O show final
3 O passado de volta. Pt 1
Notas iniciais
— SHELBY MARX? — Sam foi a primeira a ir até a garota. Na hora me lembrei quem era, a menina que lutou com a Carly a anos atrás.
Ela estava um pouco mais forte, com uma maquiagem mais pesada e o mesmo cabelo liso escorrido com uma franjinha de lado. Tinha mais 3 pessoas na sala junto com ela, dois meninos que usavam jaquetas e umas roupas no estilo skatista e uma menina ruiva de olhos verdes que tinha um estilo mais roqueira, igual a Shelby.
— Resolvi dar uma chance para a famosa escola da minha prima. Meus amigos falaram muito bem daqui. — Direcionou o olhar para as três pessoas ao seu lado.
— Calma, você é prima da maior lutadora da geração? — Disse Sam em um tom animado para Tori — que continuava em estado de choque e desespero. — O silêncio constrangedor foi quebrado com a entrada do professor Sikowitz.
— Sentem. sentem-se todos. — Pensei que os professores mais estranhos do mundo se encontravam no Ridgeway, mas depois de ver esse cara descalço, com uma calvície extrema e roupas que certamente são de um mendigo, revi meus conceitos de estranheza.
— Você é amiga desses caras? — Tori continuava de pé questionando sua prima.
— Eu não pareço nenhum tipo de “cara”, queridinha. — Rebateu a Ruiva.
— MISSY? — Só após a Carly dizer o nome da ruiva que eu e Sam nos demos conta de quem era ela. A antiga amiga de Carly que a uns anos atrás aprontou várias com a Puckett.
— É, Carly, felizmente aquele cruzeiro maldito acabou. — A ruiva estava com os braços cruzados e se aproximou fitando Carly.
— Eieiei! Acho melhor você ficar bem longe da gente porque agora nada me impede de quebrar essa sua cara sonsa! — A Puckett entrou no meio das duas afastando a Missy de perto da Carly.
— Vocês duas se merecem! — A Ruiva foi para perto dos seus amigos. — Se eu fosse você — Direcionou o olhar para a Sam. — ficaria bem longe da minha cara e da minha turma, loirinha.
— Qual é a sua, Shelby? O que você está fazendo em uma escola de artes, e ainda andando com essa gente… — Disse Tori, quebrando o climão entre a loira e a ruiva, voltando a questionar sua prima.
— “Essa gente” — Disse fazendo sinal de aspas e se aproximando de Tori. — São meus amigos. Eu os conheci na academia, eles também são lutadores, menos a missy.
— Tenho outros talentos. — Disse a ruiva.
— Nós temos uma banda. — Entregou a Tori um cartãozinho que tinha o nome “Red Sharks” e também a data e o local de um show. — Estão mais que convidados. Iria amar ter minha prima, os amigos dela e os donos do ex webshow mais famoso da internet.
O clima da primeira aula do ano foi péssimo. Tori não parava de encarar sua prima — que a encarava de volta rindo — Sam e Jade levaram algumas chamadas de atenção por estarem conversando — acredito que a loira estava fazendo a caveira da ruiva para Jade. — Carly estava bem tensa também, mas mesmo assim ainda estava disfarçado e fazendo amizade com o resto da turma, assim como eu, que até fiz dupla com o Back quanto o professor esquisitão mandou a gente fingir que o colega era um espelho. Até que as atividades dessa escola eram bem legais.
[…]
Essas últimas horas foram as mais estranhas da minha vida, e olha que eu já fiquei perdido no Japão.
Primeiro foi o reencontro com a loira, que eu não me contive e perguntei se ela sentia saudade…saudade de nós. Corei na hora, foi um arrependimento instantâneo. Fiquei parecendo um bobão implorando para voltar, e ela…bom, indiferente, como de costume.
Não sei para qual fase nos voltamos. Às vezes ela implica comigo igual quando éramos crianças e às vezes me olha como na época que dizia me amar a cada cinco minutos.
Também teve o reencontro das primas. Bom, não sei como funciona a relação delas, mas certamente não deve ser muito boa porque a Tori ficou muito desconfortável ao saber que ela vai estudar com a gente. Pelo que conheci da garota a anos atrás ela era bem traiçoeira…
[…]
P.O.V : Jade
Só acreditei que a Puckett iria estudar aqui na hollywood arts quando vi a loira no pátio da escola.
Quando conheci ela no ano passado foi muito divertido, andamos de moto, falamos de filmes de terror e ela me mostrou alguns vídeos nojentos. Estava mesmo precisando de alguém que entendesse meus gostos peculiares e minha raiva interior.
Também tiveram mais três novos alunos aqui na escola, Freddie e Carly — os amigos da Sam. — e a prima da Tori, uma tal de Shelby marx. Parece que as duas não se dão muito bem, mas confesso que gostei da garota, ela tem estilo, atitude e ainda é lutadora profissional. Com certeza essa menina é o maior pesadelo da Tori.
Ela estava junto do grupinho de encrenqueiros da escola, que é composto por :
Brad, um loiro que é conhecido por pichar os muros, fazer pegadinhas com os professores e também já repetiu de ano.
Steven, um bad boy que já namorou — e traiu — metade das garotas da escola, inclusive à Tori. Ele é muito bom em computação. Boatos que ele só passou de ano porque invadiu o sistema e alterou suas notas. Ele também vive sabotando a página da escola — TheSlap.com — e postando coisas constrangedoras dos outros alunos.
Tudo bem, confesso que já cheguei a andar com eles por um tempo e também mandei alguns vídeos para o Steven postar, mas depois que a Missy chegou eu pulei fora. Diferente dos meninos que já são antigos por aqui, ela chegou na Hollywood Arts no ano passado. A ruivinha se tornou a “cabeça do grupo". Os meninos sempre foram encrenqueiros e bagunceiros, faziam pegadinhas engraçadas e zoavam os outros, mas depois que a aquela garota chegou eles pioraram muito, começaram a passar dos limites.
Ano passado, Brad e Steven colocaram fogo no carro do professor de música só porque ele disse que a Missy desafinou. Eu até dei uma risadinha do desespero do coitado, mas até para mim pareceu uma brincadeira muito pesada.
[…]
— Eai, o que acharam da escola? — Perguntei para a galera do icarly quando estávamos indo embora.
— Bem anormal. — Freddie rebateu com uma expressão de espanto ao ver um menino dar um mortal para trás e ir embora — tudo isso usando um patins — Para mim era só mais um dia normal de aula, mas para eles parecia um universo paralelo, um verdadeiro mundo novo.
— Ah Benson, você costuma gostar de “coisas anormais” — Disse Carly fazendo sinal de aspas e olhando para Freddie e Sam com um sorriso malicioso no rosto.
— Vou fingir que não entendi isso, Dona Shay — Disse a loirinha encarando a amiga.
— Anormal mesmo é a minha prima! — Disse Tori ainda incomodada com a chegada do clone dela.
— Ninguém merece duas Tori’s. Demorei a me acostumar com uma. — A morena reviu os olhos para mim mas não deu muita importância para minhas implicâncias.
— Eu estou falando sério, gente. Minha prima é super encrenqueira e adora infernizar minha vida!
— Então aquela vagabunda quer roubar meu papel?! — Back reviu os olhos para o meu comentário.
— É, sua prima lutou comigo a uns anos atrás e por muito pouco eu não estaria aqui contando essa história.
— Ela me contou alguma coisa de você ter empurrado minha vó do palco. — Disse Tori para Carly.
— FOI SEM QUERER! — Rebateu Carly em um tom de indignação.
— Não se preocupe, ela é uma velha bem chatinha mesmo. — Disse Tori tranquilizando a Shay. — Mas qual é o lance com a Missy, ela te fez alguma coisa?
— Comigo nada. Nós éramos amigas na infância porque nossos pais trabalhavam juntos, mas ela mudou de país e nos afastamos e quando a desgraçada voltou quase matou a Sam com uma intoxicação alimentar.
— Sim. Comecei até a olhar a validade das coisas antes de comer — Disse a loira.
— Ela é muito malvada. Uma vez chamou meu cabelo de menstruação… — Disse Cat abraçando Robbie e fazendo biquinho de choro.
— Odeio aquela cretina. Ela chegou e roubou meu posto de valentona, e agora que está andando com uma lutadora profissional minha reputação vai ser cada vez mais esquecida! — Exclamei chateada e eles acharam graça.
— Ainda bem que temos a Sam e sua meia de manteiga para defender a gente, né?! Você ainda tem ela, certo? — Disse Carly segurando os ombros de Sam.
— Claro que tenho Shay, mas não preciso disso para enfrentar meia dúzia de bad boy, eu me garanto. — Disse a loira mostrando os músculos inexistentes no seu braço.
O clima entre nós estava muito bom. Confesso que gostei daquele nerd e da morena com cara de bobona, e olha que não gosto muito de gente, mas eles eram muito engraçados.
[…]
Fui embora com o Back, vi a Tori ir atrás de Trina, a Cat foi procurar o Robbie — Eles estão saindo desde o final do ano passado — E o André ficou na sala de música tocando teclado, como sempre. Carly, Freddie e Sam foram os únicos que ficaram por lá.
P.O.V : Sam
— Querem almoçar na minha casa? — Perguntei a Carly e a Freddie antes deles irem embora.
— E desde quando você sabe cozinhar? Achei que você só sabia comer. — O nerd disse para me provocar.
— Comer continua sendo minha especialidade, mas a Cat fez umas almôndegas que são as melhores do mundo. — Subi na minha moto e coloquei o capacete. — Vão vir ou não?
— Pedindo assim…com tanto carinho. — Disse Carly subindo na moto.
— Espera, e eu? — Exclamou o nerd indignado me olhando.
— Ah Benson, você pode…sei lá…correr atrás da moto.
— O que?…Não…espera aí…— Foram as últimas palavras do nerd que eu ouvi antes de pisar no acelerador e ir embora deixando ele com cara de paisagem.
[…]
— Voltei…e com ele…infelizmente. — Cheguei da minha segunda viagem da escola para casa, dessa vez trazendo o Benson comigo. Carly já estava devorando as almôndegas.
— EU AINDA PAREI PARA COMPRAR O REFRIGERANTE!
— Grande merda! Ainda me deve o dinheiro da gasolina, querido. — Ri para ele enquanto o moreno revirava os olhos e me fitava com cara de raiva.
— Acho melhor vocês pararem de gracinha e sentarem logo para comer ou eu vou acabar devorando essas delícias sozinha. — Carly ficou em casa almoçando enquanto eu voltava para buscar o nerd.
[…]
6:54 PM
— É sério gente! Juro que a Cat caiu na pegadinha da Geminite. — Estávamos no sofá, comendo pipoca e nos acabando de rir enquanto eu contava histórias minha com a Cat.
A ruivinha tinha saído com o Robbie.
— Fez ela beber água de meia suja amiga? Por Deus, você não muda mesmo, né? — Carly estava se acabando de rir das minhas histórias.
— Ela já me fez tatuar o rosto dela no meu braço, isso daí é fichinha, Carly!
— A tatuagem era temporária, bobão.
— MAS MINHA MÃE ME FEZ REMOVER NO LESER!
— Porque é uma bobona igual você! — Disse irritando o nerd.
— Vocês também não mudam nunca né. — Disse a morena se levantando e pegando o celular que estava tocando. — Não é o meu que está tocando gente.
— Ah, é o meu. — Me levantei e fui atender. — Já volto.
Fui para o meu quarto.
[ call on ]
— Alô?
— Oi mana! Quanto tempo.
— Mel? Aconteceu alguma coisa? Você nunca me liga.
— Você que nunca me atende, Sam!
— Fala logo, meus amigos estão aqui em casa, quer dizer, a Carly e o fedido do Freddie.
— A Carly me contou mesmo que eles estão morando em Los Angeles agora.
— Porque trocou de número?
— Para ver se você me atende!
— Aí Melanie, poupa meu tempo vai.
— Grossa! Aí passar aí e te levar um presente mas…
— Q-que? Passar aqui?
— Isso mesmo, eu e o papai estamos em LA também!
— Q-que? Como? Por-porque…
— Depois eu te conto direitinho. Vou te passar nosso novo endereço, tá bom? Amanhã vamos fazer um jantar em família e queremos que você venha!
[…]
[ call off ]
Mel tagarelou mais um pouco na ligação e depois passou o endereço da casa que ela estava morando com o Germano.
A notícia que eles estavam na cidade desceu como um vidro pela minha garganta.
Nunca considerei o Germano como pai, porque ele nunca foi. Aos nove anos ele pegou a guarda da Mel e tirou ela da minha mãe e por pior que ela seja, vi como a Pam sofreu quando minha irmã foi embora.
Ele pagou as melhores escolas para ela, dava as festas de aniversário mais caras e luxuosas de Nova York e para mim ele mandava uns presentes — quando lembrava que tinha outra filha. — Ele era dono de uma empresa de eletrônicos, uma das maiores do mundo, a Pear Store.
Sei que a Mel não tem culpa de nada disso, mas mesmo assim eu tinha muita resistência em demonstrar carinho por ela. Acho que dentro de mim considerava muito mais a Carly do que ela como irmã.
[…]
Voltei para sala e logo recebi olhares curiosos da Carly e do Freddie.
— Você está mais branca que o normal…está tudo bem?
— Não enche o saco nerd. — Me sentei no sofá com o semblante tenso.
— Bom…tá ficando tarde e já que está tudo bem, já vou indo…tchau meninas. — Ele se despediu e foi embora.
[…]
— Agora que o Freddie já foi fala a verdade, Sam. Quem era no telefone que te fez ficar tão estranha do nada? — A Shay se sentou do meu lado e me encarou séria.
— Era a Mel…ela e o Germano estão na cidade. — Disse me virando de frente para ela. — Eles querem me ver amanhã…planejaram um jantar em família.
Como se eles tivessem noção do que isso significa.
— Isso é ótimo amiga! Talvez seu pai queira tentar recuperar o tempo perdido. — Carly tentava me confortar mas parecia que nem ela mesma acreditava no que dizia.
— Carly, Dezessete anos não se recuperam em uma noite. Ele voltou por algum motivo e tenho certeza que esse motivo não sou eu.
[…]
7:15 AM
Acordei com o sol invadindo o quarto e como de costume a Cat cantarolava no banho. Tentei voltar a dormir, mas logo a ruiva saiu do banho e veio me perturbar.
— Já terminei, Sam, pode ir. — Ela usava um roupão rosa e suas pantufas de pato que faziam barulho.
— Tira essas pantufas barulhentas Cat! Minha cabeça tá explodindo de dor. — Sentei na cama e fiquei massageando minha testa.
— Claro, você passou a noite inteira chorando, não é para menos que esteja com a cabeça doendo…AÍ. — Arremessei um travesseiro nela.
— Se contar isso para alguém não é só o seu cabelo que vai estar vermelho, entendeu?
— Na verdade não, mas acho que isso é uma ameaça, então vou preparar o café e um remedinho para melhorar esse seu humor.
[…]
Fiz minha higiene, escolhi uma roupa confortável e fui para cozinha tomar um analgésico e comer umas torradas que a Cat fez. Já me sentia bem melhor.
Fomos para escola e chegando lá tive uma outra surpresa.
Parecia que todos os fantasmas do passado tinham se juntado para voltar e me assombrar ao mesmo tempo.
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