Assim que Kathlynn acordou foi para a enfermaria.

— ah, Remus, me perdoe. – pediu.

O garoto tinha um galo enorme na lateral da cabeça, vários arranhões, dores nos músculos, sua visão tinha vários pontos pretos manchando-a, mas tentou dar um sorriso.

— eu quem devo pedir perdão… – ele estava muito tenso, pode perceber Kathlynn. – Eu podia tê-la matado.

O coração de Kathlynn apertou. A garota tentou dar um sorriso, mas ele vacilou.

— me perdoe, Kathlynn. – pediu Remus novamente, a voz com suplica.

Kathlynn conseguiu sustentar o sorriso.

— Remus, a culpa não foi sua. – o garoto não pareceu convicto. – Se eu não tivesse desobedecido Hagrid não teria acontecido, de qualquer forma.

Remus puxou um pouco de ar.

— você é uma bruxa puro-sangue… – começou ele.

Kathlynn ficou quieta.

— eu não só sou mestiço, como sou um lobisomem. – continuou ele. – Isso não te incomoda?

A garota sorriu.

— não. – inclinou-se um pouco para o amigo. – E sua condição só importa se te incomodar, okay?

O sorriso de Remus finalmente foi sincero.

— obrigado, Kate.

— de nada. – levantou da cadeira. – Tenho que ir pra aula correndo, se quiser empresto minhas anotações depois. Tchau.

— tchau.

— Black, pode fazer o favor de prestar atenção no seu trabalho? – pediu Kathlynn irritada.

Sirius riu e inclinou-se para ela.

— Clark, por que eu faria isso se nem você faz?

Ela inclinou-se para ele também.

— porque você quem está me atrapalhando. – sibilou em resposta.

Sirius deu seu sorriso debochado.

— não estou fazendo nada, Kathlynn.

— sabe que está.

— você se distrai fácil demais, Clark. – disse. Semicerrou os olhos. – Corrigindo: eu a distraio demais.

Kathlynn jogou a cabeça para trás e gargalhou.

— está me confundindo, Sirius. – disse.

Uma certa malícia surgiu nos olhos de Sirius. Ele levantou-se um pouco e inclinou-se sobre Kathlynn, passou a mão pelo pescoço dela e a beijou.

Kathlynn tentou empurrá-lo, mas ele a segurou firmemente sua cintura, até que ela retribuiu o beijo. Se não fosse um beijo perfeito, ela não repetiria o ato.

Sirius soltou uma risada fraca no segundo que se afastaram, sem fôlego. Ele empurrou os livros para o lado no sofá e retomou o beijo, passeou a mão pela lateral do corpo da garota e tentou levantar sua blusa, mas Kathlynn a abaixou e o empurrou.

— droga, Black! – brigou ela, gritando. – Você é um babaca. – levantou-se e limpou os lábios com a mão. Saiu da sala batendo os pés.

Kathlynn caminhou pelos corredores do sétimo andar censurando a si mesma. Agora já estava óbvio para si que gostava de Sirius, contra sua vontade, e o pior era que Sirius sabia também.

— idiota. – não sabia ao certo se se xingava ou a Sirius.

Esbarrou em alguém.

— ai – era Laurel. – Só podia ser você, Kathlynn. – brigou ela. – Preste atenção por onde anda, idiota.

Kathlynn revirou os olhos.

— vá à merda, Laurel.

— está estressadinha? – zombou Laurel. – Sugiro que cuide com suas palavras.

Kathlynn continuou seu caminho. Uma quintanista lufana cruzou com ela e começou a acompanhá-la.

— ah, oi. – disse a lufana com a voz fina. – Você viu um garoto bonito de olhos cinza? Ele também é da Grifinória.

Kathlynn suspirou.

— está falando de Sirius Black? – era mais para uma afirmação.

— isso. – a garota corou um pouco. – Eu o vi esses dias… e queria fazer uma pesquisa.

Kathlynn parou, a outra lufana fez o mesmo.

— ele está em nossa sala comunal. Você não pode ir lá. – disse com uma leve frieza na voz, as garotas de Sirius eram irritantes às vezes. – Diga-me do que se trata que falo a ele.

A lufana sorriu e relaxou os ombros.

— obrigada. – ela uniu as mãos na frente do corpo. – Eu só queria saber qual o tipo de garota que ele gosta.

Kathlynn deu uma gargalhada de deboche.

— qualquer uma que abra as pernas pra ele. – respondeu com desdém.

A garota arregalou os olhos, assustada com a resposta.

— ai Merlin, você está brincando, né? – a voz ficou ainda mais aguda.

Kathlynn deu um sorriso para a garota, ela não parecia ser uma vadia.

— quer um conselho?

A garota inclinou-se um pouco, curiosa.

— fique longe do Sirius. – disse, a lufana encolheu os olhos. – Você parece ser uma boa garota, não queira sofrer por um cara como ele.

— mas… ele não pode ser tão ruim.

— ele é insensível, impulsivo e muitas vezes arrogante. – dentre outras coisas.

A garota murchou.

— mas por que eu gosto dele, então? – questionou, mais a si do que a Kathlynn.

— Sirius tem muitas qualidades, lufana. – respondeu Kathlynn. – Mas não é como você pensa, não acho que você deva arriscar por uma imagem que você está criando baseada no pouco que você vê ou até mesmo na bela aparência dele.

A garota deu um meio sorriso.

— obrigada. – deu um abraço em Kathlynn, que ficou surpresa com o ato repentino. A lufana a largou. – Você é muito gentil.

Kathlynn não adicionaria isso a sua lista de qualidades, então apenas deu um sorriso em resposta para a garota.

O sinal tocou.

— ah, tenho que ir pra aula. – lamuriou-se a lufana.

Kathlynn riu, lembrando-se de seu quinto ano.

— como se chama, lufana? – perguntou.

— ahn? Ah sim! – sorriu atrapalhada. – Meus amigos me chamam de Meg, pode me chamar assim. – estendeu a mão para Kathlynn, que achou o gesto antiquado, mas apertou a mão estendida.

— Kate. – apresentou-se a grifina. – Vou para a aula também. Tchau.

Virou o corredor e afastou-se da outra, que gritou atrasada:

— foi um prazer te conhecer!

Kathlynn foi para a sala de História da Magia e sentou-se discretamente no fundo, perto dos marotos. James fingia prestar atenção na aula, mas seus olhos estavam vidrados, Sirius estava apoiado sobre os braços dormindo, Remus, que recebera alta, fazia anotações e Peter comia discretamente. O professor não a viu ou não deu importância para seu atraso.

Kathlynn esforçou-se para prestar atenção, mas acabou desviando os olhos para Sirius.

A garota estudou a beleza do garoto sem a arrogância marcada nos traços, os cachos que se formavam nas pontas dos cabelos negros que agora caiam sobre os olhos do garoto, os lábios separados e o corpo relaxado.

— Sr. Black! – chamou o professor Binns.

Remus cutucou Sirius com a pena.

— Sr. Black! – chamou novamente o fantasma. Sirius ergueu a cabeça. – Espero que esteja prestando atenção às minhas explicações, sua família foi muito importante neste processo.

Sirius revirou os olhos.

— ah sim, muito interessante. – respondeu com sarcasmo.

O fantasma acenou com a cabeça e continuou a aula, que acabou depois do que pareceram horas.

— mais um trabalho. – choramingou Marlene. – Merlin, ninguém merece.

Foram jantar e depois para a Torre.

— ai, boa noite, Kate. – Lilian finalmente terminou seu trabalho.

— boa noite, ruivinha. – desejou James.

— boa noite, Potter. – Lilian subiu para os dormitórios.

James sorriu animado.

— ela não gritou Evans, viram? – disse.

Kathlynn riu.

— graças a Merlin, Pontas. – disse Sirius. – Minha audição já não é a mesma desde que você se apaixonou por ela.

James espreguiçou-se.

— vamos, Almofadinhas, Remus está nos esperando.

Os dois levantaram.

Sirius pegou sua varinha e a agitou, um balão de água se formou sobre a cabeça de Peter e explodiu, acordando-o.

— tchau, Kate.

Kathlynn subiu para seu quarto e deitou-se. Quando dormiu, sonhou com seu pesadelo: Sirius.