Notas iniciais
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Tudo estava calmo na Rua dos Coqueiros. Pete encontrava-se sentado em uma poltrona em frente a uma lareira com chamas crepitantes. Começou a adormecer, porém bebeu mais um gole de café. Não podia dormir. Eles estavam vindo buscá-lo. Olhou no relógio: faltavam cinco minutos para a meia noite. Ficou atento a qualquer barulho no lado de fora da sua casa; ouviu-se um cachorro latindo na casa ao lado, e uma buzina de um veículo. Já esperava isso: vestiu sua jaqueta jeans e olhou pela janela com cortinas entreabertas. Um carro preto estava parado na frente da sua residência. Entrou no carro e haviam duas pessoas sentadas no banco do motorista e no banco de passageiros.

— Está com o dinheiro? – perguntou o homem no banco do motorista.

— Sim, está aqui comigo. 500 mil reais, conforme o combinado – respondeu Pete e mostrou uma maleta cinza.

— Ótimo.

Sequestradores pegaram a sua esposa, e cobraram meio milhão de reais como resgate. Se desse tudo certo, sua esposa e ele viveriam juntos novamente. Por precaução, Pete levava uma faca no bolso interno da jaqueta. Passados 30 minutos, chegaram a uma casa com aparência abandonada. Desceram do carro e andaram pelo quintal. Parecia uma cena de filme de terror: mato alto e árvores sem folhas. Os dois homens adentraram na residência; cada um acendeu uma lanterna e seguiram para um quarto com a luz acesa. Pete seguia os dois desconfiado. Poderia ser uma armadilha.

— Chefe? – disse um dos homens.

— Ele está aqui? – perguntou uma voz masculina.

— Sim senhor, ele está com o dinheiro.

— Excelente. Mande-o entrar.

— Entre – disse o homem, enquanto empurrava Pete para o interior do quarto.

Era um quarto bem cuidado, em relação ao resto da casa: havia uma estante em um canto com vários livros organizados, um sofá preto com almofadas limpas, uma televisão, uma porta que dava a outro cômodo, e um homem sentado em uma cadeira. Cabelos lisos, com uma barba por fazer, usava um terno social e olhava com um ar divertido a Pete.

— Então? Está com o dinheiro? – perguntou o homem.

— Sim, irei lhe entregar, mas quero ver ela primeiro – disse Pete, sem rodeios.

— Acho que isso não será possível – disse o homem, rindo. – Me entregue o dinheiro ou não verá ela nunca mais.

— Está mentindo!

Quando gritou essas palavras, ouviu-se uma mulher gritando na porta ao lado.

— PETE? VOCÊ ESTÁ AÍ?

— Marie! Sou eu, Pete! Você está bem?

— Sim!

— Eu te amo, aconteça o que acontecer.

— Chega de romantismos e me dê logo a porcaria do dinheiro.

Pete abriu a maleta, mostrou o dinheiro ao homem, tornou a fechar a maleta e entregou a ele.

— Excelente. Muito bem. Agora, bons sonhos.

Recebeu uma pancada forte na cabeça e desmaiou.