O sequestro de Marie
2 Jane, A Detetive.
Notas iniciais
Acordou no chão frio do quarto. O dia já tinha clareado e os pássaros estavam cantando no céu azul. Eles me enganaram, pensou ele, tenho que descobrir onde eles estão. Levantou-se e abriu a porta que dava para o outro cômodo. Não havia nada lá. Deu um grito de raiva; pegaram a sua mulher. Com uma fúria sem limites, pegou a estante e derrubou-a no chão, deitou no sofá e pensou no que fazer. Teve uma ideia; pegou os livros do chão e começou a analisá-los. Maioria livros de psicologia e direito. Sabia que os colocaram ali propositalmente: sequestradores não liam livros de psicologia nem de direito. Apanhou uma das almofadas e colocou atrás da cabeça. Aonde quer que Marie esteja, estava sentindo a falta dele. Talvez estivesse sentindo medo, mas sentia a falta de Pete.
— Não se mexa! Se levante devagar e ponha as mãos aonde eu possa ver!
Seu coração parou. Colocou as mãos para cima e se levantou da cama.
— Como é o seu nome? – disse à mulher que apontava a arma para ele.
— Quem é você?
— Perguntei qual é o seu nome! Me responda!
— Pete.
— O que está fazendo na minha casa?
— Sua casa? – Pete não estava entendendo: a casa parecia abandonada.
— Sim, o que está fazendo aqui?
— Raptaram a minha mulher e...
Pete contou a história toda à mulher. À medida que ele foi contando, ela ficou desconfiada. Quando terminou, ela olhou para ele e disse:
— Vire-se, por favor.
Ele se virou e ela o revistou.
— Como é o seu nome?
— Jane. Sou detetive na delegacia da cidade. Posso lhe ajudar a encontrar sua esposa.
— Muito obrigado! Espero que não vá...
Uma música tocou em algum lugar da sala. Pete procurou de onde vinha a sua origem. Afastou a almofada do sofá e encontrou um telefone celular que estava recebendo uma ligação.
— Espere – disse Jane –, não atenda.
— Por quê?
— Pode ser um truque. Podem estar querendo saber se você já acordou. Deixe tocar.
— Ok.
— Está com fome? Quer tomar um café?
— Pode ser.
— Me acompanhe.
Jane levou Pete até a cozinha da casa, um lugar que ele não tinha reparado antes; aparentemente os sequestradores também não. Era uma cozinha elegante: micro-ondas, geladeira, chão quadriculado, cafeteira, oito cadeiras dispostas ao redor de uma mesa central. Sentou-se enquanto Jane preparava o café.
— Quer adoçante? – perguntou Jane.
— Gostaria.
Colocou o café em uma xícara em cima de um pires e deu para Pete tomar. Quando bebeu o primeiro gole, sentiu uma sonolência muito forte e não se lembrou de mais nada.
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