Notas iniciais
Lembrando o ultimo capitulo:
– Sim, preciso mesmo. – Aproximei meu rosto do dela e encostei nossos lábios, nada quente, nem rápido... Eu só queria sentir os lábios dela nos meus. – Amanha resolvemos isso, ok?
– Resolvemos o que? Estamos em um completo escuro, sem informações nenhuma...
– Mas é sempre assim que as coisas começam. – Pisquei para ela e a puxei para deitar comigo.
– Boa noite, Soluço. – Ela disse enquanto se ajeitava em cima do meu peito.
– Boa noite, amor. – Mexi em seu cabelo e senti ela sorrindo.
Mesmo com o meu coração a mil, e eu estando completamente preocupado com Berk... Astrid sempre me deixava mais calmo.
Capitulo 8 – Maníaca.
Acordei com a maior do de cabeça e dor no corpo possível... Me ajeitei na cama até perceber que estava na beradinha, porem já era tarde de mais e eu já tinha caído no chão. Me levantei ajeitando o cabelo e olhei para a minha cama, Astrid ainda estava lá, linda como sempre, ela estava toda esparramada na minha cama, mas estava linda.
Fui ao banheiro, escovei meus dentes e troquei de rouba, assim que eu levantei a blusa percebi uma marca roxa na lateral do meu abdômen, a Astrid me deu um chupão e eu não to sabendo? Mas tudo bem.
Depois de por outra roupa eu desci para ver como a minha mãe estava.
– Bom dia, mãe. – Eu disse abraçando-a pelas costas.
– Oi, filho. – Ela passou a mão pela minha cabeça.
– Esta se sentindo melhor? – Me sentei na mesa. – Você parecia meio chocada ontem...
– Nos temos que conversa sobre aquela menina. – Ela disse pondo a jarra de leite em cima da mesa. – Mas não agora, preciso de tempo, tenho que pensar.
– Do jeito que a senhora quiser... Desde que seja o melhor. – Sorri.
– Bom dia. – Astrid disse se espreguiçando enquanto descia a escada.
– Bom dia. – Me levantei e lhe dei um beijo na bochecha. – Quer tomar café com a gente?
– Claro. – Ela se sentou do meu lado. – Eu te incomodei hoje de noite? A cama é pequena pra duas pessoas. – Ela parou e pensou. – E meus pais falam que eu chuto muito enquanto durmo.
– Agora entendi porque eu to todo doido e tem uma mancha roxa no meu abdômen. – Eu disse levantando a blusa. – Foi você me chutando de noite. – Eu fiz careta. – Achei que tinha sido só um sonho... Pesadelo na verdade.
– Ai, não exagera, Soluço. – Ela deu um soco no meu braço.
Rimos disso, Astrid sempre foi assim... Bruta, cheia de socos e golpes, mas quando ela só esta comigo ela fica tão... Tão... Menos bruta, porque ficar meiga não tem como ela ficar.
– A senhora esta se sentindo melhor, dona Valka? – Astrid perguntou enquanto pegava um copo de leite.
– Estou sim querida, já disse pro Soluço que eu vou pensar e depois vamos conversa sobre aquela menina. – Minha mãe disse com uma voz meio abatida. Tocar no assunto daquela menina não fazia bem a ela.
– Bom. – Eu disse me levantando. – Já comi, estou sem fome agora, e espero que você também esteja Astrid, pois temos muitas coisas a resolver.
– Mas o que? Eu acabei de me sentar. De jeito nenhum, você vai resolver seus problemas sozinho, eu quero comer. – Ela disse batendo o punho na mesa. Medo.
– Ok, ok, senhorita esfomeada. Mas eu não consigo resolver meus problemas sem você né. – Tentei fazer um charminho.
– Se vira, mais tarde te encontro na academia. – Ela disse mordendo uma maça.
– Vê se pode, peço a garota em casamento na frente de toda Berk, e no dia seguinte já ta me largando. – Eu disse colocando as mãos na cintura e balançando a cabeça negativamente. – Estou desapontado, mocinha. – Apontei meu dedo para ela.
– Problema é seu. – Ela segurou meu dedo e o torceu.
– Ai. – Puxei meu dedo de volta. – Delicada você hein. – Minha mãe riu da cena. – A senhorita tem 15 minutos. – Antes de ela poder responder, lhe dei um beijo na bochecha e sai pela porta.
Mesmo sendo de manha, o céu estava em um tom de azul escuro, cheio de nuvens... A época de neve estava por perto, com toda a certeza. Mesmo eu não sentindo frio enquanto voo, voar com o céu praticamente congelado é o mesmo que pedir para virar uma pedra de gelo.
Falando em voar, saudades do Banguela, não vi ele no meu quarto de manha...
Fui andando até a academia na esperança de encontrar ele lá, no caminho todos me cumprimentavam, me desejavam bom casamento, felicidades... E olha que eu nem me casei ainda.
Cheguei a academia, todos estavam la: Melequento, Perna-de-Peixe, Cabeça-Dura e Cabeça-Quente.
– Vocês viram o Banguela? – Perguntei.
– Perdeu seu dragãozinho foi? – O Melequento disse.
– Não não, eu só não o vi hoje ainda. Algum de vocês o viu?
– Não vi nada, Soluço. – O Perna-de-Peixe disse.
– Olha na floresta, eu e o Cabeça-Dura voamos la hoje e vimos o Banguela, mas foi bem de manha mesmo, assim que o sol tava nascendo. – A Cabeça-Quente disse sentada na frente do seu dragão.
– O que você tava fazendo na floresta aquela hora? – O Melequento perguntou. – Pode ser muito perigoso, minha Deusa.
– Ergh. – Ela fez cara de nojo.
– Nos estávamos seguindo as pistas, ué. – O Cabeça-Dura disse.
– Pistas? – Perguntei.
– Sim. Tinha vários tecidos de couro e algumas das armas roubadas em uma área, o Banguela estava rodeando por ali.
– Ele devia esta atrás de pistas... – Pensei alto. – Valeu gente. Talvez mais tarde eu precise de vocês, fiquem atentos. – Disse isso e sai correndo da academia.
Corri em direção a minha casa, Astrid ainda devia esta la e eu iria pedir a ela para me levar a floresta, Tempestade é ótima farejando, iria ser mais fácil de encontrar o Banguela.
– Soluço! — Ouvi a voz da Astrid em cima de mim.
Olhei para cima e vi uma Nadder Mortal tapando o resto de sol que tinha no céu, graças as enormes nuvens pretas.
– Olá, senhorita, finalmente parou de comer hein. – Ela posou ao meu lado.
– Eu já sai da sua casa a um tempão, tava te procurando.
– Fui procurar o Banguela, só sei que ele ta na floresta.
– Como assim?
– Explico no caminho. Só preciso que você me leve ate a floresta. – Ela esticou a mão para mim e me puxou para cima da Tempestade.
O vento estava gelado e muito úmido, senti meu rosto congelando, a neve já estava chegando.
– Sabe para a onde ele ta? – Ela perguntou gritando. Tempestade voava muito rápido, se ela falasse normalmente eu não ouviria nada.
– Não... Esqueci de pergunta isso. – Sorri e ela bufou.
– Devia ter imaginado... – Ela parou a Tempestade no topo de uma enorme arvore. – Se ele ta seguindo pistas, então deve ter um esconderijo em algum lugar, a pessoa quem roubou nossas armas e roupas não deve ta expondo as coisas por ai.
– E o que a senhorita sugere? – Perguntei.
– Vamos para o lugar mais escudo da ilha.
– Que lindo. – Falei.
Astrid sorriu e na mesma hora Tempestade deu um pulo e mergulho, a velocidade era tremenda, eu estava quase caindo e me vendo virar panqueca de Soluço.
– Chama ele. – Ela disse.
– No meio do nada? – Fiz cara de confuso.
– Soluço, se você quer achar seu dragão vai ter que chama-lo.
– Concordo, mas procurando ele estamos automaticamente procurando quem roubou as coisas, e eu não to afim de um grupo de maníacos com dragões pulando em cima da gente. – Falei.
– Certo, vamos descer então.
Ela pousou, mesmo ainda estando de tarde, já estava ficando tudo escudo, o céu estava totalmente cinza, amanha com certeza eu acordaria com um belo monte de neve na porta da minha casa.
– Vamos fazer assim, vai por ali, e eu por aqui. – Astrid disse apontando para as direções.
– A floresta é muito grande, e esta escura, é perigoso nos dividirmos assim e ficarmos sozinhos. – Eu disse descendo da Tempestade.
– Na verdade só é perigoso para você que esta sem dragão. – Ela zombou de mim.
– Engraçadinha hein. – Cheguei perto dela. – Volta la na ilha e chama o pessoal, vou da uma olhada por aqui mesmo.
– Como você disse, ficar sozinho não é uma boa.
– Relaxa, sei me cuidar. – Dei um beijo em sua bochecha. – Mas vai rápido, eu to com um mau pressentimento...
– Ok. – Ela me deu um selinho, uma piscadinha e saiu voando.
– Espero que eu esteja errado... – Cochichei para mim mesmo e me virei para o breu que tinha atrás de mim. Pelo meu dragão eu faço tudo.
Eu devo ter andado por mais de 1 hora e não tinha visto sinal nenhuma da Astrid e do pessoal, o mais provável é que eu tenha andado de mais e eles estejam me procurando, perfeito...
Avistei uma caverna a minha frente, não acho que o Banguela se esconderia ali, mas os ladrões sim. Saquei minha espada e ativei o fogo, tudo se iluminou, era praticamente um túnel, era muito fundo, parecia ate ter sido construído por um Morte Murmurante... Com toda a certeza o Banguela não entraria aqui, nem os ladrões, mas meu coração estava batendo mais forte, devia ter algo lá que iria me ajudar. Péssimo sinal, mas tudo bem. As curvas iam para cima, para baixo, para todas as direções possíveis. COM TODA A CERTEZA, eu estava em uma trilha de um Morte Murmurante. Olhei para minhas costas e vi mais centenas de tuneis, eu estava perdido, mais 10 pontos para Soluço, o besta.
Fui andando o mais levemente possível, sempre com os ouvidos atentos, mas não ouvia barulho nenhum, não tinha barulho de vento, de dragão, de passos, de nada, eu nem me ouvia respirando, cheguei a pensar que estava morto, mas só estava perdido mesmo.
Apaguei minha espada e sentei no chão, eu não fazia ideia do que fazer, se eu gritasse podia chamar algum Morte Murmurante, e o Banguela odeia esse tipo de dragão, claro que ele não estaria aqui... Por que raios de Thor eu entrei aqui?
Me joguei no chão, eu não podia ficar nervoso, se não tudo pioraria, pensa, pensa, Soluço, o que a Astrid faria? Provavelmente ela nem teria entrado aqui. Parei de pensar, desisti e me concentrei no som de nada que aqueles túneis ecoavam. Mas até que não ficou um silencio por muito tempo, ouvi um grunhido, tipo um rangido bem grosso, e baixo, me sentei no chão e me concentrei mais e mais, na espera do som se repetir. E se repetiu, era o Banguela, ele estava machucado, eu podia perceber pelo tom do seu grunhido, e vinha do túnel a minha esquerda, corri o mais rápido possível, dei de cara com uma encruzilhada, resei a todos os Deuses que o Banguela grunhisse de novo, depois de longos 2 minutos ele grunhiu, corri para o túnel a minha direita, corri por uns 10 minutos, parecia que não tinha fim... Mas só parecia. Pude ver no final do túnel uma luz, mas uma luz vindo de cima, o túnel era aberto em cima, mas eu não via nada, mesmo tendo aquela iluminação no final do túnel, eu não conseguia ver nada alem de pedras, eu estava sozinho no túnel.
– Banguela, por favor, amigão, por favor, a onde você ta? – Me joguei no chão com um nó se formando na minha garganta.
Ouvi o Banguela de novo, só que dessa vez mais alto, como se estivesse do meu lado. Dei um pulo e me virei, e me virei de novo.
– Banguelaaaaaaaaaaaaa! – Gritei, ele estava por ali, eu sabia que estava.
Ouvi de novo ele, ele estava do meu lado, eu sei que estava... Levantei minha espada na altura do meu rosto e me virei para a parede a minha direita e a iluminei, era uma pedra tapando uma passagem.
– Amigão? Você ta ai? – Perguntei batendo na pedra. Ele ronronou. – Calma, amigão, vou te tirar daí.
Fui para o lado da pedra, era larga e fina, mas muito pesada, empurrei com todas as minhas forças possíveis, praticamente não se movia. Usei minha espada para fazer uma alavanca, a pedra se mexeu só um pouco e pude ver que tinha um buraco atrás dela, e o Banguela estava ali atrás.
– Calma, amigão, to quase lá, você vai sair daí.
Continuei empurrando, mas a pedra não se mexia mais de 3cm, não tinha como eu tirar ele dali.
– Ok, pensa, Soluço, pensa. – Olhei para a fresta que eu tinha conseguido abrir, o Banguela estava começando a brilhar. Eu podia vê-lo. – Ta me vendo aqui amigão? – Ele me olhou e... Ele estava amordaçado, ele, ele estava todo amarrado, preso, como um animal selvagem.
Uma ira tomou conta do meu corpo, puxei a alavanca que fiz com a minha espada e na mesma hora a pedra caiu.
– Amigão! – Eu o abracei. – Pelos Deuses, quem fez isso com você? – Usei a espada e comecei a corta as cordas e a mordaça. – Te machucaram? – Passei a mão em seu focinho e ele me lambeu. – Também fico muito feliz de te ver, mas temos que dar o fora daqui.
O Banguela estava cansado, seu corpo estava mole e fraco, ele andava mancando.
– Amigão faz só uma força ok? Vamos voar por esse túnel e ir lá pra cima, ai voltamos pra Berk e vai fica tudo bem ok? – Fiz carinho em seu pescoço.
Ele se abaixou para mim subir, montei nele e ajeitei suas redias e todas as coisas a mais que ele fica equipado.
– Fizeram um estrago e tanto aqui hein. – Ajeitei a onde eu colocava o pé. – Vamos para casa.
Ele abriu as assas e subimos na mesma hora. O céu estava totalmente escuro agora, não faço ideia de quanto tempo eu fiquei andando la dentro, mas deve ter sido muito.
– Vamos para Berk amigão, chegando lá você vai poder descansar tranquilamente.
Ele ronronou e começou a voar, bem baixo e bem lentamente, ele parecia exausto, ele não iria aguentar voar muito.
– Para aqui amigão, você ta muito cansado. – Ele negou. – Banguela, serio, vamos parar um pouco, o pessoal ta procurando a gente.
Ele finalmente concordou, inclinou seu focinho para baixo e pousou. Ele se deitou no chão e desabou ali mesmo. Me encostei nele e fiquei ali, olhando para o céu esperando ver Astrid ou qualquer outra pessoa.
Fechei os olhos e deixei o vento fresco me refrescar, o som do vento é tão aconchegante. Porem mais aconchegante é a Astrid falando o meu nome... Queria que ela tivesse aqui.
A voz da voz dela começou a ecoar na minha cabeça, não pude conter o sorriso... Mas a voz continuava, “Soluço.” “SOLUÇO!”. Quando pensei em abrir os olhos levei um tapa na cara.
– Ai. – Levantei em um pulo. – Que isso?
– Aleluia, achei que tivesse morrido. – Ela se jogou em cima de mim e me abraçou.
– Astrid. – Abracei mais forte. – Como é bom te ver.
– Também é bom te ver, estávamos mortos de preocupação, eu principalmente claro, mas você sumiu por horas.
– Eu achei o Banguela em um túnel de Morte Murmurante, acho melhor sairmos daqui logo.
– Isso faz sentido. – Ela pensou. – Vem comigo, os meninos encontraram algo.
– O que?
– A menina. – Ela disse tensa.
– Aquela menina? – Arregalei os olhos.
– Sim, mas tem mais coisa, vem logo comigo.
Acordei o Banguela o mais rápido possível, e com certeza ele não tinha ficado feliz com isso.
Voei por uns 15 minutos seguindo a Astrid, e voltei para onde? Para aquela entrada da “caverna” que eu tinha entrado.
– O que vocês tão fazendo aqui? – Disse pousando. – Tem túnel de Morte Murmurante ai dentro.
– A gente sabe. – O Melequento disse.
– Porque estamos aqui? Eu não to entendendo... – Foi quando eu vi, encolhida no lado da entrada estava ela, aquela menina, e a coisa mais pavorosa. Um Morte Murmurante ao seu lado.
– Você? – Desci do Banguela. – Com um Morte Murmurante?
Ela levantou a cabeça, era aquela menina mesmo, olhos e cabelos escuros, cicatriz no rosto e mecha azul no cabelo. Ela olhou fixamente para mim e depois para trás de mim, seus olhos ficaram mais pretos ainda. Parecia que estava repleto de ódio.
– Como você conseguiu? Eu o escondi tão bem. – Ela falou entre os dentes.
Olhei para onde ela estava olhando, era para o Banguela.
– Você o prendeu? Você o capturou? O amarrou? E trancou ele naquele buraco? – Ouvi minha voz aumentando.
– Sim. – Ela disse friamente.
Eu não sabia o que fazer, meu sangue fervia. AQUELA NANICA DE MEIO METRO DE ALTURA TINHA CAPTURADO E MACHUCADO MEU DRAGÃO.
– Por quê? – Falei sacando minha espada.
– Porque eu posso. – Ela sorriu. – Vocês todos estão mortos, eu vou matar um por um, principalmente o seu dragão. — Ela estalou os dedos, seu Morte Murmurante abaixou a cabeça, ela montou no dragão e entrou nos tuneis.
– Banguela vamos. – Corri e subi nele.
– MAS O QUE? – Astrid gritou.
– Não vou deixar essa maníaca fugir. – Voei em direção ao túnel.
– MAS SOLUÇO, A NEVASCA JÁ VAI COMEÇAR! – Ouvi Astrid gritar.
Parei na porta do túnel e olhei para o céu, estava ficando preto, iria nevar, e muito. Mas quando olhei para Astrid para pensar mais sobre ir ou não ir atrás da nanica maníaca, uma parte de pedra caiu sobre a entrada tapando-a completamente.
– Você nunca vai sair daqui, Soluço. Não com vida. – Ouvi a voz da menina ecoando pelos tuneis.
Eu estava preso.
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