O raio e a morte não nos deram só um presente
7 Não curto meninas com mechas azuis
Notas iniciais
Relembrando o ultimo capitulo:
– Bom, amigão... Agora somos só eu e você. – Me virei para trás. — Amigão? – Chamei olhando pro nada. — BANGUELA? – Comecei a ficar nervoso, ele não me respondia, não rugia, não atirava plasma para o alto.
Comecei a correr pela floresta, cada vez mais rápido, quanto mais eu corria mais meu coração batia, mais desesperado eu ficava... E eu acabei me deparando com uma cena que eu nunca imaginaria ver.
Capitulo 7 – Não curto meninas com mechas azuis
Mesmo vendo com os meus próprios olhos e não acreditava... Continuei andando em frente e parei a alguns passos do Banguela.
– O que você fez com o meu dragão? – Senti meus punhos se fecharem e a raiva esquentando o meu corpo.
– Nada. – Ouvi uma voz calma e feminina. – Só estavamos brincando. – A estranha, ou o estranho (vai que é um menino na fase em que a voz muda, já ouviram a minha voz antigamente?) se levantou rápido.
Corri até o Banguela e me abaixei do lado dele.
– Amigão? Você está bem? – Ele estava virado com a barriga para o alto, olhos fechados e a língua para fora. – Banguelaaaaa! – Sacudi ele.
Saquei minha espada e ativei o fogo instantaneamente, o local se clareou e eu pude ver que era uma menina, eu a empurrei em direção a uma arvore antes mesmo de olhar o seu rosto direito.
– O que você fez com o meu dragão? Deu algum veneno para ele? – Aproximei minha espada de seu rosto.
Era aquela menina que eu tinha encontrado na floresta antes. Ela tirou seu capuz e eu pude reparar em seu rosto, era lindo, sua pele era clara, olhos escuros como a noite, lábios rosados, cabelos escuros com uma mecha azul acima da orelha esquerda, mas o que mais marcava o seu rosto era a cicatriz em diagonal na sua bochecha direita.
– Você? – Dei um passo para trás. – Qual o seu nome? Nunca te vi em Berk nem em ilha alguma.
Ela não me respondia, somente olhava para o chão.
– Eu sei que você não é muda. – Abaixei minha espada, eu devia esta a assustando. – Pode pelo menos me falar o que fez com o meu dragão? – Tentei ficar calmo.
Ela andou até ele, se abaixou do lado do Banguela e passou a mão pelo seu pescoço, foi descendo até sua barriga e depois dei um peteleco em seu nariz.
– Pronto. – Ela disse baixo, se levantou e recuou. – Eu só o coloquei para dormi.
– Por quê? – Me abaixei e fui conferir se o Banguela estava bem. Ele começou a lamber o meu rosto, ele estava bem então.
– A evolução dele. – Ela disse.
– A o que?
– Sabe quando ele fica meio azul e muito mais poderoso? Então, é tipo uma evolução, e você tem como melhorar isso. – Ela parou e respirou. – Meio que a “evolução” só acontece quando ele esta em estado máximo, esta bravo, com muita coragem, quer proteger alguém, coisa assim... Mas você pode ensinar a ele como controlar isso, e eu estava fazendo meio que um teste para ver se ele já foi “evoluído”. – Ela fez as aspas com as mãos. – E eu vi que ele já foi. – Ela disse seria.
– Como você sabe dessas coisas? – Me aproximei.
Ela olhou nos meus olhos, parecia que estava olhando e examinando minha alma, ela se virou, correu e eu a perdi dentre das arvores.
Me virei para o Banguela e o abracei.
– Ela te machucou? – Chequei seu corpo. – Vamos para casa, amigão. A floresta esta ficando casa vez mais perigosa.
Cheguei em Berk e todos estavam fazendo as coisas ainda, correndo, preparando as comidas, se preparando para o banquete. Todos estavam concentrados no banquete, e eu? Minha cabeça estava em outro lugar.
Não vou entrar em detalhes sobre o banquete que teve, eu não prestei atenção em nada, a minha sorte foi que a minha mãe e a Astrid perceberam que eu não estava bem, então cuidaram da atenção de todos para mim.
Sentei na minha cama, tirei a minha roupa e fiquei de calça, o Banguela se sentou na minha frente e ficou me olhando.
– Quem é aquela menina? – Passei a mão na cabeça dele. – Como ela sabia daquelas coisas?
– Quem sabia daquelas coisas? – Olhei para a janela e vi a Astrid ali.
– Ah... Oi – Disse meio triste. – Queria conversa com você sobre isso.
– Aconteceu algo? – Ela se sentou do meu lado.
– Sim... Han... – Me virei para ela. – Depois que você saiu da floresta, eu fui procurar o Banguela, gritei, corri, gritei mais um pouco, fiquei desesperado e depois achei ele.
– E?
– Ele estava com uma menina. – Disse serio.
– Como assim? – Ela ajeitou sua franja.
– Ele estava desmaiado, eu acho, deitado de barriga para cima, e ela estava mexendo nele.
– Ela machucou ele? – Ela pós as mãos na boca.
– Não não... Quando perguntei o que ela tinha feito, ela disse que... – Comecei a pensar nas minhas palavras e em como poderia explicar para ela o que eu mesmo não sabia.
– Disse que... ?
Antes de eu voltar a falar ouvi alguém abrindo a porta do meu quarto.
– Filho? – A minha mãe colocou sua cabeça para dentro do meu quarto. – Ah, você esta com a Astrid, só queria saber como você esta, você não parecia bem.
– E não estou mãe... – Ela me olhou com pena. – Vem aqui, senta com a gente, talvez você possa me ajudar a entender.
– Tem certeza? Não quero atrapalhar nada. – Ela disse.
– Não vai mãe. – Ri. – Só vai ajudar.
– O que aconteceu? – Ela perguntou preocupada e se sentou ao meu lado.
– Sinceramente? Ainda estou tentando saber.
– Como assim? – Ela perguntou.
– Sei la, mas fácil pergunta pro Banguela, ele que sabe tudo o que aconteceu. – O Banguela estava com o rosto deitado no meu colo e levantou seus olhos para mim. – Quem dera você pudesse falar amigão... Ia ser bem mais fácil. – Fiz carinho nele e ele ronronou.
– Nos conte o que sabe. – Astrid disse.
– Bem... – Respirei fundo. – Eu achei o Banguela deitado de barriga para cima, acho que estava desmaiado, e uma menina estava do lado dele, quando me viu pulou para trás, perguntei o que ela tinha feito com ele e ela disse que só estavam brincando. Perguntei quem era, mas não me respondia, eu nunca a vi em Berk... Em lugar nenhuma. Não faço ideia de quem seja.
– Viu o rosto dela? – Minha mãe perguntou.
– Sim, mas isso não é importante agora. – Balancei minhas mãos. – Ela foi até o Banguela e fez tipo você, no dia que nos reencontramos, mas diferente, ela passou a mão no corpo dele e deu um peteleco no nariz dele... Ai ele acordou. Perguntei o que ela tinha feito, ela disse que era pra analisar a evolução dele.
– A o que? – Astrid perguntou.
– Também perguntei isso... Lembra de quando derrotamos o Draco Sangue Bravo? E o Banguela ficou meio azul? – Elas fizeram que sim com a cabeça. – Então, ela disse que aquilo era tipo uma evolução, mas que ele só vai fica assim quando for proteger alguém, quando ficar nervoso... Mas que tem como ele aprender a controlar.
– Como assim? Isso é loucura. – Minha mãe disse.
– Também acho, ela disse que estava fazendo aquilo para ver ser o Banguela já tinha “evoluído”. – Fiz as aspas com as mãos. – E ela disse que sim.
– Como ela pode saber dessas coisas? Nem eu que vivi com os dragões sabia disso. – Minha mãe disse. – Dessa evolução.
– Pois é, perguntei isso, mas essa saiu correndo... De novo. – Me joguei para trás. – Ai, cama dura, preciso de outra.
– Como assim de novo? – Astrid perguntou. Merda!
– Eu já encontrei com ela uma vez... E ela saiu correndo também. – Cocei minha cabeça.
– Encontrou quando? – Ela se levantou e pós as mãos na cintura.
– Aquele dia que estávamos na floresta... Esses dias mesmo.
– Por que falou com ela?
– Achei que era você... – Me encolhi na cama. Minha mãe só observava...
– Me confundiu com ela? Você confundiu sua futura esposa com uma estranha? – Ela socou minha cama. Sinto que vou perde meus dentes.
– Não. – Dei um pulo na cama. – Eu estava desesperado te procurando para poder falar com você, e ela estava de capuz, vai que era você.
– Eu não estava de capuz naquele dia...
– Ué... Mas vai que eu não tivesse percebido né, não custava nada. – Sorri.
– Argh. – Ela cruzou os braços.
– Astrid. – Choraminguei. – Me ajuda mãe. – Me virei para ela.
– Sua futura esposa. – Ela disse segurando um riso. – Você que tem que se virar.
– Mas isso não importa agora? – Parei do lado da Astrid. — Importa? Poxa não é nada de mais... Eu só estava desesperado te procurando.
– Ok. – Ela descruzou os braços. – Nos fale como essa menina é, talvez ajude a encontra.
– Bom... Ela é baixa, magra... Olhos escuros... – Fui contando nos dedos as características, mania.
– SOLUÇO EU TENHO OLHOS AZUIS, E VOCÊ ME CONFUNDIU COM ELA? – Astrid socou meu ombro.
– Ai, mas ela tava de costas... Calma. – Passei a mão no ombro.
– Ok... – Ela se sentou na cama. – O que mais?
– Pele clara, lábios rosados, cabelos escuros... – Continuei contando.
– Reparou bastante nela hein... – Astrid bufou.
– Querida. – Minha mãe riu. – Relaxa, ele não seria louco de te trocar.
Sorri sem jeito, sinto que vou apanhar depois.
– Posso continuar madames? – Perguntei e elas fizeram que sim com a cabeça. – E ela tinha uma mecha azul no cabelo.
– Mecha azul? Como assim? – Astrid perguntou confusa.
– Sei la, mas ela tinha, acima da orelha. – Pensei em falar qual orelha, mas preferi deixar quieto.
– Bom, temos o perfil da menina, vamos pergunta por Berk. – Minha mãe se levantou. – Amanha vemos isso direito, melhor dormimos, o dia foi cheio e já esta bem tarde. – Minha mãe caminhou em direção a porta.
– A espera, ela também tinha uma cicatriz na bochecha. – Falei antes que minha mãe saísse.
Mas ao invés de ela dizer “ok” e continuar rumo ao seu quarto, ela congelou na porta, a mão que segurava a maçaneta começou a tremer. Ela se virou devagar para mim.
– Cicatriz? Na bochecha? — Os olhos dela estavam arregalados.
– Sim...
– Na bochecha direita?
– Sim... – Ok, estou nervoso.
– Em diagonal? – Ela olhou para o chão.
– Sim... – Olhei para a Astrid com medo.
– A senhora sabe quem é ela, dona Valka? – Astrid perguntou.
Minha mãe olhou no fundo dos meus olhos, ela sabia sim, dava para ver, e dava para ver mais ainda que ela estava muito preocupada com isso.
– Filho, se for mesmo quem você descreve... – Ela parou e respirou. – Nem todos os nossos dragões e guerreiros juntos podem parar essa menina.
Olhei para a Astrid, ela parecia tão nervosa quanto eu, meu coração estava a mil, parecia que ar faltava. Como assim? Temos centenas de dragões e centenas de vikings, como uma menina só pode ser mais forte que todos nos juntos?
– Tem certeza do que esta falando, dona Valka? – Astrid perguntou.
– Sim... – Minha mãe estava ficando cada vez mais branca.
Ela pós a mão na cabeça, suas pernas ficaram moles, ela perdeu as forças, quando ela ia cair o Banguela parou do seu lado e serviu de apoio para ela.
– Obrigada. – Ela disse. – Eu vou para o meu quarto pensa... Acho melhor vocês descansarem, os tempos daqui para frente vão ser muito difíceis. – Ela me olhou com preocupada. – Durma bem, meu filho, amanha conversamos sobre isso direito, ok?
Fui até ela e lhe dei um beijo.
– Ok, mãe. Boa noite, durma bem. – Eu disse.
– Boa noite, filho, e boa noite, Astrid. – Minha mãe disse se virando para sair pela porta enquanto o Banguela a ajudava.
– Boa noite, dona Valka. – Astrid disse.
Esperei minha mãe sumir de vista, me virei para a Astrid, ela se sentou na cama e eu comecei a andar de um lado para o outro.
– Como assim? Como assim? – Comecei a puxar meus cabelos. – Foi só tocar na historia dessa menina e minha mãe quase desmaia... Pra minha mãe desmaia o negocio deve ser muito serio.
– Sim... – Astrid olhava para o nada. – Estou com medo... Viu como sua mãe falou da menina? – Ela olhou para mim. – Nem todos os dragões e vikings juntos podem parar essa menina...
– Calma.- Me sentei do lado dela e ajeitei sua franja. – Vai fica tudo bem, sempre damos um jeito, não é? – Sorri e ela sorriu de volta.
– Sim...
– Quer dormi aqui comigo hoje? Não precisa mais fica sozinha de noite, você é minha futura esposa, eu to aqui pra te proteger. – Passei minha mãe em seu rosto.
– Acho que você precisa de proteção. – Ela disse e riu.
– Sim, preciso mesmo. – Aproximei meu rosto do dela e encostei nossos lábios, nada quente, nem rápido... Eu só queria sentir os lábios dela nos meus. – Amanha resolvemos isso, ok?
– Resolvemos o que? Estamos em um completo escuro, sem informações nenhuma...
– Mas é sempre assim que as coisas começam. – Pisquei para ela e a puxei para deitar comigo.
– Boa noite, Soluço. – Ela disse enquanto se ajeitava em cima do meu peito.
– Boa noite, amor. – Mexi em seu cabelo e senti ela sorrindo.
Mesmo com o meu coração a mil, e eu estando completamente preocupado com Berk... Astrid sempre me deixava mais calmo.
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