O que és para mim, Sirius Black
3 About Sirius Black
Assim que Kathlynn acordou foi para a enfermaria.
— ah, Remus, me perdoe. – pediu.
O garoto tinha um galo enorme na lateral da cabeça, vários arranhões, dores nos músculos, sua visão tinha vários pontos pretos manchando-a, mas tentou dar um sorriso.
— eu quem devo pedir perdão… – ele estava muito tenso, pode perceber Kathlynn. – Eu podia tê-la matado.
O coração de Kathlynn apertou. A garota tentou dar um sorriso, mas ele vacilou.
— me perdoe, Kathlynn. – pediu Remus novamente, a voz com suplica.
Kathlynn conseguiu sustentar o sorriso.
— Remus, a culpa não foi sua. – o garoto não pareceu convicto. – Se eu não tivesse desobedecido Hagrid não teria acontecido, de qualquer forma.
Remus puxou um pouco de ar.
— você é uma bruxa puro-sangue… – começou ele.
Kathlynn ficou quieta.
— eu não só sou mestiço, como sou um lobisomem. – continuou ele. – Isso não te incomoda?
A garota sorriu.
— não. – inclinou-se um pouco para o amigo. – E sua condição só importa se te incomodar, okay?
O sorriso de Remus finalmente foi sincero.
— obrigado, Kate.
— de nada. – levantou da cadeira. – Tenho que ir pra aula correndo, se quiser empresto minhas anotações depois. Tchau.
— tchau.
— Black, pode fazer o favor de prestar atenção no seu trabalho? – pediu Kathlynn irritada.
Sirius riu e inclinou-se para ela.
— Clark, por que eu faria isso se nem você faz?
Ela inclinou-se para ele também.
— porque você quem está me atrapalhando. – sibilou em resposta.
Sirius deu seu sorriso debochado.
— não estou fazendo nada, Kathlynn.
— sabe que está.
— você se distrai fácil demais, Clark. – disse. Semicerrou os olhos. – Corrigindo: eu a distraio demais.
Kathlynn jogou a cabeça para trás e gargalhou.
— está me confundindo, Sirius. – disse.
Uma certa malícia surgiu nos olhos de Sirius. Ele levantou-se um pouco e inclinou-se sobre Kathlynn, passou a mão pelo pescoço dela e a beijou.
Kathlynn tentou empurrá-lo, mas ele a segurou firmemente sua cintura, até que ela retribuiu o beijo. Se não fosse um beijo perfeito, ela não repetiria o ato.
Sirius soltou uma risada fraca no segundo que se afastaram, sem fôlego. Ele empurrou os livros para o lado no sofá e retomou o beijo, passeou a mão pela lateral do corpo da garota e tentou levantar sua blusa, mas Kathlynn a abaixou e o empurrou.
— droga, Black! – brigou ela, gritando. – Você é um babaca. – levantou-se e limpou os lábios com a mão. Saiu da sala batendo os pés.
Kathlynn caminhou pelos corredores do sétimo andar censurando a si mesma. Agora já estava óbvio para si que gostava de Sirius, contra sua vontade, e o pior era que Sirius sabia também.
— idiota. – não sabia ao certo se se xingava ou a Sirius.
Esbarrou em alguém.
— ai – era Laurel. – Só podia ser você, Kathlynn. – brigou ela. – Preste atenção por onde anda, idiota.
Kathlynn revirou os olhos.
— vá à merda, Laurel.
— está estressadinha? – zombou Laurel. – Sugiro que cuide com suas palavras.
Kathlynn continuou seu caminho. Uma quintanista lufana cruzou com ela e começou a acompanhá-la.
— ah, oi. – disse a lufana com a voz fina. – Você viu um garoto bonito de olhos cinza? Ele também é da Grifinória.
Kathlynn suspirou.
— está falando de Sirius Black? – era mais para uma afirmação.
— isso. – a garota corou um pouco. – Eu o vi esses dias… e queria fazer uma pesquisa.
Kathlynn parou, a outra lufana fez o mesmo.
— ele está em nossa sala comunal. Você não pode ir lá. – disse com uma leve frieza na voz, as garotas de Sirius eram irritantes às vezes. – Diga-me do que se trata que falo a ele.
A lufana sorriu e relaxou os ombros.
— obrigada. – ela uniu as mãos na frente do corpo. – Eu só queria saber qual o tipo de garota que ele gosta.
Kathlynn deu uma gargalhada de deboche.
— qualquer uma que abra as pernas pra ele. – respondeu com desdém.
A garota arregalou os olhos, assustada com a resposta.
— ai Merlin, você está brincando, né? – a voz ficou ainda mais aguda.
Kathlynn deu um sorriso para a garota, ela não parecia ser uma vadia.
— quer um conselho?
A garota inclinou-se um pouco, curiosa.
— fique longe do Sirius. – disse, a lufana encolheu os olhos. – Você parece ser uma boa garota, não queira sofrer por um cara como ele.
— mas… ele não pode ser tão ruim.
— ele é insensível, impulsivo e muitas vezes arrogante. – dentre outras coisas.
A garota murchou.
— mas por que eu gosto dele, então? – questionou, mais a si do que a Kathlynn.
— Sirius tem muitas qualidades, lufana. – respondeu Kathlynn. – Mas não é como você pensa, não acho que você deva arriscar por uma imagem que você está criando baseada no pouco que você vê ou até mesmo na bela aparência dele.
A garota deu um meio sorriso.
— obrigada. – deu um abraço em Kathlynn, que ficou surpresa com o ato repentino. A lufana a largou. – Você é muito gentil.
Kathlynn não adicionaria isso a sua lista de qualidades, então apenas deu um sorriso em resposta para a garota.
O sinal tocou.
— ah, tenho que ir pra aula. – lamuriou-se a lufana.
Kathlynn riu, lembrando-se de seu quinto ano.
— como se chama, lufana? – perguntou.
— ahn? Ah sim! – sorriu atrapalhada. – Meus amigos me chamam de Meg, pode me chamar assim. – estendeu a mão para Kathlynn, que achou o gesto antiquado, mas apertou a mão estendida.
— Kate. – apresentou-se a grifina. – Vou para a aula também. Tchau.
Virou o corredor e afastou-se da outra, que gritou atrasada:
— foi um prazer te conhecer!
Kathlynn foi para a sala de História da Magia e sentou-se discretamente no fundo, perto dos marotos. James fingia prestar atenção na aula, mas seus olhos estavam vidrados, Sirius estava apoiado sobre os braços dormindo, Remus, que recebera alta, fazia anotações e Peter comia discretamente. O professor não a viu ou não deu importância para seu atraso.
Kathlynn esforçou-se para prestar atenção, mas acabou desviando os olhos para Sirius.
A garota estudou a beleza do garoto sem a arrogância marcada nos traços, os cachos que se formavam nas pontas dos cabelos negros que agora caiam sobre os olhos do garoto, os lábios separados e o corpo relaxado.
— Sr. Black! – chamou o professor Binns.
Remus cutucou Sirius com a pena.
— Sr. Black! – chamou novamente o fantasma. Sirius ergueu a cabeça. – Espero que esteja prestando atenção às minhas explicações, sua família foi muito importante neste processo.
Sirius revirou os olhos.
— ah sim, muito interessante. – respondeu com sarcasmo.
O fantasma acenou com a cabeça e continuou a aula, que acabou depois do que pareceram horas.
— mais um trabalho. – choramingou Marlene. – Merlin, ninguém merece.
Foram jantar e depois para a Torre.
— ai, boa noite, Kate. – Lilian finalmente terminou seu trabalho.
— boa noite, ruivinha. – desejou James.
— boa noite, Potter. – Lilian subiu para os dormitórios.
James sorriu animado.
— ela não gritou Evans, viram? – disse.
Kathlynn riu.
— graças a Merlin, Pontas. – disse Sirius. – Minha audição já não é a mesma desde que você se apaixonou por ela.
James espreguiçou-se.
— vamos, Almofadinhas, Remus está nos esperando.
Os dois levantaram.
Sirius pegou sua varinha e a agitou, um balão de água se formou sobre a cabeça de Peter e explodiu, acordando-o.
— tchau, Kate.
Kathlynn subiu para seu quarto e deitou-se. Quando dormiu, sonhou com seu pesadelo: Sirius.
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