Fiquei ali na cova da minha avó,olhando e olhando.

De repente,a pessoa que estava me seguindo começou a andar.Eu escutava os passos dela como se ela estivesse vindo na minha direção.Peraí,ela não parecia estar vindo na minha direção,ela ESTAVA vindo na minha direção.A foto da minha avó voou de minhas mãos e foi pra bem longe.Por que eu não lutei para pegar a foto?Por que eu estava paralisada?

A pessoa passou reto por mim.

-Diana?

Ela continuou andando.

-Diana.-Segurei ela pelo ombro e ela parou.

Virada para mim,então,disse:

-Diana?Tanto tempo que não me chamam de Diana.

-Como assim?Eu falei com você hoje cedo.Peraí tem alguma coisa diferente em você.

-Em mim?Não.A única coisa diferente é você ainda me chamar de Diana não acha?

Os olhos.Os olhos de Diana não eram vermelhos.

-D-D-D-Diana,por-por que seus olhos estão vermelhos?Você está usando lentes de contato?

-Meus olhos sempre foram vermelhos.

-Não,seus olhos são castanhos Diana.

Ela parou,olhou para mim e suas sobrancelhas começaram a se curvar formando uma expressão de raiva,mas ela continuava paralisada.

E sua boca...ficava parada.Nenhuma expressão.O único lugar que se detectava expressões seriam em seus olhos e sobrancelhas.

Diana virou de costas e continuou a andar.

-Diana,onde você vai?...eu tenho que te levar no psicólogo...espera por mim.

Olhei para baixo e a foto de minha vó tinha voltado.Guardei-a no bolso e sai correndo do cemitério.

Quando cheguei em casa,já tinha passado da hora do almoço,mas como não tinha ninguém em casa,liguei pra pizzaria.

-Alô!Eu quero uma pizza família.Metade mussarela e metade frango com catupiri.

Fui no meu quarto pegar o dinheiro e quando olhei pela janela,vi Diana entrando em casa.

-Ela chegou.-Eu disse.

Desci correndo e fiquei esperando o homem chegar,ele chegou em 7 minutos por que a pizzaria era perto.

Paguei-o,botei a pizza em cima da mesa,vesti o casaco e sai correndo pro outro lado da rua.Como sempre,nem um carro passava.Toquei a campainha freneticamente.

-Calmaaa.-Escutei ela gritando.

Ela atendeu a porta.

-Quem...Taýla,que bom ver você.

-Castanho.

-Como?

-Seus olhos estão castanhos.

-Meus olhos sempre foram assim.

-Hoje..no cemitério..estavam vermelhos.

-O que você foi fazer no cemitério?-Ela estava confusa.

-Você estava lá.

-Você está com febre?-Ela botou a mão no meu pescoço.

-Você ta achando que eu sou louca né?

-To começando.-Ela me olhou.

-Só me responde:O que você estava fazendo no cemitério.-Eu me encolhi dentro do casaco.

-Eu já disse que não fui no cemitério..quer entrar?você está morrendo de frio.

Resolvi deixar o assunto pra lá.

-Não,eu vim te chamar pra comer pizza lá em casa,acabou de chegar.

-Opaaa,por que não disse antes?Vamos.Deixa só eu pegar o meu casaco.

Quando ela saiu vi alguém lá no fundo me olhando.Botei a mão na porta e empurrei pra ver quem estava lá dentro.

-O-olá.-Minha voz ecoou.

-Oi.-Ela deu um sorriso sincero.-Desculpa,se te assustei,é que Dina costuma não ter muitos amigos.

-Você quis dizer Diana né?

-Não chamamos ela assim.

-Ata.

-Pronto.Vamos?-Diana desceu as escadas.

Atravessamos a rua e entramos em minha casa.

-Acho que sua mãe não gosta de mim.

-O que?Como assim?

-Sei lá.Mas enfim...-eu disse já sentando na mesa.-Você tem algum parente morto?

-Você acha que estou mentindo pra você?Eu dormi o dia todo.Não tenho motivos pra esconder nada de você.

-Eu já disse que você parece ter algo a esconder?

-Já,mas eu escondo tão bem que escondo até de mim.

-Bem provável.

-Como?

-Nada!