O que és para mim, Sirius Black
4 Marauders
Kathlynn entrou no quarto dos marotos.
— então – começou. – o que aconteceu?
Sirius saiu do banheiro. Obvio que ele ia estar com a toalha apenas na cintura, exibindo o abdômen definido, simplesmente obvio. Kathlynn fez um enorme esforço para nem olhá-lo.
— Kathlynn Grace Clark. – James pronunciou o nome como se fosse um feitiço.
Kathlynn franziu as sobrancelhas as ouvir seu nome completo.
— como você… – então reparou que ele lera em um pergaminho. – O que é isso, como você pegou isso e por quê?
Sirius sentou na cama e a encarou. James tinha um brilho maroto nos olhos.
— seus registros de detenção – respondeu James. –, nós os roubamos e pegamos porque queríamos saber se você é… adequada.
Kathlynn não entendeu o que ele quis dizer. Olhou para Remus, ele sorriu com diversão.
— eu deveria entender o que quer dizer? – perguntou enfim. – Sinceramente parece que você leu minhas indicações para a vaga de um emprego.
Sirius riu.
— você não é idiota. – disse.
Kathlynn revirou os olhos.
— obrigada por notar, Black. – voltou-se para James. – Você está falando dos marotos? – perguntou.
James sorriu.
— exato. – disse. – Você é a segunda garota com mais detenções em toda a escola. – falou como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo.
Kathlynn semicerrou os olhos.
— isso com certeza não devia ser algo para eu me orgulhar. – mas não ligava. – E quem é a primeira?
Sirius sorriu.
— o Rabicho, é claro.
Kathlynn riu.
— então, Clark, está dentro? – perguntou James.
— claro. – por que recusaria?
Sirius não pode evitar sorrir.
—______________________________________________
Kathlynn sentou na carteira, Sirius lhe jogou uma barrinha de cereal.
— bem, nossa nobre aprendiz – era assim que James a estava chamando agora. –, você sabe bem que somos animagos, então… você também vai ser.
Kathlynn bocejou.
— uhum. – disse. – Não estou reclamando, mas precisamos vir na Sala Precisa, às cinco da madrugada para isso?
Sirius riu.
— ele está quase tão empolgado em te fazer uma marota quanto em conquistar a Evans.
Remus riu.
— acho que seu caso é mais fácil. – comentou.
James fez uma careta para os amigos.
— só quero ter certeza de que teremos tempo. E eu preciso investir na minha ruivinha durante o dia.
Kathlynn assentiu com a cabeça.
— tá bem, tá bem.
James começou a andar igual um soldado pelo cômodo.
— você sabe alguma coisa sobre como virar um Animago?
— alguma coisa a ver com folhas de mandrágoras? – respondeu meio na duvida.
— é o primeiro passo. – concordou James. – Um mês com uma folha de mandrágora na boca.
Parecia fácil.
— certo.
— mas não pode engolir nem tirar por nada. – avisou Sirius, com diversão. – Se fizer isso recomeça.
Kathlynn o encarou.
— por que seu tom sugere que quer ver-me fazer isso?
Sirius sorriu.
— não quero que fracasse – disse. –, mas lembro que Rabicho demorou dois anos para completar essa fase, e eu ria sempre que ele engolia.
Peter manteve-se inexpressivo, mas seu rosto ficou escarlate.
Kathlynn balançou a cabeça.
— não vou demorar tanto.
James bateu as mãos uma na outra.
— então tá. Vamos pegar as folhas hoje, mais tarde.
— com pegar você quer dizer roubar. – corrigiu Kathlynn.
— isso. – respondeu.
Kathlynn riu.
— Pontas, a Lily está a três corredores daqui. – disse Remus, olhando para um pedaço de pergaminho.
James sorriu.
— já volto. – saiu da sala e foi atrás de Lilian.
Kathlynn arqueou as sobrancelhas.
— como você sabe? – perguntou para Remus.
— esse seria o próximo ponto. – respondeu. Mostrou a ela um mapa.
Tinha algo escrito em cima.
— o mapa do maroto. – leu ela. Em seguida estudou o mapa, era impressionante. – Merlin, isso é genial.
Sirius dava a garota um olhar arquiteto.
— juro solenemente não fazer nada de bom. – disse.
— como é? – ela voltou-se para ele.
— é a senha. – respondeu. – Não podemos deixar qualquer bisbilhoteiro usá-lo.
— ah.
— vamos, ainda não estamos arrumados e já está quase na hora do café.
Não, Sirius não estava apaixonado. Pelo menos se negava a acreditar nessa possibilidade.
— Srta. Clark, poderia, por favor, pedir a Filch uma copia das chaves deste armário? – pediu o professor.
Kathlynn saiu da sala.
Afinal, o que teria nela de tão especial que faria com que Sirius se sentisse assim? Ela era bela, com certeza, mas havia muitas garotas belas que flertavam com ele. Era uma puro-sangue, o que o irritava por ser exatamente o tipo de garota que sua família apoiaria. Não aprontava nas reuniões de família, embora risse quando ele o fazia – o que piorava, já que ela não tinha coragem de fazer o que queria na frente dos pais. –. Não tinha porque gostar dela, por fim.
— obrigado, senhorita. – agradeceu o professor. – Pode se sentar.
Sirius inclinou sua cadeira para trás, apoiou o encosto na parede e começou a girar a varinha entre os dedos. Não sinto nada por ela, não há porque sentir.
O sinal tocou quinze minutos depois.
— Clark, que tal sairmos hoje à noite? – perguntou um corvino. – Nos conhecermos melhor…
Kathlynn respirou fundo.
— não posso hoje, Jackson. – disse ela. – Tenho que fazer alguns trabalhos e tudo mais.
— eu posso te ajudar com isso, depois.
— dispenso, obrigada.
Sirius não pode negar para si que gostou de ela ter recusado o encontro. O jeito que o corvino olhava para ela não o agradava nem um pouco.
— tudo bem. – disse o rapaz. – Fica para a próxima?
Kathlynn deu de ombros.
— pode ser.
Foram para a aula de Herbologia. Em um momento do segundo tempo da aula, a professora teve que sair, no qual Sirius teve a oportunidade perfeita para roubar algumas folhas de mandrágora no canto da estufa, enquanto James distraia Lilian.
—… aquele café em Hogsmeade foi feito para nós dois…
Sirius escondeu as folhas segundos antes de a professora voltar e continuar sua aula.
— quantas você pegou? – perguntou James num sussurro quase inaudível.
— quatro. – respondeu Sirius. Anotou algumas palavras-chaves no pergaminho.
— acha que é o suficiente? – seu tom era questionador.
Sirius riu.
— quanta falta de fé, Pontas.
James deu de ombros.
— sabe que esse troço é horrível.
O sinal tocou. Os quatro marotos puxaram Kathlynn para um canto e deram-lhe as folhas.
— ah Merlin! – ela fez uma careta ao colocar uma delas na boca. – Que nojento!
Remus segurou uma risadinha.
A folha era nojenta mesmo. Quando era colocada ficava pegajosa e parecia ter uma gosma a envolvendo, fora que se não fosse encaixada direito no céu da boca as chances de serem engolidas aumentavam.
— 30 dias vocês disseram? – lembrou Kathlynn com certa decepção.
James riu.
— isso aí. – confirmou.
Kathlynn respirou fundo.
— tuudo bem.
Remus olhou a hora.
— vamos, agora é Defesa Contra as Artes das Trevas.
Peter gemeu, ele quase fora dispensado dessa matéria por falta de nota – mas ficou graças à constante troca de professores da disciplina.
Foram para a sala e tiveram a aula. A professora da vez era Brianna McKenna, ela era boa, até.
— alinhe a postura. – mandou ela. – E erga mais o braço. Caso contrário não poderá sustentar o feitiço.
Depois foram para a aula de Trato de Criaturas Mágicas, que na opinião de Sirius devia ser lecionada por Hagrid, que era bem mais agradável que Kettleburn – ele era meio… bipolar.
— Srta. Evans, faça dupla com o Sr. Potter. – decidiu ele, aleatoriamente.
— mas senhor, e a…
— a Srta. Clark fará com o Sr. Lupin, que era a antiga dupla do Sr. Potter, não vejo complicação.
— exceto que a dupla do James era o Sirius. – murmurou Kathlynn para Lilian, antes de se aproximar de Remus.
— pensando bem… Sr. Lupin, troque com o Black, que estava com a Srta. Meadowes.
A cabeça desse homem não podia estar funcionando direito.
— e Sr. Pettigrew… troque com a McKinnon e acompanhe o Sr. Longboton. – pareceu finalmente satisfeito e permitiu que entrassem na floresta.
— ele provavelmente foi atacado por uma criatura selvagem e ainda sofre as conseqüências. – murmurou Kathlynn, não esperando que Sirius ouvisse.
— acho que não foi só uma vez. – ponderou.
Kathlynn sorriu. Caminharam um pouco em silencio.
— acha que a Lily já matou o James?
— provavelmente já está enterrando o cadáver.
Os dois riram.
Sirius ouviu um barulho estranho, como o bater de pinças… já tinha ouvido aquele som antes, sentiu a tensão em seu corpo crescer.
— o que foi isso? – perguntou Kathlynn.
— você aqui de novo, é muito bom revê-lo. – uma enorme aranha apareceu, suas pernas compridas e peludas arrastando as folhas no chão e dando a acromântula uma vantagem para o ataque.
— Ararogue. – disse Sirius.
Os dois eram conhecidos, e não se gostavam, obviamente.
— Sirius. – Ararogue bateu as pinças, voltou seus muitos olhos negros brilhantes para Kathlynn. – Quem é essa?
Sirius não temia a aranha gigante, não como deveria, mas se ela atacasse Kathlynn…
— Kathlynn. – respondeu a garota por ele. Sirius a encarou com leve surpresa, a voz e a expressão dela eram muito firmes para alguém que estava diante de uma criatura como aquela.
Mas a coragem de Kathlynn não garantia que ela escapasse de Ararogue.
— saia daqui, Ararogue. – disse Sirius com desdém.
— você é arrogante mesmo diante da morte – falou a aranha. – isso me surpreende.
Sirius mudou para sua forma animaga e se colocou em frente a Kathlynn, flexionando todos os músculos, pronto para pular. Kathlynn pegou sua varinha.
A aranha emitiu um som semelhante a uma risada.
— acha que pode me atingir? – zombou a aranha.
Kathlynn respirou fundo e conjurou seu feitiço. Uma massa escura e sem forma saiu de sua varinha.
— o que… – Ararogue olhou com horror a massa, que de repente tomou a forma de um basilisco.
Sirius voltou a ser humano e aproveitou-se do momento de pânico da acromântula para pegar Kathlynn pela mão e puxá-la para longe correndo.
Sirius parou quando ficaram seguros e gargalhou.
— pelas barbas de Merlin, Kathlynn! – exclamou com admiração. – Não acredito que você conjurou um bicho papão.
Kathlynn estava meio sem fôlego, ajeitou os cabelos que estavam bagunçados e riu.
— por que, diabos, aquela aranha queria nos matar?
Sirius colocou a mão no queixo.
— nos encontramos algumas vezes e ele não parece gostar muito de cachorros… E na ultima vez eu o deixei manco… Não sei.
Kathlynn inclinou um pouco a cabeça.
— de repente eu me arrependi de não ter deixado a aranha te matar um pouquinho.
— você teria que viver com a culpa de ter matado o cara dos sonhos de metade das garotas de Hogwarts.
Kathlynn riu.
— vamos logo – disse ao lembrar que ainda estavam em aula –, ainda não achamos nenhum daqueles monstrinhos.
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