O raio e a morte não nos deram só um presente
9 “Eu quero todos os dragões”
Notas iniciais
– Porque eu posso. – Ela sorriu. – Vocês todos estão mortos, eu vou matar um por um, principalmente o seu dragão. — Ela estalou os dedos, seu Morte Murmurante abaixou a cabeça, ela montou no dragão e entrou nos tuneis.
– Banguela vamos. – Corri e subi nele.
– MAS O QUE? – Astrid gritou.
– Não vou deixar essa maníaca fugir. – Voei em direção ao túnel.
– MAS SOLUÇO, A NEVASCA JÁ VAI COMEÇAR! – Ouvi Astrid gritar.
Parei na porta do túnel e olhei para o céu, estava ficando preto, iria nevar, e muito. Mas quando olhei para Astrid para pensar mais sobre ir ou não ir atrás da nanica maníaca, uma parte de pedra caiu sobre a entrada tapando-a completamente.
– Você nunca vai sair daqui, Soluço. Não com vida. – Ouvi a voz da menina ecoando pelos tuneis.
Eu estava preso.
Capítulo 9 – “Eu quero todos os dragões”
Meu pulmão ficou vazio, meu coração congelou, minha barriga se contraiu junto com todos os meus músculos. A ultima imagem que eu vi foi a de Astrid com os olhos cheios de medo.
– Astrid! – Eu disse pulando do Banguela e batendo na pedra. – Tá me ouvindo?
– Soluço? Eu tô aqui. – Ouvi sua voz embargada.
– Astrid... – Eu disse deixando minha mão escorregar pela pedra. – Vá embora! – Gritei o mais alto possível. – A nevasca vai começar, vá para Berk, AGORA!
– NÃO, EU NÃO VOU TE DEIXAR. – Ela estava a ponto de chorar, eu sentia isso pela sua voz.
– Amor, por favor. – Encostei minha testa na pedra. – Eu vou ficar bem, tenho o Banguela aqui e a tempestade não pode me atingir. Mas você tem que ir, a nevasca vai começar e é muito perigoso aí fora, vá para Berk, é uma ordem.
– Soluço, eu não vou te deixar. – Ela já devia estar chorando, sua voz estava falhando.
– Melequento, leve a Astrid em segurança para a ilha, me entendeu? Estou confiando em você. — Nunca me imaginei falando isso, mas era o melhor a fazer.
– Tudo bem. – Havia um tom de susto ou até mesmo nervoso em sua voz.
– Eu vou ficar bem, vou dar um jeito de achar uma saída, e vou estar em Berk logo. – Disse claramente.
– Ok. – Ela fungou. – Por favor, não vá atrás daquela menina, fique seguro.
Que saco... Não posso prometer isso a ela.
– Amor, juro que vou fazer o possível, mas não vou mentir para voe, não garanto nada. – Falei e ouve um momento de silencio.
– Eu quero me casar com você, você tem que sair daí vivo. Estou te esperando em Berk, até mais, querido. – E essas palavras foram as ultimas que eu ouvi da minha amada Astrid.
Me sentei no chão e o Banguela se sentou do meu lado.
–O que fazemos agora, vamos atrás dela ou procuramos uma saída? – Perguntei fazendo carinho na cabeça do Banguela, que me olhou sério. – Ok, vamos fazer os dois.
Levantei e saquei minha espada e a acendi, tudo se iluminou. O túnel no qual estávamos era comprido e parecia se seguir somente em frente.
Andamos por longos minutos, todos os tuneis iam para baixo, para cima, para os lados...
Preferimos pegar os túneis que iam para cima, pois como aquilo era uma montanha, a sua área em cima era menor, dando menos espaço para ter tuneis. Se andássemos para os lados podíamos ficar rodando em círculos, se fossemos para baixo só iriamos aumentar as chances de encontrarmos mais tuneis, já que quando mais para baixo, maior fica a área. Então quanto mais para cima, menor a área. Acho que conseguiram entender.
Chegamos em um túnel que não tinha saída, que incrível.
– Por Merlin, minhas pernas já estão doendo. – Me joguei no chão e reparei que o Banguela ria. – Tá rindo de que? – Perguntei levantando a sobrancelha.
Ele apontou para a minha perna de pau com o focinho. Obvio, ele estava fazendo graça comigo.
– Eu ainda tenho metade dessa perna, então tecnicamente posso falar que as minhas DUAS pernas doem, entendeu, seu dragão burro? – Falei rindo.
Ele pulou em cima de mim me jogando no chão e tapou meu rosto com sua pata.
– Ah qual foi? – Eu disse, mas minha voz saiu abafada. – Sai de cima de mim. – Fiz uma força enorme para empurrar ele, mas ele nem se mexia – Dragão malcriado.
Ele tirou a pata da minha cara e me olhou com os olhos cerrados... É, acho que eu não devia ter falado aquilo.
Ele jogou todo o seu corpo em cima de mim, eu estava imobilizado... Amo esse dragão.
– Ok ok, desculpe, você é o melhor, o mais esperto e o dragão mais incrível que possui neste mundo. – Eu disse rindo com o pouco de ar que restava em meus pulmões, já que o Banguela estava os esmagando.
Ele riu (sim, riu, do jeito dele, mas riu) e saiu de cima de mim.
Não consegui nem me ajeitar quando ouvi aquela voz.
– Que cena linda. – Era ela.
Peguei minha espada e estiquei o braço para tentar iluminar mais o túnel. Ela estava a alguns passos de mim.
– Nunca imaginei ver uma cena tão fofa, não é Boca Grande? – Ela disse passando a mão no seu Morte Murmurante.
– Decidiu aparecer? – Falei seriamente.
– Eu nunca sumi, estava este tempo todo te observando, vendo se você ia conseguir sair daqui, mas vejo que não é inteligente a este ponto. – Ela disse mexendo em suas unhas.
– Por raios de Thor, quem é você? – Eu disse entre dentes.
– Eu? Bom. – Ela desceu de seu dragão. – Meu nome é Ana, eu sou incrível e invencível. E só. – Ela disse sorrindo.
– Se acha. – Falei para o Banguela e ele concordou.
– Eu não me acho – Ela disse fortemente. – Eu sou tudo e muito mais do que você pode imaginar. – Ela sorriu.
– O que você quer com a gente? – Eu falei.
– Com “a gente”? Você não esta incluído no que eu quero, você é uma espinha de peixe falante. – Ela revirou os olhos. – Eu só quero o seu dragão.
– Tá maluca? Ele é meu, e só. – Disse me aproximando do Banguela, que entrou em posição de guarda.
– Ele é dragão, todos os dragões pertencem a mim. – Ela disse fechando os punhos.
– Qual o seu problema? – Perguntei.
– Olha só, os dragões são meus e acabou. – Ela disse cruzando os braços. – Você vai voltar para a sua ilhazinha ridícula e preparar todos os dragões para serem entregar a mim na melhor forma possível, quero todos saudáveis e em ótimas condições. – Ela disse se virando.
– Ficou maluca? Os dragões são nossos, são da minha ilha, e você nunca irá por suas mãos neles. – Falei apertando o cabo da espada.
Ela riu e olhou para mim por cima dos ombros.
– Garoto ridículo... Você não quer travar uma batalha comigo, acredite. – Sua voz estava mais grave, parecia que tinham duas vozes juntas. – Você tem uma semana para preparar os dragões para mim. – Ela subiu em seu Morte Murmurante. – Ou sua ilha pagará pela sua teimosia, irei destruir tudo que tiver em Berk. – Ela disse com um sorriso maligno.
Seu dragão avançou pela parede criando um novo túnel, eu e o Banguela corremos para ver aonde ela ia. O túnel que ela criou era uma saída da caverna, o vento gelado entrou pela abertura do túnel e congelou meus ossos, cheguei na bera do túnel e não consegui vê-la. Eu tinha a perdido de vista.
Eu e o Banguela fomos embora dali, a nevasca estava muito forte, mas acredito que tinha estado mais forte antes, pois certas arvores estavam cobertas quase até a metade do tronco pela neve. O Banguela fez um esforço enorme para vencer a força da nevasca e nos levar de volta a ilha.
Cheguei na ilha e o Banguela me carregou para dentro de casa, eu não conseguia me mexer, eu estava congelando e todo o meu corpo estava branco.
– Soluço! – Ouvi a voz da Astrid e logo em seguida ela me abraçou. – Pelos Deuses, você esta congelando. – Ela começou a tirar a neve que estava em mim. — Dano Valka, Dona Valka. – Astrid gritou olhando para trás. – Ele voltou.
Astrid me ajudou a sentar na cadeira perto da lareira.
– Filho! – Minha mãe disse descendo as escadas. – Pelos Deuses, você está bem? – Ela colocou mais madeira na lareira.
– Estou. – Disse gaguejando e procurei pelo Banguela.
Ele estava deitado o meu lado, aparentemente exausto, mas a nevasca parece não ter o incomodado nem um pouco.
– Você esta bem, amigão? – Perguntei fazendo a maior força para esticar meu braço e fazer carinho nele.
Ele levantou a cabeça pare receber meu carinho e olhou para o meu corpo, seus olhos estavam preocupados.
– Eu vou ficar bem. – Disse batendo os dentes.
Ele se levantou, ficou equilibrado em suas duas patas traseiras e abriu a boca, bem pouco. Uma pequena quantidade continua de fogo saiu de sua boca e ele começou a rodar em volta de mim. Seu fogo não me queimada, ele estava tomando cuidado para não me machucar. Em poucos segundos todo o gelo que me cobria foi derretido.
– Obrigado. – Sorri para ele, e ele apoiou a cabeça na minha coxa e ronronou.
– Soluço, amor... Beba. – Astrid disse me oferecendo uma caneca. Tentei pega-la, mas meus dedos mal se moviam. – Eu te ajudo. – Ela levantou a caneca na direção da minha boca e eu bebi.
– Mãe... – Eu disse com a voz fraca. – Astrid...
– O que foi, Soluço? – Minha mãe perguntou.
– Ela estava lá. – Falei.
– Ela? – Minha mãe perguntou espantada.
– Sim... Aquela menina que falamos aquela noite. – Disse com uma voz cansada olhando para ela.
– Pelos Deus... – Minha mãe colocou a mão na boca.
– O que aconteceu naqueles túneis, Soluço? – Astrid perguntou.
– Ela disse que temos que entregar todos os dragões, ou Berk será destruída. – Falei com um nó na garganta.
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