Gaia Scooty

Meu nome é Gaia Scooty e tenho 17 anos. Não sou nem muito alta, nem muito baixa, me considero de estatura média. Meus cabelos são longos e de um tom castanho meio loiro, que frequentemente caem sobre os meus ombros. As pessoas costumam comentar sobre a minha expressão facial, dizendo que ela transmite uma certa tristeza.


Atualmente, resido na Califórnia com minha mãe. A nossa vida mudou muito desde que perdi meu pai. Ele era um soldado e, infelizmente, em um determinado dia, algo trágico aconteceu. Ele foi atingido em uma missão, e esse evento marcou profundamente a minha vida. Recordo-me até hoje da dor que senti naquele dia; foi um momento que nunca vou esquecer e que continua a deixar uma sombra sobre meu coração. A saudade dele é constante, e a falta que faz é imensurável. Juntas, minha mãe e eu enfrentamos os desafios do dia a dia, tentando seguir em frente, mas sempre carregando a memória do que perdemos.

Estou me preparando para ir a um lugar que eu sou obrigada a chamar de escola, embora, para mim, isso não passe de um verdadeiro hospício, um verdadeiro inferno que preciso suportar. Todos os dias, sou forçada a ouvir o apelido que me atribuíram: a rata do esgoto. Isso acontece unicamente por eu vir de uma família humilde, o que parece ser um motivo suficiente para que as pessoas me menosprezem e me tratem com desprezo. Enfrentar essa situação é uma luta constante e desgastante, mas, mesmo diante de tanta hostilidade, sei que preciso aguentar firme e seguir em frente.

Após terminar de passar a escova pelo meu cabelo, me viro para o espelho e observando meu reflexo, percebo a imagem de uma garota com um rosto pálido. Um sorriso tímido e sem muita graça surge em meus lábios, mas não há nada realmente encantador naquilo.


Em seguida, abro a gaveta da minha escrivaninha e retiro os livros que estavam guardados. Com cuidado, coloco-os sobre a superfície da minha cama, um a um. Depois, pego minha mochila e começo a colocar todos os livros dentro dela, organizando-os para que não fiquem amassados.


Enquanto isso, meus olhos se fixam em um ursinho de pelúcia que ganhei do meu pai há bastante tempo. A lembrança daquele momento especial me aquece o coração. Com delicadeza, eu o pego nas mãos e solto um sorriso genuíno, sentindo a maciez do pelinho contra a minha pele. É uma conexão que me traz comforto e alegria, um pequeno tesouro da minha infância que ainda carrego comigo.

Pego a mochila e saio em direção à sala. Ao entrar, sinto o aroma do café fresco que minha mãe está servindo na mesa.Coloco minha mochila em uma das cadeiras e me acomodo em outra, esperando o café ficar pronto.


- Bom dia, filha! — minha mãe me saúda, com um sorriso caloroso no rosto.


- Bom dia, mãe! — respondo, tentando refletir a alegria dela em meu próprio sorriso. No entanto, por dentro, minha situação é bem diferente; apenas de imaginar que terei que pisar naquele lugar novamente, uma sensação de angústia se instala em meu peito.


Bebo meu café rapidamente. Após terminar, vou até o banheiro, escovo os dentes e me olho no espelho, tentando me dar forças para o que está por vir. Com um último suspiro, pego minha mochila novamente e me preparo para sair, sabendo que um dia difícil me aguarda.

Tenho que ir a aquela escola caminhando, uma vez que minha mãe não possui carro. No entanto, uma vantagem é que a escola não fica muito distante da minha casa, o que torna a caminhada mais viável e menos cansativa.

Enquanto vou caminhando, minha mente começa a divagar sobre como será o meu retorno às aulas. Sinto uma mistura de expectativa e nervosismo, pois sei que alguns dos alunos que me causaram dificuldades no ano passado estarão presentes. Essa lembrança provoca um turbilhão de emoções, e me pego imaginando como será o reencontro, se eles ainda manterão as mesmas atitudes. É um momento de reflexão sobre os desafios que enfrentei antes e que posso encontrar novamente.

Eu tenho enfrentado situações de bullying há muito tempo, e isso não é algo novo para mim. Tudo começou quando fiz amizade com uma garota, que ingenuamente deixei entrar na minha vida. Um dia, levei-a para a minha casa e compartilhei com ela detalhes sobre a minha história pessoal. No entanto, após alguns eventos, ela acabou se tornando famosa e se uniu ao grupo das meninas populares. Foi então que ela decidiu expor para todos os outros a minha origem e os desafios que já passei. Essa traição me feriu profundamente, pois a confiança que depositei nela foi quebrada, e o que era uma parte íntima de minha vida se tornou objeto de chacota e zombarias.

O bullying começou a aumentar e a ficar pior. Os apelidos passaram a surgir com mais frequência, e o mais cruel deles é rato do esgoto. As pessoas não hesitam em me fazer comentários maldosos, dizendo que me visto de forma inadequada e que meu cheiro é desagradável. Algumas chegam a me questionar se eu saí de algum esgoto, e tudo isso eu suporto em silêncio, guardando a dor profunda que essas palavras causam em mim.

Enfim chego aquele lugar, e , ao me aproximar da entrada , mal consegui entrar e já fui empurrada por um grupo de garotas. Elas quase me atropelaram, e assim que caí no chão, percebi que aquilo não foi um acidente, mas sim algo intencional. As risadas sutis que ouvi confirmaram minha suspeita, e uma das garotas se virou para me olhar por cima do ombro, com um sorriso sarcástico.

- Que azar o nosso ter que encontrar essa rata! — exclamou ela, e as outras garotas começaram a rir e se afastaram.


Eu me levanto, retirando a poeira invisível que estava nos meus joelhos. Ajusto minha postura, mas continuo a caminhar cabisbaixa, como costumo fazer. Evito olhar nos rostos daqueles alunos, pois tenho medo de que, se eu fizer isso, eles comecem a me provocar ainda mais. Sei que todos estão me observando com uma expressão de nojo, como se realmente estivessem diante de um rato.


Apressadamente, passo por eles, escutando os risinhos abafados que ainda ecoam ao meu redor. Contudo, tento não me importar com isso.