessoa que faz o julgamento de si mesmo.
-Você e suas frases filósofas...-ela disse virando-me as costas.
-Você não acredita?
-Não é que eu não acredito,apenas não confio.-Ela deu um sorriso sarcástico.
Enquanto a aula passava eu encarava Diana.Ela não viu que eu a encarava.
Aulas e aulas se passaram e o sinal da saída tocou...
Diana saiu junto comigo.
-Vamos na lanchonete?
-Tenho cara de que to com fome?
-Sim.
-Pois é,mas eu tenho comida em casa.Lanchonetes são perda de tempo.Você espera pra comprar coisas que já tem em casa.
-Vocêtem pizza,hamburguers,salgados,doces,refrigerantes,pães de queijo na sua casa?
-Não.
-Então pronto.
-Mas eu posso encomendar.
-Mesmo assim você não teria que esperar?
-Para de me pertubar.
-Só paro quando for na lanchonete.
-Só vou se você pagar.
-Tá bom.
Fomos na lanchonete que era na esquina da rua que ficava nossa casa.
-Até que aqui é legal.-Eu disse enquanto comia o hamburguer e falava com a boca cheia.
-Tsc tsc,que falta de educação Diana e...qual o seu nome mesmo?
-Não te interessa.-Respondi com a boca ainda na frente.
A amiga dela entrou na frente e apontando para o tablet falou...
-O nome dela é Taýla.
-Ah!Que preciosa.Você é a...-Ela disse enquanto checava uma lista no tablet.-Hummm,entendi...você é a bolsista.
Diana me segurou.
-Deixa a gente em paz Tifanny.
-"Deixa a gente em paz Tifanny"-Ela retrucou fazendo voz de deboche e rindo para as amigas dela.
-Fala sério-eu disse limpando a boca.
-Ui,a filha de mamãe resolveu falar.
-Para a sua informação,eu não tenho mãe.
-Não me admira que você seja uma primata.Você é irmã do tarzan é?
-Isso era pra ser um fora?
-Entenda como quiser.
-"Entenda como quiser."-Eu a imitei.
-Unf,que criancice da sua parte.
-"Unf,que criancice da sua parte".
-Para de me imitar.-Tifanny disse batendo o pé.
-"Para de me imitar"-Eu imitei ela batendo o pé.
Ela se aproximou e apontou o dedo pra minha cara.
-Você toma cuidado hein Taýla,porque amanhã você pode ser expulsa.
-Isso foi uma ameaça.
-Talvez.
-Talvez não é resposta.Se você é corajosa o suficiente pra fazer uma ameaça,seja corajosa o suficiente para assumir.
Tifanny virou as costas e saiu rebolando junto de suas "amiga"(mais do que falsas(claro)).
-Eu acho que já vou indo Diana.
-Por que?Vai se deixar levar por essas patricinhas?
-Nunca,mas levei advertência lembra.
-Vai ficar de castigo?
-Magina.Minha mãe não liga pro fato d'eu me automutilar.Por que me deixaria de castigo por causa de advertência?
-Então por que está com presa.
-Tenho que fazer uma coisa.
Sai correndo.Virei a rua.Peguei um ônibus,30 minutos depois já estava no meu ponto,desci,entrei na rodoviária e comprei um passaporte,desci as escadas e passei na roleta do trem.Fiquei esperando o trem chegar.
Tinha uma pessoa sentada no banco atrás no meu.Claro que eu não ia me virar pra ver quem era.
O trem chegou,eu entrei e a pessoa entrou junto.Na mesma estação que eu desci,ela desceu também.Começei a andar rapidamente para onde eu estava indo que era pro cemitério.Eu ia visitar a minha avó.
A pessoa entrou no cemitério comigo.
O caixão da minha vó ficava láááá no fundo,enquanto eu andava a pessoa parou,bem la na frente.
Sei que ela estava me seguindo.O pilastre dela podia estar depois do meu mas claro que a pessoa não ia arriscar a passar por mim pra eu ver o rosto dela.
Fale com o autor